Aventurando no Lettering

Dias atrás tive a oportunidade de fazer esse ‘lettering‘. O objetivo era presentear uma conhecida que teve bebê. Foi uma experiência interessante, pois não é uma arte que costumo fazer.

O que aprendi:

. Só fazendo aprendemos realmente.

Mesmo sendo apaixonada pelo lettering, foi só fazendo que percebi a necessidade de planejar bem as fontes e diagramação. Depois de pronto, achei que algumas fontes poderiam ser mais grossas e mais impactantes. Esse trabalho foi fruto de um momento de descanso, mas agora entendo que poderia ter feito mais testes em preto e branco antes de decidir por um design definitivo.

Eu sou uma entusiasta do “aprender fazendo”. Acredito que, quando estamos com as “mãos na massa”, o nosso cérebro recebe essa aprendizagem de modo diferente. Afinal, deve ser para isso que serve a lição de casa, né? Rsrs… Além disso, como sempre, a prática leva ao aperfeiçoamento. É como o bebê que começa a aprender a andar: quanto mais tenta, melhor fica (nesse caso, ele não fica, vai andando… rsrs)

. É bom fazer vários rascunhos antes

Como mencionei no item anterior, é bom fazer um planejamento. Eu fiz uns cinco rascunhos e mesmo assim demorei para chegar a uma conclusão sobre qual me agradava mais. Ainda assim, no final, achei que a palavra em destaque – Senhor – pedia por uma fonte mais bold, mais encorpada.

. Material

Usei o material que tinha, e eram canetas muito boas, de qualidade e adequadas ao trabalho. Na parte em que as letras ficaram em branco, achei que com as canetas iria demorar muito tempo e o resultado não seria tão bom, então usei tinta. Eu já tinha feito um trabalho em preto e branco para um livro de poesias há alguns anos, e por esse motivo tinha adquirido umas canetas Micron. Antes delas, eu até tinha outras, mas algumas marcas tem tom azulado, outras borram demais e qualquer umidade pode prejudicar a sua obra. Essa marca que usei no time-lapse não borra nem mancha com água. (Não estou recebendo nada para falar da marca, rsrs. Estou só contando minha experiência.)

Mas para treinar, acredito que qualquer caneta sirva. Acho desenhos feitos com caneta esferográfica muito bonitos e creio que seria uma ideia interessante produzir um lettering com canetas desse tipo. Eu não consegui descobrir a autoria da imagem abaixo, mas achei esse lettering muito top.

Enfim, tenho certeza de que, quando eu fizer mais alguns trabalhos desse tipo, terei descoberto ainda mais peculiaridades dessa arte. Se tiver alguma dica ou sugestão, me conte nos comentários. :-*

Ilustrador também faz cenografia?

Nessas últimas três semanas estive trabalhando em alguns painéis cenográficos para o musical “A Jornada dos Guardiões”, que acontecerá nos dia 5, 6 e 7 de julho, na Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba.

A peça se trata de uma aventura com crianças – os guardiões – e as cenas se passam em um navio pirata e uma pequena vila. Não é possível ver na foto, mas cada painel tem frente e verso, de um lado com as imagens representando o navio, e do outro a vila. Os painéis giram e a porta do meio abre para que os atores passem por ela durante o musical. Um trabalho todo voluntário, realizado pelos membros da igreja. A escada, o timão e os coqueiros também foram executados por profissionais que frequentam a instituição.

Acima, o painel, a escada e a rede representam uma parte do navio e os outros dois painéis fazem parte da vila. Ainda serão acrescentadas flores 3D na floreira.

Imagem da porta do outro lado, representando o navio. Desculpem a foto torta.

Como eu só poderia pintar os painéis quando já estivessem montados, foi necessário aguardar para que parte dos mesmos estivesse finalizada. Tão logo o primeiro ficou pronto, comecei a pintura. Porém, alguns foram instalados no cenário antes que eu terminasse os demais. Como estava atuando solo na pintura, tive que terminar os mesmos quando já estavam posicionados no palco. Por isso, na foto acima já estou trabalhando no local da apresentação. É possível perceber na foto os materiais que usei: esmalte a base d’água, rolinhos, pincéis e a famosa lona para proteger o chão, que é feito de laminado.

O esmalte a base d’água tem o inconveniente de ser muito brilhante, mas não tem cheiro, seca rapidamente e permite várias camadas sem muita espera entre elas.

