Time-Lapse de Ilustração – Panelinha

Este mês estou ilustrando para um novo livro infantil. Abaixo você pode assistir um time-lapse de uma ilustração que fiz para esse livro.

Para fazer essa ilustração da Panelinha, levei mais ou menos uma hora e meia. Abaixo você vai ver um resumo da execução em aproximadamente um minuto.

Para esse trabalho, utilizei tinta acrílica e lápis de cor.

Uma ilustradora que admiro

Quem já lê meus artigos há algum tempo sabe que valorizo a iniciativa. Acredito que o tempo de ficar esperando ser ‘descoberto’ como ilustrador já passou.

Hoje em dia, temos muitas possibilidades para trabalhar sem esperar que alguém nos contrate. Nós mesmos podemos investir em produtos ou livros e tomar as rédeas de nossas vidas.

Uma ilustradora que é muito famosa, embora já falecida, também passou por um início difícil. Beatrix Potter, mesmo vivendo nos idos 1800, começou desenhando cartões de Natal para ganhar dinheiro. Quando já tinha mais recursos, decidiu que iria escrever suas próprias histórias.

Porém, Beatrix não conseguiu encontrar uma editora que publicasse as suas histórias. Recebeu muitas cartas de rejeição e decidiu que ela mesma iria patrocinar seu livro. Criou um pequeno livro em preto e branco com a histórias de quatro coelhinhos e publicou 250 cópias.

Logo depois uma editora se interessou pelo livro e resolveu publicar. Foi um sucesso e vendeu 20 mil cópias. Esse livro era “As aventuras de Pedro Coelho”. Depois disso, ela publicou mais 23 livros.

O que me impressiona é que, em 1890, quando as mulheres ainda nem votavam, ela já tenha tido a iniciativa de fazer um livro sozinha. E sua proatividade foi recompensada. Além de ter tido a oportunidade de publicar muitos outros livros, hoje é uma das escritoras e ilustradoras mais famosas e queridas da Inglaterra. Há vários livros publicados sobre ela, bem como um filme.

Se desejar conhecer mais sobre Beatrix Potter, conheça o livro que fala sobre sua obra e ilustrações.

Como me tornei ilustradora de livros infantis

Desde pequena, meu sonho era trabalhar com arte. Como criança ainda, pensava mais em ser pintora. Mas como eu também gostava muito de ler, quando adolescente comecei a pensar em trabalhar com ilustração, pois unia os meus dois interesses.

A vida não era fácil naquela época. Ainda não tínhamos internet, nem todo esse acesso à informação. Hoje, com uns cliques, conseguimos tanta informação que nem sabemos no que acreditar. Mas tudo que eu tinha para estudar a respeito de arte e desenho era um livro de algum parente,  que se chamava Curso de Desenho, de José Arruda Penteado. Esse livro era destinado aos cursos ginasial, comercial e técnico profissional. Eu passava minhas horas livres estudando os capítulos. Meu capítulo prefeiro era sobre desenho decorativo. Acredito que esse livro tenha sido de minha prima (12 anos mais velha que eu), que tinha estudado no Cefet. Enfim, esse foi um dos primeiros contatos que tive com informação relativa a desenho e artes.

Já adulta, fui cultivando esse lado artístico como hobby. Amava desenhar, e no Ensino Médio decidi que tentaria fazer Educação Artística. Porém, como precisava arrumar logo um trabalho, comecei a dar aula para o Ensino Fundamental, pois era formada no Magistério durante o Ensino Médio. Um dia, meu professor de música comentou que ele achava que tínhamos que garantir nosso sustento antes de tentar a carreira artística. Ele tinha estudado Contabilidade e só depois de se estabelecer que decidiu correr atrás do seu sonho. Ele nos orientou e deixar os sonhos de lado e garantir um emprego.

Por isso, acabei prestando vestibular para Administração na UFPR e passei. Logo consegui um trabalho, mas meu sonho continuava dentro de mim: queria estudar artes. Nessa época, até escrevi uma história infantil (horrível!!!) e ilustrei. Já postei aqui no blog uma vez. Ficou um trabalho bem ruim, mas foi um começo. Não dizem que é “melhor feito do que perfeito”?

Quando acabei Administração, prestei vestibular para Pintura, na Embap – Escola de Música e Belas Artes do Paraná, e passei. Porém, a empresa onde trabalhava decidiu que eu deveria fazer uma pós-graduação em Marketing e, não querendo perder a oportunidade de ter uma bolsa parcial, acabei não dando continuidade ao curso.

