Quem o Vento Trouxe

“Quem o Vento Trouxe” é o nome do livro que estou trabalhando no momento. Trata-se de uma história baseada em fatos reais. No ano passado, eu já havia feito 3 ilustrações para esse livro e agora estou dando continuidade.

Eu estava em dúvida quanto a dois esboços que fiz para uma parte do texto. Como não consegui chegar a uma conclusão sobre qual seria a melhor opção, acabei finalizando os dois. Abaixo os esboços e uma das ilustrações finalizada.

Home Office – Trabalhando em Casa

Já faz muitos anos que eu trabalho como ilustradora e, como muitos freelancers, tenho o meu studio em casa. Como já comentei aqui, no início só tinha uma mesa e alguns materiais. Com o tempo fui adquirindo mais materiais e móveis. E hoje tenho meu próprio espaço em minha casa.

Quando eu comecei, pesquisei muito em como fazer para conciliar o trabalho com a rotina de mãe e dona de casa. Não era fácil. Na época, home office era algo impensável e havia apenas alguns artigos sobre o assunto. Li blogs e livros sobre essa modalidade mas nenhum parecia se encaixar com a minha realidade. Minha filha era bebê e era bem complicado para gerenciar tudo. E no momento, com a quarentena, tenho ouvido amigas comentando a dificuldade de não conseguir conciliar trabalho, casa e família. É, de fato, uma loucura.

Os artigos que eu lia eram sempre sobre pessoas que tinham empregada, babá e ajuda das avós. Totalmente diferente de minha realidade. Minha mãe, embora se disponibilizasse, não tinha condições de me ajudar. Eu não tinha nem empregada, nem babá, como a maioria das famílias. E minha sogra mora em outro estado. Enfim, era tudo comigo mesmo. Eu que fazia as ilustrações, que cuidava das crianças, comida, roupa e casa. (Na verdade, continua assim, só que as crianças já estão maiores).

Embora o propósito de meu blog não seja tratar de home office, acredito que essa seja a realidade de muitos ilustradores, principalmente ilustradoras. Sei que alguns ilustradores até tem um espaço fora de casa, mas nos últimos anos, vários colegas decidiram, pelas mais variadas razões, que era mais conveniente ter seu studio em casa.

Por isso, vou dar algumas dicas que eu aprendi por experiência própria. Não foi fácil. Quando minha filha era bebê, minha casa era uma bagunça. Vejo fotos dela pequena e fico horrorizada com os cenários. Rsrs… Na verdade, com a pandemia, parece que o trabalho triplicou. Não é verdade?

Meu objetivo aqui não é dizer que ‘sou um gênio’ e faço tudo certinho e organizado. Longe disso. Basta perguntar aos meus filhos. 🙂 Mas acredito que a minha experiência pode ajudar a quem está lidando com uma nova realidade de ter filhos em casa o dia todo, cozinhar, cuidar da casa e ilustrar. Já faz uns 15 anos que a minha rotina é assim e acredito que eu possa colaborar com algumas dicas.

Estar em casa com filhos o dia todo é bem desafiador. Ou você deixa eles o dia todo vendo tv, jogando vídeo-games, ou envolve eles no seu trabalho. Eles querem atenção e é bem complicado conseguir trabalhar. Por isso, muitas vezes fui dormir de madrugada, a fim de terminar um projeto. Quanto aos filhos, são bênção e temos que curtir bastante, pois crescem rápido. Por outro lado, eles também tem que entender que você tem horários. Equilíbrio é importante nesses momentos, pois eles merecem atenção. Já joguei (e ainda jogo) vídeo games, mas eles tem que entender que não são o centro de tudo.

Mas vamos às dicas. O que digo aqui são apenas sugestões e você não precisa seguir nenhuma. Cada um tem a sua realidade.

1: Diga não

Com os anos, embora vários trabalhos tenham surgido, foi necessário declinar de alguns, porque não daria conta de fazer tudo. Preferi manter os meus objetivos focando em projetos que me desafiassem, ensinassem alguma coisa, e não aceitar tudo o que surgisse, pois ficaria sobrecarregada. Já imaginou aceitar algo e não conseguir entregar no prazo? Portanto, se um trabalho fosse tomar muito do meu tempo, preferia não aceitar ou sugeria outras condições. Perdi trabalhos? Sim, perdi vários. Às vezes penso se não deveria ter aceitado, pois hoje teria um portfólio maior de livros publicados, mais contatos com editores, e certamente o pagamento teria ajudado muito. Porém, achei que valia a pena ter equilíbrio entre o lado pessoal e profissional.

