O nome do ilustrador vai na capa?

Começando pelo óbvio (e que quase ninguém analisa)…

Você já viu um livro infantil sem ilustração? Provavelmente não.

E isso já nos dá uma pista importante: a imagem não é “acessória” no livro infantil. Ela é estrutural.

Uma pessoa me contou que a autora não queria colocar o nome do ilustrador porque já tinha pago pelo serviço. Ora, então ela não pode colocar o nome dela na capa, porque os leitores vão pagar pelo livro. Se ela vai receber e ao mesmo tempo ser reconhecida pela autoria do texto, por que o ilustrador não pode receber pelo seu trabalho e ser reconhecido por ele?

Se fosse assim, cantores, atores e musicistas teriam que optar pelo reconhecimento ou pagamento. Não concorda?

O que a ilustração realmente faz no livro infantil

Muita gente acha que a ilustração está no livro apenas para “decorar ou enfeitar” a história. Que um livro só existe porque tem texto e que a ilustração é apenas para replicar o que o texto diz.

Entretanto, não é bem assim. A ilustração cumpre algumas funções no livro:

  • Narrativa: conta partes da história que não estão no texto. Quantas vezes o texto só tem diálogo e é o ilustrador que tem que preencher essa lacuna? O próprio personagem, sua personalidade, postura, roupas e acessórios, quem mostra é o ilustrador.
  • Compreensão: permite que a criança entenda a história antes de saber ler
  • Emoção: define o clima, o humor e o ritmo
  • Atração: é o primeiro elemento que chama atenção
  • Memória: muitas vezes, é o que faz o livro ser lembrado depois

Ou seja: a imagem participa diretamente da experiência do leitor.

O papel da ilustração na decisão de compra

Antes de alguém abrir o livro, a decisão já começou. O adulto e/ou a criança já olha direto para o livro que lhe agrada visualmente. Pense: ninguém leu o livro ainda. O que chamou a atenção da criança (ou adulto) foi a ilustração, com suas formas e cores.

A ilustração, comercialmente, ajuda nas vendas. Ela:

  • destaca o livro na prateleira ou no site
  • diferencia um título entre dezenas
  • chama a atenção de crianças, pais e professores
  • ajuda a construir identidade visual

Em termos simples: a imagem ajuda a vender o livro.

Então por que o ilustrador nem sempre aparece na capa?

Em primeiro lugar, quero dizer que a maioria das editoras colocam o nome do ilustrador na capa.

Em geral, quando o nome do ilustrador não aparece na capa, isso revela uma compreensão incompleta de como a ilustração contribui para o livro, tanto na narrativa quanto na percepção do leitor.

Sinceramente, como a maioria das editoras tem visão de mercado, veem que o ilustrador só tem a agregar. Quando o nome do ilustrador não aparece na capa, parte do potencial de mercado que ele traz ao livro deixa de ser aproveitado. O ilustrador também constrói seu público, e isso tende a crescer com o tempo.

A verdade é que, no Brasil, não existe uma regra obrigando o nome na capa. Tudo depende de contrato e negociação, algumas editoras não têm um padrão claro, o responsável pode ser ainda inexperiente, o autor pode, em alguns casos, ter receio de dividir o protagonismo da obra e, infelizmente, alguns ilustradores não pedem por insegurança.

E mesmo quando o ilustrador é reconhecido, isso pode acabar gerando situações como:

  • nome muito pequeno
  • posição pouco visível (escondido)
  • ausência total na capa, e reconhecimento só na ficha catalográfica
  • “esquecimentos” que só aparecem depois da impressão. E aí, já era. Não tem como colar o nome do ilustrador com fita adesiva em 1.000 exemplares, né?

O que a lei diz (e o que acontece na prática)

A Lei de Direitos Autorais garante o seguinte: o autor (de texto e de imagem) tem direito de ser reconhecido pela obra que criou.

E como o ilustrador faz um contrato de direitos autorais com a editora, isso só reforça que o ilustrador é um criador, um autor de imagem.

