Olá! Hoje estou compartilhando uma foto da produção do último mês. Fiz várias ilustrações para um livro infantil. Mas nesta foto ainda faltam algumas, pois uma estava secando e eu não tinha ainda começado a ilustrar as capas. Mas já dá pra ter uma ideia do que andei fazendo.

Foi muito gostoso fazer esse livro. É a primeira vez que ilustro dragões. Foi também um desafio, pois a intenção da autora era fazer dragões que, apesar da aparência, preocupavam-se com o bem estar do próximo e tinham bom coração. Espero ter conseguido passar essa ideia com as minhas ilustrações.

Uma das ilustrações que mais gostei de fazer foi a da dragão-fêmea, a que tem cor roxa, que se chama Severa. O texto diz que ela é vaidosa e tentei passar essa ideia com a ilustração dela passando máscara para cílios (rímel) em frente ao espelho e secando os ‘cabelos’. Dá para ver na imagem acima. 🙂

Na próxima postagem vou mostrar como ficou a capa. Até lá! :-*

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Produção do Mês :-)

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Como Ilustrar e Produzir um Livro Infantil

Tenho observado que muitas pessoas desejam ilustrar seu próprio livro. É uma tendência no momento e, mesmo que uma pessoa não deseje seguir a carreira de ilustrador, ela tem esse desejo de expressar sua arte, seja na escrita quanto na ilustração. Algumas pessoas já até me pediram para ensinar a ilustrar, até como fazer o livro todo, mas ainda não tive tempo para organizar um curso, porém está nos meus planos.

Por isso, vou falar aqui sobre algumas coisas que são importantes para você poder ilustrar seu próprio texto.

A primeira coisa, desculpe citar o óbvio, é que você tenha uma história ou até mesmo um poema. Algumas pessoas já me disseram que tem vontade de publicar um livro, mas ainda não tem um texto. Por isso, a primeira coisa a se fazer é focar na escrita.

Tendo o texto já escrito, é necessário analisar o que o mesmo diz e o que se sugere nas entrelinhas. Também é interessante que a ilustração complemente a história. Vou exemplicar:

Há uma história do Rolo (Turma da Mônica) em que ele pede o carro a seu pai para sair com uma ‘mina’. Na historinha, o pai diz ao Rolo que nunca pediu o carro ao pai dele (mas no balão de pensamento ele está pedindo o ‘carango’), nunca chamou o pai de ‘velho’ (mas em pensamento ele chama o pai de ‘coroa’), ele ri que o Rolo chama a namorada de ‘mina’ (em seu pensamento o pai dele – avô do Rolo – também ri quando ele – o pai do Rolo – chama a namorada de ‘broto’)… e assim por diante. Esse ‘conflito de gerações’ é tratado de forma cômica e graciosa. Esse é um exemplo fantástico de como a ilustração é essencial para que se entenda a história.

Uma vez que o texto já esteja pronto e revisado ortográfica e gramaticalmente, devemos definir o formato, dimensões e quantas páginas o livro terá. Isso tudo depende muito do tamanho do texto, da quantidade de palavras e de quantas ilustrações serão feitas. No caso de uma editora, tudo isso pode já vir pré-determinado. No caso de um livro de produção própria, você que terá que tomar essa decisão. Uma vez que determinou número de páginas e formato (quadrado, retangular, 25×25, 21×18, etc), você pode partir para o storyboard. Abaixo um exemplo de storyboard (livro Sibila).