2: Considere se vale a pena qualquer trabalho que aparecer

Prefira trabalhos que ajudem você a se desenvolver. Sempre vão aparecer trabalhos gratuitos ou que paguem pouco. Use a sua intuição para determinar o que deseja ou não aceitar. O primeiro NÃO é mais difícil, mas depois de um tempo você começa a perceber quais projetos realmente valerão a pena ou não. Às vezes surgem propostas que, apesar de você não ganhar nada no início, podem vir a ser interessantes no futuro, seja por motivos financeiros a longo prazo ou porque podem vir a dar projeção. O duro é determinar o que vale a pena. Nem toda promessa de projeção realmente acontece. Às vezes você aposta num projeto e não dá em nada. Com o tempo você vai percebendo as possibilidades. Mas a princípio evite aceitar. Valorize-se.

3: Faça uma lista de tarefas dividida por áreas: trabalho, diferentes áreas do trabalho, mídias sociais, casa, filhos, comida, roupa, … Se você é quem cuida da casa, filhos e comida, vale a pena fazer um planejamento. É um tempo que você gasta pra se planejar, mas aumenta a produtividade. Verifique se você tem mesmo que fazer tudo o que está na lista: pode deletar alguma coisa, substituir, delegar, deixar para outro dia, mês, ano…

4: Descubra os melhores horários para trabalhar. Quando meus filhos estão na aula, aproveito para o que precisa de mais concentração. Deixo para ler e-mails, whatsapp, trabalhar em atividades relacionadas a ilustração, mas que não precisam de foco, para quando tenho que dar atenção a eles. Peço opinião a meus filhos e marido sobre o trabalho que estou fazendo. Peço a minha filha que me dê dicas de como compor uma ilustração, que desenhe comigo, dou tarefas. Algumas ela aprecia, outras não, mas algumas vezes eu até faço a ilustração do jeito que ela sugeriu. Veja só o esboço que ela fez pra mim:

Descubra os seus melhores horários e momentos de criatividade: segunda feira para mim é um dos piores dias, pois sempre tem muita coisa para fazer e recuperar. Eu costumo trabalhar melhor quando a casa está em silêncio, então de manhã e no final da noite, o trabalho rende mais. Porém, tenho observado que no final da noite, apesar de trabalhar melhor, me prejudica o sono. Então optei por ir dormir mais cedo e trabalhar pela manhã. Nessa hora também é bom porque meus filhos estão ocupados com suas tarefas (na escola ou então em aulas online durante a pandemia).

Verifique qual o momento em que é mais interrompida e use esse tempo para atender os filhos, e-mails, notificações… enfim, tarefas em que precisa de pouco tempo para realizar. Às vezes, quando minha filha está entendiada, e quer ficar comigo, eu chamo ela para fazer cookies ou um bolo. Já resolvo o problema do lanche e passo algum tempo com ela. E ela também vai aprendendo a fazer algo.

5: Alimentação: eu não faço feijão e arroz todo dia. Dá muito trabalho. Planejo antecipadamente o que penso em fazer durante a semana. Eu cozinho para o almoço e para o jantar todos os dias. Acredito que comer em casa me permite saber o que tem na minha comida e também escolher o que minha família vai ingerir. Tudo mais natural e sem aditivos. Geralmente uma proteína, um carboidrato e uma verdura. Mas dá muito trabalho, então uma vez por semana me dou uma folga e peço uma pizza. Não vou me estender aqui sobre esse assunto, mas se quiserem saber mais, me avisem que eu escrevo.

6: Tarefas de casa: Eu aproveito pequenos momentos pra limpar alguma coisa. Se estou esperando água ferver para fazer um macarrão, já aproveito para limpar a bancada. Vou cozinhando e já lavando e arrumando as coisas. Quando o almoço termina, a cozinha já está metade organizada. Às vezes eu já coloco a comida em potes de vidro e sirvo neles. A maioria dos meus potes tem tampa e se sobrar já fica mais fácil guardar na geladeira.

