Críticas… como sofrer menos com elas?

Às vezes ouvimos comentários que nos entristecem. Você faz um trabalho que considera lindo e tudo o que ouve é que ‘teria ficado legal se você não tivesse feito x’.


De norma, a primeira coisa que eu analiso quando recebo uma crítica é: a pessoa que me criticou tem conhecimento da área?


Segundo: essa pessoa é o meu público-alvo? Por exemplo: se ilustro para crianças, qual a idade dessa pessoa?


Terceiro: a crítica é construtiva? Tem fundamento? Ou foi movida pela inveja?
Sim, embora seja raro, infelizmente algumas pessoas ficam chateadas porque você está realizando seu sonho de vida e eles não estão.


Se a crítica for construtiva, ainda assim é importante analisar se aquilo é algo pessoal daquela pessoa e se o que você fez tem qualidade.

Comparar seu trabalho com outras pessoas pode ser ao mesmo estimulante como pode também te desmotivar.

Deixe de lado sua ilustração por um tempo e depois volte a ver como está. Com outro ânimo e cabeça fria, você poderá analisar melhor o que realizou e constatar se há razão no comentário.
Uma coisa que eu faço às vezes é virar o desenho de cabeça para baixo e de lado, assim verifico como ficou. Isso ajuda saber se há algo que ficou meio distorcido na sua visão. Também gosto de olhar de longe, para visualizar o todo.

Se você achar que a crítica não é construtiva, ignore. Tem gente que gosta só de criticar e nem sabe o que está falando.

Quarto: Cada um é um e gostamos de coisas diferentes. Deus criou uma variedade de plantas, flores, árvores… Se fosse pra gente gostar de tudo igual, não tinha tanta variedade.
E nós também somos todos diferentes. Já notou como algumas pessoas gostam mais de chocolate e outras de doce de leite? E assim também é com a arte. Nem todos vão gostar do que fazemos.

Quinto: há pessoas que gostam de criticar. Algumas querem parecer mais inteligentes, outras acham que estão contribuindo, outras são assim por natureza.

A crítica que você tem que considerar é a sua própria. Analise o que você fazia no ano passado e veja se há progresso em seu trabalho. Analise o seu desenvolvimento.

O artista nunca pára. Por mais que ache que um trabalho ficou bom, no dia seguinte já está pensando em melhorar.

Isso é natural e faz parte do percurso do artista. E isso que faz o trabalho do artista ser tão fascinante!

Se você acha que seu trabalho ainda não está bom o suficiente, se ainda não está ‘pronto’, se tem medo de mostrar ao mundo o que faz, persista na jornada.

Faça cada dia um pouquinho, pois uma caminhada longa se faz com passos pequenos também.
Lembre-se:

Grandes coisas são feitas de pequenas atitudes.

Um ilustrado final de semana!

Ingrid

Não envie o Orçamento

Quando recebemos pedidos de orçamento de ilustração infantil, há algumas coisas a se considerar antes de enviar seus preços, valores, enfim, seu orçamento.

Nesse vídeo, eu falo sobre algumas razões para você não enviar seu orçamento de imediato.

Se tiver algum comentário, me envie! Ficarei feliz em ouvir sua opinião.

Ilustrado final de semana!

Lançamento: livro sobre a profissão do Ilustrador de Livros Infantis

Todos fazemos resoluções quando iniciamos um novo ano. Algumas tem a ver com realizações, outras com saúde, outras com trabalho… e acho que todos sempre queremos emagrecer um pouco. 🙂

Uma das coisas que me propus esse ano era finalizar meu livro dedicado à ilustração de livros infantis. E você, como me acompanha, será um(a) dos primeiro(a)s a saber!!!

Ontem publiquei meu livro ILUSTRANDO LIVROS INFANTIS – Orientações para o Ilustrador Iniciante!

Há muito tempo que desejo publicar esse livro, mas por algum motivo, sempre adiava. Mas agora terminei! E estou muito feliz!