Casei, tive um filho e decidi que ia então estudar Artes. Prestei vestibular para Educação Artística e passei. Comecei o primeiro ano e estava encantada com o curso. Finalmente tinha conseguido iniciar os meus estudos. Porém, meu marido foi convidado para trabalhar por dois anos na Itália pela empresa dele. Mais uma vez adiei esse sonho e parti para a Itália, cheia de esperança de que pudesse estudar lá.

Na Itália, foi muito complicado conseguir informação. No primeiro ano, nada fiz, fui aprendendo a língua e tentando me adaptar. Meu filho era pequeno e me tomava quase todo o tempo.

Um dia, consegui a informação de que a 90km de minha casa tinha uma Academia de Artes. Peguei meu filho e parti em direção a Veneza, quase duas horas de viagem. Ele tinha 2 anos na época.

Cheguei na Accademia di Belle Arti di Venezia e pedi informações. Eu tinha que enviar todos os meus documentos para o Brasil, mandar traduzir (juramentado) e entregar no consulado. Não foi fácil, tive que contar com a ajuda de minha mãe e uma amiga que foi entregar no consulado. Elas aqui no Brasil e eu na Itália. Até foto autenticada tive que fazer.

Accademia di Belle Arti di Venezia

Enfim, fiz a inscrição e o vestibular. No exame fiz uma prova oral e duas provas de desenho de observação. Felizmente, passei. Foi algo fantástico. O esforço foi grande, mas valeu a pena.

Só que aí eu tinha outro problema. Estudava o dia todo, 2h de viagem para ir e 2h para voltar. Era muito complicado e não dava tempo de deixar meu filho na escola. Mas com a ajuda de Deus, nesse mesmo ano a Accademia começou a ampliar os seus espaço e dividiu os campi em vários lugares. Entre eles, havia uma sede destacada a 30 minutos de minha casa. Pedi transferência, falei com o diretor da Accademia e comecei a estudar nessa outra sede.

Foram 4 anos de estudo nas mais diversas áreas: História da Arte, História da Arte Italiana, Anatomia Artística, Técnicas Pictóricas, Fotografia, Fundamentos da Arte Contemporânea, Gravura, etc…

Formada, comecei a pensar no que faria com o meu diploma. Era professora formada, graduada em Administração, pós-graduada em Marketing, graduada em Pintura, mas não tinha noção do que poderia fazer. Ouvi então de uma Fundação que oferecia cursos de ilustração infantil próximo à minha casa. Fiquei sabendo que era conhecida como a cidade da ilustração infantil e me matriculei num dos cursos. Era o curso de Svjetlan Junakovic, oferecido pela Fondazione Stepan Zavrel.

Pouco depois que fiz esse aperfeiçoamento em ilustração, voltamos ao Brasil e comecei a procurar me inserir nesse mercado. Dei aulas, iniciei projetos pessoais, fiz ilustrações avulsas, etc…Um dia, uma conhecida, que já havia publicado livros antes, me deu uma história para ilustrar. Fiz as ilustrações mas ela não conseguiu publicar. Eu não recomendo que façamos trabalhos de graça, mas na época não sabia disso. A desvantagem foi ter feito um trabalho que acabou não dando em nada. Mas o lado bom foi que aprendi bastante nesse processo.

Depois disso, um pessoa me indicou para um outro escritor. Foi aí que as coisas começaram a acontecer. Ele me mandou a história. Dessa vez, tendo aprendido com a experiência, fiz somente algumas ilustrações para ele apresentar ao editor. O editor gostou e, daquela história, resolveu fazer 6 livros! Podem imaginar minha alegria? Eu tinha conseguido não um só livro, mas uma coleção de 6 livro de uma só vez. Levei 6 meses para fazer todos. No meio do processo, eles pediram mais um.

Assim, começaram a aparecer os trabalhos. O trabalho do ilustrador infantil é meio sazonal, então quando eu não tinha algum livro para ilustrar, me dedicava a projetos diversos, oficinas, cenografia, projetos voluntários. Com o tempo, foram surgindo outras oportunidades. Hoje eu mal acordo, já estou pensando nas atividades que tenho para fazer, nos produtos que vou criar, nos livros que vou ilustrar.

