O segredo para progredir é dar o primeiro passo

Dizem alguns familiares que eu não deveria trabalhar só com ilustração. 🙂 Eles acham curioso e engraçado quando estou incentivando alguém a seguir um sonho. Brincam: “você deveria trabalhar com isso, porque você gosta muito de motivar os outros”.

E é verdade. Desde muito nova, eu sempre gostei de incentivar as pessoas a correrem atrás do seu sonho. E na verdade, eu acho que todo mundo tem um propósito no mundo.

Quando somos crianças, todo mundo pergunta pra gente o que vamos ser quando crescer. E infelizmente, muitos esquecem disso. A correria do dia a dia, o namoro, o casamento, os filhos, a busca por um emprego seguro, a compra da casa, a faculdade que vai levar a uma profissão dá dinheiro… tudo isso acaba atropelando o que gostaríamos de ter feito. Muitas pessoas chegam à velhice sem ter realizado muitos sonhos, e muitas outras ficam pensando: um dia eu faço. Só que a vida vai passando e acabamos deixando de ‘curtir a jornada’, prorrogando os nossos sonhos e objetivos.

Se você for perguntar para as pessoas, a maioria dirá que não trabalha com o que gostaria. Alguns queriam ser astronautas, outras queriam ser bailarinas, e outros, artistas e ilustradores… Infelizmente, nem todos conseguem chegar a um sonho, e não é por culpa deles. O mundo é um lugar concorrido e nem sempre tem vaga para tantas pessoas de uma mesma profissão. Porém, há profissões que, mesmo com o mercado concorrido, independem de vagas. E é o caso do ilustrador freelancer ou, como gosto de definir, ilustrador empreendedor. Qualquer pessoa pode ser ilustrador, independentemente da idade, ou se acha que já passou o tempo, ou se não conhece o que é necessário para tal. Para isso, há que se planejar e, muito importante, entrar em ação. O segredo para progredir é dar o primeiro passo.

Não basta somente o planejamento. Devemos definir metas SMART. Smart, que quer dizer inteligente em inglês, é um acrônimo para as seguintes palavras: Specific, Measurable, Attainable, Realistic e Time-bound.

Specific (Específico) – a meta que você vai definir tem que ser específica.

Geralmente se pergunta: O quê? Quem? Quando? Como? Por quê?

Por exemplo: O que eu quero conseguir? Uma resposta poderia ser: publicar um livro ilustrado.

Quem será o responsável por isso? Eu mesma.

Quando? Definir uma data é a melhor maneira de não deixar para depois.

Como? Aí entra o modus operandi.

Por quê? Aqui os motivos variam de pessoa a pessoa. Mas isso também é relevante para que a execução siga de forma a atingir o objetivo.

Measurable (Mensurável) – É bom que você tenha uma quantidade que possa mostrar seu progresso. Ex: Produzir 30 ilustrações, produzir 1 ou 2 livros, etc.

Achievable (Atingível) – Eu tenho os recursos? Tenho habilidades? Em caso negativo, o que preciso para atingir o meu objetivo? Preciso aprender algo?

Realistic (Realista) – é um objetivo realista? Você está engajado para atingir esse objetivo?

Outra variação para R seria relevante. Isso que tenho como objetivo é relevante para mim? Porque, se não for, por que dedicar tempo a algo que não é importante? Hoje em dia o tempo que dispomos é escasso.

Time-Bound (Temporal) – Quando pretendo chegar a esse objetivo? Qual a data que defino para isso? Se não definimos uma data, dificilmente faremos o esforço para chegar lá. Vamos deixando para depois, e acabamos priorizando outras coisas. Ou seja, procrastinamos.

Os objetivos e todas essas técnicas que existem são muito bonitas. Mas não podemos ficar somente nisso. Temos que partir para a AÇÃO, dar o primeiro passo, depois o segundo, e outros em seguida. Vejo muitas pessoas que desejam fazer algo e, infelizmente, passam-se os anos e não deram nem um passo em direção ao que queriam. AÇÃO é a palavra-chave.

Converso com pessoas dos mais variados nichos. Querem abrir um negócio, mas tem receio de iniciar, sempre deixando para o futuro. Não tenho tempo, é a desculpa. Mas o tempo está passando, a vida está passando. Se queremos ter determinada profissão, temos que adquirir as habilidades, fazer um curso, um workshop, treinar, produzir…

Para finalizar, deixo a pergunta? O que você vai fazer hoje, de fato, para dar mais um passo em direção ao seu objetivo? 😉

Minha técnica para Ilustrar

Frequentemente algumas pessoas, apaixonadas por ilustração, me escrevem perguntando sobre vários assuntos relacionados à área. Eu sempre tento ajudar, pois sei como foi difícil conseguir informações quando comecei. São muitas as dúvidas quando estamos iniciando.

