É PRECISO TER GRADUAÇÃO PARA SER ILUSTRADOR?

Sempre recebo mensagens com perguntas sobre o que é preciso para ser ilustrador. Algumas perguntas que me fazem também são:

Preciso de graduação para ser ilustrador?

Que curso posso fazer para ser ilustrador?

Antes de entrar nessa pergunta, queria ressaltar algumas características que considero importantes para poder responder a isso.

Em primeiro lugar, acredito que para ser ilustrador você precisa ter algumas características:

1. Ser apaixonado por ilustração

2. Ser persistente

3. Ser ousado

4. Ter habilidades artísticas

5. Ter conhecimentos específicos da área

SER APAIXONADO POR ILUSTRAÇÃO

Como em toda área artística, ou você é fascinado e apaixonado pelo que faz, ou você não vai continuar trabalhando com isso. O começo é mais difícil, e é preciso ter paciência para ver os resultados. Porém, depois que você conhece mais como funciona, desenvolve o seu estilo, sabe onde e como encontrar trabalho, aí vai ficando mais fácil. Porém, só quando você curte muito o que faz, acredita no seu valor, é que você vai se valorizar e poder viver de ilustração. Caso contrário, se considerar que é um hobby, ou que desenhar já é tão legal que não posso cobrar muito por isso, poderá desvalorizar o que faz e cair na armadilha de cobrar pouco pelo que faz.

É claro que existem imagens gratuitas e até de preço muito baixo na internet, mas quando alguém precisa de algo específico, essa pessoa tem um problema. E é você, ilustrador(a), que vai apresentar a solução ‘visual’ para ele. Portanto, ele não estará lhe pagando somente um desenho ou uma ilustração, mas uma solução personalizada. Por trás dessa imagem, você tem uma bagagem que tem valor. E é por isso que tem que gostar muito do que faz e valorizar a sua profissão.

Tem gente que acha que, só porque somos felizes em nossas profissões, já temos a nossa ‘recompensa’. Ouvi que 75% dos americanos odeiam o seu trabalho. É provável que aqui no Brasil também seja assim. Porém, se alguém escolheu mal, não é sua culpa de ter um trabalho que você gosta. Não é por isso que você tem que ser mal remunerado.

SER PERSISTENTE

Muitas vezes começamos nossa carreira aos ‘trancos e barrancos’. Um trabalho aqui, outro lá… e as contas chegando… a preocupação também… Enfim, todo profissional liberal começa com poucos clientes. Um médico, dentista, músico, arquiteto… A maioria se forma e tem que correr atrás de clientes. Enfim, é necessário persistir e buscar oportunidades.

Mesmo que você tenha que começar com um trabalho diferente – eu estudei administração e trabalhei por 6 anos nessa área antes de me tornar ilustradora – não desista e trabalhe nas horas vagas com ilustração. Faça cursos, desenhe, conheça mais sobre o mercado. Quem acredita, sempre alcança. Sou prova disso. Não tenho nada de especial. Nasci numa família simples, com bem poucos recursos. Se eu consegui, você também vai conseguir.

SER OUSADO

Posso dizer que já nasci querendo trabalhar com arte. Nem sempre fui compreendida. Quem trabalha nessa área, é visto como excêntrico. É quase uma ousadia você querer trabalhar com algo tão diferente do normal. Então, vamos correr atrás do nosso sonho e que sejamos ousados! Ouse viver uma vida com propósito.

TER HABILIDADES ARTÍSTICAS

É um fato que para trabalhar com ilustração uma pessoa precisa ter certas habilidades artísticas. Existe a ideia de que para desenhar é preciso ter talento. Eu concordo que algumas pessoas já nascem com uma aptidão para o desenho, isso é fato. Mas também acho que é possível desenvolver essa habilidade. Na verdade, eu acho que a prática e o estudo que levam ao desenvolvimento. Há um ditado em inglês que diz (e eu sempre repito aqui):

Hard work beats talent when talent does not work hard.

(O trabalho duro supera o talento quando o talento não trabalha duro).