É interessante observar que, quando mencionei várias áreas de atuação para o ilustrador em uma postagem anterior, não havia pensado na cenografia. Fui então surpreendida com esse convite para pintar painéis cenográficos. Foram muitas horas de empenho, mas, mais um vez, realizei um trabalho muito gratificante que me deixou muito feliz. 🙂

Vale a pena receber o pagamento em exemplares?

Esta semana respondi a uma pergunta interessante.

Vale a pena ilustrar um livro e receber o pagamento em exemplares?

Atualmente há muita facilidade em publicar um livro. As editoras não dominam mais esse mercado. Autores podem publicar o que desejarem, sem precisar passar pela aprovação de uma editora. É o que se chama “vanity publishing”. Eu mesma já ajudei a produzir vários livros para autores independentes.

Tenho observado que essa prática está aumentando muito. O desejo de publicar um livro e realizar um sonho é grande e muitos autores e ilustradores tem recorrido a essa estratégia. Em alguns casos, o autor contrata o ilustrador e produz o livro todo.

Porém, há casos em que o ilustrador entra com o trabalho, o autor com o valor da gráfica e cada um recebe exemplares como pagamento. Aí, se revezam vendendo nos eventos culturais da cidade. Quando há uma editora envolvida, geralmente é uma editora sob demanda e entra com o design gráfico e venda online. 

Para o ilustrador, porém, nem sempre é uma boa alternativa, pois assim como qualquer outra pessoa, precisa dos recursos financeiros para pagar as contas. O ilustrador faz o que faz para viver, não é um hobby, e seu trabalho não é vender livros.

Essa estratégia parte muitas vezes dos autores, pois eles têm outra fonte de renda – muitos são professores – e a publicação seria um “sonho” a se realizar. Mas a ilustração é o ganha-pão do ilustrador, que nem sempre tem outra fonte de renda. Também vale lembrar que, não é porque gostamos do nosso trabalho, que a “satisfação” paga a luz e a água… 🙂

Às vezes o autor, para conseguir publicar, acaba pagando até mesmo a editora, o que eles têm chamado de co-participação.

Ilustrar e vender são dois trabalhos diferentes. Para vender livros é necessário ter um círculo profissional e de amizades que permita que se venda o seu livro. Se o livro for de interesse de muitas pessoas, e tiver boa saída, a edição autoral é uma excelente alternativa para o autor. Porém, é preciso um lugar para estocar e oportunidades para vender.

Já no caso do ilustrador, vamos pensar: se as editoras já se empenham de várias formas para vender, com toda estrutura que possuem, imagine ele(a) usar seu tempo para focar nessa parte comercial? Também há que se analisar os valores: se o profissional receber, digamos, 300 exemplares como pagamento, e o preço de capa for 25,00 reais, teria como renda final 7.500,00 reais. Porém, isso viria aos poucos, com esforço de venda, se o livro for interessante e tiver boa saída. Mas é tempo que estará deixando de ilustrar. E tempo que poderia estar ilustrando e recebendo por esse trabalho.

Só pra ter uma ideia, se o ilustrador conseguir vender um livro por dia, ao fim de aproximadamente 10 meses, terá recebido o valor total. Considerando esse cenário, conseguiria vender pelo menos um livro por dia? 30 livros num mês? É algo a se pensar.

São alguns questionamentos que me faço, a serem considerados antes de aceitarmos uma proposta desse tipo. 

Há quem se apaixone por um projeto e faça o trabalho independentemente do que vai receber. E considere os exemplares um bônus. Mas aí é uma outra história.

Para algumas propostas, respondo na brincadeira, usando uma frase atribuída a Cacilda Becker: “ não me faça dar a única coisa que tenho para vender”.

O que eu sugiro em um caso assim: faça uma contraproposta. Nem sempre dará certo. Porém acho que vale mais a pena receber em dinheiro, ainda que parcelado. Mas… é só uma opinião. O que funciona para um não é necessariamente o que funciona para outra pessoa. Se tiver uma opinião diferente, ou quiser compartilhar uma experiência, escreva nos comentários. Abs!

Feiras e outros Eventos Literários

Feira Literária de Gotemburgo – Stand do Brasil

Uma grande oportunidade para o ilustrador, principalmente o iniciante, são as feiras literárias. Nem todos temos a chance de ir às mais importantes, uma vez que são distantes de onde moramos. Porém, se houver uma oportunidade, pode surgir uma parceria entre o ilustrador e o editor.