Mas a lei tem brechas e não determina exatamente onde o nome deve aparecer,

com qual destaque e em quais materiais. Muitas vezes até aparece no livro, mas não é convidado para o lançamento, seu nome não aparece nos cartazes e às vezes nem nas lojas.

Uma comparação de lógica de mercado (Brasil x Itália)

Quando estudei na Itália, vi um padrão diferente: autor do texto e ilustrador aparecem juntos na capa, com peso visual semelhante e posicionados com destaque na capa. Um à direita no alto, e outro à esquerda.

Isso não é apenas um detalhe gráfico. É uma leitura de mercado, afinal o ilustrador também atrai leitores e o nome agrega valor ao livro.

Um fato: Quando o ilustrador não aparece, não é só o profissional que deixa de construir reputação, mas o livro perde uma parte da sua identidade.

Mas o que fazer na prática, para nós, ilustradores?

Eu mesma, mesmo depois de anos de experiência, não estou imune a essa possibilidade do nome não sair na capa. Pode acontecer, seja por erro, descaso ou falta de visão de mercado.

Mas na minha experiência, é melhor prevenir do que remediar. A melhor alternativa é perguntar antes de assinar o contrato. Se afirmarem que vai na capa, ótimo. Temos que confiar na palavra. É possível também solicitar para que conste no contrato. Nem todos vão aceitar, mas pelo menos você enfatizou de que isso é importante para você. Se necessário, pode até argumentar.

Eu, quando faço algum trabalho e eu mesma redijo o contrato, sempre coloco essa cláusula. A exceção é quando a editora me envia o contrato.

Vale também perguntar antes de fechar: meu nome vai na capa, né? (Pergunte como se fosse óbvio. Não dê margem para que eles digam não). “Como será apresentado? Com qual fonte (tamanho?)”.

Se for possível, coloque em contrato:

  • posição
  • tamanho
  • destaque
  • aplicação em materiais

Observe a resposta da editora. A forma como respondem já indica se há profissionalismo. Respostas evasivas costumam indicar problema futuro.

Algo a se ressaltar: não temos controle sobre tudo. Mesmo que afirmem que irá, só vamos ter certeza depois que for publicado.

É importante estar consciente disso. Mas informação é poder e se você discutir o assunto e mencionar a lei de direitos autorais, isso pode ajudar.

O que aprendi depois de mais de 30 livros

Depois de trabalhar com diferentes editoras, projetos e contextos, ficou claro para mim: boas editoras sempre reconhecem o ilustrador.

Defender seu nome não é ego, vaidade, “ser difícil” ou “estrelinha”. É direito seu.

Também não vai atrapalhar o projeto. É simplesmente reconhecer o valor do próprio trabalho.

Para finalizar e responder a pergunta do título:

Se a imagem conta e/ou amplia a história, atrai o leitor, ajuda a vender, então o profissional responsável por isso não deveria ser invisível na capa. Para mim, a resposta é simples: o nome do ilustrador deve estar na capa. Sempre.

Não é só talento: 7 verdades sobre aprender a desenhar


1. Em primeiro lugar, seu desenho não precisa ser realista nem perfeito.

Muita gente acha que só é bom o desenho realista. Mas desenho e ilustração têm muitos estilos. Que graça teria se todo mundo fizesse igual?

    2. Observe livros infantis e veja o tipo de ilustração que você gosta.

    As cores têm degradê ou são chapadas? Têm contornos? Usam anatomia ou estilização? São minimalistas ou cheias de elementos?


    3. Não basta repetir: é preciso praticar buscando progredir.

    Fazer a mesma coisa no automático não gera o melhor progresso. Se fosse assim, todo motorista de táxi poderia ser piloto de Fórmula 1.


    . Desenhe observando o que pode melhorar e procure referências, estudo ou orientação.
    . Escolha um ponto por vez: formas, luz e sombra, composição etc.
    . Curta mais o processo que o resultado. Isso tira a cobrança.


    4. Melhorar exige sair do confortável.

    A evolução acontece quando você vai além da habilidade atual. Se faz só o que já sabe, evolui menos.