Levei uns 5 anos para escrever, reunir e classificar o conteúdo desse livro. Nele, há mais de 200 páginas de conhecimentos que adquiri nos últimos 15 anos, todos baseados na minha experiência no campo de batalha. Em nossa área, há alguns livros falando sobre como ilustrar, como usar softwares, quais as melhores técnicas, etc. Mas, na maioria das vezes, não falam sobre a carreira nem são voltados ao mercado brasileiro. Ou então, não são dedicados especificamente à ilustração de livros infantis.

Esse livro está dividido em quatro partes.

Na primeira, vou falar sobre a profissão em si, as técnicas, as habilidades e competências que, na minha opinião, um ilustrador deve ter.

Na segunda parte, vou falar sobre o livro infantil, suas partes e meu processo de trabalho.

Na terceira parte, vamos abordar algumas formas de publicação existentes. Não tenho como objetivo falar de todas os modos que existem, mas apresentar algumas possibilidades.

Na quarta parte, um pouco sobre networking. Embora o ilustrador trabalhe muito tempo sozinho, os relacionamentos são parte fundamental na profissão.

Esse é um livro que aborda vários aspectos da carreira e pode ser lido tanto do início ao fim, como também pode ser usado para futuras consultas, caso surjam dúvidas específicas no decorrer de seu percurso profissional. Enfim, escrevi o livro que eu gostaria de ter lido quando comecei. 🙂

Já está disponível na Amazon, e está recheado de dicas e orientações. Isso tudo para que comece o ano de 2022 super informado a respeito da profissão e que essas informações possam ajudar a realizar o seu sonho de se tornar ilustrador(a) de livros infantis.

Por enquanto, estou lançando em formato digital, ou seja, eBook. No futuro, quero disponibilizar o livro impresso também, mas ainda não tem data prevista para o lançamento.

Mas, assim como ensino na Vivência, vários recursos adicionais são necessários para a impressão e distribuição de um livro impresso, e isso demanda bem mais tempo.

Não querendo ‘segurar’ o meu lançamento, optei por disponilizar o conteúdo em formato digital o quanto antes, para que você possa se beneficiar do conteúdo já no início de 2022.

Quem sabe 2022 não será o ano em que você irá realizar o sonho de publicar suas ilustrações? Ou, se já publicou, acelerar ainda mais sua carreira?

Não perca a oportunidade de aprender mais sobre ilustração infantil. Espero que goste!

Escrevi esse livro com muito carinho e dedicação. Também foi revisado várias vezes. Porém, ninguém sabe tudo, e tampouco existe alguém perfeito. Por isso, caso encontre algum erro, me escreva avisando.

Desde já agradeço!

Um ilustrado final de semana!

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Feliz ano novo!

O início de um novo ano é como o início de uma nova fase na vida. Nos dá mais ânimo, motivação e esperanças.


Que o seu ano seja muito abençoado e ilustrado! E que todos os seus sonhos se realizem, com as bênçãos do Senhor!


Feliz 2022!

Home Office – Trabalhando em Casa

Já faz muitos anos que eu trabalho como ilustradora e, como muitos freelancers, tenho o meu studio em casa. Como já comentei aqui, no início só tinha uma mesa e alguns materiais. Com o tempo fui adquirindo mais materiais e móveis. E hoje tenho meu próprio espaço em minha casa.

Quando eu comecei, pesquisei muito em como fazer para conciliar o trabalho com a rotina de mãe e dona de casa. Não era fácil. Na época, home office era algo impensável e havia apenas alguns artigos sobre o assunto. Li blogs e livros sobre essa modalidade mas nenhum parecia se encaixar com a minha realidade. Minha filha era bebê e era bem complicado para gerenciar tudo. E no momento, com a quarentena, tenho ouvido amigas comentando a dificuldade de não conseguir conciliar trabalho, casa e família. É, de fato, uma loucura.

Os artigos que eu lia eram sempre sobre pessoas que tinham empregada, babá e ajuda das avós. Totalmente diferente de minha realidade. Minha mãe, embora se disponibilizasse, não tinha condições de me ajudar. Eu não tinha nem empregada, nem babá, como a maioria das famílias. E minha sogra mora em outro estado. Enfim, era tudo comigo mesmo. Eu que fazia as ilustrações, que cuidava das crianças, comida, roupa e casa. (Na verdade, continua assim, só que as crianças já estão maiores).