Em alguns eventos literários como a Feira de Bolonha, é possível marcar um horário para mostrar o seu portfólio para os editores. Aqui no Brasil costuma ser mais informal. Em feiras literárias, geralmente os editores estão mais presentes no primeiro dia. Porém, dependendo da feira, podem ser encontrados o tempo todo e você pode conseguir fazer bons contatos.

Ao participar de feiras, notei que alguns editores gostam de receber portfólios, enquanto outros consideram que não é o momento e se sentem importunados. De qualquer forma, se for a uma feira, tenha em mãos seu portfólio, pois se alguém pedir para ver, essa oportunidade pode não se apresentar novamente.

Algumas sugestões:

. Evite levar os seus originais. Podem se sujar, ficar perdidos, ou até mesmo alguém solicitar para ficar com o mesmo. Faça impressões coloridas de alta qualidade. Já imaginou você ficar sem o original da ilustração que mais gosta?

. Escreva seu nome e contato em todas as páginas do portfólio: ao lado, no topo ou embaixo das ilustrações. Supondo que o editor faça uma foto para lembrar do seu trabalho depois, na pressa ele pode esquecer do seu nome.

. Embora a maioria das pessoas não guarde cartões ou se lembre quem é cada pessoa que lhe deu um, ter um cartão pessoal com uma ilustração pode valer a pena.

. As ilustrações não precisam ser necessariamente gigantes no portfólio. Uma pasta A4 ou no máximo A3 basta. Maiores dificultam o manuseio.

. Escolha entre 10 a 20 ilustrações. Menos que 10 darão a impressão de pouca produção, enquanto mais de 20 vão tomar o precioso tempo do editor e ele pode acabar pulando páginas, deixando de ver o seu melhor trabalho.

. Inclua somente ilustrações que tenham a ver com o seu objetivo. Se estiver apresentando um portfólio para um editor de livros infantis, não vale a pena incluir pinturas de natureza morta, por exemplo.

. Esteja pronto para aceitar críticas. Caso o editor esteja disponível, pergunte o que ele achou. Mas fique preparado. Nem todos vão dizer o que pensam, seja porque não querem magoar, ou até mesmo porque não o sabem. E alguns o sabem intuitivamente, mas não conseguem explicar. Porém, se encontrar algum que possa lhe dar alguns insights, aproveite.

. Outra sugestão é levar alguns cartões, exemplos de suas ilustrações, para distribuir caso alguém lhe peça. Também é possível deixar uma pequena amostra do seu portfólio, mas como estamos na era digital, às vezes vale mais a pena – e custa menos – enviar via email (se solicitado) ou o link do seu site. Os stands de eventos literários geralmente são pequenos e não tem lugar para estocar portfólios, portanto estes podem ficar perdidos, serem esquecidos ou até mesmo, na hora de empacotar tudo, descartados.

. Caso peçam para você entrar em contato, faça-o alguns dias após o término da feira. Devido ao evento, podem ter centenas de e-mails para responder, relatórios para apresentar, entre outras tarefas. Dê uns dias mas não deixe para muito tarde. Escreva agradecendo pela oportunidade na feira, relembre quem você é, envie alguma imagem que o tenha impactado e seja gentil.

Minha experiência: já fui a muitos eventos e alguns não resultaram em nada. Mas a maioria de meus livros foram resultado de contatos em algum evento.

Também já tive a experiência em que meu portfólio nem foi aberto e foi colocado numa pilha junto a tantos outros. E imaginei se alguém iria vê-lo depois daquele momento… São momentos sofridos, mas não desista. Quem espera sempre alcança. 🙂

Se tiver alguma dica extra ou experiência que queira compartilhar, escreva nos comentários. Abs!

Inspiração e Referências na Ilustração Infantil

Quando uma nova história chega para mim, já começo a imaginar como vai ser o personagem, o cenário, as roupas… enfim, o ‘clima’ da história.

Depois que eu leio algumas vezes o texto e faço a ‘quebra’ de páginas do mesmo. é hora de começar a fazer o stotyboard e a ‘boneca’ do livro.

Nessa etapa, o que está na minha imaginação já vai tomando forma. Mesmo assim, não deixo de buscar inspiração em fotos de figurinos e cenários reais para evitar desenhar sempre do mesmo jeito.

