O Ilustrador Empreendedor

Photo of a Woman Thinking

Uma coisa que me tira do sério é ouvir que nós, artistas e profissionais do desenho e ilustração, temos tempo livre, não temos horário fixo, que vivemos relaxados e tranquilos, quase como se estivéssemos ‘vendendo nossa arte na praia’. A verdade é que a profissão do ilustrador demanda muito tempo e empenho. Posso dizer que, pelo menos para mim, se tem uma coisa que o ilustrador não tem sobrando é tempo. Além de ter que desenhar e ilustrar, o ilustrador freelancer, ou até mesmo o ilustrador empreendedor, também atua em várias áreas dentro da sua ‘empresa’. Diferentemente dos Estados Unidos, onde geralmente há a figura do agente, aqui no Brasil o ilustrador tem que se virar quase totalmente sozinho. O ilustrador é praticamente uma “empresa de uma pessoa só”. Veja só:

Orçamentos: além de ter que apresentar orçamentos para seus clientes, dependendo da sua área de atuação, tem que orçar com a gráfica e fornecedores.

Planejamento: de curto e longo prazo, tanto para o projeto do momento como para saber o que estará fazendo no ano que vem.

Gerenciamento de tempo: é essencial ter equilíbrio entre o ‘ilustrar’ e as demais tarefas comerciais, financeiras e legais. Não dá para passar o tempo todo fazendo marketing, e esquecer do seu produto, ou seja, ilustrações.

Administração de materiais – para quem trabalha com materiais como pincéis, tintas e papéis especiais, por exemplo, ou fornece produtos com suas ilustrações.

Cronograma de trabalho – Não fazer um cronograma dos seus projetos pode ser um ‘tiro no pé’. O tempo que se gasta num cronograma se ganha na organização do próprio tempo, possibilitando saber de antemão quando vai terminar um projeto e se – e quando – é possível aceitar outro. Já me pediram para fazer 365 ilustrações em 30 dias. Se eu não souber em quanto tempo eu faço cada ilustração, posso acabar aceitando algo que, para mim, seria impossível entregar num prazo tão apertado.

Emissão de notas ou recibos – no caso do ilustrador ter uma pequena empresa, pode ter que lidar com notas fiscais eletrônicas, boletos, faturas, etc.

Contabilidade e finanças – mesmo que o ilustrador tenha um contador, ainda assim tem que ter noção de impostos, realizar pagamentos, etc…

Contratos – essencial ler e analisar cada cláusula, para ver se cobriu todas as possibilidades antes de assinar e se não há nenhuma abusiva. Além disso, o ‘combinado não sai caro’. Uma vez assinado o contrato, dificilmente se consegue modificar alguma condição. Vou dar um exemplo: a editora pode não querer colocar seu nome na capa do livro, e uma cláusula no contrato pode evitar que você fique ‘esquecido’. Já imaginou você ter um trabalho que vai atingir milhares de pessoas e alguém gostar do seu trabalho mas não saber quem fez as ilustrações do livro?

Negociação de valores – cada caso é um caso e cada cliente um cliente. Nem sempre você vai poder cobrar a mesma coisa de cada cliente. Depende de vários fatores e uma negociação pode levar dias e dias de troca de e-mails entre você e o editor.

Encontro com clientes/expedição – embora não seja comum, alguns clientes querem conhecer o ilustrador antes de contratar. Em outros casos, você pode se encontrar com algum possível cliente para discutir novos projetos que estão somente no papel. Sem falar que, às vezes tem que entregar ou despachar os produtos que comercializa.

Oficinas – recebo muitos pedidos de oficinas. Às vezes eu aceito, às vezes, não. Uma oficina demanda muito tempo e geralmente quem solicita não pode (ou não quer) remunerar o seu tempo e trabalho. Isso depende do estágio em que você se encontra, se tem ou não algum trabalho no momento, se você vê oportunidades ou não, entre outros fatores. Mas muitas vezes é um tempo que você emprega e que, no fim, não recebe nem um lanchinho nem o dinheiro para o seu transporte.