Uma coisa que me pedem também é para realizar workshops, e tenho vontade de ministrar alguns, mas como tenho tido muito trabalho, ainda não consegui. Porém, encontrei um rascunho antigo e essa semana fiz uma ilustração mostrando tintin-por-tintin o meu processo. Eu peço desculpas, pois esqueci de me filmar fazendo o desenho a lápis, e o vídeo começa já quando estou pintando o fundo. Mas filmei todo o resto completamente, fiz alguns comentários e está praticamente completo, até o finzinho.

Abaixo um time-lapse da ilustração e, se desejar, clique no botão abaixo para se cadastrar e receber o link completo.

Por que peço que se cadastrem? O vídeo mostra muito do que faço e acredito que seja importante que eu saiba quem são as pessoas que estão visualizando meu trabalho. Mas não se preocupe que não vou ficar enviando emails para você todos os dias. 😉

Clique abaixo para se cadastrar e receber o vídeo completo, com meus comentários. Nesta mesma página, você também pode se cadastrar para baixar outros dois e-books. Confira lá!

Trabalhando com Gravura

Estou no momento fazendo algumas ilustrações para um livro escrito em estilo cordel. O autor queria ilustrações coloridas. Porém, a xilogravura, característica do cordel, é geralmente em preto e branco.

Eu sou fascinada por xilogravura. Acho que o cordel e a xilo combinam de modo especial e também queria a oportunidade de fazer algo diferente. Entramos, então, num acordo e fiz algumas imagens coloridas para o livro, sem perder a característica da gravura.

Para começar, utilizei o linóleo para fazer as imagens. Particularmente, eu gosto muito de trabalhar com a linoleogravura.

Veja o processo.

Fiz o rascunho:

Depois desenhei no linóleo. O linóleo é muito utilizado para gravura. Então, comecei a retirar as partes que queria que ficassem em branco, com as goivas apropriadas.

A reprodução com a tinta para gravura ficou assim:

Mas como o autor queria uma imagem colorida, finalizei a ilustração no computador.

Foi muito bom fazer algo diferente. E o texto do livro é lindo. Quanto ao processo de gravura, utilizei o linóleo como base.

Para fazer os sulcos, usei goivas (também chamadas de formão), como nas imagens abaixo:

A tinta usada foi essa:

Para espalhar a tinta, utilizei um rolinho apropriado.

Veja também como é a placa de linóleo.

Eu usei papel de seda para fazer a impressão da gravura. É preciso espalhar bem a tinta para que toda a área que ficou em relevo fique bem escura. A vantagem da gravura é que dá para fazer várias cópias.

xilogravura é a técnica mais antiga para produzir gravuras, e seus princípios são muito simples. Basta retirar as partes que você não quer que tenham cor na gravura, de uma superfície plana (madeira, linóleo), com o auxílio de ferramentas de corte e entalhe (goivas). Após aplicar tinta na superfície, você coloca um papel sobre a mesma. Ao aplicar pressão sobre essa folha, a imagem é transferida para o papel. Você pode usar uma prensa. Eu, como não tinha prensa em casa (como a maioria das pessoas), usei uma colher (isso, colher de sopa mesmo).

Se tiver alguma dúvida e quiser saber mais, entre em contato. Abs!

Ilustração com lápis de cor

Time Lapse de Ilustração

Há pouco tempo comprei uns lápis de cor novos – Ecolápis – para experimentar, e tenho me divertido muito com eles. São bem macios e dão um resultado que me agrada bastante, além do ótimo custo x benefício. Coloquei um link na imagem abaixo para que você saiba exatamente o material que utilizei no time lapse acima.

Lápis de Cor, Faber-Castell, EcoLápis Supersoft, 120750SOFT, 50 Cores

Como lidar com as críticas

Às vezes ouvimos comentários que nos entristecem. Você faz um trabalho que considera lindo e tudo o que ouve é que ‘teria ficado legal se você não tivesse feito x’.

De norma, a primeira coisa que eu analiso quando recebo uma crítica é:

  • a pessoa que me criticou tem conhecimento da área?
  • Segundo: essa pessoa é o meu público-alvo (por exemplo: se ilustro para crianças, qual a idade dessa pessoa?).

