Novo livro!

Daqui a alguns dias, o lançamento oficial do livro Os três esquilinhos, de Regiane Kusman, que tive a oportunidade de ilustrar.

As vendas estarão disponíveis após o dia 10 de dezembro AQUI.

A data de lançamento é definida pela editora e poderá ser alterada sem aviso prévio. 🙂

O que envolve a produção de um livro ilustrado?

Como sempre, o que escrevo aqui são postagens baseadas “em fatos reais”.

Acho que é muito mais interessante – e importante – falarmos sobre o que de fato acontece.

E nessa semana recebi um pedido de orçamento que acabou levantando outras questões.

Nesse pedido, um cliente queria saber o valor que eu cobrava para fazer minhas ilustrações. Baseando-me no texto, apresentei um orçamento.

Após enviar, o cliente me disse que precisava também de todos os custos envolvidos na produção de um livro, tanto impresso como digital. Então, enviei ao cliente uma estimativa dos custos do livro impresso e digital. O cliente me respondeu que estava surpreso, pois não tinha ideia do trabalho e dos custos envolvidos.

Percebi então que não é claro para as pessoas o tanto de trabalho que envolve a produção de um livro infantil.

Note: embora seja necessário uma empresa inteira – uma editora – para a produção de um livro, nem sempre isso parece óbvio para quem está de fora. E quantas pessoas trabalham numa editora? Já parou para pensar nisso?

São muitas as pessoas que trabalham para que um livro seja não somente bem produzido, mas que alcance os leitores, e se torne um projeto bem sucedido.

É claro que existem pessoas que produzem livros de modo mais artesanal, mas aqui estou falando do livro que é feito em impressora offset, com papéis adequados, impressão e acabamento profissional.

E, por isso, vou explicar abaixo somente o básico para a produção de um livro. Não vou falar, por exemplo, da parte comercial, jurídica, financeira, marketing, distribuição, venda, etc.

Então, para começar, a primeira coisa que temos que ter é um texto, ou uma coleção deles.

Depois disso, é necessário fazer a revisão. E, muitas vezes, mais de uma. O texto tem que ser revisado não somente ortográfica e gramaticalmente, mas também é preciso observar outros detalhes no texto: que haja padronização no estilo, nos caracteres utilizados, itálico em palavras estrangeiras, negritos e sublinhados, aspas, reticências… São muitos detalhes e é necessário fazer várias revisões. E tudo isso envolve pessoas, que recebem por seu trabalho, é claro. E mesmo com tantas revisões, às vezes tem alguma coisa que escapa.

Após o texto passar por uma primeira revisão, aí vem a definição do formato e dimensões do livro, bem como o número de páginas.

Os valores de produção variam conforme o tipo do papel, da capa e páginas, bem como do formato e de quantas páginas terá o livro. Isso tudo varia em função do custo do papel naquela semana, em função da quantidade de livros que iremos produzir, e até do formato, pois o aproveitamento – ou não – do papel também reflete no custo.

Uma vez isso decidido, há que se pensar nas ilustrações.

O editor costuma escolher o ilustrador pelo seu estilo, pois entende que texto e ilustrações devem trabalhar conjuntamente. Dependendo do tema do livro, um estilo adequado pode enriquecer ainda mais a história.

E é aí que começa o trabalho do ilustrador, que precisa de conhecimentos específicos de como o livro é produzido, para que possa realizar ilustrações que não só enriqueçam a história, mas que também cooperem para o bom andamento da mesma, do passo, do clima, do layout de cada página, de modo que o livro se transforme numa experiência interessante para o leitor.

Por isso, não basta somente saber desenhar, mas é preciso empregar também conhecimentos de composição, técnicas narrativas, entre outros aspectos.

Quem geralmente paga o ilustrador é a editora, que o considera um parceiro, pois sabe da importância das ilustrações no livro.

Se as ilustrações forem feitas de modo artesanal (por falta de uma palavra melhor), há que se digitalizar e fazer os ajustes de imagem. Não é qualquer tipo de arquivo que vai para o livro. Há formatos e padrões que são mais adequados.