A minha jornada até aqui foi demorada, mas a sua não precisa ser. Se desejar, baixe AQUI o meu livro Manual do Ilustrador Iniciante e saiba mais sobre isso. Abs!

Como eu faço um orçamento

Uma das dúvidas que mais recebo é sobre como fazer um orçamento de ilustrações para um livro infantil. No início a gente fica mesmo meio perdido e não sabe nem por onde começar.

Quando um editor (ou um autor de texto = escritor) entra em contato comigo, sempre peço que me envie o texto. Eu não tenho o hábito de fazer orçamento sem conhecer o texto que vou ilustrar. Cada caso pode ser diferente. A editora pode me enviar o texto em pdf, já todo separado e com uma pré-diagramação (o que algumas editoras chamam de decupagem ou spread), pode me enviar o texto  separado com o número da página em que o trecho vai ficar, como também pode me enviar somente o texto inteiro, sem nenhuma separação.

Caso o texto já esteja pré-diagramado (às vezes até com a posição que vai ocupar na página), fica muito mais fácil fazer o orçamento. Basta fazer uma lista das ilustrações mencionadas e o valor respectivo. Veja no exemplo abaixo como o editor me enviou o texto do livro Cheiros.

No exemplo acima já está determinado que para essa página devo fazer uma ilustração de página inteira.

Nesse exemplo não só já estão definidas as dimensões das ilustrações, como também o autor faz observações sobre como deseja a ilustração.

Embora seja raro, na segunda possibilidade, geralmente o texto vem em Word e separado com o número da página. Mas não menciona as dimensões da ilustração. Nesse caso, eu já sei quantas ilustrações o editor ou autor está querendo, basta definir o tamanho conforme a quantidade de texto. Ou, mesmo que o texto seja curto, eu posso sugerir as dimensões e conversar com o cliente de acordo com o orçamento que ele dispõe para esse trabalho. Afinal, os valores variam conforme as dimensões.

No texto acima, o autor enviou o texto separado, com o número de páginas definido e algumas observações de como desejava as ilustrações. Até hoje, foram poucos os autores que deram sugestões, como também poucos solicitaram modificações nos rafes.

A terceira possibilidade é receber o texto inteiro, sem separações. Geralmente quando um escritor (e não o editor) envia, na maioria das vezes vem assim. Aí resta conversar com o escritor para saber quantas páginas deseja e o formato (quadrado, retangular, dimensões). É esse tipo de orçamento que dá mais trabalho, porém, é o que lhe dá mais liberdade de execução.

Nesse caso, eu divido o texto segundo o número de páginas que combinei com o autor ou editor, dou sugestão de formato e faço uma boneca do livro, geralmente no Corel Draw, para visualizar o resultado. Isso agrada muito ao cliente, pois não só lhe dá uma ideia de como ficará, como também demonstra que você tem conhecimento e proatividade. Aí eu defino quantas ilustrações vou fazer de cada: página dupla, página inteira, meia página, vinhetas + a capa. Faço uma lista, defino valores unitários e valor total do trabalho.

Já aconteceu comigo de o autor enviar um texto, eu fazer as ilustrações, receber os pagamentos e, no fim, ele me enviar um texto muito maior. 😟 O que fazer? Bem, como eu havia feito contrato entre as partes (ilustradora e autor), não alterou em nada o meu trabalho. O pagamento foi realizado pelo número de ilustrações que eu havia definido no orçamento/contrato, e o livro foi diagramado com as ilustrações que eu havia combinado por escrito. No fim, a quantidade acabou sendo suficiente e o livro já está na segunda edição.

Também já aconteceu de, durante a execução de um projeto, solicitarem a ampliação do número de ilustrações e as dimensões pelo mesmo preço. Nesse caso. sugeri a alteração de valores e infelimente não chegamos a um acordo. Como eu já até havia recebido parte do pagamento, preferi devolver o adiantamento e não dar continuidade. Escrevo isso para que outros ilustradores saibam que, infelizmente, no meio de muita gente boa, sempre há aqueles que querem obter alguma vantagem. Eu poderia ter aceitado as condições deles para não perder o trabalho? Até poderia, mas estaria passando a mensagem de que não tenho certeza do valor do meu trabalho.