Hora extra – é isso mesmo. Quantas vezes não ficamos até as 2h da manhã para terminar um trabalho? A vida é feita de eventos, alguns bons e outros nem tanto. E algum deles pode atrasar o seu trabalho e você ter que usar um fim de semana para terminar.

Divulgação e marketing – com tantas mídias sociais, temos que aproveitar para expor e divulgar nosso trabalho. Confesso que não dou tanta atenção a isso como deveria, mas o tempo que uso para isso depende da quantidade de trabalho que tenho naquela semana. Se tiver um livro para entregar, provavelmente vou postar pouco. Mas que é importante, isso é.

Visitar feiras, participar de associações – essa parte é bem interessante. Embora seja uma delícia visitar feiras, encontrar com colegas, assistir palestras, ainda assim isso toma tempo. Tem enormes vantagens pois, além de ser um evento social, que é ótimo, oportunidades de trabalho podem surgir.

Minha mãe diria: fiquei cansada só de ler. Mas é verdade. Hoje mesmo falei com três fornecedores meus, e dois deles vieram trazer material que mandei imprimir. Nos dois casos o produto não ficou como a prova que haviam feito. Isso significa retrabalho, tanto para eles como para mim. Tempo que poderia estar ilustrando ou, como diz meu filho, ‘desenhandinho’. E mesmo para isso temos que pesquisar, estudar, fazer rascunhos…

Enfim, embora a profissão de ilustrador pareça glamourosa para quem olha de fora, a realidade é que somos praticamente uma empresa, e temos que atuar como tal.

A profissão do Ilustrador

A cada dia que passa a profissão do ilustrador fica mais interessante. Antigamente, um ilustrador não passava de um prestador de serviços. Alguns livros nem davam crédito ao ilustrador. Atualmente, felizmente, o ilustrador já tem sido visto e considerado como autor de imagem.

É importante ressaltar que a ilustração é muito influenciada pela cultura em que foi criada. Alguns autores acreditam que a ilustração começou no tempo das cavernas. Outros estudiosos tem dificuldade em definir o que é arte e o que é ilustração. Eu, particularmente, acredito que a ilustração é mais um tipo de arte. É, na minha opinião, a união do ‘útil ao agradável’. Eu explico: enquanto a arte pode sobreviver por si só, a ilustração geralmente vem acompanhada de uma narrativa. O objetivo da ilustração é comunicar uma ideia, conceito ou mensagem. Geralmente utilizada em publicidade, política e nos meios jornalísticos, a ilustração tem um caráter de utilidade. Embora seja possível ser somente decorativa, geralmente tem como objetivo a comunicação.

Com o advento da imprensa, a ilustração começou a ser utilizada de modo mais abrangente, criando oportunidades cada vez maiores para o ‘artista-ilustrador’. Alguém pode argumentar que a ilustração é substituível, pois temos a fotografia. Porém, nem toda foto consegue transmitir uma mensagem como uma ilustração. Bem que dizem que uma imagem vale mais que mil palavras…

Nos últimos anos, percebemos uma grande expansão dessa arte. Hoje, a maioria dos ilustradores são freelancers, alguns deles trabalhando para si mesmos, e recebendo crédito pelas suas artes como verdadeiros artistas. São artistas independentes, que fazem seu próprio horário, e que buscam significado no que fazem, com o objetivo de obter satisfação no seu trabalho. Essa maior possibilidade de trabalho também gerou maior competitividade, o que fez aumentar consideravelmente a qualidade do trabalho dos ilustradores e também gerou a necessidade de buscar a cada dia aprimoramento maior. Não basta mais saber ilustrar, é preciso se destacar. Além disso, é necessário também conhecer como funciona o mercado e os aspectos comerciais e legais da profissão.

Pensando nisso, criei o curso online “Primeiros Passos do Ilustrador”, no qual falo sobre todos esses aspectos. Ainda sem data para abertura de turma, esse curso visa preencher uma lacuna na formação do ilustrador.