Se você não tiver ideia das dimensões e número de páginas, duas coisas podem lhe ajudar a definir: um orçamento com uma gráfica pode determinar o tamanho do livro, porque quanto maior o formato e maior número de páginas, mais caro. Fazer o storyboard pode lhe ajudar também, pois vendo como as páginas vão ficar com as ilustrações e o texto lhe dará uma panorâmica do resultado. Se o texto estiver apertado ou houver muitas áreas em branco, o storyboard lhe dá a oportunidade de reposicionar o que não ficou do seu agrado.
Após o storyboard, é hora de começar os roughs, ou esboços em preto e branco, também chamados de rafes. Aí você começa a fazer os desenhos de cada página. Pode ser que tenha que fazer e refazer várias vezes. É assim mesmo.
Finalizados os esboços, é hora de partir para as ilustrações originais. Cada técnica pede um tipo de papel. Quanto mais ‘molhada’ a tinta, maior a gramatura do papel. Você pode também finalizar com lápis de cor, aquarela, acrílico, colagem, nanquim, e até mesmo um misto de técnicas. Ou pode digitalizar e colorir no computador. Eu utilizo tinta acrílica, faço colagens, dou acabamento com lápis de cor…
Ilustração finalizada
Para o livro ficar completo, é necessário fazer as capas, a folha de rosto, a ficha catalográfica, o miolo – que é a parte onde ficam o texto e as ilustrações. São opcionais a biografia do autor e ilustrador, como também a dedicatória.
Após todas as ilustrações estarem prontas, é preciso digitalizar. Como eu tenho scanner em casa, eu mesma faço isso. Se você não tiver um scanner ou não souber como fazer, é possível também terceirizar esse trabalho. Peça à empresa de digitalização que lhe entregue as imagens em jpg de 300dpi, no mínimo.
Embora haja pessoas que produzam livros sem o ISBN, eu aconselho a solicitá-lo na Biblioteca Nacional. O ISBN ou International Standard Book Number é um sistema que identifica numericamente (código de barras) os livros segundo título, autor, editora e país. Isso facilita sua comercialização nacional e internacionalmente.
Sobre a Ficha Catalográfica, uma bibliotecária está habilitada a fazê-lo, o que possibilitará que seu livro seja catalogado nas Bibliotecas.
Para preparar o livro para a gráfica, é preciso um software específico. Eu gosto do Photoshop, do Corel e do Photopaint. Muitos ilustradores montam no Indesign e até no Illustrator. Depende do que você está mais acostumado a usar. Se você não tem esses softwares, geralmente pode baixar para teste gratuito por um mês. Lá você monta o arquivo, insere o texto e ‘fecha’ o arquivo para envio para a gráfica. Geralmente a gráfica faz um ‘livro’ e pede a sua aprovação antes de produzir todos os exemplares.
Depois disso, é só aguardar ficar pronto e curtir a sua obra!
Standard

Antes de eu começar a ilustrar, eu sempre imaginava como seria o meu trabalho. Um atelier grande, com janelas enormes, sempre iluminado, e eu ilustrando o dia todo. Eu teria um “agente”, que faria toda a parte comercial e financeira para mim… Aguardaria a inspiração chegar e seria ‘descoberta’… 🙂

Mas a realidade nem sempre é assim e, como tudo na vida, às vezes a mídia e a internet gostam de enfeitar e ‘romantizar’ as coisas.

A verdade é que o ilustrador, pelo menos aqui no Brasil, dificilmente tem alguém que o ajude a procurar clientes. Já nos EUA existe a pessoa do “agente”, e tem editoras e empresas que fazem as tratativas somente com o mesmo.

Raramente as coisas acontecem por acaso e dificilmente seremos ‘descobertos’. Temos que ‘correr atrás’, divulgar o trabalho, e às vezes nosso portfólio nem chega à pessoa certa. Uma desvantagem de ter um agente seria ter mais um custo; por outro lado, teríamos mais tempo para desenhar, ilustrar e fazer muita arte. 🙂

Muitos perguntam de onde tiramos a nossa inspiração. Mas outro fato a respeito da nossa carreira é que nem sempre dá tempo para esperar pela inspiração. Temos uma data de entrega e às vezes aquela ilustração não vai ficar exatamente como você queria e, infelizmente, o bom terá que ser suficiente, porque não dá tempo de tentar fazer o ótimo.

Outra visão que as pessoas tem do nosso trabalho é que passamos o dia todo a desenhar, e que não há necessidade de estudar, praticar, pesquisar… Mas a verdade é que precisamos inventar mundos imaginários, cenários que existem na cabeça de outras pessoas, criar personagens, pesquisar fatos históricos e, seja digital ou manual, uma ilustração leva tempo e também cansa ficar sentado na frente da prancheta ou cavalete.