Embora o propósito de meu blog não seja tratar de home office, acredito que essa seja a realidade de muitos ilustradores, principalmente ilustradoras. Sei que alguns ilustradores até tem um espaço fora de casa, mas nos últimos anos, vários colegas decidiram, pelas mais variadas razões, que era mais conveniente ter seu studio em casa.

Por isso, vou dar algumas dicas que eu aprendi por experiência própria. Não foi fácil. Quando minha filha era bebê, minha casa era uma bagunça. Vejo fotos dela pequena e fico horrorizada com os cenários. Rsrs… Na verdade, com a pandemia, parece que o trabalho triplicou. Não é verdade?

Meu objetivo aqui não é dizer que ‘sou um gênio’ e faço tudo certinho e organizado. Longe disso. Basta perguntar aos meus filhos. 🙂 Mas acredito que a minha experiência pode ajudar a quem está lidando com uma nova realidade de ter filhos em casa o dia todo, cozinhar, cuidar da casa e ilustrar. Já faz mais de 15 anos que a minha rotina é assim e acredito que eu possa colaborar com algumas dicas.

Estar em casa com filhos o dia todo é bem desafiador. Ou você deixa eles o dia todo vendo tv, jogando vídeo-games, ou envolve eles no seu trabalho. Eles querem atenção e é bem complicado conseguir trabalhar. Por isso, muitas vezes fui dormir de madrugada, a fim de terminar um projeto. Quanto aos filhos, são bênção e temos que curtir bastante, pois crescem rápido. Por outro lado, eles também tem que entender que você tem horários. Equilíbrio é importante nesses momentos, pois eles merecem atenção. Já joguei (e ainda jogo) vídeo games, mas eles tem que entender que não são o centro de tudo.

Mas vamos às dicas. O que digo aqui são apenas sugestões e você não precisa seguir nenhuma. Cada um tem a sua realidade.

1: Diga não. Com os anos, embora vários trabalhos tenham surgido, foi necessário declinar de alguns, porque não daria conta de fazer tudo. Preferi manter os meus objetivos focando em projetos que me desafiassem, ensinassem alguma coisa, e não aceitar tudo o que surgisse, pois ficaria sobrecarregada. Já imaginou aceitar algo e não conseguir entregar no prazo? Portanto, se um trabalho fosse tomar muito do meu tempo, preferia não aceitar ou sugeria outras condições. Perdi trabalhos? Sim, perdi vários. Às vezes penso se não deveria ter aceitado, pois hoje teria um portfólio maior de livros publicados, mais contatos com editores, e certamente o pagamento teria ajudado muito. Porém, achei que valia a pena ter equilíbrio entre o lado pessoal e profissional.

2: Considere se vale a pena qualquer trabalho que aparecer. Prefira trabalhos que ajudem você a se desenvolver. Sempre vão aparecer trabalhos gratuitos ou que paguem pouco. Use a sua intuição para determinar o que deseja ou não aceitar. O primeiro NÃO é mais difícil, mas depois de um tempo você começa a perceber quais projetos realmente valerão a pena ou não. Às vezes surgem propostas que, apesar de você não ganhar nada no início, podem vir a ser interessantes no futuro, seja por motivos financeiros a longo prazo ou porque podem vir a dar projeção. O duro é determinar o que vale a pena. Nem toda promessa de projeção realmente acontece. Às vezes você aposta num projeto e não dá em nada. Com o tempo você vai percebendo as possibilidades. Mas a princípio, analise antes de aceitar. Valorize-se.

