Materiais Artísticos são Caros?

Quando temos o sonho de trabalhar com arte, a primeira coisa que assusta é o custo dos materiais artísticos.

De fato, materiais de qualidade são realmente um investimento.

Entretanto, é fato que o resultado final de nosso trabalho será impactado pela qualidade dos materiais que usamos.

Lápis de cor, por exemplo, tem uma diferença incrível quando você usa algo que tem qualidade. A pigmentação é mais intensa, a mina costuma ser mais macia, e não é preciso fazer esforço para colorir.

Tintas também. Quando usamos materiais mais baratos, percebemos logo que não conseguimos efeitos que vemos em trabalhos de outros artistas ou ilustradores.

Meus alunos costumam me perguntar como faço alguns efeitos. Alguns me escrevem e enviam seus trabalhos. Porém, o tipo de tinta interfere imensamente no resultado do trabalho também.

Existem materiais escolares, de hobby e os chamados artísticos ou profissionais.

Os materiais escolares são geralmente os mais em conta. São mais baratos, tem pouca pigmentação, e como uma aluna comentou: ‘agora eu sei porque passava tanta raiva ao pintar com lápis de cor’. Porque as cores são “apagadas” e é preciso apertar muito para conseguir preencher um pouco do papel com eles.

Já os materiais de hobby são um pouco melhores. Há, por exemplo, lápis de cor de muita qualidade nessa área. Os lápis GoldFaber, da Faber Castell, segundo a própria fabricante, se enquandram nessa faixa. São excelentes, na minha opinião.

E há os profissionais, como os Aquarelle, da Caran d’Ache, que são os top de linha.

Porém, não é necessário investir num lápis de cor tão especial. Existem alternativas mais econômicas, que tem um resultado muito bom. Confira lá no fim algumas alternativas mais em conta.

Tem muita gente que diz: “Ah, eu não vou pagar esse valor numa caixa de lápis de cor. É muito caro”.

Será que é mesmo?

Eu vejo da seguinte maneira: o investimento que o ilustrador faz o ajuda a produzir ilustrações. Se isso possibilita que ele tenha retorno financeiro, por que não investir em algo assim?

Se formos reparar bem, quando alguém trabalha como padeiro, tem que investir nos insumos, num forno, numa batedeira, numa geladeira… se realmente for um profissional.

Um advogado tem que investir em roupas melhores, um laptop, um celular muito bom, e em muitos livros. Sem falar nas taxas e registros. Só de exame da OAB, tem que pagar 260,00 reais. Se ele passar, não precisa pagar isso. Mas se não passar, quantas vezes vai ter que pagar esse valor? Isso sem falar nas anuidades da classe.

Um médico tem que investir nos equipamentos, aparelho de pressão, estetoscópio, móveis, maca, sem falar no aluguel do consultório e a anuidade do CRM.

Um lojista tem que investir na loja, no aluguel, em prateleiras, etc… sem falar no estoque, que ele nem sabe se vai vender. Funcionários, taxas e impostos…

Enfim, pensando assim, se comprarmos um lápis de cor profissional, mesmo que seja caro de início, quantos anos vai durar? Muitos anos, pois usamos uma só pontinha dele para pintar uma parte no papel. 

Pensando nisso, o investimento acaba sendo bem em conta, pois só vamos usar lápis e papel. 

Enfim, eu tenho várias caixas de lápis de cor. O investimento que fiz foi pequeno em comparação com o retorno que eles já me deram.

Para finalizar: se alguém deseja levar a sério a profissão do ilustrador, tem que ter pelo menos um investimento mínimo em bons materiais.

Abaixo indico alguns lápis de cor aquareláveis que tem excelente qualidade e um custo médio.