Quando há somente um escritor e um ilustrador, o livro já demanda tempo e organização. Já imaginou gerenciar um projeto com 45 ilustradores?

Após a finalização das ilustrações, vem a diagramação. E quem faz isso?

O designer, que trabalha para que o livro tenha uma aparência agradável e faz com que o texto e a imagem trabalhem em harmonia estética.

Além disso, também cria um arquivo que atenda as especificações técnicas necessárias para que o resultado gráfico tenha excelência. Ou seja, ele monta o arquivo de modo que a gráfica o receba no formato adequado para a impressão. Cada detalhe é importante. Pequenos ajustes podem fazer toda a diferença na produção.

Também é necessário que o livro tenha ISBN & Ficha Catalográfica.

O ISBN é necessário para que o livro tenha sua “identidade” e que possa ser vendido, tanto nacional com internacionalmente. E a ficha catalográfica permite que o mesmo seja catalogado em bibliotecas.

Para cada formato de livro, ou tiragem, é necessária uma identidade nova, ou seja: uma para livro impresso e uma diferente para livro digital.

E por fim, o processo gráfico. O custo unitário de um livro varia em função de tantos detalhes, que cada projeto tem um preço único. É possível fazer livros mais baratos e mais caros, mas para uma tiragem, mesmo que seja pequena, o custo pode ser alto. Caso o cliente queira fazer um livro digital, é necessário fazer a preparação do arquivo e também a conversão do livro para o formato aceito na plataforma onde será vendido. O processo para fazer um livro impresso e um livro digital é diferente.

E na plataforma, há requisitos de tamanho, formato de arquivo, bem como de preço mínimo, pois a plataforma cobra para hospedar seu livro.

Tudo isso que falei aqui é o mínimo. Há muitos outros detalhes que não estou cobrindo.

É importante que você, seja ilustrador, aspirante ou alguém que deseja publicar sua história, saiba que não é um processo que se faz do dia para a noite, e que envolve custos.

O trabalho de gerenciamento do livro, que é feito pelo editor, ou gestor, como alguns se autodenominam, também requer muito empenho e muitas horas para que todas as etapas de publicação trabalhem de maneira que tudo venha a se encaixar no final.

É preciso conhecimento e organização, e muito tempo também, para fazer com que tudo saia dentro do que foi previsto.

Enfim, espero que essa postagem tenha esclarecido pelo menos um pouco do que é o processo de publicação de um livro.

Na próxima vez que for a uma livraria, visite a seção infantil e veja as diferenças de capas, de formatos, de papéis, de cores, de estilos de ilustração… Note em cada detalhe o carinho que o editor, o escritor e o ilustrador colocaram naquela obra.

E lembre daqueles que, ainda que invisíveis, trabalham para que a cultura, as artes visuais e a literatura cheguem às mãos dos pequenos leitores.

Um ilustrado final de semana!

Mudança de carreira?

Algumas pessoas me escreveram essa semana, falando sobre o sonho de se tornarem ilustradores, mas que não parece ser possível porque estão com o tempo tomado pela profissão na qual atuam.

Muitas delas sentiram-se motivadas com a postagem que escrevi: O pior arrependimento.

Respondendo a elas, achei que parte de uma das respostas poderia ajudar outras pessoas também.

Algumas dessas pessoas me disseram que gostariam de mudar de profissão logo, e passar a ilustrar livros infantis. Outras já desejam fazer uma transição mais suave, pois sabem que não teriam como abandonar o seu ganha-pão imediatamente.

Quanto à isso, eu entendo perfeitamente. Eu sou formada em Administração, com pós em Marketing, e aperfeiçoamento em Metodologia do Ensino Superior. Eu trabalhava em uma grande empresa, na área comercial, mas saí quando tive o meu primeiro filho. A decisão não foi tão difícil, pois é natural que as pessoas aceitem bem quando uma mãe opta por ficar em casa depois do nascimento do filho.

Mesmo assim, levei ainda 7 anos depois dessa decisão para me formar em Belas Artes. Passei em 2 faculdades de artes aqui no Brasil e no segundo ano de Desenho, na UFPR, meu marido recebeu um convite para uma transferência – da mesma empresa dele – para a Itália.

