Devo assinar minha ilustração?

Algumas pessoas me perguntam se devem ou não assinar suas ilustrações. Em geral, quando fazemos um trabalho para um livro, não costumamos assinar as ilustrações. Eu mesma não costumo assinar minhas ilustrações quando envio para serem publicadas num livro.

Nos livros que produzimos na Vivência do Ilustrador, eu deixo a critério do aluno.

Ilustração para o livro Cheiros, 2016

Há, de fato, ilustradores que são famosos, como o Ziraldo ou o Mauricio de Souza, que assinam seu trabalho. Porém, já chegaram ao ponto de celebridades, ou até mesmo são seus próprios chefes e eles que decidem.

Entretanto, há ilustradores que, embora suas obras sejam espetaculares, trabalham de modo praticamente anônimo. Às vezes, se um ilustrador trabalha com ilustração digital, fica ainda menos propenso a assinar. Isso talvez se deva ao fato de que muitas ilustrações digitais – sobretudo vetoriais – são entregues em arquivos abertos, sob solicitação do cliente, e outros ilustradores acabam alterando as mesmas, não se tornando mais trabalho de um só artista.

Por outro lado, aqueles que trabalham com ilustrações em técnicas tradicionais acabam tendo um viés mais ‘artístico’, e raramente um outro ilustrador bota a mão em suas obras. Obviamente, há exceções, mas em geral, é mais difícil alterar digitalmente – embora não impossível – uma ilustração feita com tinta ou lápis de cor.

Na minha opinião, ao entregar um trabalho para um cliente, não devemos assinar nossas ilustrações. Já imaginou um livro infantil com sua assinatura em todas as páginas? Cada caso é diferente, mas pode ficar exagerado e o cliente até pedir para o designer apagar, ou então isso acabar fazendo com que ele contrate outra pessoa para os próximos trabalhos.

Mas… quando assinar, então?

· Às vezes, na correria, eu nem lembro, mas eu acho que é bom inserir seu nome no canto da imagem quando postar suas ilustrações em redes sociais. Isso porque algumas pessoas podem compartilhar, ou ver somente a imagem sem ler o texto que acompanha, e é importante que passem a relacionar o estilo de ilustração com seu nome.

· Quando for vender seus originais. Lembre que, originais feitos com técnicas tradicionais são considerados obras de arte. Um original é algo único, raro, que tem muito valor.

· Em casos de ilustrações com tiragens limitadas. Exemplo: posters impressos em papéis especiais.

· Quando a sua assinatura agregar valor à sua ilustração. Uma vez que alguém fica muito famoso, qualquer obra sua passa a valer muito mais, o que faz com que a assinatura dê mais autenticidade à obra.

Como assinar?

Eu sugiro que seja pequeno e legível. Alguns artistas ficam com medo de postar, ou usam marca d’água. Mas isso acaba prejudicando a beleza da ilustração e, sinceramente, quem trabalha bem com Photoshop vai acabar conseguindo remover a marca d’água, se realmente quiser usar sua ilustração indevidamente.

Também sugiro usar seu nome não abreviado, pois é importante construir sua marca pessoal. Se for assinar mesmo, que seja legível, pois a quantidade de informação hoje faz com que ninguém fique mais que 2 segundos olhando algo. Imagine ter que decifrar garatujas.

Há artistas que colocam suas assinaturas escondidas na ilustração. Como não ficam visíveis, você acaba não se promovendo. Entretanto, creio que, se um dia precisar comprovar que é sua, pelo menos dá para dizer e mostrar que seu nome está lá. No entanto, nem sempre é fácil ‘esconder’ seu nome numa ilustração, embora não impossível.

Agora veja a ilustração acima e encontre meu nome. 🙂

Ilustrado final de semana!