Goldfaber, da Faber Castell  –  https://amzn.to/2WJChLz

Mondeluz – https://amzn.to/3h1r3ct

Staedtler Karat – https://amzn.to/2Ylc4Ul

Lyra – https://amzn.to/3DVbTzF ou https://amzn.to/3n0fDtq

Faber Castell Albrecht Dürer – https://amzn.to/3n8WNQK

Não fique contente

Algo recorrente que noto na maioria das pessoas que começam a desenhar e ilustrar, é que buscam um resultado satisfatório desde a primeira tentativa. E quando não o conseguem, acabam por desistir acreditando que não sabem desenhar.


Fato é que os desenhistas não desenham sempre bem. Desenham mal também. Às vezes, estamos desenhando algo e, como já falei aqui antes, o cérebro manda e a mão não obedece. A linha fica torta, os olhos ficam grandes ou pequenos demais, o nariz fica no lugar da boca… enfim, é muito comum que isso aconteça.


Quando temos que escrever algo como uma redação, é comum que o façamos uma vez, aí lemos e revisamos. Depois lemos e relemos várias vezes até que fique do jeito que queremos. Reescrevemos parágrafos, mudamos o que estava no começo para o fim, e vice versa. Não é verdade que temos até uma folha para rascunho, a fim de passar para a folha final somente depois que estiver pronto?


Com um desenho é mais ou menos a coisa. Temos que fazer um rascunho, definir as linhas, esboçar detalhes, e somente depois de um tempo que vamos ajustando o que queremos. É preciso desenhar e redesenhar muitas vezes para que algo fique do jeito que a gente quer.


Há alguns meses eu comentei aqui sobre o mesmo assunto. Porém, ainda assim, essa é uma das queixas que mais ouço de leitores e alunos. “Não ficou bom” da primeira vez, “não gostei desse detalhe”, “não gostei das cores” e por aí vai.


Para mim, a solução é bem simples: redesenhar. Talvez seja mais trabalhosa, reconheço. Mas se queremos trabalhar com ilustração, não devemos ficar incomodados de desenhar e desenhar e desenhar. Um aspirante a ilustrador tem que estar disposto a trabalhar em seu desenho várias vezes, mesmo porque alguns clientes pedem alterações. Em outras profissões, as pessoas repetem muitas coisas. Por que com o ilustrador seria diferente?


Por isso, não fique contente com a primeira tentativa. Tente mais vezes, coloque a folha que desenhou contra a janela – ou sua mesa de luz – e redesenhe somente o que gostou na primeira tentativa. O que não gostou, vá modificando. Pode ser um método trabalhoso, mas funciona bem.


E para finalizar, pense: o processo de desenhar, colorir, enfim, ilustrar é muito prazeroso. Fazer linhas e sombras é algo até terapêutico.


Separe um tempo para trabalhar no seu desenho e, caso o resultado não fique a contento, também não fique contente com ele e modifique-o. Faça-o pelo processo de produzir e criar. Faça dele o seu contentamento. 🙂


Um ilustrado final de semana para você!

Roughs – Rafes

O que são os Roughs?

Também muito usada a palavra ‘rafes’, roughs são os esboços ou rascunhos das ilustrações, na maioria das vezes feitos a lápis.

Para que servem os rafes?

Cada pessoa que lê um texto imagina de um jeito. O editor, quando solicita um trabalho de ilustração, não tem ideia do que você está pensando. Como ele terá segurança de que o resultado final do seu trabalho irá de encontro às expectativas dele?

Quando recebo uma solicitação de orçamento, geralmente eu já estabeleço nas ‘condições’ que entregarei os rafes alguns dias depois de ter assinado o contrato e que, após a apreciação dos mesmos, as ilustrações não poderão ser mais alteradas sem ônus.

O tempo de qualquer profissional, inclusive o ilustrador, é precioso e não podemos ficar alterando ilustrações prontas. Temos que passar para o próximo trabalho (ou prospecção, tratativas, negociação) pois é assim que pagamos nossas contas. Apesar de muitos pensarem que o ilustrador passa seus dias ‘rabiscando, desenhando, pintando’, isso não quer dizer que você deva trabalhar de graça.