Divido minhas tarefas pelos dias da semana. Eu costumava ter uma pessoa de vez em quando para me ajudar uma vez por semana, mas já faz algum tempo que não tenho. Minha mãe só teve uma ajudante quando éramos bem pequenos e ela nos acostumou a fazer tudo em casa. E eu faço assim com meus filhos. Eles são responsáveis por várias tarefas. Não gostam de fazer, reclamam bastante. Mas todo mundo tem que fazer coisas que não gosta e eles também tem que aprender, para que saibam como fazer quando tiverem suas próprias casas.

7: Não se distraia com mídias sociais. Eu evito muito as mídias sociais, porque me tomam tempo precioso. Também não vejo TV normalmente. Leio as notícias na internet, assisto esporadicamente a filmes e leio bastante. O que mais assisto ultimamente são desenhos animados (tempo com minha filha). 🙂

8: Dê horas de folga para você: para descansar ou até mesmo repor o trabalho que não conseguiu fazer sozinha. Quando meu filho era pequeno, eu colocava ele na cama às 9h. Depois eu tinha meu tempo de descanso, ler, fazer as unhas…

9. Há muitos anos, estive umas semanas na Inglaterra (meu marido estava lá a trabalho) e observei que os pais colocam as crianças para dormir às 18/18:30h. Perguntei como conseguiam e a dica era jantar cedo. De fato, testei fazer o jantar às 18:30h e às 21h já estávamos todos deitados. Meus filhos já são maiores, mas cada um foi para seu quarto e isso ajudou todos a dormirem melhor. Ninguém foi de fato dormir, mas foi um momento de descanso mental para todos. É estranho jantar tão cedo, mas agora no inverno até que funciona bem.

10. Esqueça o perfeccionismo. Nesse momento em que escrevo, minha mesa está cheia de esboços e meio suja de tinta. Eu queria muito que ela fosse como as mesas dos artistas que vejo na internet, tudo branquinho e sem resquícios de borracha. Mas a vida é assim, e uma casa com um pouco de bagunça, é uma casa com vida. (Mas eu vou arrumar ela, eu prometo!)… Também já perdi a conta de blusas que estão com algum pingo de tinta…

E se a louça ficou um pouco mais de tempo na pia, paciência. Se você estivesse no trabalho, provavelmente só pensaria nela quando voltasse, né? Então, perdoe-se e faça o seu melhor.

Se você tiver alguma dica, compartilhe comigo porque sou fã de qualquer coisa que me ajude a ter mais tempo e produtividade. Abs!

Prêmio Luxemburgo de Arte

Esta semana terminam as inscrições para o Luxembourg Art Prize – Prêmio Luxemburgo de Arte. Se você já tem obras de arte produzidas por você, pode se inscrever até o dia 31 de maio.

NOVA DATA: Apresentação de candidaturas até à meia-noite de 31 de agosto de 2020

Do que se trata?

O Luxembourg Art Prize é um Prêmio anual internacional, organizado pela Pinacoteca, museu privado sem fins lucrativos, situado no Grão-Ducado do Luxemburgo. O Prêmio visa revelar anualmente os talentos – amadores ou profissionais – qualquer que seja a sua idade e nacionalidade. 

Desde a sua criação em 2015, este Prêmio visa lançar ou consolidar a carreira de artistas que aguardam reconhecimento internacional, permitindo que exponham em um museu europeu em uma exposição coletiva dos finalistas. O Luxembourg Art Prize também proporciona aos artistas uma sólida referência de museu para adicionar ao currículo.

Para ajudar o vencedor de forma bastante significativa, este recebe uma bolsa de 50.000 € (cerca de R$ 300.000,00). O vencedor tem toda a liberdade para utilizar esse dinheiro como melhor lhe convier.

Quais obras podem participar?

As obras de arte concorrentes ao Luxembourg Art Prize podem ser em qualquer técnica: desenho, impressão, instalação, pintura, fotografia, escultura, técnicas mistas, artes decorativas (têxtil e materiais, vidro, madeira, metal, cerâmica, mosaico, papel ou outras técnicas). Não é imposto nenhum tema específico às obras de arte apresentadas ao concurso pelos artistas.