Hábitos do Artista Produtivo – 1० Hábito

Tenho por hábito 😀 ler tudo quanto é livro e artigo sobre arte, desenvolvimento artístico pessoal, ilustração, empreendedorismo… Gosto muito de ler – e também assistir a vídeos que possam enriquecer o meu trabalho. Entretanto, confesso que ler é um grande prazer que tenho e, portanto, estou sempre em busca de novos livros ou textos que falem sobre a área de artes e ilustração. Sendo assim, já li e ouvi muito sobre os hábitos que uma pessoa “deveria” ter para ser um artista eficaz. Nem tudo que se fala funciona para todo mundo e, como já faz alguns anos que trabalho como ilustradora, algumas vezes eu concordo, outras eu discordo… 

Frequentemente recebo mensagens de pessoas que estão iniciando nessa área, e por isso resolvi comentar alguns desses hábitos aqui no meu blog. Meu objetivo é poder ajudar quem está começando, e certamente também aprender com essa troca de ideias, caso desejem comentar abaixo. 😉

A intenção não é fazer uma lista do que se deve fazer, mas sugerir algumas práticas que podem auxiliar o aspirante a ilustrador.

O primeiro hábito é algo muito simples. Simples mesmo, mas vejo que muita gente acha tão banal que não acredita que faça diferença. Mas faz. E muita.

1० Hábito: Desenhar diariamente

Sim, é verdade que a vida anda corrida, que temos muito o que fazer, que as mídias sociais tem tomado muito do nosso tempo. Vivemos sendo bombardeados por informações novas o tempo todo. Temos muitos compromissos e as demandas da vida moderna nos sobrecarregam.

Entretanto, é nesse mundo agitado que vivemos e, felizmente para alguns, infelizmente para outros, temos que nos habituar a isso. Todos temos famílias, familiares idosos ou enfermos, trabalho extra, sem falar no trabalho doméstico, que somente uns poucos privilegiados não precisam fazer. Certamente isso dificulta, mas uma alternativa é considerar o desenho como um compromisso.

Mesmo que você tenha um trabalho durante o dia, é possível separar algum momento para você desenhar ou pintar. Nem que seja por alguns minutos, é interessante fazer ao menos um esboço. Isso, é claro, se o seu objetivo for trabalhar com ilustração ou arte.

Você pode estar se perguntando: mas de que adianta fazer só um esboço? O objetivo aqui não é somente praticar, mas adquirir o hábito. Se você marcar num calendário um X a cada dia em que desenhar ou pintar, verá que você mesmo tende a não deixar um dia sem o X. Dá uma sensação de realização!

Imagine você olhar para o calendário do ano anterior e constatar que em todos os dias você fez algum trabalho em direção ao seu sonho? Além disso, estará construindo o seu portfólio!

Tudo que desejamos sempre requer um esforço. Um conhecido meu dizia – brincando – há alguns anos: “eu só quero vender minha arte na praia”. E eu sempre respondia a ele, no mesmo tom de brincadeira: “para vender sua arte, tem que fazer a arte.  Já começou a produzir sua arte?”  Há uma frase que gosto muito e que resume tudo isso que estou escrevendo:

E isso é verdade. Não é à toa que as escolas dividem as disciplinas em pequenos períodos de tempo. E também não é à toa que a dificuldade vai aumentando conforme vamos aprimorando o que já sabemos. No fim, algum resultado você obtém. 

Uma outra vantagem em desenhar diariamente é que “a prática leva à perfeição”. Quanto mais você faz alguma coisa, a cada vez você aprende ou aprimora alguma coisa em seu desenho. E assim, a cada dia você observa o seu progresso. Na verdade, vou falar mais sobre isso na semana que vem. Você pode começar marcando um horário específico para desenhar, ou então levar um bloco e lápis junto a você para que, naquele momento em que você aguarda alguma coisa (médico, ônibus, etc), você possa rabiscar.

E foi exatamente por isso que criei o Desafio Gratuito de Ilustração. Para que as pessoas criem a rotina de desenhar. Se você quer ser ilustrador, esteja no início ou em transição de carreira, tem que encontrar tempo para desenhar.

Como muita gente me escreve dizendo também que não sabe o que desenhar, ao criar o desafio, meu objetivo era resolver dois problemas: criar a rotina e saber o que desenhar. Basta se cadastrar que você vai receber, todos os dias, dicas e sugestões do que desenhar durante 30 dias. Gratuitamente.