Outro mito da profissão do artista é aquela em que o mesmo fica no ‘ócio criativo’, introvertido e isolado, esperando a inspiração chegar, se chegar… Porém, além de termos que botar a mão na massa já cedo, também é importante nos mantermos conectados com o mundo. Cultura geral e notícias podem vir a ser relevantes para um trabalho. Muitos artigos precisam de ilustrações. E contatos também são muito importantes. Você nunca sabe se o seu vizinho, por exemplo, não trabalha numa empresa que está procurando alguém que faz extamente o que você faz. Já aconteceu comigo, várias vezes, de encontrar alguém casualmente e essa pessoa vir a fazer parte de algum trabalho meu no futuro.

Outro aspecto que aprendi sobre ilustração é que, geralmente, as pessoas gostam da ilustração pelo que ela contém que está relacionado a elas. Se uma pessoa gosta de animais, vai gostar mais de ilustrações que se relacionam a esse tema. Isso é algo que quase não se comenta, mas é verdade que, se o seu foco é ilustrar algum tema específico, é interessante expor ou divulgar seu trabalho onde há pessoas que também apreciem a mesma temática. Como eu citei na semana passada, há muitas possibilidades de trabalho para o ilustrador atualmente. Dê uma olhada na minha postagem anterior.

Uma visão errônea por parte de muita gente é a de que o ilustrador atualmente só trabalha com computador. Muitos ilustradores ainda utilizam meios tradicionais para ilustrar. Ambas as opções tem seu mercado. Há gosto para tudo, basta encontrar o seu público.

Outro mito (enoooorme) é de que o ilustrador está somente prestando um serviço quando faz uma ilustração. A verdade é que o ilustrador é, sim, autor. Autor da imagem, conforme nos assegura a lei de direitos autorais. Eu sempre exijo em contrato que meu nome apareça na capa do livro, ainda que seja em fonte menor que a do autor do texto. Um livro infantil é incompleto sem imagens, e tanto o autor de texto como o de imagem tem direitos autorais morais, ou seja, de serem reconhecidos pelas suas criações. Além disso, já obtive clientes que gostaram do meu trabalho e entraram em contato comigo porque viram meu nome na capa.

Uma falsa verdade é a de que, uma vez recebido o ‘briefing’, o ilustrador tem que se virar e saber tudo o que deve fazer. Às vezes nem o editor ou autor sabem exatamente o que querem. E às vezes não têm ideia de como você faz uma ilustração, então é preciso, sim, que você pergunte tudo o que precisa saber. Não precisa ficar com vergonha. Eu mesma já fiz muitas perguntas a editores ao longo dos anos e vejo que muitos desconhecem várias etapas do processo de criação de um livro. Pode acontecer também deles terem uma ideia mas não saberem se é possível fazer daquele jeito. E pode ser que você venha a sugerir algo muito além do que desejam. Portanto, desafie o medo e a vergonha e parta para a ação: pergunte. Melhor perguntar e aprender do que entregar algo que não era o que esperavam e ter que refazer. Para lembrar sempre: ninguém sabe tudo e todo mundo foi iniciante um dia.

Outro fato interessante é que nem sempre você faz ilustrações para o seu público alvo. Eu faço ilustrações para crianças, mas quem define a compra de um livro, que gosta – ou não – de uma ilustração, geralmente são os pais e os professores.

Uma ideia que permeia até mesmo entre os artistas: de que o artista já faz o que gosta e não deveria focar na parte comercial. Ora, todo mundo precisa trabalhar para viver. Muitas pessoas me pedem para fazer trabalhos gratuitos e, dependendo de quem pede, faço mesmo. Mas há que se tomar cuidado para não virar um hábito, pois pode vir a desvalorizar o que você faz. O ilustrador estuda muito para fazer o que faz. Coloca em prática suas habilidades, se esforça. Para concluir, arte pura é algo bonito, mas todo trabalhador é digno do seu salário.

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Fatos e mitos a respeito da carreira de ilustrador

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Antigamente, muitas histórias e notícias se passavam no boca a boca, de geração em geração, oralmente e através da escrita… Posteriormente vieram os jornais e revistas, o rádio, a TV e, há alguns anos – muito poucos, comparados à história da humanidade – chegou a internet.

Mais do nunca vemos diariamente inúmeras imagens, lemos artigos, histórias… e assistimos/ouvimos vídeos para nos mantermos informados, saber das últimas notícias, consultar sobre o que temos dúvidas, pesquisar, e também buscar entretenimento.  E em todos esses lugares encontramos imagens, sejam fotos ou ilustrações.