Se desejar receber informações a respeito, entre em contato ou deixe seu nome aqui.

Outra notícia:

Nesse fim de outubro, a Prefeitura de Curitiba me convidou para realizar uma mostra individual das ilustrações do livro “Curitiba de A a Z”. A abertura da mostra está programada para o dia 31 de outubro, às 17h, no Espaço Cultural David Carneiro, na Brigadeiro Franco, anexo ao Hotel Pestana.

Será o fim do mercado editorial, como o conhecemos?

Produção gráfica – Livro Ingresso Especial

Dizem que muitas profissões vão desaparecer no futuro. Essa semana li um artigo falando especificamente sobre a extinção das editoras. Há rumores de que isso vai acontecer com as editoras tradicionais. Várias editoras pequenas fecharam nos últimos anos. E as grandes editoras sofrem com a crise. Mas isso não quer dizer que está o chegando o fim das publicações. Pelo contrário.

Antigamente, o autor não tinha recursos para publicar um livro. Nem financeiros, nem recursos industriais e de distribuição. Quem tinha os equipamentos para impressão eram as editoras. Quem conhecia o caminho de distribuição e venda eram as editoras.

Atualmente, porém, gigantes como a Amazon, por exemplo, tem auxiliado o autor a publicar sem o apoio de uma editora. Hoje é possível publicar um livro e fazer todo o trabalho de divulgação sozinho, sem a necessidade de uma editora. Editoras gigantescas estão oferecendo pacotes de publicação ou co-participação a autores. E como será o amanhã?

Quando eu comecei a ilustrar, eu só tinha que fazer o desenho, pintar e enviar para a editora. Eles faziam o resto. Eu precisava somente do correio. Que, aliás, não desempenhava muito bem suas funções. No meu primeiro livro, tive que contratar uma empresa de transporte privada para entregar as ilustrações, porque os Correios estavam em greve. Em outro livro, as ilustrações só chegaram dois meses depois. Mesmo com a internet, as editoras preferiam receber os originais e só devolviam depois que o livro fosse publicado.

Felizmente, isso é coisa do passado e hoje podemos enviar as imagens de nossas ilustrações para o outro lado do mundo em questão de minutos. Eu mesma enviei ontem várias arquivos para Portugal.

Voltando às editoras, há rumores que vão desaparecer no futuro. Será? Não sabemos ao certo. Porém, independentemente se é verdade ou não, terão que se reinventar.

Se isso acontecer, o que será do trabalho do ilustrador ? Participo de grupos de ilustradores e muitos estão preocupados com o seu futuro. Mas…

E nós, ilustradores, o que podemos fazer?

Embora possamos ficar sentados e reclamar da crise, da falta de oportunidades, temos que lembrar que, ainda que não tenhamos controle sobre as coisas, temos controle sobre nós mesmos e nossas decisões. O que podemos fazer diante de tudo isso? Observar, colher as oportunidades, criar, inventar, se reinventar ?

Tive uma infância cheia de altos e baixos, momentos em que meu pai estava desempregado, crise no país, falta de emprego, fez com que eu refletisse sobre o que poderia fazer para prevenir essa situação. E foi por isso que fiz Administração antes de Belas Artes. Foi uma escolha por necessidade. Embora eu tenha adiado o meu sonho, me ajudou muito a olhar as circunstâncias sob outra perspectiva. Hoje isso me ajuda muito na profissão. Aprendi vários aspectos administrativos e financeiros que hoje são muito úteis no meu trabalho.

Durante todos esses anos que trabalho como ilustradora, busquei aprimoramento em áreas relacionadas ao mercado editorial. Procurei aprender o máximo que pude do processo gráfico. Visitei gráficas, aprendi processos… e tenho que continuar aprendendo, pois a cada dia há novidades que mudam tudo o que aprendemos. Novas máquinas, novos processos…

Hoje posso fazer um livro de cabo a rabo e o autor não precisa mais de uma editora para viabilizar seu sonho. Isso é um diferencial que podemos aprender. De fato, é algo que considero importante para se destacar no mercado de trabalho.