Um exemplo disso foi uma ilustração que fiz para um livro de poesias “O Voo da Poesia”, em preto e branco. O poema de Rosana Silva fala da menina que está sentada na varanda, quando o vento leva as suas figurinhas.

Por isso, pensei numa casa antiga, de madeira, como as que temos em Curitiba, relíquias de outros tempos, com uma varanda e um jardim. Procurei na internet algumas referências e, entre elas, escolhi esta:

Agora observe a ilustração que fiz:

A ilustração não precisa ser fiel à foto, mas esta serve como referência para a execução da mesma. É possível notar que não a fiz exatamente igual, nem era essa a minha intenção. Mas uma foto ajuda muito a produzir algo diferente do que temos visto, uma vez que somos sempre influenciados por imagens de todos os lados.

Ao buscar novas referências e inspiração, a minha intenção é fazer algo original e que traga emoção ao leitor, ao relembrar a própria infância, muitas vezes recheada de memórias como esta. 🙂

Produção do Mês :-)

Olá! Hoje estou compartilhando uma foto da produção do último mês. Fiz várias ilustrações para um livro infantil. Mas nesta foto ainda faltam algumas, pois uma estava secando e eu não tinha ainda começado a ilustrar as capas. Mas já dá pra ter uma ideia do que andei fazendo.

Foi muito gostoso fazer esse livro. É a primeira vez que ilustro dragões. Foi também um desafio, pois a intenção da autora era fazer dragões que, apesar da aparência, preocupavam-se com o bem estar do próximo e tinham bom coração. Espero ter conseguido passar essa ideia com as minhas ilustrações.

Uma das ilustrações que mais gostei de fazer foi a da dragão-fêmea, a que tem cor roxa, que se chama Severa. O texto diz que ela é vaidosa e tentei passar essa ideia com a ilustração dela passando máscara para cílios (rímel) em frente ao espelho e secando os ‘cabelos’. Dá para ver na imagem acima. 🙂

Na próxima postagem vou mostrar como ficou a capa. Até lá! :-*

Como Ilustrar e Produzir um Livro Infantil

Tenho observado que muitas pessoas desejam ilustrar seu próprio livro. É uma tendência no momento e, mesmo que uma pessoa não deseje seguir a carreira de ilustrador, ela tem esse desejo de expressar sua arte, seja na escrita quanto na ilustração. Algumas pessoas já até me pediram para ensinar a ilustrar, até como fazer o livro todo, mas ainda não tive tempo para organizar um curso, porém está nos meus planos.

Por isso, vou falar aqui sobre algumas coisas que são importantes para você poder ilustrar seu próprio texto.

A primeira coisa, desculpe citar o óbvio, é que você tenha uma história ou até mesmo um poema. Algumas pessoas já me disseram que tem vontade de publicar um livro, mas ainda não tem um texto. Por isso, a primeira coisa a se fazer é focar na escrita.

Tendo o texto já escrito, é necessário analisar o que o mesmo diz e o que se sugere nas entrelinhas. Também é interessante que a ilustração complemente a história. Vou exemplicar:

Há uma história do Rolo (Turma da Mônica) em que ele pede o carro a seu pai para sair com uma ‘mina’. Na historinha, o pai diz ao Rolo que nunca pediu o carro ao pai dele (mas no balão de pensamento ele está pedindo o ‘carango’), nunca chamou o pai de ‘velho’ (mas em pensamento ele chama o pai de ‘coroa’), ele ri que o Rolo chama a namorada de ‘mina’ (em seu pensamento o pai dele – avô do Rolo – também ri quando ele – o pai do Rolo – chama a namorada de ‘broto’)… e assim por diante. Esse ‘conflito de gerações’ é tratado de forma cômica e graciosa. Esse é um exemplo fantástico de como a ilustração é essencial para que se entenda a história.

Uma vez que o texto já esteja pronto e revisado ortográfica e gramaticalmente, devemos definir o formato, dimensões e quantas páginas o livro terá. Isso tudo depende muito do tamanho do texto, da quantidade de palavras e de quantas ilustrações serão feitas. No caso de uma editora, tudo isso pode já vir pré-determinado. No caso de um livro de produção própria, você que terá que tomar essa decisão. Uma vez que determinou número de páginas e formato (quadrado, retangular, 25×25, 21×18, etc), você pode partir para o storyboard. Abaixo um exemplo de storyboard (livro Sibila).