Acredito que, no campo da área de ilustração, nunca tivemos tantas oportunidades. Ouço colegas que lamentam que o trabalho do ilustrador não seja mais o mesmo de outrora. Que hoje parece muito mais difícil, que tem que correr atrás, que não valorizam mais o ilustrador como antes… O que para alguns é algo ruim, às vezes pode ser bom para outros. O mundo está mais democrático e temos que nos adaptar. Se há alguns anos o ilustrador tinha um emprego fixo e hoje não tem mais, isso mostra também a grande possibilidade de expandir seus horizontes. Também dá a possibilidade do empregador contratar diversos ilustradores para diversos trabalhos.

Uma vantagem para o ilustrador é que, ao invés de trabalhar para um só empregador, o trabalho autônomo permite que o mesmo faça seus horários e aceite os trabalhos que mais lhe interessam.

Porém, como todo autônomo, sempre há os contras: é preciso prospectar para ter trabalho o ano todo, tem que se planejar para tirar férias, e às vezes tem muito trabalho num mês e nada em outro. Entretanto, também pode se dedicar a mais uma área de atuação e até licenciar suas ilustrações.

Algumas áreas em que o ilustrador pode atuar: 

1) ilustração para livros infantis;

2) ilustrações para livros infanto-juvenis: para livros com mais texto que imagens;

3) capas de livros;

4) quadrinhos e tirinhas;

5) livros didáticos;

6) revistas: ilustrações para artigos. Vejo muitas ilustrações numa revista que é vendida em farmácias, por exemplo;

7) publicidade e propaganda;

8) charges: há coisas que só uma ilustração consegue ‘captar’, e gerar discussões;

9) caricaturas para revistas de economia e política;

10) games: cenários e personagens;

11) aplicativos;

12) e-books;

13) ilustração científica, botânica, e afins;

14) ilustrações técnicas;

15) ilustrações para livros de história e ciências que não sejam didáticos. Ex: pirâmides, dinossauros, compositores, artistas de todos os tempos, veículos;

16) embalagens;

17) padronagens têxteis;

18) infográficos;

19) ilustrações para produtos, como camisetas, canecas, skates, pranchas de surf, bolsas, cama, mesa e banho, roupas infantis;

20) manuais e “modo de fazer”;

21) publicações sobre comida, bebida e viagens;

22) produtos de papelaria, cartões de aniversário e datas comemorativas, papéis de presente;

24) time-lapses para corporações;

25) sites que produzem produtos pagando royalties para os artistas (Print on Demand).

Enfim, há várias possibilidades…

Para trabalhar numa determinada área, é necessário buscar informações sobre cada mercado, valores, demanda, e desenvolver um portfólio que abranja essa área escolhida. Bom também se manter atualizado, fazer contatos e produzir bastante. Similar a outras áreas, é preciso esforço e constância para que o trabalho dê frutos. :-*

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Áreas de Atuação para o Ilustrador

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Desde que eu era pequena, meu sonho sempre foi trabalhar com desenho e arte. A vontade de trabalhar com ilustração apareceu lá pela minha adolescência. Mesmo assim, demorei alguns anos para conseguir alcançar esse objetivo. O importante é ter foco e, mesmo que dê pequenos passos, um dia chegará ao seu objetivo.

Abaixo listo algumas dicas que podem ser úteis. Para saber mais, clique na aba E-book do blog e baixe meu livro a respeito da carreira de ilustrador. Lá dou muitos outros detalhes.

Desenhar e ilustrar: como em qualquer outro tipo de trabalho, a pessoa precisa ter interesse e habilidade no assunto. Mesmo que no início os desenhos não fiquem tão bons, é tudo uma questão de tempo. Se você desenhar todos os dias, no final de um ano já estará desenhando infinitamente melhor do que no início. E tudo o que precisa é de papel e lápis. Se já tem habilidade, poderá focar em alguns temas e no final de algum tempo terá muito material para produzir seu portfolio.

Portfolio: tão logo tenha desenvolvido uma série de desenhos, prepare o seu portfolio. Pense nos temas que as histórias infantis costumam abordar e prepare algumas ilustrações sobre os mesmos.

Valores (I): se um trabalho vai contra seus princípios, você tem todo o direito de recusá-lo, sem culpa.