Optei por deixar a faculdade e lá fiquei um ano até conseguir entender como tudo funcionava, fazer vestibular e começar a Accademia di Belle Arti di Venezia. Não era fácil, porque eu tinha um filho pequeno e não tinha creche. Somente aos 3 anos ele podia entrar na escolinha. E os horários não batiam com a minha faculdade.

Meu marido viajava o tempo todo nessa época e eu ficava sozinha com meu filho. Tinha semanas que eu só falava com meu filho, e com mais ninguém. Ficava até as 2h da manhã estudando, fazendo trabalhos, e escrevendo muito, pois as provas eram orais, em frente à turma, e embora o italiano seja uma língua mais fácil para nós, eles têm um vocabulário muito grande, então eu tinha que estudar palavras muito específicas da área, saber datas de eventos… Se errasse, era corrigida na frente da turma, e era muito constrangedor.

Eu comecei a ilustrar, definitivamente, 14 anos depois que deixei meu trabalho na área comercial. Foram 3 anos com meu filho, 4 anos de faculdade, 1 ano de aperfeiçoamento, alguns anos de estudo e prática, muito aprendizado, tanto técnico como comercial e algumas tentativas.

Eu já desenhava, mas mesmo assim era difícil conseguir ter uma chance. Foram muitas variáveis até que eu começasse a ter uma rotina de trabalho. Sei que há pessoas que demoraram menos, e tem gente que ainda está no início dessa caminhada. Mas como eu sempre digo: não desista.

Eu sou fã do devagar e sempre. Do planejar e se estruturar antes de tomar decisões mais radicais.

Como costumo dizer nas minhas postagens, podemos nos preparar enquanto temos outras atividades. Enquanto eu estava cuidando do meu filho, fiz minha graduação e cursos de aperfeiçoamento. Minha mãe esteve doente durante um tempo, e enquanto cuidava dela, aproveitava os momentos em que ela não precisava de mim, para trabalhar em minha profissão. Se eu tinha 15 minutos, fazia alguma coisa referente ao meu trabalho, ao meu desenvolvimento. A vida tem estado muito corrida para todo mundo e não é fácil dar conta de tudo.

Embora nem sempre seja fácil começar uma carreira na área de ilustração, não é impossível e nem tem uma idade certa para isso. Há muitas pessoas que começam bem mais tarde. Nunca é tarde para realizar um sonho.

Mas em qualquer carreira como autônomo, temos que trabalhar arduamente para receber pelo que fazemos. E não é diferente com a carreira do ilustrador. Temos não só que produzir nossa arte, mas também atuar na área comercial, vender nosso trabalho, prospectar clientes, às vezes produzir produtos e emitir notas fiscais, como é o meu caso (essa semana levei produtos com minhas ilustrações para uma loja).

Há meses em que eu trabalho à noite, e também nos finais de semana. E há momentos em que eu posso descansar. Depende da quantidade de trabalho que tenho.

Como autônoma, há meses em que eu ganho muito bem e há meses em que ganho pouco. Se decido tirar férias, tenho que me planejar com bastante antecedência, pois depende do que já ganhei antes. Como freelancers, quando não estamos produzindo, não recebemos.

No entanto, se você trabalha em outra área, saiba que seu trabalho e a profissão de ilustrador podem coexistir.

Não existe uma só opção ou outra. Muitos ilustradores, até mesmo premiados, tem outro trabalho. Há um colega que trabalha o dia todo, escreve e ilustra nas horas vagas, já tem vários livros publicados e até já recebeu prêmios internacionais.

Se você não curte o seu trabalho, vale a pena também buscar algo que lhe dê mais propósito. No entanto, é importante ressaltar que, para ser ilustrador, você não tem necessidade de deixar o seu trabalho para começar a buscar outra profissão. Na verdade, vejo esse seu trabalho com uma rede de segurança enquanto você pode começar a se preparar e testar se a profissão do ilustrador é algo para você.