3: Faça uma lista de tarefas dividida por áreas: trabalho, diferentes áreas do trabalho, mídias sociais, casa, filhos, comida, roupa, … Se você é quem cuida da casa, filhos e comida, vale a pena fazer um planejamento. É um tempo que você gasta pra se planejar, mas aumenta a produtividade. Verifique se você tem mesmo que fazer tudo o que está na lista: pode deletar alguma coisa, substituir, delegar, deixar para outro dia, mês, ano…

4: Descubra os melhores horários para trabalhar. Quando meus filhos estão na aula, aproveito para o que precisa de mais concentração. Deixo para ler e-mails, whatsapp, trabalhar em atividades relacionadas a ilustração, mas que não precisam de foco, para quando tenho que dar atenção a eles. Peço opinião a meus filhos e marido sobre o trabalho que estou fazendo. Peço a minha filha que me dê dicas de como compor uma ilustração, que desenhe comigo, dou tarefas. Algumas ela aprecia, outras não, mas algumas vezes eu até faço a ilustração do jeito que ela sugeriu.


Uma vez fiz um esboço e ela quis dar opinião. Veja só o esboço que ela refez pra mim e a ilustração finalizada.

Descubra os seus melhores horários e momentos de criatividade: segunda feira para mim é um dos piores dias, pois sempre tem muita coisa para fazer e recuperar. Eu costumo trabalhar melhor quando a casa está em silêncio, então de manhã e no final da noite, o trabalho rende mais. Porém, tenho observado que no final da noite, apesar de trabalhar melhor, me prejudica o sono. Então optei por ir dormir mais cedo e trabalhar pela manhã. Nessa hora também é bom porque minha filha está na aula, presencial ou online.

Verifique qual o momento em que é mais interrompida e use esse tempo para atender os filhos, e-mails, notificações… enfim, tarefas em que precisa de pouco tempo para realizar. Às vezes, quando minha filha está entendiada, e quer ficar comigo, eu chamo ela para fazer cookies ou um bolo. Já resolvo o problema do lanche e passo um tempo gostoso com ela. E ela também vai aprendendo a fazer algo.

5: Alimentação: eu não faço feijão e arroz todo dia. Dá muito trabalho. Planejo antecipadamente o que penso em fazer durante a semana. Eu cozinho para o almoço e para o jantar todos os dias. Acredito que comer em casa me permite saber o que tem na minha comida e também escolher o que minha família vai ingerir. Tudo mais natural e sem aditivos. Geralmente uma proteína, um carboidrato e uma verdura. Mas dá muito trabalho, então uma vez por semana me dou uma folga e peço uma pizza. Às vezes, já aproveito e faço a receita dobrada, e deixo congelada para dias em que o trabalho está mais intenso. Não vou me estender aqui sobre esse assunto, mas essa é uma das grandes vantagens de ser freelancer: você tem mais qualidade de vida.

6: Tarefas de casa: Eu aproveito pequenos momentos pra limpar alguma coisa. Se estou esperando água ferver para fazer um macarrão, já aproveito para limpar a bancada. Vou cozinhando e já lavando e arrumando as coisas. Quando o almoço termina, a cozinha já está metade organizada. Às vezes eu já coloco a comida em potes de vidro e sirvo neles. A maioria dos meus potes tem tampa e se sobrar já fica mais fácil guardar na geladeira. Divido minhas tarefas pelos dias da semana. Durante a maior parte da pandemia, fiz tudo sozinha. Agora, como minha casa tem calçada, de vez em quando vem uma senhora para me ajudar. Minha mãe só teve uma ajudante quando éramos bem pequenos e ela nos acostumou a fazer tudo em casa. E eu fiz assim com meus filhos. Eles sempre foram responsáveis por várias tarefas. Não gostam de fazer, reclamam bastante. Mas todo mundo tem que fazer coisas que não gosta e eles também tem que aprender, para que saibam como fazer quando tiverem suas próprias casas.

7: Não se distraia com mídias sociais. Eu evito muito as mídias sociais, porque me tomam tempo precioso. Evito grupos ao máximo, pois me distraem muito. Também não vejo TV normalmente. Leio as notícias na internet, assisto esporadicamente a filmes e leio bastante. O que mais assisto ultimamente são filmes com minha família. 🙂

8: Dê horas de folga para você: para descansar ou até mesmo repor o trabalho que não conseguiu fazer sozinha. Quando meu filho era pequeno, eu colocava ele na cama às 9h. Depois eu tinha meu tempo de descanso, ler, fazer as unhas…

9. Há muitos anos, morei um tempo na Inglaterra (meu marido estava lá a trabalho) e observei que os pais colocam as crianças para dormir às 18/18:30h. Perguntei como conseguiam e a dica era jantar cedo. De fato, testei fazer o jantar às 18:30h e às 21h já estávamos todos deitados. Meus filhos já são maiores, mas cada um foi para seu quarto e isso ajudou todos a dormirem melhor. Ninguém foi de fato dormir, mas foi um momento de descanso mental para todos. É estranho jantar tão cedo, por isso acabei mudando para as 19h, ainda mais que agora meus filhos estão maiores.