Voltando aos rafes: Para entrar num acordo e não ter que mudar uma ilustração inteira na última hora, eu sempre faço os rafes a lápis de cada página. Digitalizo essas imagens, monto um arquivo com as mesmas, insiro os trechos do texto referentes às imagens e envio esse arquivo (em formato pdf) para a aprovação da editora (Isso dá trabalho, mas também já me rendeu benefícios!).

Com esse arquivo, o editor não só visualiza como vai ficar o livro, como também tem a certeza de que você pensou em tudo e que não vão faltar páginas para itens importantes como os créditos e a folha de rosto, nem espaço para o texto em cada ilustração. Esse arquivo é muito útil para o diagramador, que não terá dúvidas sobre o que fazer com o texto e a ordem das ilustrações. Somente a partir do momento em que tiver um feedback do cliente, por escrito (no mínimo por e-mail), passo a trabalhar nas ilustrações do livro. Na ilustração digital, é comum os editores solicitarem mudanças depois da mesma pronta, porém, numa ilustração feita com tinta acrílica, é praticamente impossível fazer alterações sem prejudicar a imagem final.

Portanto, o rafe é importantíssimo para o trabalho do ilustrador. Certamente há ilustradores que trabalham de outro modo. Mas eu prefiro ter o aval do cliente antes de me dedicar horas a uma ilustração e no fim ter que alterar porque não passou pelo crivo do editor. Posso dizer que nem lembro de ter feito grandes mudanças em algum rafe até agora, mas isso não quer dizer que eu vá mudar o meu ‘modus operandi’. Prefiro continuar a fazê-los de modo a ter segurança de que a ilustração que estou fazendo não terá que ser refeita e que a editora sabe exatamente o que vai receber.

Outro aspecto muito importante do rafe é o que ele representa para o ilustrador. Um esboço nos ajuda a trabalhar sem a pressão da certeza.

O que quero dizer com isso? Você pode criar livremente, errar, sem ter que se preocupar em entregar aquele trabalho. Pode refazê-lo e modificá-lo quantas vezes quiser, pode riscar e rabiscar por cima. É o que nos ajuda a desenvolver a ilustração. Enquanto desenho pensando no texto, também faço anotações de outras alternativas (cabelo, penteados, tipos de roupa, cor do fundo, pequenos detalhes no ambiente e nas roupas, características das pessoas, onde ficará o texto…). 

Geralmente bem simples, abaixo alguns exemplos do como são os meus rafes.

Tipos de papel que eu uso para fazer os rafes (clique na imagem para saber preços e detalhes).

ANATOMIA & ILUSTRAÇÃO INFANTIL

Quando se trata de desenho do corpo humano, saber desenhar os músculos e proporções corretas é algo desafiador para a maioria das pessoas.

Em muitas faculdades, estudamos anatomia artística por vários anos, às vezes em todos os anos. Esse foi o meu caso. Tive Anatomia como disciplina pelos 4 anos de minha graduação em Belas Artes. Veja alguns estudos que fiz durante esse tempo.

Desenhos que fiz enquanto estudava Belas Artes em Veneza.

As proporções, ossos e músculos são algo fascinante. E muito necessário em alguns campos da área artística.

Entretanto, quando se trata de ilustração infantil, a anatomia não precisa ser perfeita. Vejo muitos aspirantes a ilustrador bastante preocupados com isso.

Mais que uma mão bem desenhada, o que importa em ilustração infantil é que a criança se relacione com a imagem e compreenda a mensagem que ela quer passar. Que suscite emoções, sentimentos, reflexões e até mesmo a deixe intrigada. Que desperte a curiosidade e outros interesses. Que se relacione com a imagem, que construa seu pensamento crítico e que aquilo tenha significado para ela.

A ilustração infantil é, na maioria das vezes, a primeira forma de arte que a criança tem acesso.

Como já falei aqui, a ilustração é uma arte narrativa. Ela conta uma história, transmite uma mensagem, traduz uma ideia ou conceito. É, enfim, uma arte que ‘ilustra’ algo. Geralmente vem acompanhada de um texto. Quando não vem, ela própria se faz ‘narrativa visual’.