Então, eu acho que muitas pessoas até tem aptidão, mas não buscam melhoria, o que faz com que outros, que nem teriam tanto ‘talento’, passarem a desenhar melhor que eles.

É aqui que eu começo a responder à pergunta do início:

PRECISO TER GRADUAÇÃO PARA SER ILUSTRADOR?

Na verdade, não é preciso uma graduação para atuar na área. Porém…… são necessárias certas habilidades. E muitas delas podem ser obtidas fazendo uma graduação.

Para ser ilustrador, é preciso ter habilidades de desenho e não, não precisa ser hiper-realista nem mesmo realista. Mas uma certa habilidade em transformar texto em imagem é necessária.

A graduação em artes, por exemplo, pode lhe ajudar a se aperfeiçoar em desenho, perspectiva, teoria das cores, anatomia, luz e sombra, história da arte, técnicas variadas, quais materiais usar, como armazenar, quais os mais adequados, como representar as imagens numa ilustração, quais as estratégias de composição… sem falar que em 4 anos você vai desenhar muito. Ou seja, serão muitas horas dedicadas à prática da profissão.

Repetindo a pergunta: é necessário graduação para atuar na área? Não, porém é importante procurar conhecimento sobre os temas que mencionei acima. A grande vantagem da graduação é que alguém já elaborou um curriculum e providenciou os professores para lhe ensinar o que precisa. E é por isso que acaba sendo conveniente, pois você paga uma mensalidade e a instituição se preocupa em lhe ensinar o que é necessário. É um modelo de ensino usado há muito tempo, e funcionava bem até começar a pandemia.

Desconheço uma graduação em ilustração no Brasil, mas a graduação em artes pode ajudar em partes. E, além de tudo isso, ainda recebemos um diploma ou certificado ao concluirmos, o que demonstra que obtivemos os conhecimentos necessários para atuar em determinada área, e que garante à sociedade que fomos testados e aprovados, reconhecidos como indivíduos que tem habilidades na área.

Mas… e se fazer uma graduação não for possível?

Além disso, a graduação em artes é genérica, e ensina mais a parte artística da área de ilustração. E quanto aos outros conhecimentos necessários?

É aí que entro no quinto ponto das características que considero essenciais:

TER CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS DA ÁREA

Como criar personagens, elaborar narrativas visuais, enquadramentos, pontos de vista, ambientação da história, etc?

Eu trabalho com técnicas tradicionais, mas se o objetivo for trabalhar com ilustração digital, há ainda a necessidade aprender a utilizar softwares específicos.

Quando eu comecei a trabalhar na área, eu tinha a graduação em Pintura pela Accademia di Belle Arti di Venezia. Como meu objetivo era trabalhar com ilustração infantil, fiz cursos de aperfeiçoamento na área. Aprendi muito com eles, com a prática e pesquisando sobre todos os aspectos necessários para ilustrar para crianças. São muitos anos na área.

Como hoje vivemos num mundo muito diferente, onde tudo está na ‘ponta dos dedos’, cursos online também podem ser muito úteis para o desenvolvimento do artista/ilustrador.

O ensino a distância veio para ajudar quem não tem condições de fazer um curso presencial. Seja por motivos financeiros, ou porque mora em algum lugar muito remoto, ou porque trabalha o dia todo e não tem tempo, enfim, nunca antes houve tanto acesso à informação e tantas oportunidades. Basta se planejar. Atualmente, então, com a pandemia, o curso online se tornou quase a única opção.

Eu mencionei aqui há algum tempo que estava produzindo um curso sobre ilustração infantil. Estou finalizando e, no início de novembro vou abrir as inscrições. Quem tiver baixado o meu livro sobre a carreira do ilustrador receberá um email avisando. Esse curso foi muito pedido pelas pessoas que me seguem aqui no blog e nas redes sociais. Serão mais de 80 aulas ensinando a ilustrar, em técnicas tradicionais, como lápis de cor, aquarela e acrílico – que é a técnica que mais uso – com aulas sobre tudo que acho importante quando criamos uma ilustração infantil. Ilustração infantil é muito mais do que fazer um desenho colorido. O objetivo maior desse curso é ajudar o aluno a construir um portfólio, pois é isso que faz com que você possa ingressar no mercado de trabalho como ilustrador. Será um curso destinado a iniciantes, mas quem já desenha e deseja aprender mais sobre ilustração infantil, poderá se beneficiar também.

