Plante com fartura e colha com fartura

Eu não sei se você sabe, mas sou cristã. E todos os dias eu faço meu devocional pela manhã. Eu sigo um estudo num aplicativo do meu celular ou Ipad. 

E o versículo de ontem foi exatamente o mesmo que o pastor falou durante a pregação na minha igreja, também ontem. Não é uma coincidência interessante?

Eu geralmente não escrevo versículos nas ilustrações, a não ser que seja um livro cristão. No entanto, achei curioso que o versículo do meu estudo matutino fosse exatamente o mesmo da pregação de domingo.

E esse versículo falou muito comigo e quis vir aqui para falar para você também.

Por que eu estava pensando nas minhas metas esse ano. E esse versículo mostra que, se eu não plantar, não vou colher. 

Veja só: “Lembrem-se: aquele que semeia com moderação também colherá moderadamente, e aquele que semeia com fartura também colherá fartamente.

(2 Coríntios 9:6 – NVI)

Como minha vida gira em torno da ilustração, não pude deixar de aplicar esse versículo à minha profissão.

Eu pensei: o quanto será que estou semeando no meu trabalho? Será que estou mesmo fazendo o máximo que posso, plantando sementes, para depois poder ter uma colheita farta?

Será que estou, de fato, tratando minha carreira de modo intencional e fazendo atividades que cooperam para o bem dela, que venham a me trazer mais oportunidades na minha área?

Será que estou mesmo fazendo tudo com propósito? Ou estou fazendo um pouquinho aqui e outro ali, achando que só jogando umas sementinhas pelo caminho será o suficiente?

Ao começar, de fato, podemos jogar apenas algumas sementes: 

Um desenho no final de semana.

Um sketchbook e alguns lápis.

Uma ilustração quando dá tempo…

E tudo isso em um tempo curto, geralmente o que dá para fazer no meio de uma vida cheia como a que todo mundo tem atualmente.

É assim que a maioria começa. Ninguém tem tudo à mão. Mas, à medida que o tempo passa, isso continua a ser suficiente? 

Será que não estamos procrastinando, e todo ano fazemos as mesmas coisas, mas nossa colheita farta nunca vem?

Será que um agricultor vai continuar plantando somente umas sementinhas se ele quiser colher mais? Ou ele vai ampliar e preparar o terreno, plantar mais, estudar para saber as melhores técnicas, investir em conhecimento e instrumentos, descobrir como vender e se organizar?

Será que estamos mesmo plantando? E cada vez plantando mais?

Ou será que estamos apenas adiando aquilo que Deus já colocou no nosso coração?

Falamos do sonho, pensamos nele, pedimos direção a Deus… mas, muitas vezes, adiamos o gesto concreto: planejar nosso sonho de verdade, desenhar mais, montar nosso portfólio, estudar, melhorar nossas técnicas… 

Veja: Se não plantamos, não nos dedicamos, mesmo que a gente peça que Deus abençoe, sem colocar uma semente na terra, nada irá nascer nem florescer. Temos que fazer a nossa parte. E temos que fazer, não somente sonhar.

Como Deus pode abençoar nossa colheita se não plantamos as sementes?

E nem sempre é por falta de capacidade ou habilidade, mas por inércia (não fizemos nada). Ou então é medo, insegurança, comparação, falta de método — ou até procrastinação disfarçada de “esperar o momento certo”.

Será que em 2026 não temos que, de fato, refletir há quantos anos estamos esperando ‘esse momento certo’?

Ou este será apenas mais um ano em que o sonho fica guardado, bem conservado… e nunca plantado?

O tempo é inexorável, inflexível… implacável! O tempo passa e as oportunidades, o sonho realizado, tudo isso vai parecendo cada vez mais distante. 

Chega a hora em que olhamos para trás e vemos que não fizemos o que deveríamos ter feito. Não plantamos nada e, na verdade, no fim, não haverá o que colher. 

Semear com fartura não é produzir sem parar, sem intenção, mas é desenhar mesmo quando o resultado ainda não encanta, entender que é um processo com altos e baixos, é estudar mesmo quando dá vontade de desistir e também terminar o que se começa, mesmo que o resultado não seja – ainda – o que você imaginou.

Quem semeia pouco, colhe pouco — não por castigo, mas por lógica. Não tem como colher um grande trabalho de ilustração sem ter ‘plantado’  tempo, prática, estudo e entrega. 

Quem semeia com constância, colhe com o tempo, mas quem planta o nada, colhe o nada.

Assim como a terra responde apenas ao que recebe: só faz nascer se a semente for plantada, o mercado editorial só pode florescer na sua carreira se você plantar suas sementes. 