Finalizando, vale a pena ser detalhista quando apresentar um orçamento. E não esqueça de escrever tudo no contrato. Assim fica claro para ambas as partes os direitos e deveres de cada um. Se tiver alguma dúvida, entre em contato. 😗

Histórias Infantis

Hoje vamos falar um pouco sobre os textos das histórias infantis. Frequentemente recebo pedidos de orçamentos e sempre peço o texto para avaliar. Por que acho isso necessário?

Em primeiro lugar, só tenho como saber o quanto eu vou trabalhar numa ilustração se souber o que o texto diz. É muito complicado você dar um valor a uma ilustração sem saber quanto tempo vai empregar nela. O texto equivale a um ‘briefing’.

Às vezes, o texto tem muitas palavras e acaba sendo longo demais para ser considerado infantil. Em outros casos, os temas abordados não são alinhados com a compreensão da criança na faixa etária pretendida. Existem outros casos ainda, como a falta de uma linha narrativa, interpretação dúbia da mensagem, temas polêmicos demais para tratar nessa faixa etária… O ponto onde quero chegar é que até mesmo histórias infantis tem que ter certas características. Eu não sou expert em literatura infantil, pois atuo principalmente com ilustração, mas vou citar algumas características que tenho observado e podem dar alguma ajuda quando você for escrever ou analisar um texto para ilustrar.

As crianças são seu público. Pense: como a criança vai interpretar isso? Cada um entende a mensagem de uma forma. Pense nas várias possibilidades para evitar ser mal compreendido.

Considere a faixa etária. O que cada idade tem capacidade de compreensão ou aprecia mais?

Até 4 anos, a ilustração predomina, com traços mais simples e bem coloridas. O texto deve ter um vocabulário pouco complexo. Os personagens como animais tendem a ser bem aceitos, assim como a fantasia. Nessa fase a criança gosta de aprender sobre animais, letras, números, conceitos como grande e pequeno, etc.

Dos 5 aos 7, as crianças gostam que a história tenha um início, um momento problemático, e enfim um final no qual o problema tenha sido resolvido. Gostam de temas que se relacionam ao seu universo infantil, e que ajudam a tratar de seus próprios dilemas (amizade, auto-estima, medo e coragem, amor, crescimento…).

Por volta de 8, as narrativas começam a ser mais complexas, trabalhando conflitos, unindo fantasia, mitologia, mistério, folclore, humor, histórias sobre grupos de amigos, se identificam com o personagem principal; histórias onde o personagem passa por vários problemas, é pouco popular mas se aceita do jeito que é, o que é importante para o desenvolvimento da criança e auto-aceitação.

Outro fator importante da literatura infantil é observar a quantidade de texto. Como os livros infantis geralmente são curtos e tem ilustrações, um texto entre 250 e 1000 palavras costuma ser mais adequado. Porém, isso não é regra e cada texto tem que suas particularidades.

Quanto a nós, ilustradores, temos que observar os livros infantis e perceber como a criança interage com eles. Ver o que mais chama atenção, o que faz a criança se conectar com a história. Nem sempre o que achamos que elas vão gostar é o que realmente atrai a atenção delas.

Para finalizar: No livro Curitiba de A a Z, que ilustrei no ano passado, a mãe de uma criança me falou que o que mais chamou a atenção da filha no livro foi uma menina comendo pipoca. Ela se identificou tanto que pediu à mãe para ir no local e comer pipoca lá. Pode parecer uma coisa pequena, mas saber que uma ilustração motivou a criança a querer ir visitar um lugar (mesmo que seja só pela pipoca) me deixou muito feliz. Receber esse tipo de feed-back dos pais mostra o quanto o nosso trabalho é importante. 🙂

Planejando sua carreira como Ilustrador

Quando alguém deseja realizar um objetivo ou sonho, geralmente começa a pensar no que precisa fazer para alcançar esse objetivo. Por exemplo, alguém que vai fazer uma festa faz um planejamento e define as tarefas para isso. Começa geralmente com a data, a lista de convidados, define o lugar, a comida, as bebidas, doces, toalhas, mesas, cadeiras, música, fotografia, etc. Dependendo do tema ou motivo, a lista pode ter mais itens ainda.

Do mesmo modo, para planejar uma carreira, é também preciso fazer uma lista (ou um mapa), definir objetivos e datas. É importante determinar quais objetivos deseja alcançar, dentro de um certo período, de modo que, ainda que faça pouco, vá constante e consistentemente dando pequenos passos em direção àquele objetivo.