Uma sugestão que dou, para quem atua em outra área, é que comece uma experiência da profissão do ilustrador. Algo que seja possível, que possa fazer nas horas vagas, e que lhe traga o gostinho do que é ilustrar para livros infantis.

Há vários anos que recebo mensagens de pessoas me dizendo que desejam ser ilustradores. E foi por isso que iniciei o meu curso online. É um curso focado, pois sei que as pessoas tem a vida muito ocupada e não querem enrolação.

No mundo de hoje, temos a ideia de que precisamos fazer tudo de imediato. No entanto, eu creio que Deus poderia ter criado o mundo num estalar de dedos. Mas acho que Ele criou em 6 dias para nos dar exemplo. Se um bebê leva meses para se formar, nós também podemos fazer as coisas devagar. Quantos anos uma árvore precisa para crescer?

Como também estudei Metodologia do Ensino Superior, eu queria que meus alunos realmente se sentissem aprendendo e aplicando. Então, para que tivessem um propósito e um objetivo ao estudar, criei também uma Vivência.

Agora, além do curso, eu ofereço uma experiência de como é a profissão do ilustrador. E no fim dessa experiência, esses alunos publicam uma ilustração em um livro coletivo. Dura em média 4 a 5 meses. No fim, você tem uma ilustração publicada em livro.

Nós produzimos um livro de receitas. As receitas foram escolhidas para termos um tema em comum e para não nos preocuparmos com direitos autorais. E também porque são geralmente curtas, e aí temos espaço para a ilustração.

Nesse processo, os alunos vivenciam exatamente o que eu passo quando começo um livro. Fazemos contrato, temos cronograma a seguir. Cada aluno tem uma página para ilustrar. No fim, cada um recebe 20 exemplares.

E para os que não sabem ainda desenhar bem, tem o curso, que ensina como eu desenho, depois passa para aulas sobre narrativa, composição, etc… Os alunos tem algumas semanas para estudarem antes de começarmos a ilustrar para o livro. No curso, ensino também sobre materiais, técnicas, mostro o meu passo a passo, dou dicas para montar seu portfólio, mostro outros ilustradores, falo sobre como fazer o layout de uma página no livro…

Tudo isso foi criado para dar um pontapé inicial na carreira do ilustrador. Entretanto, tenho recebido mensagens de alunos que dizem que tem vencido a depressão, que tem mais propósito, e que esse processo mudou a vida deles. Eu confesso que não esperava por isso. Mas é muito gratificante. 🙂

Então, caso você esteja considerando mudar de profissão, mas não tem certeza, talvez a vivência possa uma maneira de experimentar, em pouco tempo, se desenho e ilustração é o que você realmente deseja fazer, sem precisar abrir mão do que tem agora. Poderia conciliar as duas carreiras, por tempo indeterminado, para sempre ou até que se sinta seguro para fazer a transição definitiva.

Com os alunos do curso, publicamos um livro em julho e vamos lançar mais um em novembro.

Eu não vendo os livros. Eles são produzidos e enviados para os alunos. Todo o lucro do livro digital – ebook – vai para uma instituição de caridade.

Os livros impressos vão para os alunos e os valores ficam para eles. Meu propósito é ensinar, ajudar a entender como é a profissão e ter uma ilustração já publicada para colocar no portfólio.

E agora, no mês que vem, vamos lançar um livro para o Natal, com 45 alunos/ilustradores. Esse está na gráfica, mas em breve estará disponível. Vou avisar quando estiver com preço gratuito na Amazon, para que possam adquirir a custo zero e prestigiar o trabalho dos alunos/ilustradores.

Como falei lá no início, eu entendo bem como é fazer uma transição de carreira. E imagino que toda essa sua dúvida traga muita ansiedade. E por isso que acredito que a vivência seja uma boa experiência. Uma experiência real do que é ilustrar para um livro. Os alunos recebem orientações, aprendem sobre termos de contrato, cessão de direitos autorais, etc…

O curso tem 110 aulas, com vários exercícios e vou abrir as inscrições no mês que vem. Já fizemos dois livros e vamos começar em novembro um livro de receitas com chocolate, para lançar antes da Páscoa.