São muitas as pessoas que acham que somente desenhar basta para ser ilustrador. Mas alguém pode fazer uma linda obra de arte e não conseguir passar a ideia nem contar a história que deveria.

Há, sim, áreas da ilustração em que anatomia artística perfeita é necessária. Livros para crianças maiores – e não mais ilustração infantil – pedem personagens mais realistas. Mas quando se trata de ilustração para crianças pequenas, a sua imaginação é o limite.

Vejamos uma ilustração do ilustrador francês Christian Voltz. O quanto de anatomia artística há nela? Não é impressionante o quanto ele consegue contar? Note as expressões dos personagens, seu sentimentos…

Ou então a ilustração de Cécile Gambini?

Enfim, não estou dizendo que a anatomia não é importante. É sempre bom saber como é o corpo humano para ilustrar. Mas o fato de não desenhar o mesmo com perfeição não pode ser um impeditivo para que você deixe a sua imaginação aflorar e criar suas ilustrações.

Existe uma frase atribuída a Pablo Picasso, que diz:

⁠Aprenda as regras como um profissional, então poderá quebrá-las como um artista.

Note que interessante: a ideia dessa afirmação é de que o artista teria o direito de quebrar regras. E nós, como ilustradores, somos artistas.

Não é à toa que existe o termo ‘licença poética’. O poeta, como artista da palavra, teria o direito de ‘cometer erros’ de ortografia e gramática para poder se expressar como deseja.

Veja o que diz o dicionário Houaiss:

Licença Poética: liberdade de o escritor utilizar construções, prosódias, ortografias, sintaxes não conformes às regras, ao uso habitual, para atingir seus objetivos de expressão.

Assim, nós também, como artistas, temos o direito de ter a nossa ‘licença artística’, que se trata da distorção de algumas regras, como elementos de anatomia e perspectiva, a fim de poder criar uma imagem que transmita melhor a ideia que queremos expressar.

Para finalizar, a afirmação de Sophie Van der Linden, no livro “Para ler o livro ilustrado”: o “livro ilustrado é uma forma original, livre e que, felizmente, permanece em parte inapreensível” e “que escapa a qualquer tentativa de fixação de regras de funcionamento”. (Clique AQUI para conhecer o livro).

Um ilustrado final de semana!

Live! Ateliê Ilustre

Na sexta feira passada, minhas alunas e eu nos reunimos numa live para falar sobre o livro Doces Ilustres.

Elas falaram sobre como foi o processo de ilustrar e também sobre a experiência de trabalhar como ilustrador. Confira!

CONTRATO EM ILUSTRAÇÃO É REALMENTE NECESSÁRIO?

Quando eu morei na Suécia, procurei associações onde pudesse me filiar para aprender mais sobre o mercado de ilustração do país.

Encontrei o IllustratörCentrum – Associação dos Ilustradores Suecos, entrei em contato com eles e, mesmo não falando a língua sueca na época, me responderam que, caso eu desejasse participar, teria que comprovar que era ilustradora profissional.

A comprovação, segundo eles, era que eu tivesse ‘invoices’ de trabalhos anteriores. A ‘invoice’ seria similar à Nota Fiscal aqui no Brasil.

No entanto, no Brasil, o ilustrador nem sempre trabalha com notas fiscais. Primeiro porque o ilustrador é – ou deveria ser – considerado autor da imagem que produziu.

Mesmo que ele esteja trabalhando com um texto de outra pessoa, é ele quem está produzindo uma narrativa visual, e é algo que ele mesmo criou, não o autor do texto. Na Itália, por exemplo, tanto o autor de texto como o de imagem aparecem na capa do livro com o mesmo tamanho de fonte, geralmente um à esquerda e outro à direita na capa. Ambos são considerados autores – coautores – do livro infantil.