Se você é artista e gostaria de se inscrever ou saber mais a respeito, clique aqui: https://www.luxembourgartprize.com/pt/

Regulamento: https://www.luxembourgartprize.com/pt/rules-pt/

O valor da inscrição é de €75 (aproximadamente 400 reais).

Time-Lapse de Ilustração – Panelinha

Este mês estou ilustrando para um novo livro infantil. Abaixo você pode assistir um time-lapse de uma ilustração que fiz para esse livro.

Para fazer essa ilustração da Panelinha, levei mais ou menos uma hora e meia. Abaixo você vai ver um resumo da execução em aproximadamente um minuto.

Para esse trabalho, utilizei tinta acrílica e lápis de cor.

Uma ilustradora que admiro

Quem já lê meus artigos há algum tempo sabe que valorizo a iniciativa. Acredito que o tempo de ficar esperando ser ‘descoberto’ como ilustrador já passou.

Hoje em dia, temos muitas possibilidades para trabalhar sem esperar que alguém nos contrate. Nós mesmos podemos investir em produtos ou livros e tomar as rédeas de nossas vidas.

Uma ilustradora que é muito famosa, embora já falecida, também passou por um início difícil. Beatrix Potter, mesmo vivendo nos idos 1800, começou desenhando cartões de Natal para ganhar dinheiro. Quando já tinha mais recursos, decidiu que iria escrever suas próprias histórias.

Porém, Beatrix não conseguiu encontrar uma editora que publicasse as suas histórias. Recebeu muitas cartas de rejeição e decidiu que ela mesma iria patrocinar seu livro. Criou um pequeno livro em preto e branco com a histórias de quatro coelhinhos e publicou 250 cópias.

Logo depois uma editora se interessou pelo livro e resolveu publicar. Foi um sucesso e vendeu 20 mil cópias. Esse livro era “As aventuras de Pedro Coelho”. Depois disso, ela publicou mais 23 livros.

O que me impressiona é que, em 1890, quando as mulheres ainda nem votavam, ela já tenha tido a iniciativa de fazer um livro sozinha. E sua proatividade foi recompensada. Além de ter tido a oportunidade de publicar muitos outros livros, hoje é uma das escritoras e ilustradoras mais famosas e queridas da Inglaterra. Há vários livros publicados sobre ela, bem como um filme.

Se desejar conhecer mais sobre Beatrix Potter, conheça o livro que fala sobre sua obra e ilustrações.

Como me tornei ilustradora de livros infantis

Desde pequena, meu sonho era trabalhar com arte. Como criança ainda, pensava mais em ser pintora. Mas como eu também gostava muito de ler, quando adolescente comecei a pensar em trabalhar com ilustração, pois unia os meus dois interesses.

A vida não era fácil naquela época. Ainda não tínhamos internet, nem todo esse acesso à informação. Hoje, com uns cliques, conseguimos tanta informação que nem sabemos no que acreditar. Mas tudo que eu tinha para estudar a respeito de arte e desenho era um livro de algum parente,  que se chamava Curso de Desenho, de José Arruda Penteado. Esse livro era destinado aos cursos ginasial, comercial e técnico profissional. Eu passava minhas horas livres estudando os capítulos. Meu capítulo prefeiro era sobre desenho decorativo. Acredito que esse livro tenha sido de minha prima (12 anos mais velha que eu), que tinha estudado no Cefet. Enfim, esse foi um dos primeiros contatos que tive com informação relativa a desenho e artes.

Já adulta, fui cultivando esse lado artístico como hobby. Amava desenhar, e no Ensino Médio decidi que tentaria fazer Educação Artística. Porém, como precisava arrumar logo um trabalho, comecei a dar aula para o Ensino Fundamental, pois era formada no Magistério durante o Ensino Médio. Um dia, meu professor de música comentou que ele achava que tínhamos que garantir nosso sustento antes de tentar a carreira artística. Ele tinha estudado Contabilidade e só depois de se estabelecer que decidiu correr atrás do seu sonho. Ele nos orientou e deixar os sonhos de lado e garantir um emprego.

Por isso, acabei prestando vestibular para Administração na UFPR e passei. Logo consegui um trabalho, mas meu sonho continuava dentro de mim: queria estudar artes. Nessa época, até escrevi uma história infantil (horrível!!!) e ilustrei. Já postei aqui no blog uma vez. Ficou um trabalho bem ruim, mas foi um começo. Não dizem que é “melhor feito do que perfeito”?