O custo dessa vivência é muito menor que uma faculdade. Nem sei quanto está uma mensalidade. Na verdade, eu tenho alunas já formadas em Artes Visuais e que me escreveram para contar que estão aprendendo muito.

E também estão aprendendo não só o que devem fazer, mas o que não devem também. É um ambiente seguro para errar e superar os obstáculos, com alguém ajudando a resolver os perrengues que aparecerem.

Então, ao invés de fazer uma faculdade de 4 anos, você poderia começar com algo que vai levar uns 5 meses, custará bem menos e que te dará um certificado, uma experiência real e uma ilustração publicada em livros que irão não somente para o Brasil, mas também para outros lugares do mundo.

Terá a ilustração publicada no ebook, que é vendido no mundo todo, até na India, no Japão, Itália, USA, UK, etc…

Meu próximo passo é ter o livro digital em inglês. Está nos meus planos. Quem sabe até em italiano! Por que não? Ao infinito e além, como diria o Buzz!

Toda ação começa com um sonho. E um objetivo nada mais é do que um sonho com data para acontecer.

Então, se você tem o objetivo de publicar uma ilustração sua, saiba que já tem data para acontecer. Será em março de 2022.

Para isso, é só se inscrever no mês que vem, quando eu abrir as inscrições do curso Ateliê Ilustre, curso online de ilustração infantil.

Em breve, vou enviar mais informações.

Uma ilustrada semana para você!

Aos que nos inspiram…


Parabéns àqueles que, por amor, escolheram não só ensinar, mas inspirar seus alunos, mostrar novas possibilidades, novos horizontes e proporcionar transformação, ainda que às vezes os recursos sejam poucos e os obstáculos pareçam intransponíveis!


FELIZ DIA DO(A) PROFESSOR(A)! ❤️❤️❤️

O pior arrependimento é o de não ter feito

Photo by Bich Tran on Pexels.com

Uma das coisas que mais recebo mensagens a respeito ou leio comentários é sobre o fato de que a pessoa tem o sonho de se tornar ilustrador de livros infantis.

Isso é algo que me fascina: o que faz algumas pessoas realizarem os seus sonhos e outras deixarem ele apenas na imaginação?

Se esse é o seu caso, queria fazer algumas perguntas a respeito:

. Como você se sente sobre isso?

. É algo que lhe incomoda?

. O que te impede de realizar esse sonho?

. Quais são os obstáculos?

. Será que você já não desistiu desse sonho? Já desanimou e se conformou que isso não vai mesmo acontecer?

Quando eu era adolescente, li um artigo que falava sobre os maiores arrependimentos das pessoas, narrados por uma enfermeira que atendia idosos no hospital. Eles não se arrependiam do que tinham feito, mesmo que não tivesse dado certo. Eles se arrependiam do que não tinham feito, dos sonhos não realizados, de não ter tentado, de ter tido medo ou vergonha.

Esse texto marcou minha vida, e sigo isso como um lema. Prefiro tentar e falhar do que não tentar e perder uma oportunidade que pode ser única. Afinal, sempre há duas respostas: sim ou não. E o não, se eu não tentar, eu já tenho. Só me resta a outra opção.

Mesmo passando vergonha. Uma vez, enquanto moramos na Suécia, convidados pela escola de minha filha, os pais e os alunos foram patinar no gelo.

A maioria do pais ficou de fora. Mas eu achei que era uma oportunidade de tentar algo que eu sempre tinha tido vontade de fazer. E minha filha queria muito que eu fosse (como negar?). Mas ela era só a desculpa. Eu queria tentar mesmo. 🙂

Não foi nada fácil. Mais dolorido do que parece. Sabe quando você cai e bate a cabeça em algo muito duro? Cai de um jeito que não tem onde nem como se segurar? De um jeito que escorrega e não dá tempo nem de botar os braços para amortecer a queda? Dói muuuito. E eu não caí somente uma vez. Foi realmente vergonhoso. 

Pra piorar, tinha um pai – finlandês – que deslizava como um campeão, fazendo piruetas e se exibindo. Fala sério! Precisava humilhar?