10. Esqueça o perfeccionismo. Nesse momento em que escrevo, minha mesa está cheia de esboços e meio suja de tinta. Há papéis empilhados no canto e todo dia eu prometo que vou arrumar. Eu queria muito que minha mesa fosse como as mesas dos artistas que vejo na internet, tudo branquinho e sem resquícios de borracha. Mas a vida é assim, e uma casa com um pouco de bagunça, é uma casa com vida. (Mas eu vou arrumar ela, eu prometo!)… Também já perdi a conta de roupas que estão com algum pingo de tinta… E se a louça ficou um pouco mais de tempo na pia, paciência. Se você estivesse no trabalho, provavelmente só pensaria nela quando voltasse, né? Então, perdoe-se e faça o seu melhor.

Se você tiver alguma dica, compartilhe comigo porque sou fã de qualquer coisa que me ajude a ter mais tempo e produtividade.


Ilustrado final de semana!

REPERCUSSÕES DA PUBLICAÇÃO :-)

Olá, queridos!

Hoje estou muito feliz com a novidade que a Denise me enviou.

Denise Zandoná, aluna da Vivência do Ilustrador, modalidade Fada Madrinha, acabou de publicar sua receita ilustrada no livro Receitas Ilustres de Natal.

A ideia de fazer uma publicação com os alunos surgiu porque eu queria que realmente vivenciassem o que acontece com o ilustrador, que pudessem ter um objetivo ao aprender técnicas e a teoria por trás da ilustração infantil, e também que pudessem ter algo publicado, como um pontapé inicial para suas carreiras como ilustradores.

Veja o que ela me enviou ontem:

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Querida Ingrid!

Estou muito feliz por aqui. No domingo 12/12/2021 as 17h vou fazer o lançamento do livro “Receitas Ilustres de Natal” aqui na minha cidade (Bagé/RS), no Primeiro Festival Literário Cultural/23ª Feira do Livro.

O Livro de lançamento é o Livro que fizemos durante o Curso Ateliê Ilustre, minha primeira ilustração infantil publicada! Muito obrigada pela tua dedicação e carinho! A oportunidade de que eu publicasse a ilustração no Curso do Ateliê Ilustre abriu e abrirá muitos caminhos novos… Já fez e fará muita diferença na minha vida de ilustradora…. Pena que eu não comprei mil livros…..

Abraços muito ilustrados e muito coloridos da tua aluna Ateliê Ilustre/ Ingrid Osternack Barros Neves

Denise

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Olha só as notícias!

Ilustrado final de semana!

Barreiras à criatividade & Bloqueios criativos

Como seres criativos que somos, creio que criar ou produzir é algo que faz muito bem à nossa saúde, principalmente mental.

Eu conheço muito pouco de arteterapia, mas sei que trabalhar com arte faz o maior bem à minha cabeça. E, pelo que dizem meus alunos, ajuda a eles também.

Além de ocupar o tempo com algo diferente e esquecer dos problemas, a arte também nos ajuda a desacelerar e a focar em algo novo. Passamos a olhar as coisas de outro modo.

E seja para nos expressarmos, dar vazão a nossos sentimentos ou apenas como hobby, criar algo nos dá um senso de grande satisfação.

Há pessoas que dizem não ser criativas. Na verdade, creio que todo mundo é criativo, só que nem todos se dedicam à arte. Há pessoas criativas em todas as áreas. Não foi criativo quem inventou o carro? Olha só que invenção fantástica! E a máquina de lavar, então? Devia receber um Oscar.
Existe uma crença de que nem todos somos criativos. Há pessoas que acreditam que as ideias são como os acidentes: só acontecem com os outros.