Quando acabei Administração, prestei vestibular para Pintura, na Embap – Escola de Música e Belas Artes do Paraná, e passei. Porém, a empresa onde trabalhava decidiu que eu deveria fazer uma pós-graduação em Marketing e, não querendo perder a oportunidade de ter uma bolsa parcial, acabei não dando continuidade ao curso.

Casei, tive um filho e decidi que ia então estudar Artes. Prestei vestibular para Educação Artística e passei. Comecei o primeiro ano e estava encantada com o curso. Finalmente tinha conseguido iniciar os meus estudos. Porém, meu marido foi convidado para trabalhar por dois anos na Itália pela empresa dele. Mais uma vez adiei esse sonho e parti para a Itália, cheia de esperança de que pudesse estudar lá.

Na Itália, foi muito complicado conseguir informação. No primeiro ano, nada fiz, fui aprendendo a língua e tentando me adaptar. Meu filho era pequeno e me tomava quase todo o tempo.

Um dia, consegui a informação de que a 90km de minha casa tinha uma Academia de Artes. Peguei meu filho e parti em direção a Veneza, quase duas horas de viagem. Ele tinha 2 anos na época.

Cheguei na Accademia di Belle Arti di Venezia e pedi informações. Eu tinha que enviar todos os meus documentos para o Brasil, mandar traduzir (juramentado) e entregar no consulado. Não foi fácil, tive que contar com a ajuda de minha mãe e uma amiga que foi entregar no consulado. Elas aqui no Brasil e eu na Itália. Até foto autenticada tive que fazer.

Accademia di Belle Arti di Venezia

Enfim, fiz a inscrição e o vestibular. No exame fiz uma prova oral e duas provas de desenho de observação. Felizmente, passei. Foi algo fantástico. O esforço foi grande, mas valeu a pena.

Só que aí eu tinha outro problema. Estudava o dia todo, 2h de viagem para ir e 2h para voltar. Era muito complicado e não dava tempo de deixar meu filho na escola. Mas com a ajuda de Deus, nesse mesmo ano a Accademia começou a ampliar os seus espaço e dividiu os campi em vários lugares. Entre eles, havia uma sede destacada a 30 minutos de minha casa. Pedi transferência, falei com o diretor da Accademia e comecei a estudar nessa outra sede.

Foram 4 anos de estudo nas mais diversas áreas: História da Arte, História da Arte Italiana, Anatomia Artística, Técnicas Pictóricas, Fotografia, Fundamentos da Arte Contemporânea, Gravura, etc…

Formada, comecei a pensar no que faria com o meu diploma. Era professora formada, graduada em Administração, pós-graduada em Marketing, graduada em Pintura, mas não tinha noção do que poderia fazer. Ouvi então de uma Fundação que oferecia cursos de ilustração infantil próximo à minha casa. Fiquei sabendo que era conhecida como a cidade da ilustração infantil e me matriculei num dos cursos. Era o curso de Svjetlan Junakovic, oferecido pela Fondazione Stepan Zavrel.

Pouco depois que fiz esse aperfeiçoamento em ilustração, voltamos ao Brasil e comecei a procurar me inserir nesse mercado. Dei aulas, iniciei projetos pessoais, fiz ilustrações avulsas, etc…Um dia, uma conhecida, que já havia publicado livros antes, me deu uma história para ilustrar. Fiz as ilustrações mas ela não conseguiu publicar. Eu não recomendo que façamos trabalhos de graça, mas na época não sabia disso. A desvantagem foi ter feito um trabalho que acabou não dando em nada. Mas o lado bom foi que aprendi bastante nesse processo.

Depois disso, um pessoa me indicou para um outro escritor. Foi aí que as coisas começaram a acontecer. Ele me mandou a história. Dessa vez, tendo aprendido com a experiência, fiz somente algumas ilustrações para ele apresentar ao editor. O editor gostou e, daquela história, resolveu fazer 6 livros! Podem imaginar minha alegria? Eu tinha conseguido não um só livro, mas uma coleção de 6 livro de uma só vez. Levei 6 meses para fazer todos. No meio do processo, eles pediram mais um.