Se você não tiver ideia das dimensões e número de páginas, duas coisas podem lhe ajudar a definir: um orçamento com uma gráfica pode determinar o tamanho do livro, porque quanto maior o formato e maior número de páginas, mais caro. Fazer o storyboard pode lhe ajudar também, pois vendo como as páginas vão ficar com as ilustrações e o texto lhe dará uma panorâmica do resultado. Se o texto estiver apertado ou houver muitas áreas em branco, o storyboard lhe dá a oportunidade de reposicionar o que não ficou do seu agrado.
Após o storyboard, é hora de começar os roughs, ou esboços em preto e branco, também chamados de rafes. Aí você começa a fazer os desenhos de cada página. Pode ser que tenha que fazer e refazer várias vezes. É assim mesmo.
Finalizados os esboços, é hora de partir para as ilustrações originais. Cada técnica pede um tipo de papel. Quanto mais ‘molhada’ a tinta, maior a gramatura do papel. Você pode também finalizar com lápis de cor, aquarela, acrílico, colagem, nanquim, e até mesmo um misto de técnicas. Ou pode digitalizar e colorir no computador. Eu utilizo tinta acrílica, faço colagens, dou acabamento com lápis de cor…
Ilustração finalizada
Para o livro ficar completo, é necessário fazer as capas, a folha de rosto, a ficha catalográfica, o miolo – que é a parte onde ficam o texto e as ilustrações. São opcionais a biografia do autor e ilustrador, como também a dedicatória.
Após todas as ilustrações estarem prontas, é preciso digitalizar. Como eu tenho scanner em casa, eu mesma faço isso. Se você não tiver um scanner ou não souber como fazer, é possível também terceirizar esse trabalho. Peça à empresa de digitalização que lhe entregue as imagens em jpg de 300dpi, no mínimo.
Embora haja pessoas que produzam livros sem o ISBN, eu aconselho a solicitá-lo na Biblioteca Nacional. O ISBN ou International Standard Book Number é um sistema que identifica numericamente (código de barras) os livros segundo título, autor, editora e país. Isso facilita sua comercialização nacional e internacionalmente.
Sobre a Ficha Catalográfica, uma bibliotecária está habilitada a fazê-lo, o que possibilitará que seu livro seja catalogado nas Bibliotecas.
Para preparar o livro para a gráfica, é preciso um software específico. Eu gosto do Photoshop, do Corel e do Photopaint. Muitos ilustradores montam no Indesign e até no Illustrator. Depende do que você está mais acostumado a usar. Se você não tem esses softwares, geralmente pode baixar para teste gratuito por um mês. Lá você monta o arquivo, insere o texto e ‘fecha’ o arquivo para envio para a gráfica. Geralmente a gráfica faz um ‘livro’ e pede a sua aprovação antes de produzir todos os exemplares.
Depois disso, é só aguardar ficar pronto e curtir a sua obra!

Fatos e mitos a respeito da carreira de ilustrador

Antes de eu começar a ilustrar, eu sempre imaginava como seria o meu trabalho. Um atelier grande, com janelas enormes, sempre iluminado, e eu ilustrando o dia todo. Eu teria um “agente”, que faria toda a parte comercial e financeira para mim… Aguardaria a inspiração chegar e seria ‘descoberta’… 🙂

Mas a realidade nem sempre é assim e, como tudo na vida, às vezes a mídia e a internet gostam de enfeitar e ‘romantizar’ as coisas.

A verdade é que o ilustrador, pelo menos aqui no Brasil, dificilmente tem alguém que o ajude a procurar clientes. Já nos EUA existe a pessoa do “agente”, e tem editoras e empresas que fazem as tratativas somente com o mesmo.

Raramente as coisas acontecem por acaso e dificilmente seremos ‘descobertos’. Temos que ‘correr atrás’, divulgar o trabalho, e às vezes nosso portfólio nem chega à pessoa certa. Uma desvantagem de ter um agente seria ter mais um custo; por outro lado, teríamos mais tempo para desenhar, ilustrar e fazer muita arte. 🙂

Muitos perguntam de onde tiramos a nossa inspiração. Mas outro fato a respeito da nossa carreira é que nem sempre dá tempo para esperar pela inspiração. Temos uma data de entrega e às vezes aquela ilustração não vai ficar exatamente como você queria e, infelizmente, o bom terá que ser suficiente, porque não dá tempo de tentar fazer o ótimo.

