Como lidar com as críticas

Às vezes ouvimos comentários que nos entristecem. Você faz um trabalho que considera lindo e tudo o que ouve é que ‘teria ficado legal se você não tivesse feito x’.

De norma, a primeira coisa que eu analiso quando recebo uma crítica é:

  • a pessoa que me criticou tem conhecimento da área?
  • Segundo: essa pessoa é o meu público-alvo (por exemplo: se ilustro para crianças, qual a idade dessa pessoa?).

Outras perguntas que você pode fazer a si mesmo: a crítica é construtiva? Tem fundamento? Ou foi movida pela inveja? – Sim, embora seja raro, infelizmente algumas pessoas ficam chateadas porque você está realizando seu sonho de infância e eles não estão.

Se a crítica for construtiva, ainda assim é importante analisar se aquilo é algo pessoal daquela pessoa ou se o que você fez tem qualidade.

Comparar seu trabalho com outras pessoas pode ser ao mesmo estimulante como pode também te desmotivar.

Deixe de lado sua ilustração por um tempo e depois volte a ver como está. Com outro ânimo e cabeça fria, você poderá analisar melhor o que realizou e constatar se há razão no comentário.

Uma coisa que eu faço às vezes é virar o desenho de cabeça para baixo e de lado, assim verifico como ficou. Isso ajuda saber se há algo que ficou meio distorcido na sua visão. Também gosto de olhar de longe, para visualizar o todo.

Se você achar que a crítica não é construtiva, ignore. Tem gente que gosta só de criticar e nem sabe o que está falando.

A crítica que você tem que considerar é a sua própria. Analise o que você fazia no ano passado e veja se há progresso em seu trabalho. O artista nunca pára. Por mais que ache que um trabalho ficou bom, no dia seguinte já está pensando em melhorar. Isso é natural e faz parte do percurso do artista. E isso que faz o trabalho do artista ser tão fascinante!

16, 24, 32…. Afinal, quantas páginas um livro infantil deve ter?

Embora pareça uma questão muito simples, a verdade é que até mesmo autores que já publicaram antes não notaram quantas páginas os livros infantis costumam ter.

Por que isso acontece?

Os autores se preocupam geralmente com o texto, delegando as demais tarefas ao editor ou ao ilustrador. Por isso, é essencial que o ilustrador tenha algumas noções de processos gráficos e ajude o autor (e até mesmo o editor) nessa decisão.

Os livros infantis geralmente tem 16, 24 ou 32 páginas. Alguns tem 48, alguns 8, mas em geral, a maioria tem 16, 24 ou 32 páginas. O que esses números tem em comum?

São todos múltiplos de 8.

O processo gráfico e o tipo de papel, embora não sejam sempre algo que o ilustrador se preocupe, são extremamente importantes para uma produção de excelência. Nem todas as editoras podem publicar no melhor papel e, raramente no Brasil, um livro infantil tem capa dura. Isso ocorre porque o papel é muito caro, e o processo para fazer um livro capa dura ainda tem necessidade de trabalho manual. Há sempre a necessidade de se economizar.

Mas por que estou falando tudo isso? Porque devido ao custo desse processo, é essencial que o aproveitamento do papel também seja maximizado na produção. Por isso, um livro infantil sempre tem que ter páginas em múltiplos de 8, fazendo assim o que chamamos de ‘cadernos’ (quando as folhas são dobradas).

Até mesmo editores já experientes às vezes esquecem esse detalhe e planejam fazer o livro com 30 páginas, por exemplo, e se surpreendem quando um livro com 32 páginas fica até mais barato. Isso acontece porque o desperdício de papel – o que é descartado – acaba custando caro para a gráfica. E a mesma faz com que o cliente (editora ou autor) pague por isso.

Também acontece às vezes de um livro de formato maior ser mais barato do que um menor. Pelo mesmo motivo, se numa folha de papel, toda a extensão for aproveitada, o custo de produção vem a ser reduzido. Isso já aconteceu comigo: orcei um livro no formato 25 x 18, mas solicitei à gráfica que me fornecesse um tamanho que não desse desperdício. Eles sugeriram 26,5 x 18,1 cm. Isso fez com que o custo da tiragem diminuísse para mim, pois houve melhor aproveitamento. Além do que, o livro ficou ligeiramente maior.

No início, quando eu solicitava um orçamento para a gráfica, não sabia desses detalhes e acabava escolhendo o formato do livro em função da proporção que me agradava. Porém, visitando a gráfica, conversando com as pessoas que trabalham e aprendendo mais um pouco sobre o processo, percebi que poderia ter um melhor custo/benefício no meu trabalho.

Concluindo, ao planejar um livro infantil, pense sempre em número de páginas múltiplos de 8. E ao definir o tamanho, procure conversar com a gráfica e descobrir se alguns milímetros a mais ou a menos podem impactar no preço.

Storyboard

Uma ferramenta bem importante para o ilustrador de livros infantis é o storyboard. Mas quando eu comecei a ilustrar, tinha dúvidas, ficava com medo de fazer errado, nem sabia direito o que era isso. Abaixo eu respondo algumas questões que surgem quando a gente tá começando a ilustrar.

O que é um storyboard?

O storyboard é uma sequência de quadrinhos que mostram o desenvolvimento de uma história, seja para livro, vídeo, filme ou animação. Aqui vou focar no storyboard para livros infantis.

Mas eu não vou diagramar. Preciso fazer mesmo um storyboard?