Assim, começaram a aparecer os trabalhos. O trabalho do ilustrador infantil é meio sazonal, então quando eu não tinha algum livro para ilustrar, me dedicava a projetos diversos, oficinas, cenografia, projetos voluntários. Com o tempo, foram surgindo outras oportunidades. Hoje eu mal acordo, já estou pensando nas atividades que tenho para fazer, nos produtos que vou criar, nos livros que vou ilustrar.

A minha jornada até aqui foi demorada, mas a sua não precisa ser. Se desejar, baixe AQUI o meu livro Manual do Ilustrador Iniciante e saiba mais sobre isso. Abs!

Como eu faço um orçamento

Uma das dúvidas que mais recebo é sobre como fazer um orçamento de ilustrações para um livro infantil. No início a gente fica mesmo meio perdido e não sabe nem por onde começar.

Quando um editor (ou um autor de texto = escritor) entra em contato comigo, sempre peço que me envie o texto. Eu não tenho o hábito de fazer orçamento sem conhecer o texto que vou ilustrar. Cada caso pode ser diferente. A editora pode me enviar o texto em pdf, já todo separado e com uma pré-diagramação (o que algumas editoras chamam de decupagem ou spread), pode me enviar o texto  separado com o número da página em que o trecho vai ficar, como também pode me enviar somente o texto inteiro, sem nenhuma separação.

Caso o texto já esteja pré-diagramado (às vezes até com a posição que vai ocupar na página), fica muito mais fácil fazer o orçamento. Basta fazer uma lista das ilustrações mencionadas e o valor respectivo. Veja no exemplo abaixo como o editor me enviou o texto do livro Cheiros.

No exemplo acima já está determinado que para essa página devo fazer uma ilustração de página inteira.

Nesse exemplo não só já estão definidas as dimensões das ilustrações, como também o autor faz observações sobre como deseja a ilustração.

Embora seja raro, na segunda possibilidade, geralmente o texto vem em Word e separado com o número da página. Mas não menciona as dimensões da ilustração. Nesse caso, eu já sei quantas ilustrações o editor ou autor está querendo, basta definir o tamanho conforme a quantidade de texto. Ou, mesmo que o texto seja curto, eu posso sugerir as dimensões e conversar com o cliente de acordo com o orçamento que ele dispõe para esse trabalho. Afinal, os valores variam conforme as dimensões.

No texto acima, o autor enviou o texto separado, com o número de páginas definido e algumas observações de como desejava as ilustrações. Até hoje, foram poucos os autores que deram sugestões, como também poucos solicitaram modificações nos rafes.

A terceira possibilidade é receber o texto inteiro, sem separações. Geralmente quando um escritor (e não o editor) envia, na maioria das vezes vem assim. Aí resta conversar com o escritor para saber quantas páginas deseja e o formato (quadrado, retangular, dimensões). É esse tipo de orçamento que dá mais trabalho, porém, é o que lhe dá mais liberdade de execução.

Nesse caso, eu divido o texto segundo o número de páginas que combinei com o autor ou editor, dou sugestão de formato e faço uma boneca do livro, geralmente no Corel Draw, para visualizar o resultado. Isso agrada muito ao cliente, pois não só lhe dá uma ideia de como ficará, como também demonstra que você tem conhecimento e proatividade. Aí eu defino quantas ilustrações vou fazer de cada: página dupla, página inteira, meia página, vinhetas + a capa. Faço uma lista, defino valores unitários e valor total do trabalho.

Já aconteceu comigo de o autor enviar um texto, eu fazer as ilustrações, receber os pagamentos e, no fim, ele me enviar um texto muito maior. 😟 O que fazer? Bem, como eu havia feito contrato entre as partes (ilustradora e autor), não alterou em nada o meu trabalho. O pagamento foi realizado pelo número de ilustrações que eu havia definido no orçamento/contrato, e o livro foi diagramado com as ilustrações que eu havia combinado por escrito. No fim, a quantidade acabou sendo suficiente e o livro já está na segunda edição.

Também já aconteceu de, durante a execução de um projeto, solicitarem a ampliação do número de ilustrações e as dimensões pelo mesmo preço. Nesse caso. sugeri a alteração de valores e infelimente não chegamos a um acordo. Como eu já até havia recebido parte do pagamento, preferi devolver o adiantamento e não dar continuidade. Escrevo isso para que outros ilustradores saibam que, infelizmente, no meio de muita gente boa, sempre há aqueles que querem obter alguma vantagem. Eu poderia ter aceitado as condições deles para não perder o trabalho? Até poderia, mas estaria passando a mensagem de que não tenho certeza do valor do meu trabalho.