Porém, independentemente se você vai fazer uma graduação na área de artes, se vai fazer um curso de aperfeiçoamento, um curso online, ou estudar e praticar sozinho, um conselho importante que me atrevo a dar é: quanto antes você começar, antes desfrutará dos resultados. Nada pior do que chegar a uma certa altura na vida e pensar: por que não comecei antes? Por que não realizei meu sonho?

Concluindo, embora não seja essencial, um diploma ou certificado na área tem muito valor. Entretanto, você pode ter disciplina e estudar sem a necessidade de uma graduação. O que o cliente vai querer ver é o seu portfólio. Então, produza. E produza muito! Para o cliente, seu diploma não quer dizer nada. Ele não vai pedir pra ver o seu diploma. Ele quer ilustrações. Se o seu portfólio for bom, é isso que importa.

Para ser ilustrador é necessário talento?

Ilustração para livro infantil – Ingrid Osternack

Antes de começar a falar sobre o que eu penso a respeito, vamos ver o que o dicionário fala sobre talento.

Do latim talentum, a noção de talento está relacionado com a aptidão ou a inteligência. Trata-se da capacidade para exercer uma certa ocupação ou para desempenhar uma atividade. O talento tende a estar associado à habilidade inata e à criação, embora também se possa desenvolver com a prática e treino.

Talento é o que dizemos que uma pessoa tem quando faz muito bem uma coisa. Acredita-se que uma pessoa nasça com talento. E, em nosso caso, seria o talento para desenhar.

De fato, existem pessoas que tem uma aptidão maior para fazer as coisas. É inegável que tem gente que tem uma voz mais bonita que outras pessoas. Porém, mesmo assim é preciso técnica para que possa desenvolver o seu “talento”.

Mas o que podemos dizer quando se fala em desenho? As pessoas nascem – ou não – sabendo desenhar?

Eu acredito que, se uma pessoa nascesse com talento para desenhar, as crianças na pré-escola já demonstrariam diferença em seus desenhos. Porém, fui professora de educação infantil e posso afirmar que não é assim. As crianças desenham mais ou menos das mesmas maneiras, e seguindo fases que são analisadas pela psicologia. A maioria segue o percurso normalmente. É só depois de certa idade que notamos que tem crianças que desenham melhor que outras. E, na maioria das vezes, o que noto não é um talento inato, mas que foi se desenvolvendo porque aquela criança se interessou mais do que as outras e acabou praticando mais.

Eu mesma não desenhava bem quando comecei a escola. Embora sempre gostasse de rabiscar, até nas paredes, os meus desenhos de antigamente me fariam morrer de vergonha se os mostrasse agora. Mas quando entrei para a pré-escola, havia uma menina que fazia uma bonequinha e todos pediam desenhos para ela. Ao invés de pedir um desenho pra mim, lembro que pedi para que ela me ensinasse a fazer. E ela ensinou. Depois desse dia, ela parou de desenhar e eu continuei. A partir daquele momento – embora eu tivesse 6 anos, me lembro bem, pois foi marcante – comecei a minha jornada rumo ao sonho de trabalhar com desenho e ilustração.

Desde então, meus cadernos eram sempre cheios de desenhos e eu que fazia para as outras crianças.

Porém, eu não tinha recursos – não tinha papel e só uma caixinha de lápis de cor de 12 cores – e demorei muito pra me desenvolver no desenho.

Vinda de uma família de poucas condições, não tinha como fazer nenhum curso nem comprar materiais. Aliás, nem papel. Desenhava nas páginas em branco de livros antigos que tinham sido de minha mãe.

O melhor material que tive naquela época foi quando uma tia me deu o que sobrou de uma caixa de lápis de cor de 24 cores que tinha sido do meu primo.