Mesmo no mundo digital, publicar um livro ‘físico’ ainda é a realização de um sonho para muitos autores, Expor suas ideias às pessoas, entreter com uma história, levar à reflexão, promover mudanças, transformações, até mesmo fazer parte de vida de milhares de pessoas e deixar sua marca no mundo. Como ilustradores, podemos auxiliar nesse processo. Não somente no processo de produção. Mas estamos aptos e conduzir o leitor, auxiliar no entendimento do texto, do conceito, da ideia, a promover a reflexão através das imagens que produzimos.

Podemos buscar mais conhecimento e experiência nessa área, como também na área de e-books, no licenciamento de imagens…

E isso é fácil?

Nada que tenha muito valor é fácil. Para ser um grande atleta, há muito sacrifício e treino. Para ser um pianista, são necessárias horas e horas de prática. Para ter um corpo sarado, muito treino na academia. E por que seria diferente com a nossa profissão?

É necessário muito empenho e trabalho duro. Não basta produzirmos um ‘desenhinho’ por semana. Se queremos ser profissionais que se destacam na área, temos que encarar nossa trabalho como trabalho, e não hobby.

Eu acredito que o ilustrador vive uma época de grandes oportunidades. Tudo que vemos tem uma imagem. Os clientes estão sempre buscando novidades. Basta produzir e divulgar que os resultados virão. :-*

Como tudo começou…

Trabalhos Iniciais

Dias atrás eu estava falando em começos… e ontem, dando uma arrumada no meu atelier, achei uma porção de trabalhos antigos.

Como acabei um trabalho há alguns dias, e geralmente meu atelier fica uma bagunça, sempre que termino um projeto dou uma arrumadinha. E dessa vez fiquei bem contente em encontrar alguns trabalhos que eu havia feito há bastante tempo, e pude constatar que aprendi bastante ao longo dos anos.

Se você está começando agora, vai achar que tem que saber tudo de uma vez. Que precisa começar a ilustrar e já saber tudo sobre a área, sobre os materiais, sobre as técnicas, sobre a parte de business… Sempre temos essa tendência de achar que tudo tem que ser imediato. Dizem que isso acontece por causa da internet, da velocidade de hoje em dia. Se é fato, não sei, mas sei que o ser humano é um pouco impaciente por natureza.

Mas como sempre digo, se um bebê demora 9 meses pra nascer, e mais não sei quanto tempo só para começar a falar e andar, por que achamos que vamos dominar algo da noite para o dia?

Acima coloco um exemplo. Na imagem, coloquei alguns trabalhos que fiz bem antes de me formar. Um deles, do casal tomando chá, à esquerda, fiz há muitos anos. Mais de vinte anos atrás… Escrevi uma história, ilustrei com caneta Bic e lápis de cor, e mandei para uma editora. Fico feliz que, mesmo tendo sido recusado, não tenham destruído, mas me devolvido, pois agora tenho uma recordação da minha primeira tentativa na área da literatura. Vejam como foi um trabalho até ingênuo, pois não tinha técnica nem nada. E me surpreendo da minha ousadia na época.

No meio, três trabalhos que fiz na faculdade. Já estão um pouquinho melhores. Três propostas de trabalho para meu curso de desenho. Uma colagem, uma ilustração a lápis de cor e uma técnica mista, onde misturo colagem e lápis aquarelável. Lembro que nem lápis de cor eu tinha, e ganhei uma caixa de lápis já usados.

Por fim, após estar formada, mais uma vez escrevi uma história e ilustrei (à direita). Os traços ainda eram bem inseguros, mas mesmo assim me aventurei.

Talvez a gente pense, logo de início, que nosso traço não é tão bom e desista rapidamente. Talvez achemos que não temos talento e que deveríamos tentar algum trabalho “mais lucrativo”. Talvez as pessoas nos achem sonhadores… Mas o que realmente importa é que a gente não desista. Ao longo do tempo vamos nos desenvolvendo e aprimorando nosso trabalho.