Outras perguntas que você pode fazer a si mesmo: a crítica é construtiva? Tem fundamento? Ou foi movida pela inveja? – Sim, embora seja raro, infelizmente algumas pessoas ficam chateadas porque você está realizando seu sonho de infância e eles não estão.

Se a crítica for construtiva, ainda assim é importante analisar se aquilo é algo pessoal daquela pessoa ou se o que você fez tem qualidade.

Comparar seu trabalho com outras pessoas pode ser ao mesmo estimulante como pode também te desmotivar.

Deixe de lado sua ilustração por um tempo e depois volte a ver como está. Com outro ânimo e cabeça fria, você poderá analisar melhor o que realizou e constatar se há razão no comentário.

Uma coisa que eu faço às vezes é virar o desenho de cabeça para baixo e de lado, assim verifico como ficou. Isso ajuda saber se há algo que ficou meio distorcido na sua visão. Também gosto de olhar de longe, para visualizar o todo.

Se você achar que a crítica não é construtiva, ignore. Tem gente que gosta só de criticar e nem sabe o que está falando.

A crítica que você tem que considerar é a sua própria. Analise o que você fazia no ano passado e veja se há progresso em seu trabalho. O artista nunca pára. Por mais que ache que um trabalho ficou bom, no dia seguinte já está pensando em melhorar. Isso é natural e faz parte do percurso do artista. E isso que faz o trabalho do artista ser tão fascinante!

16, 24, 32…. Afinal, quantas páginas um livro infantil deve ter?

Embora pareça uma questão muito simples, a verdade é que até mesmo autores que já publicaram antes não notaram quantas páginas os livros infantis costumam ter.

Por que isso acontece?

Os autores se preocupam geralmente com o texto, delegando as demais tarefas ao editor ou ao ilustrador. Por isso, é essencial que o ilustrador tenha algumas noções de processos gráficos e ajude o autor (e até mesmo o editor) nessa decisão.

Os livros infantis geralmente tem 16, 24 ou 32 páginas. Alguns tem 48, alguns 8, mas em geral, a maioria tem 16, 24 ou 32 páginas. O que esses números tem em comum?

São todos múltiplos de 8.

O processo gráfico e o tipo de papel, embora não sejam sempre algo que o ilustrador se preocupe, são extremamente importantes para uma produção de excelência. Nem todas as editoras podem publicar no melhor papel e, raramente no Brasil, um livro infantil tem capa dura. Isso ocorre porque o papel é muito caro, e o processo para fazer um livro capa dura ainda tem necessidade de trabalho manual. Há sempre a necessidade de se economizar.

Mas por que estou falando tudo isso? Porque devido ao custo desse processo, é essencial que o aproveitamento do papel também seja maximizado na produção. Por isso, um livro infantil sempre tem que ter páginas em múltiplos de 8, fazendo assim o que chamamos de ‘cadernos’ (quando as folhas são dobradas).

Até mesmo editores já experientes às vezes esquecem esse detalhe e planejam fazer o livro com 30 páginas, por exemplo, e se surpreendem quando um livro com 32 páginas fica até mais barato. Isso acontece porque o desperdício de papel – o que é descartado – acaba custando caro para a gráfica. E a mesma faz com que o cliente (editora ou autor) pague por isso.

Também acontece às vezes de um livro de formato maior ser mais barato do que um menor. Pelo mesmo motivo, se numa folha de papel, toda a extensão for aproveitada, o custo de produção vem a ser reduzido. Isso já aconteceu comigo: orcei um livro no formato 25 x 18, mas solicitei à gráfica que me fornecesse um tamanho que não desse desperdício. Eles sugeriram 26,5 x 18,1 cm. Isso fez com que o custo da tiragem diminuísse para mim, pois houve melhor aproveitamento. Além do que, o livro ficou ligeiramente maior.

No início, quando eu solicitava um orçamento para a gráfica, não sabia desses detalhes e acabava escolhendo o formato do livro em função da proporção que me agradava. Porém, visitando a gráfica, conversando com as pessoas que trabalham e aprendendo mais um pouco sobre o processo, percebi que poderia ter um melhor custo/benefício no meu trabalho.

Concluindo, ao planejar um livro infantil, pense sempre em número de páginas múltiplos de 8. E ao definir o tamanho, procure conversar com a gráfica e descobrir se alguns milímetros a mais ou a menos podem impactar no preço.