No fim, depois de muitas quedas, dor no pé – as botas apertam bem o pé da gente – deixamos o rinque e uma mãe que estava fora me disse: Parabéns pela coragem.

Os pais que tinham ficado fora tinham se divertido às minhas custas. Afinal, só eu tinha ido patinar sem saber. Os demais, que tinham entrado, já sabiam desde pequenos. Mas pelo menos tentei e não fiquei com aquela sensação de me arrepender de não ter feito.

Mas, voltando ao assunto, se você ainda pensa em realizar o seu sonho, seja se tornar ilustrador ou não, saiba que ele está ainda dentro de você. Temos a mania de achar que um dia, quando tudo for perfeito, aí sim vamos poder nos dedicar ao que desejamos.

Entretanto, nesses últimos meses percebemos que a vida é mais curta do que imaginávamos. Que a longevidade não é uma garantia. Quantos sonhos não realizados foram embora com nossos queridos?

Um sonho mal resolvido pode prejudicar nossa qualidade de vida. Ficamos sempre com aquela sensação de tempo perdido, de que não estamos de fato ‘vivendo’.

Na verdade, a palavra sonho já denota que é algo irreal, que dura uma noite e se esvanece na manhã seguinte.

As palavras e definições que usamos afetam nossas atitudes. Se você fala em ‘sonho’, é algo distante e que parece inatingível. Porém, se você falar em objetivo, aí a coisa já muda de figura.

Objetivo, nada mais é do que um sonho com uma data para acontecer. Com uma ‘deadline’.

E quando temos um objetivo, temos que ser práticos. Temos que elaborar um plano para chegar lá.

Eu sou fã do ‘devagar e sempre’. Melhor fazer devagar e ser constante do que não fazer nada, não começar nunca.

Há um tempo ouvi uma frase: sempre temos um preço a pagar para conseguir algo.

Se temos um objetivo, o preço e o esforço pode vir antes, como por exemplo, estudando, praticando, se esforçando.

Por outro lado, quando não nos esforçamos, e não atingimos nosso objetivo, da mesma forma temos que pagar um preço. O preço do esforço que faremos por não ter alcançado aquele objetivo dentro de um certo período de tempo.

Exemplo: dois estudantes. Um se esforça, estuda, pratica e acaba conseguindo seu certificado. E outro, prefere não estudar, somente se divertir, não segue os ensinamentos e diretrizes que lhe ensinam. E não consegue obter o seu certificado.

Só que ambos vão se tornar adultos e vão precisar trabalhar para viver. Um terá uma competência, que vai lhe proporcionar um trabalho, um rendimento. E o outro terá que trabalhar com alguma outra coisa, que talvez nem goste, e talvez o esforço dele seja até dobrado, porque não adquiriu nenhuma competência ou especialização.

Sempre temos um preço a pagar, seja antes ou depois.

Eu vejo muito disso hoje em dia. Tenho amigas que desistiram não somente do seu sonho, mas não terminaram os estudos.

Vindo de uma família muito simples, morando num bairro popular, notei que a maioria de meus vizinhos não buscaram estudo. Na verdade, das casas que estavam na mesma quadra, somente meus irmãos, meu primo e eu nos formamos. Não foi fácil. Meus irmãos terminaram a faculdade já depois de adultos. Um já era casado e com filhos. Todos começamos a trabalhar muito cedo. Meu irmão mais novo aos 11 anos, meu irmão mais velho aos 14 e eu comecei a fazer estágio ainda no Ensino Médio. Me formei no Magistério, depois em Administração, consegui um emprego fixo, fiz uma pós em Marketing, especialização em Metodologia do Ensino Superior… Depois casei, tive um filho… mas meu ‘sonho’ de trabalhar com ilustração e arte ainda vivia dentro de mim. Prestei dois vestibulares para Belas Artes, e passei em ambos, mas não pude concluir nenhum, pois nos mudamos.

Meu marido tinha sido convidado para trabalhar na Itália. Me preparei, aprendi italiano, busquei faculdades antes mesmo de chegar no país.

Descobri algumas, todas muito longe. Não tinha com quem deixar meu filho pequeno. Foi uma barra conseguir passar no vestibular de lá, conseguir a documentação. Mas não desisti. Foram momentos muito difíceis. A faculdade ficava em outra cidade.