Embora no Brasil nem sempre o nome do ilustrador tenha o mesmo destaque do autor do texto, somos considerados autores de imagem. Por isso, aqui em nosso país, quando se trata de ilustração infantil, o ilustrador trabalha com um Contrato de Cessão de Direitos Autorais.

Em raros casos, a nota fiscal é necessária, como por exemplo para o caso onde a editora precisa da mesma para um livro que faz parte de algum edital.

Mas, voltando à Suécia, enviei a eles os contratos de trabalho que tinha, comprovando que trabalhava, de fato, como ilustradora, e fui aceita como membro imediatamente.

Por que estou contando isso?

Porque nem sempre o ilustrador se preocupa em fazer um contrato. Às vezes, ao iniciar a carreira, fica com receio de que um contrato ‘espante’ o cliente, ou não sabe como fazer, quais são seus direitos, ou não tem tempo para isso.

Porém, um contrato de trabalho, em nossa profissão, é imprescindível. Ele é a sua garantia.

Uma vez assinado entre as partes, garante os seus direitos de receber pelo que fez, de que receberá dentro do prazo, de que será reconhecido como autor da ilustração, sem falar no fato de que – sem um contrato – o ilustrador nem sempre é visto como um profissional, como já mencionei acima.

Além disso, para o cliente, garante que ele pode realmente publicar a reprodução da sua ilustração, que você vai entregar o trabalho no prazo, e mostra a ele que você de fato é um ilustrador profissional. É bom para ambas as partes.

Quanto ao medo de ‘espantar’ clientes, se um cliente tem medo de fazer um contrato – e isso já aconteceu comigo – significa que esse não é o tipo de cliente que você quer. É o tipo de cliente que foge da responsabilidade e que, ao não querer assinar um termo de compromisso entre as partes, não tem boas intenções na minha opinião.

O cliente que tive, editor de uma pequena editora, que não queria assinar meu contrato, e acabou me dando muito trabalho (e não no bom sentido). Pediu um orçamento para 8 ilustrações e, no meio do caminho, depois de acertado o preço, pediu para fazer o dobro de ilustrações pelo mesmo valor. Quando não aceitei, me destratou e, por fim, acabei por não dar continuidade.

Ele me pediu para reconsiderar, mas como ele mesmo não tinha assinado o contrato, não tínhamos vínculo, e eu não era obrigada a finalizar o trabalho. Perdi um pouco do meu tempo, mas ganhei muito em aprendizado. Espero que ele também tenha aprendido alguma coisa. 🙂

Por isso, mesmo que esteja iniciando, não trabalhe sem um contrato.

Um ‘ilustrado’ final de semana para você!

Materiais Básicos Para Iniciar

Frequentemente recebo perguntas a respeito da técnica que eu uso para ilustrar, que é o acrílico sobre papel. Uma das perguntas que mais recebo é: quais os materiais que preciso para começar?

Eu uso tinta acrílica profissional, pois já atuo há anos na área. Gosto em especial da Maimeiri e da Liquitex. Porém, se você está começando, aí vão alguns materiais que eu indico para iniciar, pois o custo deles não é tão alto.

A tinta acrílica varia muito em função de marca e também da finalidade. Há tinta acrílica para parede, para artesanato, para hobby, para estudantes e profissionais. Geralmente encontramos na embalagem a finalidade, além da marca.

Quando você vê nomes que lembrem ‘simples’, hobby, student, etc, são tintas que tem materiais mais baratos em sua composição, portanto, custam menos. São ideiais para começar na profissão, pois não tem um custo tão alto e você não fica com medo de usar. De nada adianta investir em algo caro e ficar guardado. Eu mesma fico com pena de usar os materiais que paguei caro. Porém, às vezes acabam estragando com o tempo mesmo sem uso.

Depois de um tempo, sugiro que vá adquirindo tintas de mais qualidade (eu falo sobre isso no meu curso), pois há efeitos que são mais fáceis de realizar com tintas profissionais.

Enfim, para ajudar, fiz uma lista dos materiais que eu compraria se começasse hoje. Esses materiais tem um bom custo x benefício. Não são exatamente o que uso atualmente, mas o foco aqui é ter um kit básico para começar.