Valores (II): aqui estou falando de remuneração. Evite fazer trabalhos gratuitos em troca de exposição. Analise quem está lhe pedindo. Valorize o que faz. Comece como quer continuar.

Críticas: Infelizmente nem sempre você agradará todo mundo. Tem quem goste do verde e tem quem goste do rosa. Quando criticado, analise se há fundamento, quem fez a crítica e, bem importante, se é cliente ou concorrente. Rsrs…

Por fim, mas não menos importante: a ilustração é fundamental em livros, artigos e textos, principalmente onde uma foto não consegue explicar ou acompanhar o tema. É preciso ‘pensar fora do quadrado’, fazer estudos, brainstorming, ser criativo. Por isso o trabalho do ilustrador é tão essencial que não será, na minha opinião, facilmente substituído. 🙂

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5 dicas sobre ilustração infantil

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De uns tempos para cá, muitas mudanças aconteceram no que se refere à publicação de livros. Já faz alguns anos em que é possível publicar um livro sem a intermediação de uma editora. E essa é uma tendência que veio para ficar, e até alguns autores renomados têm dispensado a editora.


Uma das modalidades de auto-publicação são as editoras sob demanda. Como já conversamos, são as editoras que cobram do autor para publicar. Existem várias no mercado, cada uma com ‘pacotes’ diferentes de publicação. De fato, existem até editoras internacionais que fazem concursos para escolher quais os melhores livros auto-publicados. Talvez essa ainda não seja a realidade no Brasil, mas pode ser uma questão de tempo.


Entre os ‘pacotes’ de auto-publicação, há editoras que prometem fazer tudo, desde a contratação do ilustrador, ISBN, ficha catalográfica, editoração, revisão, fechamento do arquivo, impressão, etc, e há aquelas que deixam a contratação do ilustrador por conta do escritor. Há aquelas que só montam o arquivo final e enviam para a gráfica, entregando para o autor o número de livros solicitado. E há outras que também vendem o seu livro no site deles. Há tantas possibilidades de editoras sob demanda atualmente, que dependendo do orçamento, o autor pode determinar o que lhe é mais conveniente. Apesar de existirem muitas editoras sob demanda competentes, sempre é bom procurar informações sobre a reputação e confiabilidade das editoras, para que o ‘barato não saia caro’. Com a facilidade que a internet proporciona, atualmente fica bem mais fácil descobrir que editoras sob demanda são mais confiáveis. Há muitas editoras que fazem um trabalho profissional. Inclusive, creio que a tendência, vendo o que tem acontecido nos Estados Unidos, é que as grandes editoras tradicionais passem também a oferecer esse tipo de serviço no futuro. Vale ressaltar que até o momento estou falando de livros impressos, não de e-books.


Uma outra possibilidade de publicação é o sistema de Crowdfunding. Tem sido muito usado por escritores, nesses tempos de ‘crise editorial’. O autor começa um projeto, divulga nas redes sociais, conversa com amigos, eles dão 30, 40 ou até 200 reais e patrocinam o projeto. Tudo antecipadamente. Para cada um o autor dá uma ‘recompensa’. Por exemplo: quem der 30 reais, receberá um livro depois que for publicado. Quem der 35, receberá um livro autografado. Quem der 50, receberá o livro com capa dura e seu nome será citado nos agradecimentos no próprio livro. E assim por diante.

Quanto maior o valor doado, maior a recompensa. Esse sistema é bom para quem tem muitos seguidores, parentes, amigos, alunos, enfim, conhecidos que gostariam de ajudar com pouco, pois no fim o autor arrecada o que for preciso para a publicação do livro e todos os patrocinadores recebem algo em troca. Para fazer esse sistema, porém o autor teria que gerenciar todo o projeto: contratar o ilustrador, o diagramador, a gráfica, isbn, e o que mais for necessário. O autor lança o seu projeto no site de crowdfunding, e geralmente tem 60 dias para arrecadar fundos. Alguns sites que fazem esse tipo de serviço são o Catarse, Kickstarter, Vaquinha, entre outros.