Depois que você recebeu o texto da editora, ou do autor, é preciso saber alguns detalhes sobre o livro. Se você não sabe a quantidade de texto em cada página, número de páginas do livro, e onde vai o quê, o storyboard pode ajudar muito a visualizar e definir o tipo e tamanho das ilustrações que você vai fazer. Evita que você faça uma ilustração muito grande ou muito pequena em função do texto que depois irá naquela página. Enfim, o storyboard é uma ferramenta de planejamento.

O editor/autor vai querer ver o meu storyboard?

Depende do autor ou editor. Embora seja raro pedirem, tem autor que gosta de controlar cada pedacinho do trabalho de ilustração.

Como fazer um storyboard?

Divida uma folha de papel em quadrados. O número depende da quantidade de páginas que o livro tem. Numere os quadradinhos e desenhe dentro de cada um o que vai em cada página. Não esqueça de colocar a ‘mancha’ do texto.

Quais as vantagens de fazer um storyboard?

Uma das grandes vantagens é que você tem condições de visualizar como cada página vai ficar. Isso possibilita, por exemplo, dar um suspense na história antes de virar a página.

Outras vantagens são:

. poder visualizar o layout,

. fazer sketchs rápidos,

. definir o ponto de vista do leitor,

. definir se vai ser uma ilustração com background, ou se vai focar em algo específico, para enfatizar o que o texto diz,

. fazer anotações sobre as características dos personagens,

. definir já no início do ‘feeling’ do livro,

. poder redefinir a sequência de ilustrações.

Se eu fizer um storyboard, tenho que seguir à risca o que planejei?

O storyboard é uma ferramenta que serve para auxiliar o ilustrador. Portanto, é algo flexível. Se você estiver trabalhando sozinho, pode alterar conforme o que você deseja. Caso esteja trabalhando em equipe, aí tem que entrar num acordo, pois todo mundo vai seguir o storyboard. Já imaginou a equipe estar já na metade do trabalho e o storyboard é alterado? Pode significar a perda de muito tempo de trabalho.

Concluindo:

Você não precisa fazer desenhos perfeitos. Sketchs rápidos e até meio mal desenhados podem ser feitos. Eu confesso que tenho preguiça de fazer o storyboard, mas melhor um desenho mal feito do que não feito. Também não precisa fazer exatamente o que tinha planejado nem mostrar para ninguém. Mas eu acho que fazer o storyboard alivia a preocupação de pensar o tempo todo no que você vai fazer. Ao terminar meu storyboard, eu fico aliviada em saber que já está tudo planejado e posso curtir o resto da execução do meu trabalho, que é desenhar e pintar as ilustrações. Uma vez que passei uns dias intensos ‘espremendo o cérebro’ para tentar criar uma ideia legal e inovadora, posso me concentrar no que gosto mais! 🙂

Espero que esse texto tenha sido útil. Qualquer dúvida, entre em contato. Abs!

Resoluções

Seja você mesmo(a)! Um original vale sempre mais que a cópia.

Todo início de ano é a mesma coisa. Pensamos: nesse ano vou emagrecer, mudar de emprego, conquistar aquele sonho… Se você é como eu, já deve ter pensado em como às vezes repetimos alguns objetivos todo ano que se inicia.

Porém, ainda que a gente se sinta um pouco chateado por não ter conseguido algum dos nossos objetivos, acredito que devemos ser otimistas e continuar correndo atrás deles.

Há uma música que diz: ‘quem espera sempre alcança’. Vou além e digo: quem persevera sempre alcança. Se 2019 não terminou como você queria, pense que o aprendizado, os acertos e erros vão ajudá-lo(a) a continuar atrás dos seus sonhos.

Se não conseguir na primeira vez, penteie o cabelo e repita. Uma hora dá certo!

Que em 2020 você consiga dar mais alguns passos em direção ao seu objetivo. Nunca é tarde para realizar o que você sonha. Todo dia é uma folha em branco que você, o protagonista de sua história, vai escrever. Planeje, divida em pequenos objetivos e uma hora você chega lá. 🙂

Para finalizar:

Se você está procurando alguém que possa mudar sua vida, basta se olhar no espelho.

Desejo muito sucesso para você em 2020!

NOVO WORKSHOP ONLINE! Como desenhar "Animais Fofinhos"

Na semana passada lancei meu primeiro workshop totalmente online. Como a oficina presencial de “Fofalização de Animais” foi muito bem sucedida, e os participantes gostaram muito, resolvi produzir um workshop online para que a oficina seja acessível para todos, mesmo os que estiverem morando a muitos quilômetros de distância.

Nesse workshop online, vou apresentar:

– as características que fazem um animal parecer “fofinho“;

– três demonstrações práticas de “fofalização”;

– uma demonstração prática de pintura do animal “fofinho”;

– o uso comercial que faço dessas imagens;

apostila com exercícios.

O Curso de “Fofalização de Animais” é um curso específico de ilustração, projetado para guiar iniciantes a produzir ilustrações de animais fofinhos, voltadas para o público infantil. O curso tem 5 módulos, com demonstrações práticas da técnica utilizada por mim, e apostila com exercícios.

Esse curso foi projetado para iniciantes e aspirantes a ilustrador, ou para aqueles que gostam de desenhar e gostariam de aprender uma nova habilidade artística.

Para adquirir o curso, que pode ser parcelado em até 10x, clique no botão.