Janeiro é o mês ideal para começar ou recomeçar. Que a sua resolução de ano novo seja plantar mais ilustrações, aperfeiçoar suas técnicas, melhorar sua composição, aprender a planejar seu livro, tirar sua história da gaveta, montar um portfólio de destaque, entrar em contato com clientes, começar a viver da sua arte…

Que 2026 seja o SEU ano. E que os planos que Deus colocou em seu coração possam ser realizados nos próximos meses. 🙂

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Não use só as tintas dos Potinhos e Tubinhos

No mercado, tem muita variedade de cores de tintas… Será?

E a variedade de cores que tem nos programas de computador, não é muito maior?

Então, veja como variar um pouco mais as cores dos potinhos e tubinhos de tinta.

Abaixo: link para tintas e pincéis que costumo usar:

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Pincéis baratinhos/pincel escolar, bom para espalhar a tinta e deixar marcas e texturas):

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Livro Referência de Texturas

Muita gente fala que, o que eles mais gostam nas minhas ilustrações, são as texturas.

E muitas vezes, me perguntam como fazer algumas delas, se é o papel, a tinta ou o pincel que eu uso.

De fato, texturas dependem não somente do material que usamos, mas também das técnicas.

Por isso, resolvi trazer aqui um livro que ensina algumas delas, em várias técnicas.

Então, se você quer aprender texturas, para usar em suas artes, ou até em suas ilustrações, esse livro pode ajudar.

O importante é lembrar de inserir seu PRÓPRIO ESTILO nessas texturas, para não ficar tão realista e perder a ludicidade da ilustração para livros infantis.

Assista ao vídeo abaixo para conhecer. 🙂

Caso você tenha interesse, eu comprei esse livro aqui: https://amzn.to/4rkn4KH

Em que acredito na ilustração?

Dias atrás, estava lendo sobre o que nos move e no que acreditamos. Então, pensei: por que não fazer um ‘manifesto’ do que acredito?

E, é claro, coloquei meus pensamentos a respeito da Ilustração em 10 itens e chamei de Manifesto da Trilha Ilustrada.

Aí vai:

1. Aprender a desenhar é treinar não somente a mão, mas também o olhar, seu jeito de ver as coisas. Ver texturas, cores e até mesmo narrativas em outros contextos, como filmes e livros que não são infantis.

2. Todo ilustrador está sempre aprendendo. O desenvolvimento acontece quando o estudo e a prática deixam de ser esporádicos e se tornam parte da rotina. E estamos sempre nos aperfeiçoando, melhorando, querendo fazer cada dia melhor. Faz parte da arte.

3. Assim como aprender técnicas, é preciso compreender como se faz um desenho que conta uma história. E nisso, a forma, a proporção, a composição entram como fundamentais. Anatomia e perspectiva não são tiranos que te impedem de fazer o ‘perfeito’. São auxiliares que te ajudam a transmitir uma mensagem visual ainda melhor. Temos que cuidar, no entanto, para que o perfeccionismo não tire a espontaneidade de nosso trabalho.

4. Cada traço conta. Tudo que você coloca na sua ilustração conta. Linhas firmes ou fluidas, cores, texturas e elementos incorporados — tudo transmite sensações e emoções. Suas escolhas refletem o seu estilo.

5. O estilo nasce da repetição consciente de alguns detalhes. O estilo surge quando sua técnica encontra consistência e as suas escolhas começam a refletir você e sua personalidade em seu trabalho.

6. Ninguém nasce ilustradorme desculpe, mas não vi ainda um bebê que desenhe melhor que outro. Nos tornamos ilustradores quando nos dedicamos a esse trabalho com dedicação e seriedade, e não nos deixamos abater pelos altos e baixos da vida (que tem em qualquer profissão).

7. O chamado talento pode até ajudar no início. Quem tem aptidão, já começou com vantagem. Porém, mesmo que não tenha, acredito que todos podem aprender a ilustrar, com disciplina, estudo e dedicação. E lembre-se: o trabalho duro vence o talento, quando o talento não trabalha duro.

8. Ter uma mentalidade otimista, de paciência e persistência. Não se deixe abater por críticas e julgamentos, nem tenha medo de expor seu trabalho. O seu trabalho é importante e impacta a vida das crianças. Eu sei, é dificil, mas não existe o bônus sem o ônus.

9. Comparar-se aos outros desanima e atrapalha o processo. Cada ilustrador é único e a única métrica válida de comparação é a evolução do próprio trabalho. Aquele ilustrador que você admira pode ter passado anos trabalhando de modo anônimo, até que um dia colheu os frutos do seu trabalho.

10. Ser proativo para aprender e aplicar, e ter paciência para aguardar os resultados. Porque, se você realmente se dedicar, estudar e se aprimorar, os frutos virão.

E você, acredita nisso também? Comente abaixo.