Existe ainda a possibilidade do autor montar seu livro sozinho e enviar diretamente para a gráfica, depois vender dentro do seu círculo (parentes, escola, associações, igreja, etc), recebendo o valor de venda diretamente de seus clientes. A grande desvantagem é ficar com uma quantidade grande de livros estocados, caso se esgotem suas possibilidades de venda. Há autores que tem feito isso e, para exemplificar, vou citar um caso em que a autora decidiu ela mesma gerenciar todo o processo e em menos de dois meses seu livro foi lançado. Ela tinha uma grande rede de relacionamentos, e isso lhe possibilitou fazer o lançamento e vender seus exemplares.  Além disso, ela tem feito oficinas de contação de histórias em escolas de sua região e continua vendendo seus livros. Atualmente, está na 2a edição do livro.

Certamente ela investiu seu tempo e dinheiro, mas a realização de ter seu livro publicado foi maior. E com a venda dos livros, pôde recuperar todo o investimento e ainda ter lucro. Algumas pessoas preferem não aguardar e realizar uma publicação autoral. Outras preferem aguardar e ter seu livro publicado sob o selo de uma editora.

Às vezes pode ficar difícil vender, caso não se conheça muita gente. Porém, nesse caso, o autor pode fazer a quantidade que quiser. 500 na primeira impressão, e depois, pode mandar imprimir mais 300, etc… Uma colega escritora financiou seu próprio livro e ele acabou sendo selecionado como finalista para o prêmio Jabuti, que é o mais importante para literatura infantil. Era o primeiro livro dela e já foi um sucesso. Ela mesma entrou em contato com livrarias para venderem seu livro. A auto publicação é um desafio grande, e é preciso muito esforço ‘editorial’ para fazer seu livro acontecer. Valem os ditados: ‘quem não é visto não é lembrado’, e ‘a propaganda é a alma do negócio’.

Há também os concursos, como o Prêmio Barco a Vapor, o João de Barro, patrocínios/mecenatos de Fundações Culturais municipais, etc.  Estes também são concorridos, e até nomes consagrados também costumam participar, afinal a grande maioria dos autores tem outro emprego para sobreviver. Ser escritor no Brasil é um desafio. Há poucos escritores infantis que vivem dos rendimentos de seus livros. Para facilitar, há editoras que trabalham também nesse segmento de concursos. Vale a pena pesquisar e recorrer a essa possibilidade.

E é claro, há a possibilidade da auto-publicação através do e-book, ou seja, o livro digital. Há alguns anos tenho adquirido e-books, até mesmo infantis. Dependendo do tipo de livro, facilitam muito a nossa vida, pois não ocupam espaço em nossas prateleiras, estão à disposição imediata, desde que haja uma conexão internet, e são fáceis de carregar com você. É possível levar uma quantidade enorme de livros em um tablet, para onde quer que você vá. Já imaginou você viajar e levar com você uma biblioteca de mais de mil livros? E você pode até mesmo deletar aqueles que, na sua opinião, não merecem ocupar a memória do seu dispositivo.

É possível publicar um e-book através de sites como a Saraiva e a Amazon, por exemplo. Os valores de direitos autorais são maiores que os de livros físicos, pois dispensam várias etapas, como a impressão, diagramação, entre outras, além de deixarem a cargo do autor a formatação, publicidade, ISBN, ilustrações, etc. Isso pode ser uma vantagem, como também uma desvantagem. Nesse caso, grande parte do trabalho da editora será feito pelo autor. Algumas desvantagens desse tipo de publicação são: esses livros não podem ser doados, nem emprestados, e às vezes, devido à falta de conhecimento técnico do autor, podem vir a ter uma diagramação pobre; ausência de ilustrações ou ilustrações feitas de qualquer maneira, somente para preencher o livro; erros ortográficos e gramaticais; etc . É uma empreitada que pode tomar muito tempo, e a qualidade da publicação pode prejudicar um livro com ótimo conteúdo, por exemplo. A publicidade fica a cargo do autor também.

Por outro lado, custam muito menos, e vieram para ficar. A meu ver, ainda não substituem alguns tipos de livros, como livros de arte, por exemplo.  Se o e-book vai substituir totalmente o livro físico, não podemos ainda prever. Mas ter um livro de papel nas mãos tem um gostinho especial, principalmente nas mãos infantis. Sem falar no cheirinho de livro novo. 😉


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Publicação de Livros – Parte III

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