Ilustração do livro “A Nuvem Pipoca”, a ser lançado em outubro

Eu olho o que fiz há tantos anos e penso: nossa, meus desenhos não eram bons, eu não tinha material, eu não tinha técnica… Mas hoje, com quase 20 livros publicados, fico feliz e agradecida por não ter desistido. Por ter continuado a buscar aprimoramento, por ter persistido. Se eu tivesse olhado para aquele primeiro trabalho, e pensado que não tinha jeito para a coisa, hoje talvez estivesse trabalhando em outra área, e meu sonho de ser ilustradora estaria ainda na gaveta… talvez até já tivesse ido para o lixo.

Hoje trabalho com o que gosto e percebo que, qualquer um que tenha o mesmo sonho, pode também ser bem sucedido.

Se você é aspirante a ilustrador, ou está iniciando, e as coisas estão difíceis, continue buscando aprimoramento, pratique bastante, que uma hora você chega lá.

E se você que já está no mercado de trabalho, em outra área, e acha que já passou da hora, saiba que nunca é tarde para recomeçar. Também sou prova disso. 🙂

Bom final de semana!

Planejamento é tudo!

Quando pensamos em uma viagem, geralmente começamos a planejar os detalhes: data em que acontecerá, se estaremos em férias, quem vai conosco e se também estarão em férias, preço das passagens, hospedagem, o que vamos comer e também pesquisamos sobre o local, para aproveitar o máximo possível.

Se isso acontece para um evento que dura alguns dias, me pergunto por que algumas pessoas não planejam sua vida profissional, ou seja, no que vão trabalhar o resto de suas vidas.

Embora seja possível mudar de profissão depois de algum tempo, é muito mais fácil planejar o quanto antes para se trabalhar com o que se gosta. Eu mesma mudei de profissão. Como já contei aqui, eu não tinha informações suficientes e acabei estudando Administração e Marketing antes de me voltar à ilustração infantil. Mas às vezes me pergunto onde estaria se eu tivesse me planejado melhor e se tivesse começado mais cedo.

Mesmo para quem está atualmente trabalhando em outra área, começar a planejar seu próximo passo em direção ao que se gosta pode ser o pontapé inicial para a desejada mudança de vida.

Dizem que Benjamin Franklin falou que “se você falha em planejar, planeja falhar”. Eu alterei um pouco a frase para ficar mais positiva e se tornar um incentivo para nós.

Quantas vezes temos vontade de fazer algo e acabamos não fazendo nada porque não sabemos o que devemos fazer? Planejar nossos passos é a melhor maneira de conseguir um objetivo.

Nossos sonhos podem ser alcançados se a cada dia dermos um passo. Os nossos objetivos não precisam ser atingidos em questão de dias. Podemos fazer um planejamento de longo prazo e a cada dia realizar uma parte.

Por exemplo, se você deseja começar a trabalhar na área de ilustração, qual seria o primeiro passo para isso? Um curso, um livro, fazer uma ilustração por semana?

Para isso, fazer um planejamento, com datas definidas, pode ajudar muito.

O meu objetivo aqui é ajudar a quem procura informações sobre a minha área, que é a de ilustração infantil. Para isso, também produzi um e-book com algumas informações sobre os primeiros passos para quem sonha em trabalhar nessa área. Se desejar, baixe o meu e-book onde dou mais dicas sobre a carreira de ilustrador infantil. Com as informações que lá estão, você pode começar a fazer um planejamento e, antes do que imaginava, estar trabalhando com o que gosta, vivendo da sua arte!

Humildes Começos

Essa semana fiquei impressionada ao descobrir como foi o primeiro computador da Apple. Ao ver a imagem, pensei: deve ser brincadeira de alguém. Rsrs… Mas ao pesquisar, descobri que o Apple I foi um computador criado para uso pessoal, e feito à mão. Entretanto, foi o que deu origem à empresa que hoje fabrica os mais cobiçados aparelhos, tanto celulares como computadores.