No Ensino Médio, fiz o magistério e comecei a trabalhar como professora. Foi quando adquiri meus primeiros livros sobre técnicas. Foi nessa época que comecei a pensar mais seriamente em trabalhar com ilustração.

Mas a vida era dura e tinha que trabalhar. Para garantir que eu tivesse sustento, um professor meu sugeriu que eu estudasse administração. Disse que arte não dava dinheiro. Fazendo faculdade de administração, consegui um emprego melhor.

Porém, meu sonho de trabalhar com ilustração ainda persistia. Depois de alguns anos trabalhando nessa área, decidi que era hora de voltar a perseguir o meu sonho. Prestei vestibular para Belas Artes e Educação Artística. Passei nos dois. Optei por Educação Artística.

No segundo ano, meu marido foi convidado para trabalhar por um tempo na Itália. Deixei o curso de Educação Artística e nos mudamos. Lá, depois de um ano tentando descobrir como me matricular (não foi fácil), consegui passar no vestibular da Accademia di Belle Arti di Venezia.

Quando comecei, percebi o quanto ainda precisava aprender. A maioria dos alunos já tinha estudado artes no Ensino Médio, pois lá existe o Liceu Artístico. Mas não desisti. Continuei estudando, fazendo cursos de aperfeiçoamento… e hoje posso dizer que estou a cada dia melhor, embora eu seja ainda um ‘work in progress’, ou seja, um ‘projeto em andamento’.

O melhor da área de artes é que estamos sempre aprendendo. J

Mas por que contei tudo isso?

Para mostrar que, sim, existem pessoas que nascem com aptidão para o desenho, que conseguem transferir o que veem para o papel facilmente, que aprendem só olhando… Não podemos negar que tem gente que parece que nasceu com o lápis na mão.

Por outro lado, veja Picasso, por exemplo. Todos o achavam um gênio. Era filho de um pintor que, segundo a história, não era nada fantástico. Mas será que Picasso teria sido o gênio que foi se não tivesse passado a infância dele rodeado de materiais artísticos, ensinamentos e experiências com o pai? Ou será que sem essa infância ele não teria pego a bola e se tornado um jogador de futebol?

O que quero dizer é que, o que ele fez foi trabalhar, produzir muito e não desistir. Tinha a firme convicção de que ia conseguir. Começou cedo e com um ambiente favorável ao seu desenvolvimento artístico. Teve a infância inteira para poder experimentar sem julgamento, sem medo de ser criticado. E com um professor 24 horas por dia ao lado dele.

Talento, na minha opinião, é algo que você pode desenvolver. Você pode aprender a desenhar. E quanto mais praticar, melhor vai ficar a cada dia. O que acontece com quem diz não ter talento é que, na verdade, as suas prioridades são outras. Tem gente que não tenta desenhar porque prefere fazer outra atividade.

Acredito que comecei tarde a trabalhar no meu sonho. Embora o que aprendi em outras áreas tenha sido muito útil, e valorizo bastante, pois ajuda na negociação, planejamento, finanças… gostaria de ter aprendido tudo que sei sobre ilustração muito antes. Teria realizado o meu sonho muito antes. Foram muitos anos de estudo autônomo, além da graduação na Itália e dos cursos de aperfeiçoamento…

Mas o que quero dizer com tudo isso é que você também pode realizar o seu sonho. Pode estudar e aos poucos chegar mais perto de realizar o sonho de trabalhar com ilustração.

Estamos numa época em que há muitas oportunidades. Não importa se dizem que você não tem talento, ou que duvidem do seu sonho. Eu recebi muitas críticas de parentes. Alguns diziam que isso não daria sustento, que eu deveria arrumar um trabalho ‘de verdade’, que meus desenhos eram passatempo, e gente que nem entendia de desenho dava palpites nos meus.

Saiba que, se você quer trabalhar com ilustração, basta se programar, estudar e praticar bastante. Com técnicas e instruções, você pode melhorar a cada dia no seu desenvolvimento.

É como a parábola dos talentos: quando você enterra o seu talento, você acaba perdendo ele.