Essa crença de que nem todo mundo é criativo é limitante, nos impede de começar, invalida as ideias que temos, que podem ser ótimas, mas que não colocamos em prática porque acreditamos que não são boas.

Quando falo em criatividade, estou falando não somente da concepção de ideias, mas do fato de criar algo de fato. Criativos criam.

Ideias são importantes, mas acredito que somente nos sentimos realizados quando essas ideias resultam em algo ‘concreto’. “Concreto” no sentido de ‘realizado’.

Portanto, não vejo criativos somente como aqueles que têm ideias, mas também aqueles que as executam.

Uma outra barreira à criatividade é o perfeccionismo. Às vezes, ao começar um projeto artístico ou de ilustração, ou até durante o processo, algo não fica do jeito que esperávamos. E aí desistimos ou ficamos com um sentimento de frustração só porque algum exato detalhe não ficou como esperávamos.

Algo que pode ser feito para melhorar isso é deixar o trabalho de lado e retornar depois. Com novo ânimo, podemos retomar o processo e dar continuidade. A arte não precisa ficar perfeita.

A aquarela, por exemplo, às vezes tem “vida própria” e nos surpreende. Imprevistos como esse podem ser ruins. Mas também vir a trazer muita satisfação ao ver o resultado final.

Outra coisa que prejudica nossa criatividade é aguardar a inspiração chegar para começar. Adiar o início de um trabalho pode nos paralisar.

Às vezes, começando algo, logo em seguida a inspiração já vem. Tendo alguma ideia no papel, outras podem surgir. Durante o processo, o que vai acontecendo vai gerando novas ideia.
Um estratégia para evitar o medo do papel em branco é pingar umas gotas de tinta no papel. Isso tira o medo do papel em branco e parede que o trabalho já está iniciado. O receio de começar acaba imediatamente.

Outra barreira que impede a criatividade é justificar nossa procrastinação devido a motivos externos.

“Não tenho material, não tenho tempo, não faço porque preciso cuidar dos filhos, minha familia acha bobagem me dedicar a isso, não me incentiva ou não aprova, etc“.

Responsabilizar os outros é algo que pode até nos dar uma “consolação”. Mas o fato é que, quem quer, dá um jeito. Quem não quer, dá uma desculpa.

O que quero dizer é que tudo é uma questão de prioridade.

Muita gente diz que não tem tempo, mas na verdade tem tempo para ficar nas redes sociais ou navegando pela internet.

Ou diz que tem os filhos que não permitem. Mas por que não incluir os filhos na arte?

Ou a culpa é falta de dinheiro. Mas, às vezes, não queremos deixar de comer aquela pizza toda semana, ou o happy hour de sexta feria, ou o cafezinho de todo dia.

Porque damos prioridade ao que está em nosso coração. E onde colocamos o dinheiro, lá está a nossa prioridade. Vejo muita gente deixando o tempo passar e não realizando sonhos porque não visualiza o resultado a longo prazo.

Outra barreira é a falta de foco. Vemos tantas técnicas, materiais, tipos de arte, que às vezes nos sentimos aquém do que está por aí.

Existem muitos tipos de arte e milhões de pessoas que fazem algum desses tipos. Mas a verdade é que não precisamos fazer tudo que existe nem saber sobre tudo.

Eu foco em ilustração infantil e me dedico a isso.

Mas há muitos tipos de ilustração.

E dentro da ilustração infantil, existem vários estilos e várias técnicas.

E eu me dedico a ilustração com técnicas tradicionais, não digitais.

E existem muitas técnicas tradicionais, e embora eu conheça outras, eu me dedico à ilustração com tinta acrílica.

Quanta informação num nicho que parece tão pequeno.

O excesso de informação é bom, porque pode nos levar a ser ainda mais criativos, uma vez que uma coisa liga à outra e assim novas ideias – e produtos – vão surgindo. Ao mesmo tempo, esse excesso de informação sem foco pode nos distrair de nossos objetivos, deixando-nos sem saber que caminho seguir e, por fim, acabamos sem fazer nada, paralisados diante de tantas opções.