Finalizando, vale a pena ser detalhista quando apresentar um orçamento. E não esqueça de escrever tudo no contrato. Assim fica claro para ambas as partes os direitos e deveres de cada um. Se tiver alguma dúvida, entre em contato. 😗

Histórias Infantis

Hoje vamos falar um pouco sobre os textos das histórias infantis. Frequentemente recebo pedidos de orçamentos e sempre peço o texto para avaliar. Por que acho isso necessário?

Em primeiro lugar, só tenho como saber o quanto eu vou trabalhar numa ilustração se souber o que o texto diz. É muito complicado você dar um valor a uma ilustração sem saber quanto tempo vai empregar nela. O texto equivale a um ‘briefing’.

Às vezes, o texto tem muitas palavras e acaba sendo longo demais para ser considerado infantil. Em outros casos, os temas abordados não são alinhados com a compreensão da criança na faixa etária pretendida. Existem outros casos ainda, como a falta de uma linha narrativa, interpretação dúbia da mensagem, temas polêmicos demais para tratar nessa faixa etária… O ponto onde quero chegar é que até mesmo histórias infantis tem que ter certas características. Eu não sou expert em literatura infantil, pois atuo principalmente com ilustração, mas vou citar algumas características que tenho observado e podem dar alguma ajuda quando você for escrever ou analisar um texto para ilustrar.

As crianças são seu público. Pense: como a criança vai interpretar isso? Cada um entende a mensagem de uma forma. Pense nas várias possibilidades para evitar ser mal compreendido.

Considere a faixa etária. O que cada idade tem capacidade de compreensão ou aprecia mais?

Até 4 anos, a ilustração predomina, com traços mais simples e bem coloridas. O texto deve ter um vocabulário pouco complexo. Os personagens como animais tendem a ser bem aceitos, assim como a fantasia. Nessa fase a criança gosta de aprender sobre animais, letras, números, conceitos como grande e pequeno, etc.

Dos 5 aos 7, as crianças gostam que a história tenha um início, um momento problemático, e enfim um final no qual o problema tenha sido resolvido. Gostam de temas que se relacionam ao seu universo infantil, e que ajudam a tratar de seus próprios dilemas (amizade, auto-estima, medo e coragem, amor, crescimento…).

Por volta de 8, as narrativas começam a ser mais complexas, trabalhando conflitos, unindo fantasia, mitologia, mistério, folclore, humor, histórias sobre grupos de amigos, se identificam com o personagem principal; histórias onde o personagem passa por vários problemas, é pouco popular mas se aceita do jeito que é, o que é importante para o desenvolvimento da criança e auto-aceitação.

Outro fator importante da literatura infantil é observar a quantidade de texto. Como os livros infantis geralmente são curtos e tem ilustrações, um texto entre 250 e 1000 palavras costuma ser mais adequado. Porém, isso não é regra e cada texto tem que suas particularidades.

Quanto a nós, ilustradores, temos que observar os livros infantis e perceber como a criança interage com eles. Ver o que mais chama atenção, o que faz a criança se conectar com a história. Nem sempre o que achamos que elas vão gostar é o que realmente atrai a atenção delas.

Para finalizar: No livro Curitiba de A a Z, que ilustrei no ano passado, a mãe de uma criança me falou que o que mais chamou a atenção da filha no livro foi uma menina comendo pipoca. Ela se identificou tanto que pediu à mãe para ir no local e comer pipoca lá. Pode parecer uma coisa pequena, mas saber que uma ilustração motivou a criança a querer ir visitar um lugar (mesmo que seja só pela pipoca) me deixou muito feliz. Receber esse tipo de feed-back dos pais mostra o quanto o nosso trabalho é importante. 🙂

Planejando sua carreira como Ilustrador

Quando alguém deseja realizar um objetivo ou sonho, geralmente começa a pensar no que precisa fazer para alcançar esse objetivo. Por exemplo, alguém que vai fazer uma festa faz um planejamento e define as tarefas para isso. Começa geralmente com a data, a lista de convidados, define o lugar, a comida, as bebidas, doces, toalhas, mesas, cadeiras, música, fotografia, etc. Dependendo do tema ou motivo, a lista pode ter mais itens ainda.