No caso da parábola, há várias explicações para a mesma. Mas podemos tirar essa lição: se você não desenvolve a aptidão que tem, ela fica estagnada.

Para finalizar, uma frase que li certa vez numa camiseta:

Hard work beats talent, when talent does not work hard.

O trabalho duro supera o talento quando o talento não trabalha duro.

Portanto, não se preocupe com talento. Trabalhe duro e constantemente na sua arte. No final de um ano, compare os resultados com o que fazia um ano antes. Tenho certeza de que ficará feliz com seu desenvolvimento. Talento é, pra mim, o resultado da união da sua vontade de aprender com a vontade de fazer.

Algumas considerações sobre estilo

Dizem que, para um ilustrador ser bem sucedido, é preciso ter estilo. Estilo pessoal é algo que todo ilustrador busca.

Mas… o que é estilo? Como saber se tenho estilo? Qual é o meu estilo?

Estilo nada mais é que a maneira, o “jeitinho” que você desenha. Compreende uma série de fatores, incluindo até a maneira como você faz o traço, o que, na verdade, deriva da maneira como você segura o lápis.

Estilo também se baseia nas escolhas que você faz ao ilustrar. Quando você recebe uma solicitação de ilustração, que eu chamo de comissionamento, você se depara com um briefing, que pode tanto ser a história infantil quanto um relação de requisitos do cliente.

Às vezes nos deparamos com solicitações que nos são bem claras: menino com calça azul e blusa vermelha. Porém, no caso de ilustração de livros infantis, não é raro que tenhamos a liberdade de escolher como ilustrar. Isso acontece porque, se alguém nos escolheu, é porque gosta da maneira como ilustramos e confia que vamos produzir e entregar algo com características similares, isto é, com o mesmo estilo.

Portanto, quando ilustramos, nosso estilo se baseia nas escolhas que fazemos: tipos de linhas, espessuras, contorno ou sem contorno, paleta de cores que utilizamos, formas recorrentes para elementos da ilustração, traços que se repetem, sem falar na escolha da técnica, das nossas experiências de vida e até mesmo de nossa personalidade.

É interessante observar que os instrumentos que utilizamos, lápis, pincéis, tintas e papéis, são muitas vezes os mesmos de outros profissionais. Embora isso seja um fato, ninguém faz uma ilustração igual. Peça a 30 ilustradores para fazer o mesmo tema e terá 30 ilustrações diferentes, com traços, cores e formas também diferentes.

Estilo, enfim, revela a forma como você vê o mundo. E isso, ilustre colega, é único, porque você é único (a)!

Materiais & Ilustração

Quando entro numa loja de materiais artísticos, me sinto de certa forma desorientada. São tantas as possibilidades e tantos materiais, que fico deslumbrada.

Existem milhares de coisas nessas lojas, mas a verdade é que a arte não precisa de materiais caros nem complicados para ilustrar. A oferta e variedade maiores e uma questão de marketing, mas não quer dizer que você precisa de tudo isso pra fazer suas ilustrações.

Na verdade, com papel e um lápis, uma pessoa tem condições de fazer uma ilustração linda. Do mesmo modo, com softwares caros, alguém que não tem habilidade com desenho e com o software, por mais que tenha programas maravilhosos, pode não consegui fazer nada.

Então, fazer uma ilustração não é questão de ter materiais dos mais caros e sofisticados. É claro que, se você tiver um pincel adequado, e um papel pra desenho, o resultado pode ter mais qualidade. No entanto, mesmo esses materiais mais específicos não precisam ser dos mais caros. Há pincéis baratos que são muito bons.

Quantas vezes não compramos um material que custa um pouco mais e ficamos esperando aquele momento especial, para fazer aquela obra de arte especial, e não usamos por medo de estragar? Se você comprar um papel muito especial, pode até ficar com medo de usar e isso pode até inibir a sua criatividade. Pode até pensar que está “desperdiçando” material ao ficar com medo de errar. Eu confesso: tenho uns papéis especiais, de algodão, para aquarela. Tem muitos anos que comprei e economizo ao máximo. Vou usando aos poucos para “poupar”.