Quem sabe esse não é o primeiro passo para um novo hábito? 😉

Bom final de semana!

#hábitosartistaprodutivo #ilustração

“VOCÊ AINDA NÃO ESTÁ PRONTO(A)…”

Olhe para os dois lados (Look both ways) é um filme que estreou na Netflix essa semana, e que mostra dois lados de uma situação. Na verdade, mais que dois lados, tenta mostrar como seria a vida da personagem em dois caminhos divergentes.

Spoiler Alert: Se você ainda não assistiu, vou falar um pouco sobre a história nessa postagem, então, perdoe-me por contar um pouco do que acontece. Prometo não contar o fim do filme e me ater somente ao necessário.

Eu confesso que o enredo me chamou muito a atenção, embora a história não tenha se desenvolvido de acordo com minhas expectativas, e eu esperava um outro final, mas a parte a respeito da carreira dela foi o ponto alto para mim.

Na minha opinião, não existem somente dois caminhos para cada situação, e a vida tem desdobramentos muito mais complexos que os retratados no filme, mas quero enfatizar algo que me chamou a atenção: a protagonista, Natalie, é ilustradora.

No filme, Natalie não trabalha ainda com ilustração, mas o sonho dela é trabalhar com Lucy Galloway, que é, diria eu, dona de um estúdio famoso de animação e, com alguma ajuda, ela consegue realizar esse sonho já no início do filme.

Porém, não como ilustradora, mas como assistente. Durante o filme, vemos pouco do que realmente acontece no estúdio, mas chega o momento em que Natalie pede para Lucy avaliar o portfólio dela.

Ao dar o seu feedback, Lucy diz a Natalie que ela tem talento, que tem boa perspectiva, boas sombras, mas que são pouco originais. Na minha interpretação, Lucy diz a Natalie que ela ‘não estava ainda pronta’ para ser uma ilustradora no estúdio dela. Que ela não era original, que não tinha a própria ‘voz’, que é algo que eles usam muito nos EUA (voice). Eu traduziria aqui como estilo.

O que acontece depois eu não vou contar. Mas é claro que essa decepção vai levar Natalie a passar por alguns estágios do luto da carreira que tanto sonhou: choque e negação – não acredito! -, raiva, depressão, aceitação ou integração e finalmente: transformação!

E é aí que vemos como funciona bem o processo de aprendizagem – não sei se já contei, mas tenho pós em Metodologia do Ensino Superior também.

Entre várias teorias, dizem que existem alguns estágios para aprendermos qualquer coisa.

O primeiro seria você copiar, que é o estágio onde o aluno imita o mestre, pois ainda não domina todas as ferramentas e técnicas.

O segundo seria onde o aluno experimenta, que, diria eu, era onde Natalie estava quando apresentou seu portfólio. Ela pegou o que aprendeu, fez alguma modificações, acertou e errou, tentou fazer sem copiar, mas ainda não havia colocado algo dela mesma no trabalho.

E o terceiro seria quando o aluno já dominou as técnicas, já experimentou, descartou o que não gostava, mexeu aqui e ali, incorporou novas ideias, e criou algo novo, que é só seu, e tem a sua própria ‘voz’ (estilo).

E creio que acontece na vida de muita gente aquele momento em que nos sentimos lá no fundo do poço, mas que é quando percebemos que precisamos tomar uma atitude, retomar a vontade de seguir em frente, agir e dar a volta por cima.

Desenhar e tentar fazer ilustrações e personagens similares aos que já são famosos acaba sendo algo muito interessante para aprender, mas é importante persistir, experimentar, e descobrir o que é seu. Tentar várias técnicas, tentar usar ferramentas diferentes, colocar a mão na massa.

Dias atrás ouvi que nem sempre o melhor é o que tem mais sucesso, mas aquele que é diferente. E, seja bom ou seja ruim, às vezes isso é verdade.

Em ilustração, ser diferente é algo que pode levar você a se destacar no meio de tantas pessoas que tentam dominar o que já existe. Porém, para inventar algo novo, creio que é importante aprender muito do que já existe, para não perder tempo inventando novamente a roda. Aprender com outras pessoas pode ser um atalho para você chegar onde quer muito antes.