Para quem olha de longe, parece que foi simples. Mas foram meses para estruturar tudo e derrubar os obstáculos. Mas eu pensei: vou me preparando agora, aos poucos, mesmo sendo tudo tão ‘imperfeito’.

Se você cuida de alguém doente, não há momentos em que pode aproveitar para estudar? Se está com filhos pequenos, não há momentos em que eles dormem?

Dizem que a autora do Harry Potter escreveu seus livros em cafés, enquanto seu filho dormia no carrinho.

Nos anos em que fiz Belas Artes, eu ficava quase todas as noites fazendo trabalhos e estudando até as 2h da manhã. Foi um preço que paguei. Mas hoje, com mais de 20 livros ilustrados, vejo que valeu muito a pena.

Essa faculdade era a oportunidade de uma vida – da minha vida. Como eu poderia não tentar?

Enfim, essa história não vou contar agora, pois é bem longa. Mas até a polícia italiana, numa blitz, me parou por acaso na volta da faculdade, apreendeu minha carteira e o carro – que nem era meu. Eu tinha a carteira internacional, mas eles falaram que não era válida. Depois fui até falar com o juiz, que acabou me dando razão. Mas todo esse processo levou meses.

Mas quero dizer que, se eu não tivesse tentado, e aproveitado a oportunidade, hoje não estaria fazendo o que faço. Foram muitos anos, dos quais 4 foram só de estudo. Mais tarde, aperfeiçoamento em ilustração infantil também.

Muita gente pensa que as coisas acontecem facilmente. Não sabem dos anos que levamos aprendendo e nos preparando. Nem sempre estão dispostos a pagar o preço.

O tempo é inexorável, não volta. Temos que pensar no que podemos fazer HOJE para dar mais um passo em direção ao nosso objetivo.

Qual é o processo que VOCÊ precisa passar para chegar ao seu objetivo? Qual é o seu plano? Quais são os pequenos passos que você precisa fazer para que, quando chegar aquele momento que você espera, você já terá realizado e estará à frente no seu plano?

Divida seu planejamento em etapas e vá fazendo aos poucos. Não deixe para depois. Isso vai só trazer muita frustração com o passar dos anos.

Quem falha em planejar, já está planejando falhar.

Lembre: sempre há um preço a pagar. Você escolhe quando: antes com um custo menor, ou depois com um custo maior.

Ontem, li uma frase interessante, de Simon Sinek:

Trabalhar duro por algo que não curtimos ou valorizamos se chama stress.

Trabalhar duro por algo que tem sentido para nós e que valorizamos se chama PAIXÃO.

E é verdade. Quando gostamos de algo, as horas passam rápido e trabalhamos com afinco. Nem parece trabalho, alguém diria.

A mesma pessoa que falou a frase acima diz que há dois tipos de pessoas: aquelas que veem o objetivo depois do grande esforço. E aquelas que veem o grande esforço e que não acham que vale a pena a jornada para chegar nele.

Qual deles é você?

Para finalizar, pense no que te impede de fazer o que quer para rumar em direção ao seu sonho. Faça uma lista do que está lhe dificultando.

. São os outros?

Não podemos culpar os outros pelo que nós não conseguimos realizar. Somos nós que fazemos nossas escolhas e que arcamos com as consequências delas.

. É falta de ajuda?

Embora nem todos seja assim, algumas pessoas estão dispostas a ajudar. Basta tentar.

. É falta de recursos?

Há muita coisa que tem custo baixo. Na verdade, é tudo uma questão de prioridade. O que é mais importante: o seu sonho ou seu ‘cafezinho’ diário? Uma profissão que vai te dar qualidade de vida ou uma pizza no mês?

. É falta de tempo?

É possível se preparar mesmo em períodos de tempo pequenos. Cinco a dez minutos por dia são 30 a 60 horas num ano. Já pensou no quanto pode aprender e praticar em 30 horas? Muitas vezes perdemos mais tempo nas redes sociais do que em algo educativo.