Acredito que produzir arte dependa de alguns fatores: certa habilidade, recursos materiais e tempo.
Se alguém tem lindos materiais, papel de algodão, pincéis de pelo de marta, mas não sabe o que fazer com eles, conseguirá ter um bom resultado?

Se tiver bons materiais e habilidade, mas se não empregar o tempo necessário no projeto, conseguirá um bom resultado? Ou, ainda que fique bom, se tivesse empregado mais tempo, será que não teria feito algo melhor?

Portanto, sugiro que compre materiais de bom custo benefício. Não aqueles tão baratinhos, que nem aparecem no papel quando você pinta – tipo escolar – mas também não precisa de uma caixa de lápis no valor de um salário-mínimo. E existem algumas assim. São, de fato, materiais de muita qualidade, mas há materiais muito bons que dão ótimos resultados.


Algumas sugestões pra começar:


Ilustrações com Lápis de Cor


Papel 120 a 180g/m2 (eu prefiro 180g/m2)

Lápis H-HB-2H

Borracha

Apontador

Lápis de cor aquarelável ou bem macio

Para ilustrar com aquarela


AquarelaPapel 300g/m2

Lápis

Borracha

Apontador

Pincéis de cerdas macias (chato, redondo, fininho)

Para ilustrar com tinta acrílica


Tinta acrílica de várias cores

Papel 300g/m2

Lápis

Borracha

Pincéis variados

O Famoso Medo do Papel em Branco

Foto profissional grátis de acima, ambiente de trabalho, anterior

Todo ilustrador, mesmo os mais experientes, tem uma certa inércia para começar uma ilustração.

  • O que devo desenhar?
  • Como fazer essa composição?
  • Como será o personagem?
  • Que tipo de cenário é o mais adequado?
  • Que tipo de enquadramento eu apresento?
  • O que é mais importante evidenciar?
  • O que o escritor pensou ao fazer isso?

Essas são apenas algumas dúvidas sobre o assunto, as escolhas são muitas e quem deve definir isso, em muitos casos, é o ilustrador.

Parece um trabalho fácil, mas ilustrar demanda uma série de habilidades. Não basta ter um traço bonito e pintar colorido. É necessário aprender a compor, conhecer o básico de perspectiva, teoria das cores, entre outros aspectos.

Tudo isso faz com que tenhamos um certo medo ao começar. É é bem nessa hora que surge o famoso medo do papel em branco, afinal, o ilustrador cria algo praticamente do nada. Então, aí vem a procrastinação que, até mesmo de modo sutil e subjetivo, pode vir a prejudicar o seu rendimento e muitas vezes o seu desenvolvimento.

O medo do papel em branco nada mais é, na minha opinião, que o receio de ser desaprovado pelos outros ao apresentar o seu trabalho. Quando muita gente elogia, criamos confiança no que fazemos, recebemos aprovação social daquilo que fazemos. Mas quando estamos começando e não temos ainda uma reputação profissional, seja diante dos outros, seja para nós mesmos, podemos nos sentir perdidos quando temos que iniciar um trabalho.

Entretanto, uma das formas para evitar esse medo é pensar que todos cometem erros. E se cometemos um erro, e não pudermos consertar, basta pensar que é só uma folha de papel e um pouco de tinta. Aí você pode argumentar: “ah, mas eu gastei horas nisso!” – Pode ser, mas foi um aprendizado. E esse aprendizado – mesmo com um resultado diferente do que você esperava – poderá poupar muitas horas do seu tempo no futuro. Embora resultados que não apreciamos e imprevistos nos deixem frustrados, também nos ensinam a sair de nossa zona de conforto. Quantas vezes um imprevisto não gerou uma nova ideia? Quantas invenções que hoje utilizamos não foram fruto de imprevistos e resultados inesperados

Ao se defrontar com esse medo de começar, pense: o medo não impede o erro, só impede o seu desenvolvimento.

Portanto, se existe erro, o maior erro é ter medo de começar.