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Apple I

Ao ver esse computador, pensei em como tantas vezes deixamos de seguir em frente numa ideia ou até num desenho, só porque a primeira tentativa não ficou tão boa. Já imaginou se o Steve Jobs não tivesse dado continuidade a essa ideia?

E isso me levou a pensar… quantas vezes já desistimos de algo porque não gostamos da primeira tentativa?

Uma coisa que minha filha comenta comigo é que acha interessante que eu não gosto de desistir. Mesmo que receba algumas críticas, o que certamente acontece com todo mundo, eu tendo a tentar mais vezes. Nem sempre, é claro, dou continuidade a algo, afinal somos humanos, né? Mas confesso que sou meio teimosa para algumas coisas. Como sou descendente de alemães, uma brincadeira que fazem de vez em quando é: alemão não é teimoso. Teimoso é quem teima com alemão. Creio que querem dizer que o alemão é tão teimoso que não adianta discutir. Mas brincadeiras à parte, eu não sou tão teimosa assim, não. Além disso, sou descendente de poloneses também. Rsrs…

Também acho que, mesmo que algo não dê certo, o aprendizado fica. E eu amo estudar, ler e aprender. Então, ainda que fique frustrada quando algo não dá certo, me consolo com o fato de que aprendi algo e o tempo não foi tão desperdiçado.

O que quero dizer com tudo isso? Que temos que praticar sempre. Realmente acredito que podemos melhorar se praticarmos bastante. Se você me acompanha aqui, já deve ter lido sobre isso. Na nossa área, de desenho e ilustração, quanto mais praticamos, mais aprendemos. Para ficar fera no desenho, uma pessoa tem que desenhar todo dia. Isso é fato.

Uma pessoa que desenha todos os dias vai ficando cada dia melhor. Assim é em todas as áreas. Porém, há mais um detalhe que precisa ser considerado. Como diz um empreendedor popular da internet, se somente prática levasse à perfeição, motorista de táxi seria corredor de fórmula I. Então, a prática ajuda muito a melhorar em alguma coisa, mas não é só isso. E o que mais seria, então?

Nos meus anos de experiência, tenho observado que é necessário também aprender novas técnicas, observar outros trabalhos, conhecer novas pessoas e, consequentemente, estar aberto a novas ideias. Não podemos ficar fechados na nossa bolha. As ideias que temos, somadas às ideias dos outros, podem levar a conceitos inovadores. Uma técnica nova, agregada ao que você já sabe, pode te levar a fazer um outro tipo de trabalho, ao mesmo tempo desafiador e gratificante.

Fazer um curso, estudar mais sobre a sua área, participar de um workshop, tudo isso traz novos insights que nos renovam e nos dão mais pique para focar em coisas novas. Até mesmo observar um artista trabalhando, mesmo que ele não diga nada, pode revelar o que não foi dito e até vir a dar uma refrescada em nosso trabalho.

Assim, quando começar algo novo, e se frustrar com o resultado, tente de novo. Foi só o primeiro passo. Curiosamente, até a Bíblia diz em Zacarias 4:10 para não desprezarmos os pequenos começos.

Para conhecer mais sobre o primeiro computador da Apple, clique aqui.

Dicas sobre Pagamento de Ilustrações

Ouvindo alguns colegas falando sobre as dificuldades em cobrar e receber pagamento por ilustrações, fiquei aliviada em saber que isso nunca aconteceu comigo. Embora já tenha recebido pagamento em atraso de alguns dias, foi por pura falta de deixar bem claro no início o que era para ser feito.