Outra visão que as pessoas tem do nosso trabalho é que passamos o dia todo a desenhar, e que não há necessidade de estudar, praticar, pesquisar… Mas a verdade é que precisamos inventar mundos imaginários, cenários que existem na cabeça de outras pessoas, criar personagens, pesquisar fatos históricos e, seja digital ou manual, uma ilustração leva tempo e também cansa ficar sentado na frente da prancheta ou cavalete.

Outro mito da profissão do artista é aquela em que o mesmo fica no ‘ócio criativo’, introvertido e isolado, esperando a inspiração chegar, se chegar… Porém, além de termos que botar a mão na massa já cedo, também é importante nos mantermos conectados com o mundo. Cultura geral e notícias podem vir a ser relevantes para um trabalho. Muitos artigos precisam de ilustrações. E contatos também são muito importantes. Você nunca sabe se o seu vizinho, por exemplo, não trabalha numa empresa que está procurando alguém que faz extamente o que você faz. Já aconteceu comigo, várias vezes, de encontrar alguém casualmente e essa pessoa vir a fazer parte de algum trabalho meu no futuro.

Outro aspecto que aprendi sobre ilustração é que, geralmente, as pessoas gostam da ilustração pelo que ela contém que está relacionado a elas. Se uma pessoa gosta de animais, vai gostar mais de ilustrações que se relacionam a esse tema. Isso é algo que quase não se comenta, mas é verdade que, se o seu foco é ilustrar algum tema específico, é interessante expor ou divulgar seu trabalho onde há pessoas que também apreciem a mesma temática. Como eu citei na semana passada, há muitas possibilidades de trabalho para o ilustrador atualmente. Dê uma olhada na minha postagem anterior.

Uma visão errônea por parte de muita gente é a de que o ilustrador atualmente só trabalha com computador. Muitos ilustradores ainda utilizam meios tradicionais para ilustrar. Ambas as opções tem seu mercado. Há gosto para tudo, basta encontrar o seu público.

Outro mito (enoooorme) é de que o ilustrador está somente prestando um serviço quando faz uma ilustração. A verdade é que o ilustrador é, sim, autor. Autor da imagem, conforme nos assegura a lei de direitos autorais. Eu sempre exijo em contrato que meu nome apareça na capa do livro, ainda que seja em fonte menor que a do autor do texto. Um livro infantil é incompleto sem imagens, e tanto o autor de texto como o de imagem tem direitos autorais morais, ou seja, de serem reconhecidos pelas suas criações. Além disso, já obtive clientes que gostaram do meu trabalho e entraram em contato comigo porque viram meu nome na capa.

Uma falsa verdade é a de que, uma vez recebido o ‘briefing’, o ilustrador tem que se virar e saber tudo o que deve fazer. Às vezes nem o editor ou autor sabem exatamente o que querem. E às vezes não têm ideia de como você faz uma ilustração, então é preciso, sim, que você pergunte tudo o que precisa saber. Não precisa ficar com vergonha. Eu mesma já fiz muitas perguntas a editores ao longo dos anos e vejo que muitos desconhecem várias etapas do processo de criação de um livro. Pode acontecer também deles terem uma ideia mas não saberem se é possível fazer daquele jeito. E pode ser que você venha a sugerir algo muito além do que desejam. Portanto, desafie o medo e a vergonha e parta para a ação: pergunte. Melhor perguntar e aprender do que entregar algo que não era o que esperavam e ter que refazer. Para lembrar sempre: ninguém sabe tudo e todo mundo foi iniciante um dia.

Outro fato interessante é que nem sempre você faz ilustrações para o seu público alvo. Eu faço ilustrações para crianças, mas quem define a compra de um livro, que gosta – ou não – de uma ilustração, geralmente são os pais e os professores.

Uma ideia que permeia até mesmo entre os artistas: de que o artista já faz o que gosta e não deveria focar na parte comercial. Ora, todo mundo precisa trabalhar para viver. Muitas pessoas me pedem para fazer trabalhos gratuitos e, dependendo de quem pede, faço mesmo. Mas há que se tomar cuidado para não virar um hábito, pois pode vir a desvalorizar o que você faz. O ilustrador estuda muito para fazer o que faz. Coloca em prática suas habilidades, se esforça. Para concluir, arte pura é algo bonito, mas todo trabalhador é digno do seu salário.