Se fazemos um planejamento para um evento de um dia, como uma festa, por que não fazer um planejamento e traçar metas para a profissão que vamos exercer a vida toda?

Ingrid Osternack – Ilustradora

1) A primeira coisa que se pode fazer é um mapa ou uma lista de objetivos. Imagine daqui a 5 anos o que gostaria de estar fazendo. Definir uma data limite para si mesmo ajuda muito a ser consistente. Obviamente que os seus objetivos dependem de onde você se encontra hoje. Por exemplo:

Daqui a 5 anos eu:

. estarei formado em artes; ou . terei feito cursos extracurriculares na área de ilustração; ou . estarei com pelo menos 1 – ou mais – livros ilustrados publicados; . terei participado de alguma mostra ou evento de arte; . terei desenhado ou produzido pinturas diária ou semanalmente, gerando assim uma quantidade substancial de obras; . serei um artista reconhecido em minha área; . trabalharei na área de artes e serei bem pago pelo meu trabalho; . terei uma loja que venda minhas artes ou aplicadas em produtos; . terei uma obra em um museu importante; . e por aí vai…

Como eu disse, tudo isso depende do momento em que se encontra. Pode ocorrer também de, no meio do caminho, você desejar mudar seus objetivos, ou até mesmo ampliá-los.

2) Depois disso, é bom você determinar também qual seu objetivo pessoal em relação ao mundo, ou seja: qual o objetivo de minha arte? Pense em algo que tenha impacto – ainda que pequeno – na vida das pessoas. Que marca quer deixar no mundo?

Exemplos: meu desejo é ser reconhecido como um artista em minha cidade natal; ou: quero que minha arte inspire as pessoas; quero fazer parte da infância das crianças; quero que toda casa tenha uma obra minha; quero alegrar a vida das pessoas com minha arte; quero usar recursos que sejam sustentáveis; quero trabalhar somente com mangá; desejo usar meus dons para arte-terapia ou para melhorar a vida de pessoas carentes; gostaria de trabalhar somente com clientes e empresas que tenham valores similares aos meus, etc…

Isso vai ajudar e definir o tipo de clientes que terá e também quais trabalhos aceitará ou não.

3) Quais seriam os passos a tomar para chegar nesses objetivos?

Divida seu grande objetivo em pequenas metas. Muitos percursos são divididos em pequenos trechos. Os períodos escolares não são divididos em 5 aulas à toa. Até mesmo as viagens são divididas em etapas, quando longas. Assim também pode ser sua jornada em direção ao seu sonho. Pense no que precisa fazer para chegar lá e divida em pequenas partes, mas que possam ser feitas em questão de semanas ou meses. Como nós seres humanos geralmente temos a tendência a ser procrastinadores, quanto menor a tarefa, maior a chance de você executar.

Por exemplo:

. Se você deseja trabalhar com licenciamento, faça uma lista de quais lojas virtuais teriam a possibilidade de vender sua arte. . Ou, se você mesmo irá preparar os produtos, onde poderia encontrar fornecedores? Faça contato, visite-os. . Se deseja ilustrar para revistas ou livros, quais publicações ou editoras tem relação com o trabalho que faz? . Que galerias aceitariam as suas obras? Que tal visitar algumas? . Em quais concursos poderia participar? . Que materiais poderia adquirir para realizar seu trabalho? . Há um espaço em sua casa onde possa trabalhar? . Se fosse abrir uma empresa (ou studio), teria um nome diferente ou o seu? . Como iria legalizar sua profissão? Microempreendedor, empresa simples, autônomo? . O que você escreveria em sua biografia? Leia biografias de outros artistas para saber o que escrevem.

Responder a essas questões vai ajudar a visualizar a si mesmo como artista e motivar você a executar cada dia um pouquinho do seu planejamento. E quando menos esperar, estará fazendo o que ama como profissão. 😉

Feliz Páscoa!

Então um dos anciãos me disse: “Não chore! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos”.
Apocalipse 5:5

Neste final de semana celebramos a Páscoa. Muito mais que ovinhos e coelhinhos, a Páscoa representa a morte e ressurreição de Jesus, o nosso Salvador.

Essa pintura fiz há algum tempo para a Igreja Batista do Bacacheri, e montamos durante um congresso. Se desejar ver mais, assista ao vídeo abaixo.

Feliz Páscoa!!!