Mas não é só isso que o filme me trouxe. Trouxe também uma lembrança de algo que aconteceu comigo, quando comecei nessa carreira, há muitos anos.

Sei que é importante não só contar o que acontece de bom com a gente, mas também mostrar as dificuldades que passamos, para inspirar quem ainda não iniciou. Para saberem que temos que perserverar, não desistir e, principalmente, buscar aperfeiçoamento.

Depois que me formei na Accademia di Belle Arti e voltei para o Brasil, procurei clientes para apresentar meu portfólio. Eu tinha acabado de fazer um curso de aperfeiçoamento em ilustração infantil e tinha sido maravilhoso. Isso já faz muuuuito tempo. Foi logo que comecei a ilustrar.

Indicada por uma conhecida, entrei em contato com uma escritora com vários livros publicados. Ela achou o meu trabalho maravilhoso, e até começou a produzir um livro para que eu ilustrasse para ela. Confesso que fiquei exultante em saber que meu trabalho tinha inspirado alguém a produzir um livro.

Assim, nos dias que se seguiram, trocamos muitos emails e – naquele tempo – não tinha ainda o Whastapp, então usávamos também o Messenger do Facebook que, na época, nem tinha esse nome.

Enfim, conversamos bastante, perguntei exatamente o que ela queria, fiz até alterações, por mais difíceis que fossem, pois queria muito agradar à minha cliente.

Para apresentar melhor meu trabalho para a editora, pedi um trecho do livro para a escritora (eram contos infantis) e ilustrei três deles.

Fiz o meu melhor. Caprichei na composição, no desenho, na técnica e… enviei para a escritora, que iria levar na editora, junto ao texto dela.

Alguns dias depois, a escritora me respondeu que tinha ido até a editora (tempos um pouco menos virtuais do que hoje) e apresentado o trabalho – meu e dela, e que eles tinham gostado muito da ideia do livro, e que tinham interesse em publicar. No entanto, quanto a mim, a notícia não era tão boa: acreditavam que eu ainda “não estava pronta” para ilustrar um livro.

Essa ilustração não é parte daquele projeto, mas achei que reflete
bem o estado de ânimo que a gente fica quando perdemos um trabalho.

Confesso que doeu bastante e que fiquei bem decepcionada. Uma grande chance desperdiçada. Me senti no fundo do poço.

Ela também me contou que eles já tinham alguém em mente para ilustrar o livro dela, o que de fato aconteceu mesmo.

Quando eu vi quem tinha ilustrado, fiquei até um pouco aliviada, pois era alguém que estava muito em evidência e, acredito eu, daria mais visibilidade ao livro. Daí o motivo de não terem me escolhido.

Na verdade, a pessoa que ilustrou já tinha uns 30 anos de experiência, fazia um bom trabalho, tinha um estilo diferenciado e era famosa por suas artes.

Pensar que não fui trocada por alguém ‘normal’, mas uma pessoa já bem estabelecida na área serviu para me consolar de que eu não era tão ruim assim. Perdi um trabalho, mas pelo menos perdi para uma ‘celebridade’. (Ok, ok, vai que eu não fazia tão bem assim… mas deixa eu me iludir nessa questão. Rsrs!).

Enfim, isso me marcou muito. E me ajudou a perceber que, não é como dizem por aí, que basta você desenhar, fazer um curso superior de artes, ou então só saber vender, mesmo que você desenhe ‘bonecos-palito’.

Verdade! Já ouvi gente dizendo que é só o marketing que faz vender o seu trabalho, que você não precisa nem saber desenhar.

Mas… será mesmo?

Veja o meu caso: eu tinha a história, o autor, a editora… e mesmo tendo feito cursos de arte e especialização na área de ilustração de livros infantis, ainda assim não consegui o trabalho.

Voltando à nossa história, já faz tempo que isso aconteceu, eu era iniciante e não conhecia tudo o que sei hoje sobre ilustração.

Foi necessário uma decepção como essa para eu perceber que não bastava desenhar, ter técnicas, ter o cliente. Havia outras coisas que eu tinha que aprender ainda.