Enfim, algo que precisamos muito – também – é entender que as coisas não acontecem da noite para o dia. Tudo que é bom, requer tempo para se desenvolver.

As plantas precisam de tempo para crescer, um bebê precisa de 9 meses para se desenvolver, e eu gosto do exemplo que Deus nos deu ao criar o mundo. Ele levou 6 dias. Sendo Deus, Ele não poderia ter criado num ‘piscar de olhos’?

Eu sempre uso esse exemplo com meus filhos. Se Deus criou o mundo em 6 dias e descansou no 7º, é porque Ele queria nos mostrar como devemos fazer as coisas: devagar, de modo constante e descansando de vez em quando.

Não precisamos fazer tudo correndo. Podemos começar já a dar passos em direção ao que almejamos. E quando vier aquele momento que você espera, onde tudo será perfeito, você já estará preparado.

Estou trabalhando num projeto diferenciado, que está em teste. Se você está numa situação assim, onde tudo parece difícil, mas gostaria de aprender a ilustrar aos poucos, devagar, por um preço baixo, dedicando 10 a 15 minutos por semana, entre em contato comigo.

Ilustrado fim de semana para você!

Bloqueios criativos & o medo do papel em branco

Às vezes alguns ilustradores passam pelo que chamamos de ‘bloqueio criativo’. As ideias parecem não vir, a inspiração não surge e vem aquele famoso ‘medo do papel em branco’.

Na verdade, o medo do papel em branco é algo que acontece com todo mundo, principalmente quando estamos iniciando.

Temos medo de estragar um material caro, medo de usar os lápis e tintas que foram um investimento…

Isso, na verdade, é uma insegurança que temos. Às vezes achamos que ainda não somos ‘bons’ o suficiente para usar materiais profissionais e temos medo de desperdiçar os mesmos. Outras vezes temos o medo da expectativa dos outros em relação ao nosso trabalho.

Fato é que, se não fizermos nada, aí sim que é um desperdício. De tempo e de material, que vai ficar velho se não for usado. Papel estraga, fica amarelado, a tinta seca…

Eu ficava bem chateada comigo mesma quando errava algo, logo que comecei a ilustrar. Pensava: esse papel custou tão caro… às vezes até guardava com a esperança de poder consertar.

Com o tempo fui percebendo que, ao errar, estava aprendendo e que isso era muito válido. E o que tinha feito errado era, na verdade, algo que estava no dentro de mim, que tinha que sair, e que eu tinha que passar para o papel para poder prosseguir para o próximo passo. Mais ou menos como níveis de vídeo game. Eu tinha que passar por aquela ‘fase ruim’ para poder passar para o próximo nível. Tinha que passar por aquela experiência ‘errada’ para poder avançar.

E hoje vejo desse modo: desenho, desenho, desenho e não me preocupo mais com os trabalhos ruins que aparecem no início. Sigo adiante e vou fazendo até que fique satisfeita com o resultado.

Além disso, tem um outro aspecto interessante no que se refere aos chamados ‘erros’. Já perdi a conta de ilustrações que, ao fazer algo inesperado, descobri uma nova maneira de usar os materiais ou até uma nova possibilidade de técnica. Muitas invenções foram criadas inesperadamente e assim também acontece com a nossa jornada artístico-criativa. Acabam surgindo até ideias novas com esses imprevistos.

Lembre-se: o medo não impede o erro. Impede somente que você se desenvolva e siga adiante no seu percurso.

Se o medo de errar persistir, pense que é só uma folha de papel e um pouco de tinta. Não é nada grave. Pior seria perder o seu tempo, esse sim inexorável.

Material que você usou até é possível recuperar, comprando novamente. Mas o tempo perdido não se recupera. Esses minutos que parecem ter sido perdidos podem vir a poupar muitos outros no futuro.

Por isso, não tenha medo de começar algo. Se o bloqueio criativo persistir, pingue algumas gotas de tinta, da sua cor preferida, no papel e fique olhando para elas até ter alguma ideia. Tenho certeza de que elas vão te inspirar e algo vai surgir. E o papel em branco, aquele dava tanto medo, já não existe mais.

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