Infelizmente, em toda área existem clientes que tentam levar alguma vantagem. Felizmente para mim, não tive ainda nenhum problema com falta de pagamento. Talvez o fato de eu sempre trabalhar com contrato, e assim já afastar de início quem não tem boas intenções. Creio que o fato de eu ter me graduado em Administração antes de ter feito Belas Artes deve ter ajudado. Rsrs…

Entretanto, a grande maioria de clientes tem, sim, boas intenções. Eu acredito que, se alguém pede um trabalho a você, não tem a intenção de lhe enganar. Mesmo porque, desde sempre, a reputação é algo a ser valorizado. Ainda mais hoje em dia com a internet, onde fica mais fácil procurar informações.

De qualquer forma, aprendi algumas estratégias para facilitar o entendimento sobre pagamentos entre você e seu cliente:

1 – Eu sempre enfatizo: NUNCA trabalhe sem contrato. O contrato é a sua segurança. Não comece um projeto de ilustrações sem ter um contrato entre as partes, isto é, entre você e seu cliente. Se alguém já enrola para assinar o contrato, desconfie. Boas editoras e bons clientes não tem medo de colocar tudo no papel. Pelo contrário, eles também preferem ter tudo por escrito e saber de antemão o que vão receber em troca do dinheiro deles. Eu considero o contrato como um ‘filtro’. Com ele você já evita uma porção de dor de cabeça só de mencionar o mesmo nas negociações.

2 – Peça um adiantamento: eu costumo dividir o valor total em três partes: na assinatura do contrato, meio e entrega das ilustrações. Assim, quando eu entregar, já terei recebido pelo menos 60% do valor total. E dificilmente alguém com a intenção de não lhe pagar irá fazer os depósitos regularmente. Isso minimiza o risco. Lembre-se: Como freelancer, autônomo, ou empreendedor individual, é você quem define como vai trabalhar.

Você pode estar imaginando: “ah, mas se eu pedir algo já de início, eles não vão me contratar”. Ou “Estou ainda no começo, não tenho coragem”… “Não quero arriscar pedir e perder esse trabalho”.

Todas essas preocupações são válidas, mas se desejamos ser tratados como profissionais, temos que agir como profissionais. E, na maioria dos casos, em outras áreas, ou você dá um sinal, ou paga tudo antes de receber. Você sai da padaria sem pagar o pão? Se faltar dinheiro pra passagem, você entra no ônibus?

Receber uma porcentagem no início mostra a boa-fé do seu cliente e que ele confia em você. Por isso o contrato é garantia também para ele. Garantia de que ele vai receber pelo que já começou a pagar.

Caso a editora ou o cliente não queira fazer um depósito, faça uma pesquisa com colegas. Porém – enfatizo – isso nunca me aconteceu. A maioria com quem trabalhei, pessoas jurídicas ou físicas, sempre fizeram um depósito inicial.

3 – Explique as condições de pagamento: Além da porcentagem inicial, escreva no contrato valores e datas de pagamento. Coloque seus dados bancários e condições. Eu sempre faço um cronograma do meu trabalho e já indico as datas em que vou fazer entrega de rafes ou ilustrações e já defino esse o dia do pagamento.

4 – Pergunte sobre a forma de pagamento e impostos: Há editoras que depositam os valores e já retém o IRPF na fonte. Há outras que deixam isso para você. E há outras que trabalham com Notas Fiscais. Isso tudo precisa ser definido antes de começar o trabalho. Já imaginou eles pagarem somente com emissão de NF e você não ter como fazer isso?

5 – Caso o cliente diga que não tem um modelo de contrato, envie você uma minuta para que ele analise. Tenha documentos e formulários profissionais. Além da sua apresentação ficar mais uniforme, causará boa impressão e vai evitar que vocês se esqueçam de detalhes importantes.

Lembre-se: ao não aceitar qualquer tipo de cliente, sobra tempo para você focar nos clientes de qualidade. Não é porque gostamos do que fazemos, que satisfação paga as nossas contas.

É claro que não existe um só modo de fazer as coisas, e pode ser que você tenha outra opinião e outro jeito que funcione muito bem. Cada um tem a sua experiência. Se tiver alguma dica ou quiser compartilhar alguma experiência, me escreva. 🙂