E corri atrás. Corri atrás e aprendi tanto que agora não dou mais conta de atender a todos que me pedem orçamento.

Com o tempo fui percebendo que não basta somente saber desenhar, não basta somente saber técnicas, não basta ter somente ter contatos, ou saber divulgar e vender seu trabalho. É um conjunto de todas essas coisas – e talvez algumas outras – que faz com que você seja bem sucedido.

Como eu já mencionei aqui antes, o sucesso é a soma do preparo mais a oportunidade.

Não adianta saber fazer tudo direitinho e não ter oportunidades. E também não adianta ter só oportunidades e não ter um bom trabalho.

Então, para ser bem sucedido na área de ilustração, e principalmente o meu nicho, ilustração infantil, você tem que ter um trabalho BOM, de qualidade.

Aprendi isso a duras penas, e acho que muita gente passa anos batendo a cabeça – como eu – até aprender. Mas quanto tempo desperdiçado!

Estamos num processo de eterna aprendizagem. E há áreas que, se você não se atualizar, a sua graduação não servirá por muito tempo. Tecnologia da Informação é uma delas. Quem se formou há dez anos, se não estiver no campo de batalha, ou aprendendo diariamente, verá seu conhecimento se tornar praticamente obsoleto.

Eu mesma sou graduada em Administração, depois fiz uma pós em Marketing, uma pós em Metodologia do Ensino Superior, então resolvi correr atrás do meu sonho: me formei em Belas Artes na Itália, e fiz mais alguns cursos de aperfeiçoamento em ilustração infantil, na Itália e na Inglaterra.

O que quero dizer com isso: para estarmos prontos para o mercado de trabalho, temos que nos preparar e estar sempre atentos às mudanças. Todo dia tem alguma novidade.

Estudar, praticar, desenhar, aprender novas técnicas, aprender a apresentar seu trabalho, mostrar expertise, demonstrar que conhece o processo… tudo isso é importante para que, quando surgir a oportunidade, estejamos preparados e não tenhamos que ouvir: “Você ainda não está pronto”.

Um excelente final de semana!

Processo de Impressão de Livro Infantil

Muita gente não tem ideia do trabalho e da quantidade de pessoas que se envolvem na produção de um livro infantil.

Por isso, fiz um video curtinho – 2 minutos – mostrando algumas etapas. Não todas, porque como são muitas pessoas envolvidas, não estive presente em todas.

Entretanto, acompanhei o processo de impressão de meu último livro, A Princesa Naselda, escrito e ilustrado por mim.

Em outubro, faremos o lançamento na Biblioteca Pública do Paraná! Darei mais informações em breve (data, horário e programação).

Espero que curta!

BIENAL… E DIZEM QUE BRASILEIRO NÃO LÊ?

Depois de muitos meses trancados em casa, mais de um milhão de pessoas decidiu ir à Bienal do Livro de São Paulo.

E também eu tive essa grata oportunidade: depois de muito tempo sem ir a eventos presenciais dessa magnitude, meu marido e eu optamos por ir à Bienal no penúltimo dia.

Morando em outro estado, é claro que compramos nosso ingresso antes. E ainda bem, pois foi isso que nos permitiu poder entrar na Bienal. Antes mesmo de terminar o evento, os ingressos esgotaram. A expectativa era de 600 mil pessoas, mas antes de acabar, já tinham vendido mais de 1 milhão de ingressos.

Chegamos lá no sábado depois do almoço, já que viajamos de carro. Uma multidão de pessoas se dirigia ao pavilhão.

Já na entrada, a Bienal se mostrava caótica. Gente pra todo lado, fileiras e fileiras de separadores para que as pessoas fizessem fila para entrar.

Lá dentro, toda aquela maravilhosa agitação em torno de um objeto milenar, que há muito tempo fascina as pessoas: o livro.

Passeando pelos corredores abarrotados de gente, filas para entrar nos stands, filas para pagar pelos livros, filas para ter os livros autografados, me veio à mente a pergunta: será que brasileiro realmente não lê?