Igual quando você entra no ônibus, está vazio e você não sabe em que lugar sentar. 🙂

E, ao ter um objetivo, é recomendável começar devagar, estudar, praticar, seguir um percurso, começar do fácil e ir aumentado a complexidade aos poucos.

Quando estamos no bloqueio criativo, pequenos passos executados nos deixam mais motivados e com sentimento de realização.

Há uma frase, atribuída a Van Gogh, que diz:

Grandes coisas são feitas de pequenas coisas combinadas.

Por isso, mesmo que comece pequeno, comece.

Ao começar algo, o ser humano tem tendência a querer finalizar. Por isso, fica muito mais fácil dando o primeiro passo – ou derramando as primeiras gotas de tinta. 🙂

E por fim, mas não menos importante, há o medo que temos de que alguém não goste das nossas ideias ou criações.

Há uma frase que sempre me lembro quando tenho medo:


O medo não impede a morte. Impede a vida.

Portanto, não tenha medo de ser criativo. Coloque suas ideias no papel, literalmente. Produza suas criações.

Se tiver que ter medo, tenha medo de chegar ao fim de sua vida e não ter realizado os seus sonhos.
Agora que terminou, pegue um pedaço de papel, desenhe e crie!

Um ilustrado e criativo final de semana!

Novo livro!

Daqui a alguns dias, o lançamento oficial do livro Os três esquilinhos, de Regiane Kusman, que tive a oportunidade de ilustrar.

As vendas estarão disponíveis após o dia 10 de dezembro AQUI.

A data de lançamento é definida pela editora e poderá ser alterada sem aviso prévio. 🙂

O que envolve a produção de um livro ilustrado?

Como sempre, o que escrevo aqui são postagens baseadas “em fatos reais”.

Acho que é muito mais interessante – e importante – falarmos sobre o que de fato acontece.

E nessa semana recebi um pedido de orçamento que acabou levantando outras questões.

Nesse pedido, um cliente queria saber o valor que eu cobrava para fazer minhas ilustrações. Baseando-me no texto, apresentei um orçamento.

Após enviar, o cliente me disse que precisava também de todos os custos envolvidos na produção de um livro, tanto impresso como digital. Então, enviei ao cliente uma estimativa dos custos do livro impresso e digital. O cliente me respondeu que estava surpreso, pois não tinha ideia do trabalho e dos custos envolvidos.

Percebi então que não é claro para as pessoas o tanto de trabalho que envolve a produção de um livro infantil.

Note: embora seja necessário uma empresa inteira – uma editora – para a produção de um livro, nem sempre isso parece óbvio para quem está de fora. E quantas pessoas trabalham numa editora? Já parou para pensar nisso?

São muitas as pessoas que trabalham para que um livro seja não somente bem produzido, mas que alcance os leitores, e se torne um projeto bem sucedido.

É claro que existem pessoas que produzem livros de modo mais artesanal, mas aqui estou falando do livro que é feito em impressora offset, com papéis adequados, impressão e acabamento profissional.

E, por isso, vou explicar abaixo somente o básico para a produção de um livro. Não vou falar, por exemplo, da parte comercial, jurídica, financeira, marketing, distribuição, venda, etc.

Então, para começar, a primeira coisa que temos que ter é um texto, ou uma coleção deles.

Depois disso, é necessário fazer a revisão. E, muitas vezes, mais de uma. O texto tem que ser revisado não somente ortográfica e gramaticalmente, mas também é preciso observar outros detalhes no texto: que haja padronização no estilo, nos caracteres utilizados, itálico em palavras estrangeiras, negritos e sublinhados, aspas, reticências… São muitos detalhes e é necessário fazer várias revisões. E tudo isso envolve pessoas, que recebem por seu trabalho, é claro. E mesmo com tantas revisões, às vezes tem alguma coisa que escapa.

Após o texto passar por uma primeira revisão, aí vem a definição do formato e dimensões do livro, bem como o número de páginas.

Os valores de produção variam conforme o tipo do papel, da capa e páginas, bem como do formato e de quantas páginas terá o livro. Isso tudo varia em função do custo do papel naquela semana, em função da quantidade de livros que iremos produzir, e até do formato, pois o aproveitamento – ou não – do papel também reflete no custo.