  • Papel – Eu uso sempre papel de gramatura 300g/m2 e compro o que tem melhor custo x benefício, pois o acrílico é uma técnica molhada e precisa de um papel encorpado (Veja o preço)

  • Pincéis – Uso os mais em conta, de vários tipos, pois como uso bastante, estragam rápido. Abaixo alguns que eu tenho ou compraria.
  1. Pincel sintético (Preço)

2. Pincel Liner para detalhes (Preço)

3. Pincel para espalhar a tinta e fazer fundos (Preço)

4. Pincel chato (Preço)

5. Pincel chato (Preço)

6. Conjunto de pincéis (Preço) – Boa quantidade de pincéis pelo preço que oferecem. Não os comprei nem usei ainda, mas estão na minha lista. 🙂

7. Pincéis de cerdas duras – uso bastante esses pincéis amarelinhos. Compro os mais baratinhos e são ótimos, porque em geral tem um custo bem baixo (Preço).

8. Compro eles em vários tamanhos (Preço)

  • Lápis de cor

Eu uso lápis de cor para acrescentar detalhes às minhas ilustrações. Aí a preferência é muito pessoal. Eu gosto muito do Caran d’Ache e do Prismacolor (americano), mas o custo aqui pode ser bem alto, infelizmente. Então, eu sugiro algum dos lápis abaixo, de marcas reconhecidamente boas. Vale lembrar que lápis de cor é algo bem pessoal. Eu, por exemplo, gosto de lápis aquareláveis e os mais macios.

Importante: o lápis de cor escolar tem bem menos pigmento na mina, então, investir num lápis de cor de qualidade pode evitar muita frustração. Eu gosto do Ecolápis, que tem um custo bom e é bem macio, mas não é aquarelável (veja o preço aqui & aqui para 50 cores).

Lembre-se: a qualidade de um lápis de cor reflete no seu preço. Quanto mais barato, menor a qualidade. Lápis de cor profissional tem um custo muito alto e pode chegar a milhares de reais. Mas é possível ter um bom resultado com lápis mais baratos.

Se eu fosse comprar um lápis aquarelável, de valor mais econômico, investiria nesses:

  1. Staedtler Designer Journey – não é um lápis profissional, mas tem boa qualidade por um custo baixo (veja o preço)

2. Faber Castell – o queridinho do Brasil, desde a nossa infância.

Esse é um aquarelável mais em conta, e focado, na minha opinião, para estudantes em geral (escolar), mas tem bom custo x benefício. Eu estou sugerindo esse, mas o próximo, apesar de mais caro, tem uma qualidade muito superior (Preço).

3. Faber Castell – Goldfaber – focado em artistas iniciantes, podem ser usados profissionalmente, na minha opinião (Preço).

A caixa com 24 cores custa bem mais, mas tem uma seleção maior de cores. Essa série tem de tudo para você usar durante muito tempo (Preço).

Para terminar, deixo aqui uma imagem de um lápis de cor considerado um dos melhores do mundo, o Caran d’Ache Museum Aquarelle. Tem um alto poder de pimentação e, quando aquarelados, as cores tem bastante intensidade. São lápis de custo muito alto, mas resolvi inserir aqui para que possamos comparar os preços e avaliar as opções existentes (clique na imagem para saber mais).

Como eu disse no início, há inúmeras opções de materiais artísticos, e estou sugerindo aqui algo que tem certa qualidade com preços mais baixos. Mas fique à vontade para escolher o que considerar melhor. Bom final de semana!

O desafio do tempo e o trabalho criativo

Uma das coisas que me surpreende é o quanto a gente consegue fazer quando estamos empenhados. Aqui no blog já falei algumas vezes sobre produtividade. Parece uma coisa que não tem nada a ver com ilustração, mas é algo que me interessa bastante. Acredito que tudo na vida precisa de equilíbrio e por isso que valorizo o tempo em que estou ilustrando. Quero também poder curtir minha família, os eventos, tempo com os amigos, viajar, descansar… e espero em breve poder novamente estar com os amigos!