O mercado literário está animado. Visitei alguns stands, comprei alguns livros infantis – pelo menos nos stands onde consegui entrar. Porque não teria tempo hábil para ficar em todas as filas. Era o penúltimo dia da Bienal. Nem imagino como foi no domingo.

Ver que, mesmo com a publicação digital, o livro impresso permanece um objeto tão valorizado me encheu de alegria. Há muito potencial de vendas, e está crescendo cada vez mais.

Creio que, embora venham tecnologias diversas e entretenimento de todos os tipos, o livro permanece atemporal, pois armazena ideias, histórias, fonte de incentivo e soluções, que traz informação, entretenimento e, por que não dizer, relacionamento. Afinal, quem não gosta de bater papo sobre um bom livro? E quantos filmes não são originados por um bom livro?

E teria valido a pena ir à Bienal só por esse fato. Mas a ‘cerejinha do bolo‘ mesmo foi ver meus livros nas prateleiras, encontrar pessoas com as quais só falei por email – editores e funcionários – poder abraçar novamente… enfim, ponto alto do meu mês de julho. 🙂

Já estou contando os dias para o próximo evento literário! E você, vai também?

No stand da Editora Paulinas, com alguns livros ilustrados por mim.

MANDAMENTOS DO ILUSTRADOR DE LIVROS INFANTIS

1. Digitalizarás a ilustração profissionalmente

Nessa era do smartphone, todo mundo tira fotos, edita e digitaliza documentos pelo celular. Porém, o celular não é o aparelho adequado para fazer a digitalização de uma imagem que será impressa graficamente. O ideal é usar um aparelho profissional, o scanner. Caso não tenha scanner em casa, há empresas que fazem esse trabalho e não custa mais que 10 reais. Se de fato queremos trabalhar com ilustração, devemos atuar profissionalmente.

2. Jamais utilizarás o Whatsapp no processo de digitalizar ou enviar a ilustração

O whatsapp diminui a resolução da ilustração, mesmo que tenha sido feita em scanner profissional. A imagem que você faz em A4 vai ficar do tamanho de uma figurinha depois que você enviar pelo Whatsapp.

3. Entregarás a ilustração no formato solicitado

O melhor formato para entregar sua ilustração é em jpg de 300 dpi. Por que isso?

Porque o jpg compacta o arquivo de imagem, fazendo com que não fique tão pesado, mas ao mesmo tempo não perde em qualidade.

A resolução mínima para a impressão de uma imagem é 300 dpi, pois o processo gráfico é diferente de uma imagem vista na tela. Caso contrário, a imagem poderá ficar pixelada.

4. Não usarás tinta dourada ou metálica nas ilustrações

Alguém pode argumentar: mas existem impressões com tinta dourada. Sim, de fato, mas não é que seja proibido. O problema é que, no processo gráfico, esse tipo de tinta não pode ser reproduzido pela impressora Offset. Tem que ser um processo adicional, que encarece muito a produção do livro infantil.

Por isso, ao usar esse tipo de tinta numa ilustração, pode dar a impressão de que desconhecemos o processo.

5. Jamais atrasarás a entrega de um trabalho

Não é porque trabalhamos na área considerada ‘artística’ que não devemos seguir prazos. Um ilustrador freelancer, se não seguir prazos, certamente não vai durar muito pouco no mercado de trabalho.

Eu vejo que muita gente quer trabalhar com ilustração. E às vezes me pergunto: será que querem mesmo ou será que é apenas porque pens

am que vão ganhar dinheiro com um passatempo?

A verdade é que tem gente que, depois que vê como é preciso se dedicar e produzir, já não tem mais tanto interesse.

Sim, trabalhamos com o que amamos, mas há aqueles que dizem que querem trabalhar com ilustração, mas não se dedicam, não estudam, não se aperfeiçoam… e depois querem saber por que ninguém reconhece o talento deles.

Então, quando for ilustrar, planeje seu tempo para fazer o trabalho dentro do prazo estabelecido. Isso é importante, pois há clientes que preferem ilustradores que nem são tão ‘talentosos’, mas em quem podem confiar, e que vão entregar o trabalho na data prometida.