Como iniciar sua carreira de ilustrador

Frequentemente recebo mensagens me perguntando: “o que preciso fazer para me tornar ilustrador”?

Não é uma pergunta fácil de responder, pois cada ilustrador tem seu próprio percurso. Porém, vou citar alguns passos que você pode seguir que considero essenciais.

  1. Desenho versus ilustração

Desenhar e ilustrar estão muito ligados, porém não são exatamente a mesma coisa. Desenhar é produzir uma imagem, seja no papel ou no computador. Ilustrar é transformar um conceito, uma ideia, em um resultado gráfico. Mas para ilustrar, precisamos ter certa habilidade com a produção de imagens. Embora não seja imprescindível você ser um bom desenhista, é importante ter certa habilidade e tem que trabalhar bem com a produção de imagens.

2. Desenhe

Para se tornar ilustrador, o desenho é uma ferramenta importante. Portanto, pratique muito. A prática pode até não levar à perfeição, mas desenvolve pra caramba. Também é possível trabalhar com colagem, técnicas mistas, etc… mas eu diria que o desenho é fundamental para expressar ideias, principalmente se o seu cliente quiser visualizar um conceito antes de você apresentar a arte-final.

3. Digitalize

Se você trabalha com tinta, como eu, é importante que você apresente suas imagens digitalizadas. Há ainda editores que aceitam os originais para eles mesmos digitalizarem mas, por experiència própria, eu mesma prefiro fazer esse trabalho. Uma vez enviei minhas ilustrações para uma editora, pelo correio, pagando o meio mais rápido. A previsão era de 5 dias. Por algum motivo que desconheço, os originais chegaram 59 dias depois. E os correios nem se desculpam. Infelizmente isso prejudicou a data de lançamento do livro. Por sorte eu havia feito a digitalização em casa em alta resolução antes de enviar e pude enviar as minhas. Já imaginou se tivessem extraviado?

Se você não tiver um scanner, pode mandar digitalizar em alguma empresa que faça cópias. Geralmente eles fazem esse trabalho e nem custa muito caro.

4. Estude

Nem todo ilustrador é formado na área de artes ou design. Porém, estudar o mercado, conhecer técnicas, aprender sobre anatomia, história da arte, composição, etc… pode ajudar muito a agilizar o processo de você se tornar ilustrador profissional.

Hoje, com as novas tecnologias, podemos aprender muita coisa sozinhos. Porém, ao fazer um curso, ganhamos tempo, aprendendo com pessoas que já passaram pelos mesmos problemas que nós. E tempo é um recurso que não temos como recuperar.

5. Pesquise

Aprenda mais sobre como os outros ilustradores trabalham. Como solucionam problemas. Como apresentam suas ideas visualmente. Analise estilos e o que fazem que você aprecia. Com o tempo, você vai começar a desenhar incorporando o que mais gostou. E vai criar seu próprio estilo.

6. Portfólio

Depois que tiver feito muuuuuitos trabalhos, escolha os melhores e construa seu portfólio.

7. Divulgue

Divulgue seu trabalho nas redes sociais, faça contatos, envie cópias ilustrações para potenciais clientes. O começo não é fácil. Pode demorar mais de um ano para você conseguir seu primeiro trabalho. Porém, não desista. Tudo que é bom leva tempo.

8. Clientes

Uma vez que você conseguiu seu primeiro trabalho, não esqueça de “colocar tudo preto no branco”, ou seja, tenha um contrato. Analise bem o que está assinando, para que não fique tendo que modificar eternamente uma ilustração, só porque o cliente colocou isso em contrato. Seja profissional e educado. Não fique ofendido com comentários, nem imponha uma ilustração que eles não querem. Isso é prejudicial a você mesmo no longo prazo.

Um cliente contrata um ilustrador para resolver um problema que ele tem. E você faz uma ilustração que é a solução desse problema. Se a sua ilustração não for o que o cliente espera, você não está resolvendo o problema.

Para evitar que você tenha que modificar algum trabalho, apresente rafes para aprovação. Uma vez aprovadas, basta finalizar e entregar.

Como eu falei no início, há muito o que se dizer sobre o universo do ilustrador, mas os passos acima podem lhe dar uma ideia. Eu falo mais sobre isso no meu ebook MANUAL DO ILUSTRADOR INICIANTE, que você pode baixar gratuitamente em Downloads.

Se tiver alguma pergunta, entre em contato! Abs!