Como lidar com o medo de começar

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Todo ilustrador começa com medo. Uns disfarçam melhor, outros travam de vez. Mas ninguém está imune àquele friozinho que aparece quando a gente olha pro papel em branco e pensa:“E se eu não for bom/a o suficiente?”

A verdade é que o medo não é sinal de que você está no caminho errado. Ele é apenas o lembrete de que você está prestes a fazer algo importante.

O medo como parte da jornada

No início, a gente acha que o medo vai desaparecer quando ficar “bom”. Mas não vai. Pior que ele continua lá. Eu sei sobre isso muito bem. O medo de começar se torna o medo de ‘e se não gostarem’?

No começo, o medo é de começar. Depois, é de mostrar. Mais tarde, de não ser aceito/a, de não conseguir viver disso, de decepcionar alguém. De alguém nos criticar.

Eu mesma, quando comecei, sentia medo de mostrar meus trabalhos. Achava que todo mundo desenhava melhor do que eu — e que se eu mostrasse o meu desenho, iriam dizer ‘que legal’ — e, por trás, dizer que eu não levava jeito para a coisa.

Hoje, depois de mais de trinta livros ilustrados, às vezes ainda sinto medo… e vou te falar — de coração — que tem uma frase que todo mundo fala que é muito verdade:

— Se tá com medo, vai com medo mesmo.

Por que o medo paralisa

O medo faz parte da vida. Ele tem uma função útil: ele tenta nos proteger.

Mas, na arte, ele se confunde com o perfeccionismo — aquela voz interna que diz que o traço ainda não está bom, que a ideia ainda não é original o bastante, que o material — ou a hora certa — ainda não chegou.

E é aí que a gente trava: esperando o momento ideal. Aquele dia em que vai sobrar tempo, inspiração e coragem ao mesmo tempo — o que, convenhamos, nunca acontece.

O segredo é aceitar o medo e começar mesmo assim. Não existe “sem medo”. Existe apesar do medo.

A prática como antídoto

Se tem uma coisa que aprendi com o tempo é que ação gera coragem. Não o contrário.

É fazendo que vamos ‘nos tornando’ ilustradores. É desenhando com a mão trêmula que você aprende a firmar o traço. É terminando o primeiro desenho torto que você se aproxima do segundo — que já sai um pouco melhor.

A prática é o que transforma medo em confiança. Cada vez que você termina um desenho, ainda que imperfeito, você acumula uma pequena prova de que é capaz. E são essas pequenas provas que, juntas, constroem o que a gente chama de segurança.

Foi só depois de ‘alguns livros’ que eu me senti confortável em dizer que eu era — de fato, ilustradora. Hoje, mesmo finalista do Prêmio Jabuti, tem horas que eu ainda me surpreendo: e não é que eu realizei o meu sonho de ser ilustradora? Acho que todo mundo tem um pouco disso.

O mito do talento

Muita gente diz: “Não nasci com talento pra isso”. Mas o talento é um mito confortável. Ele faz parecer que quem tem sucesso nasceu pronto — e, por consequência, quem tem medo estaria condenado a não conseguir.

Na verdade, o que existe é constância. Quem desenha bem é quem não parou quando o desenho ficou feio. É quem entendeu que cada tentativa é parte da lapidação do olhar e da mão.

Se o seu traço hoje não é o que você queria, não é porque falta talento — é porque falta tempo de prática.

Existem muitos tipos de medo, e reconhecer qual é o seu já é metade do caminho. Há o medo técnico, de não saber desenhar “direito”, de errar as proporções, de não dominar o material.

Há o medo emocional, aquele que sussurra que o seu trabalho nunca será bom o bastante.

E há o medo social, de se expor, de ser julgado, de ouvir críticas. Para mim, esse é um dos piores.

Cada um deles pede um antídoto diferente, mas todos têm cura parecida: ação constante, gentileza consigo mesmo/a e foco no processo, não no resultado.

Algumas sugestões simples, mas que ajudam:

  • Faça um desenho pequeno todos os dias — um traço, um estudo, um esboço. A constância é o melhor remédio contra o medo. Tente melhorar alguma coisa todo dia.
  • Estude livros infantis e veja as soluções que os ilustradores fizeram. Às vezes, você tá tão focado em fazer anatomia perfeita que esquece que a espontaneidade é mais importante no traço que a perfeição. Nem todos os ilustradores adotam perspectiva nem perfeição anatômica. Até as mãos, às vezes só tem 4 dedos.
  • E, por fim, inspire-se, mas não compare o seu trabalho com o dos outros. Talvez eles tenham mais anos de prática, talvez tenham mais experiência. Compare o que você fez no ano passado com o que faz agora. E vai notar que a prática faz realmente diferença. 🙂

Vou fazer um workshop gratuito no sábado, dia 01/11, às 8h.

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