Lembre-se: dezenas de pessoas – uma equipe inteira – só estão dependendo do seu trabalho para começar o delas. Se você atrasar, quantas pessoas vão atrasar o trabalho delas também?

6. Não usarás materiais de baixa qualidade

Sim, entendo que materiais artísticos custam caro. Mas tudo custa.

Em qualquer profissão, você tem que investir em equipamentos, roupas, uniformes, etc… Um terno pode custar a mesma coisa ou muito mais que uma caixa de lápis de cor de qualidade.

Uma frigideira profissional, por exemplo, custa muito mais caro que vários materiais artísticos.

As pessoas investem muito mais em outras coisas que em materiais artísticos ou cursos de aperfeiçoamento. Tinta e lápis de cor podem parecer investimentos ‘fúteis’, porque estão associados a lazer. Mas duram muito, e investir em materiais de qualidade vai fazer com que o seu trablho tenha um resultado profissional e com que tenha mais clientes, gerando assim mais renda e também um fluxo constante de clientes.

7. Jamais colocarás data na ilustração.

Após um ano vai parecer velha – e ultrapassada. E isso só por causa da data.

O mesmo pode se aplicar à assinatura. Evite assinar em toda ilustração. Embora seja uma obra sua, os clientes não querem sua assinatura em tudo que pedem pra você fazer. Pergunte antes ou fique muito muito famoso. Aí sim os clientes vão querer mais a sua assinatura que o seu trabalho artístico.

8. Não copiarás o trabalho de outro profissional

Tenha seu estilo, tenha personalidade, seja único! Ser diferente às vezes tem mais repercussão do que ser o melhor.

Você pode até olhar referências para se inspirar, mas faça do seu jeito. Você quer ser conhecido pelo seu próprio nome ou como ‘discípulo de’?

9. Sempre deixarás espaço para o texto!

Quando fazemos uma ilustração, a mesma é baseada num texto. E parte desse texto vai na página. Não podemos ilustrar a página toda sem deixar espaço para o texto.

Onde a editora vai colocar o texto se o seu desenho estiver tomando a página toda?

10. Não te satisfarás somente com o bom

Busque melhorar, aprenda mais, veja o que fazem os ilustradores que tem bastante trabalho. Será que eles não tem um algo a mais que somente o ‘talento’?

Não entendo por que quem desenha não tem interesse em se aperfeiçoar? Não é melhor fazer aprender coisas diferentes com outros profissionais? Por que nos resignamos ao fato de que basta ‘talento’ quando se trata de arte? Por que não buscar aperfeiçoamento?

Dedique-se. Continue a se aperfeiçoar e não ache que talento basta.

O trabalho do ilustrador é muito recompensador. É maravilhoso receber seu livro pronto e ver como ficou o resultado.

Mas não podemos parar. As tendências vem e vão, e temos que nos atualizar. E quanto mais soubermos sobre o assunto, mais chances teremos de conseguir trabalhos e viver fazendo o que amamos.

Muita gente me fala que basta ter talento para ser ilustrador. Eu não nasci desenhando. Todo bebê faz as mesmas garatujas. Nunca ouvi que alguém tenha nascido, deram um lápis para ele o bebê já desenhou igual a um Michelângelo.

Sim, algumas crianças desenham melhor que outras, mas isso é porque se interessam mais pelo assunto, passam mais tempo praticando, ainda que como lazer.

Bem como as crianças que jogam futebol desde pequenos. Treinam muito, aprendem fazendo, aplicando, e isso despretensiosamente, fazendo com que melhorem a cada dia, tendo prazer em melhorar por si próprios. Prazer em conseguir fazer algo melhor a cada dia.

Ainda assim alguns jogam melhor que outros, alguém dirá. Mas basta ver como é o treinamento de atletas nos EUA que vemos que ‘campeões’ são fruto de muito treino, disciplina e aquisição de habilidades.

E assim pode ser com o ilustrador também: disciplina, prática e aperfeiçoamento.

Para criar uma rotina diária, inscreva-se no Desafio Gratuito de Ilustração.