Uma vez isso decidido, há que se pensar nas ilustrações.

O editor costuma escolher o ilustrador pelo seu estilo, pois entende que texto e ilustrações devem trabalhar conjuntamente. Dependendo do tema do livro, um estilo adequado pode enriquecer ainda mais a história.

E é aí que começa o trabalho do ilustrador, que precisa de conhecimentos específicos de como o livro é produzido, para que possa realizar ilustrações que não só enriqueçam a história, mas que também cooperem para o bom andamento da mesma, do passo, do clima, do layout de cada página, de modo que o livro se transforme numa experiência interessante para o leitor.

Por isso, não basta somente saber desenhar, mas é preciso empregar também conhecimentos de composição, técnicas narrativas, entre outros aspectos.

Quem geralmente paga o ilustrador é a editora, que o considera um parceiro, pois sabe da importância das ilustrações no livro.

Se as ilustrações forem feitas de modo artesanal (por falta de uma palavra melhor), há que se digitalizar e fazer os ajustes de imagem. Não é qualquer tipo de arquivo que vai para o livro. Há formatos e padrões que são mais adequados.

Quando há somente um escritor e um ilustrador, o livro já demanda tempo e organização. Já imaginou gerenciar um projeto com 45 ilustradores?

Após a finalização das ilustrações, vem a diagramação. E quem faz isso?

O designer, que trabalha para que o livro tenha uma aparência agradável e faz com que o texto e a imagem trabalhem em harmonia estética.

Além disso, também cria um arquivo que atenda as especificações técnicas necessárias para que o resultado gráfico tenha excelência. Ou seja, ele monta o arquivo de modo que a gráfica o receba no formato adequado para a impressão. Cada detalhe é importante. Pequenos ajustes podem fazer toda a diferença na produção.

Também é necessário que o livro tenha ISBN & Ficha Catalográfica.

O ISBN é necessário para que o livro tenha sua “identidade” e que possa ser vendido, tanto nacional com internacionalmente. E a ficha catalográfica permite que o mesmo seja catalogado em bibliotecas.

Para cada formato de livro, ou tiragem, é necessária uma identidade nova, ou seja: uma para livro impresso e uma diferente para livro digital.

E por fim, o processo gráfico. O custo unitário de um livro varia em função de tantos detalhes, que cada projeto tem um preço único. É possível fazer livros mais baratos e mais caros, mas para uma tiragem, mesmo que seja pequena, o custo pode ser alto. Caso o cliente queira fazer um livro digital, é necessário fazer a preparação do arquivo e também a conversão do livro para o formato aceito na plataforma onde será vendido. O processo para fazer um livro impresso e um livro digital é diferente.

E na plataforma, há requisitos de tamanho, formato de arquivo, bem como de preço mínimo, pois a plataforma cobra para hospedar seu livro.

Tudo isso que falei aqui é o mínimo. Há muitos outros detalhes que não estou cobrindo.

É importante que você, seja ilustrador, aspirante ou alguém que deseja publicar sua história, saiba que não é um processo que se faz do dia para a noite, e que envolve custos.

O trabalho de gerenciamento do livro, que é feito pelo editor, ou gestor, como alguns se autodenominam, também requer muito empenho e muitas horas para que todas as etapas de publicação trabalhem de maneira que tudo venha a se encaixar no final.

É preciso conhecimento e organização, e muito tempo também, para fazer com que tudo saia dentro do que foi previsto.

Enfim, espero que essa postagem tenha esclarecido pelo menos um pouco do que é o processo de publicação de um livro.

Na próxima vez que for a uma livraria, visite a seção infantil e veja as diferenças de capas, de formatos, de papéis, de cores, de estilos de ilustração… Note em cada detalhe o carinho que o editor, o escritor e o ilustrador colocaram naquela obra.

E lembre daqueles que, ainda que invisíveis, trabalham para que a cultura, as artes visuais e a literatura cheguem às mãos dos pequenos leitores.

Um ilustrado final de semana!