    . Desafie-se e tente desenhar ângulos mais difíceis.
    . Se tem medo de cenários, procure nos livros infantis e tente replicar com seu estilo.
    . Tente desenhar personagens em poses novas, mesmo que no início pareçam sem equilíbrio.

    5. Feedback acelera muito.

    Aprender sozinho é possível, mas correções externas ajudam. Um olhar de fora, de alguém que já trilhou esse caminho, pode te fazer dar um salto muito grande no desenho.

    Algumas sugestões:

    . um curso
    . mentoria
    . análise crítica
    . comparar referências
    . rever erros antigos

    6. Desenhe sem pressa e foque nos detalhes.

    Cuide da qualidade do traço enquanto curte desenhar. Quem gosta do processo pratica mais sem perceber.

    Consistência e disciplina fazem maravilhas pelo desenho. Treinar sempre costuma funcionar melhor do que surtos esporádicos de motivação. Melhor um pouco todos os dias do que só uma semana, uma vez por ano.


    7. Observar não somente o que se desenha, mas os espaços entre as linhas.

    Desenhistas enxergam padrões, vazios e formas.

    . Veja formas básicas por trás dos objetos.
    . Primeiro a base, depois os detalhes.

    Se gostou, curta, salve ou compartilhe! Ilustrada semana!

    Plante com fartura e colha com fartura

    Eu não sei se você sabe, mas sou cristã. E todos os dias eu faço meu devocional pela manhã. Eu sigo um estudo num aplicativo do meu celular ou Ipad. 

    E o versículo de ontem foi exatamente o mesmo que o pastor falou durante a pregação na minha igreja, também ontem. Não é uma coincidência interessante?

    Eu geralmente não escrevo versículos nas ilustrações, a não ser que seja um livro cristão. No entanto, achei curioso que o versículo do meu estudo matutino fosse exatamente o mesmo da pregação de domingo.

    E esse versículo falou muito comigo e quis vir aqui para falar para você também.

    Por que eu estava pensando nas minhas metas esse ano. E esse versículo mostra que, se eu não plantar, não vou colher. 

    Veja só: “Lembrem-se: aquele que semeia com moderação também colherá moderadamente, e aquele que semeia com fartura também colherá fartamente.

    (2 Coríntios 9:6 – NVI)

    Como minha vida gira em torno da ilustração, não pude deixar de aplicar esse versículo à minha profissão.

    Eu pensei: o quanto será que estou semeando no meu trabalho? Será que estou mesmo fazendo o máximo que posso, plantando sementes, para depois poder ter uma colheita farta?

    Será que estou, de fato, tratando minha carreira de modo intencional e fazendo atividades que cooperam para o bem dela, que venham a me trazer mais oportunidades na minha área?

    Será que estou mesmo fazendo tudo com propósito? Ou estou fazendo um pouquinho aqui e outro ali, achando que só jogando umas sementinhas pelo caminho será o suficiente?

    Ao começar, de fato, podemos jogar apenas algumas sementes: 

    Um desenho no final de semana.

    Um sketchbook e alguns lápis.

    Uma ilustração quando dá tempo…

    E tudo isso em um tempo curto, geralmente o que dá para fazer no meio de uma vida cheia como a que todo mundo tem atualmente.

    É assim que a maioria começa. Ninguém tem tudo à mão. Mas, à medida que o tempo passa, isso continua a ser suficiente? 

    Será que não estamos procrastinando, e todo ano fazemos as mesmas coisas, mas nossa colheita farta nunca vem?

    Será que um agricultor vai continuar plantando somente umas sementinhas se ele quiser colher mais? Ou ele vai ampliar e preparar o terreno, plantar mais, estudar para saber as melhores técnicas, investir em conhecimento e instrumentos, descobrir como vender e se organizar?

    Será que estamos mesmo plantando? E cada vez plantando mais?

    Ou será que estamos apenas adiando aquilo que Deus já colocou no nosso coração?