Do mesmo modo, para planejar uma carreira, é também preciso fazer uma lista (ou um mapa), definir objetivos e datas. É importante determinar quais objetivos deseja alcançar, dentro de um certo período, de modo que, ainda que faça pouco, vá constante e consistentemente dando pequenos passos em direção àquele objetivo.

Se fazemos um planejamento para um evento de um dia, como uma festa, por que não fazer um planejamento e traçar metas para a profissão que vamos exercer a vida toda?

Ingrid Osternack – Ilustradora

1) A primeira coisa que se pode fazer é um mapa ou uma lista de objetivos. Imagine daqui a 5 anos o que gostaria de estar fazendo. Definir uma data limite para si mesmo ajuda muito a ser consistente. Obviamente que os seus objetivos dependem de onde você se encontra hoje. Por exemplo:

Daqui a 5 anos eu:

. estarei formado em artes; ou . terei feito cursos extracurriculares na área de ilustração; ou . estarei com pelo menos 1 – ou mais – livros ilustrados publicados; . terei participado de alguma mostra ou evento de arte; . terei desenhado ou produzido pinturas diária ou semanalmente, gerando assim uma quantidade substancial de obras; . serei um artista reconhecido em minha área; . trabalharei na área de artes e serei bem pago pelo meu trabalho; . terei uma loja que venda minhas artes ou aplicadas em produtos; . terei uma obra em um museu importante; . e por aí vai…

Como eu disse, tudo isso depende do momento em que se encontra. Pode ocorrer também de, no meio do caminho, você desejar mudar seus objetivos, ou até mesmo ampliá-los.

2) Depois disso, é bom você determinar também qual seu objetivo pessoal em relação ao mundo, ou seja: qual o objetivo de minha arte? Pense em algo que tenha impacto – ainda que pequeno – na vida das pessoas. Que marca quer deixar no mundo?

Exemplos: meu desejo é ser reconhecido como um artista em minha cidade natal; ou: quero que minha arte inspire as pessoas; quero fazer parte da infância das crianças; quero que toda casa tenha uma obra minha; quero alegrar a vida das pessoas com minha arte; quero usar recursos que sejam sustentáveis; quero trabalhar somente com mangá; desejo usar meus dons para arte-terapia ou para melhorar a vida de pessoas carentes; gostaria de trabalhar somente com clientes e empresas que tenham valores similares aos meus, etc…

Isso vai ajudar e definir o tipo de clientes que terá e também quais trabalhos aceitará ou não.

3) Quais seriam os passos a tomar para chegar nesses objetivos?

Divida seu grande objetivo em pequenas metas. Muitos percursos são divididos em pequenos trechos. Os períodos escolares não são divididos em 5 aulas à toa. Até mesmo as viagens são divididas em etapas, quando longas. Assim também pode ser sua jornada em direção ao seu sonho. Pense no que precisa fazer para chegar lá e divida em pequenas partes, mas que possam ser feitas em questão de semanas ou meses. Como nós seres humanos geralmente temos a tendência a ser procrastinadores, quanto menor a tarefa, maior a chance de você executar.

Por exemplo:

. Se você deseja trabalhar com licenciamento, faça uma lista de quais lojas virtuais teriam a possibilidade de vender sua arte. . Ou, se você mesmo irá preparar os produtos, onde poderia encontrar fornecedores? Faça contato, visite-os. . Se deseja ilustrar para revistas ou livros, quais publicações ou editoras tem relação com o trabalho que faz? . Que galerias aceitariam as suas obras? Que tal visitar algumas? . Em quais concursos poderia participar? . Que materiais poderia adquirir para realizar seu trabalho? . Há um espaço em sua casa onde possa trabalhar? . Se fosse abrir uma empresa (ou studio), teria um nome diferente ou o seu? . Como iria legalizar sua profissão? Microempreendedor, empresa simples, autônomo? . O que você escreveria em sua biografia? Leia biografias de outros artistas para saber o que escrevem.

Responder a essas questões vai ajudar a visualizar a si mesmo como artista e motivar você a executar cada dia um pouquinho do seu planejamento. E quando menos esperar, estará fazendo o que ama como profissão. 😉