Esse último mês fiz muitas ilustrações. Para um só livro, fiz 26, além ainda de trabalhar em outros projetos. Para alguns pode parecer pouco, mas quando você trabalha com técnicas tradicionais de pintura, leva um certo tempo para produzir uma ilustração. Nos Estados Unidos, por exemplo, há ilustradores que levam 6 meses para produzir essa mesma quantidade. Isso não quer dizer que todo trabalho que eu faço seja assim. Às vezes tenho bastante tempo para uma quantidade bem menor. Cada projeto é diferente.

Como todo mundo, às vezes a gente sabe que tem tempo e fica deixando para a última hora. Não é à toa que existem tantos livros ensinando a ‘vencer a procrastinação’. Rsrs…

Eu estou sempre tentando ser mais produtiva, e estudo bastante o que posso fazer para melhorar (às vezes até penso que ‘estudar’ também é um jeito de procrastinar). Uma coisa que eu gosto muito é de sempre fazer ‘um pouquinho a mais’. Acredito que devemos sempre nos desafiar. Com isso não estou falando de fazer algo muito grande. Costumo dizer a meus filhos: se você tem uma tarefa grande, não fique estressado. Divida em partes e faça cada dia um pouquinho. Se for um livro, um capítulo (ou até uma página) é melhor que nada. Se tem um grande trabalho de escola, que tal dividir em partes e destinar um trecho para cada dia? Deus fez o mundo em 6 dias. Ele não poderia ter feito tudo em um só? Poderia, mas eu acredito que Ele fez isso para nos ensinar a não ficarmos sobrecarregados.

Eu gosto de fazer um planejamento, divido em algumas partes e vou fazendo um pouco a cada dia. Funciona bem para mim. E foi assim que planejei o meu tempo, não deixando de fazer ainda as outras atividades que tinha todos os dias.

Para fazer uma ilustração, não basta só desenhar. É preciso ler o texto, entender se há algo que o autor quis dizer ou se fez referência a algum outro tema, pensar no que vai desenhar, esboçar, imaginar o que a criança vai interpretar… Depois de terminar o esboço (ou rafe), aí começa o trabalho da pintura, que é a parte mais divertida, na minha opinião. Se bem que às vezes eu gosto muito do desenho em preto e branco também. 😄 Mas o ato de deslizar o pincel sobre o papel traz uma satisfação muito grande para mim. Muitos ilustradores fazem tudo no computador, mas eu gosto de usar tinta e lápis de cor.

O trabalho do ilustrador parece fácil para quem está olhando de fora. Como brincam meus filhos: ‘você fica desenhandinho o dia todo’. Mas a verdade é que o nosso trabalho é um trabalho de criação. Ilustrar é um trabalho criativo, portanto o ilustrador é um ‘criador’ de algo. Você consegue imaginar que privilégio? Temos a tarefa de inventar alguma coisa que, até então, não existia. Através de papel, lápis, tintas (e também do computador), podemos dar vida a personagens que vão entreter, divertir, levar a questionamentos, encorajar, inspirar, despertar emoções e até mudar vidas. Uma responsabilidade e tanto. E que honra, não? A vida para mim é como um punhado de areia na minha mão. Os anos vão escorrendo e eu fico pensando que 24 horas no dia é pouco para tudo que desejo fazer. O tempo virou um recurso muito escasso.

Por isso a produtividade é algo que me fascina. Nós, trabalhadores criativos, somos aqueles que não se contentam em ficar na rotina, fazendo sempre a mesma coisa. Às vezes queremos mudar o mundo, às vezes deixar nossa marca ou um legado, às vezes só queremos produzir algo e ter a satisfação de saber que ‘foi feito por mim’. Por isso, embora o tempo às vezes seja escasso, ainda assim sabemos que o nosso trabalho vai impactar muitas pessoas. E isso não é maravilhoso? 🙂