    Falamos do sonho, pensamos nele, pedimos direção a Deus… mas, muitas vezes, adiamos o gesto concreto: planejar nosso sonho de verdade, desenhar mais, montar nosso portfólio, estudar, melhorar nossas técnicas… 

    Veja: Se não plantamos, não nos dedicamos, mesmo que a gente peça que Deus abençoe, sem colocar uma semente na terra, nada irá nascer nem florescer. Temos que fazer a nossa parte. E temos que fazer, não somente sonhar.

    Como Deus pode abençoar nossa colheita se não plantamos as sementes?

    E nem sempre é por falta de capacidade ou habilidade, mas por inércia (não fizemos nada). Ou então é medo, insegurança, comparação, falta de método — ou até procrastinação disfarçada de “esperar o momento certo”.

    Será que em 2026 não temos que, de fato, refletir há quantos anos estamos esperando ‘esse momento certo’?

    Ou este será apenas mais um ano em que o sonho fica guardado, bem conservado… e nunca plantado?

    O tempo é inexorável, inflexível… implacável! O tempo passa e as oportunidades, o sonho realizado, tudo isso vai parecendo cada vez mais distante. 

    Chega a hora em que olhamos para trás e vemos que não fizemos o que deveríamos ter feito. Não plantamos nada e, na verdade, no fim, não haverá o que colher. 

    Semear com fartura não é produzir sem parar, sem intenção, mas é desenhar mesmo quando o resultado ainda não encanta, entender que é um processo com altos e baixos, é estudar mesmo quando dá vontade de desistir e também terminar o que se começa, mesmo que o resultado não seja – ainda – o que você imaginou.

    Quem semeia pouco, colhe pouco — não por castigo, mas por lógica. Não tem como colher um grande trabalho de ilustração sem ter ‘plantado’  tempo, prática, estudo e entrega. 

    Quem semeia com constância, colhe com o tempo, mas quem planta o nada, colhe o nada.

    Assim como a terra responde apenas ao que recebe: só faz nascer se a semente for plantada, o mercado editorial só pode florescer na sua carreira se você plantar suas sementes. 

    Janeiro é o mês ideal para começar ou recomeçar. Que a sua resolução de ano novo seja plantar mais ilustrações, aperfeiçoar suas técnicas, melhorar sua composição, aprender a planejar seu livro, tirar sua história da gaveta, montar um portfólio de destaque, entrar em contato com clientes, começar a viver da sua arte…

    Que 2026 seja o SEU ano. E que os planos que Deus colocou em seu coração possam ser realizados nos próximos meses. 🙂

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    Conheça o Método INGRID de Ilustração de Livros Infantis: https://www.atelieilustre.com.br/

    Planner do Ilustrador, com dicas, orientações e desafios mensais: https://ingridosternack.lojavirtualnuvem.com.br/produtos/planner-do-ilustrador-capa-dura-e-espiral/

    Não use só as tintas dos Potinhos e Tubinhos

    No mercado, tem muita variedade de cores de tintas… Será?

    E a variedade de cores que tem nos programas de computador, não é muito maior?

    Então, veja como variar um pouco mais as cores dos potinhos e tubinhos de tinta.

    Abaixo: link para tintas e pincéis que costumo usar:

    Tinta Acrílica Maimeri – https://amzn.to/44XcVdB
    Pincéis baratinhos/pincel escolar, bom para espalhar a tinta e deixar marcas e texturas):

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    Livro Referência de Texturas

    Muita gente fala que, o que eles mais gostam nas minhas ilustrações, são as texturas.

    E muitas vezes, me perguntam como fazer algumas delas, se é o papel, a tinta ou o pincel que eu uso.

    De fato, texturas dependem não somente do material que usamos, mas também das técnicas.

    Por isso, resolvi trazer aqui um livro que ensina algumas delas, em várias técnicas.

    Então, se você quer aprender texturas, para usar em suas artes, ou até em suas ilustrações, esse livro pode ajudar.

    O importante é lembrar de inserir seu PRÓPRIO ESTILO nessas texturas, para não ficar tão realista e perder a ludicidade da ilustração para livros infantis.

    Assista ao vídeo abaixo para conhecer. 🙂

    Caso você tenha interesse, eu comprei esse livro aqui: https://amzn.to/4rkn4KH