É PRECISO TER GRADUAÇÃO PARA SER ILUSTRADOR?

Sempre recebo mensagens com perguntas sobre o que é preciso para ser ilustrador. Algumas perguntas que me fazem também são:

Preciso de graduação para ser ilustrador?

Que curso posso fazer para ser ilustrador?

Antes de entrar nessa pergunta, queria ressaltar algumas características que considero importantes para poder responder a isso.

Em primeiro lugar, acredito que para ser ilustrador você precisa ter algumas características:

1. Ser apaixonado por ilustração

2. Ser persistente

3. Ser ousado

4. Ter habilidades artísticas

5. Ter conhecimentos específicos da área

SER APAIXONADO POR ILUSTRAÇÃO

Como em toda área artística, ou você é fascinado e apaixonado pelo que faz, ou você não vai continuar trabalhando com isso. O começo é mais difícil, e é preciso ter paciência para ver os resultados. Porém, depois que você conhece mais como funciona, desenvolve o seu estilo, sabe onde e como encontrar trabalho, aí vai ficando mais fácil. Porém, só quando você curte muito o que faz, acredita no seu valor, é que você vai se valorizar e poder viver de ilustração. Caso contrário, se considerar que é um hobby, ou que desenhar já é tão legal que não posso cobrar muito por isso, poderá desvalorizar o que faz e cair na armadilha de cobrar pouco pelo que faz.

É claro que existem imagens gratuitas e até de preço muito baixo na internet, mas quando alguém precisa de algo específico, essa pessoa tem um problema. E é você, ilustrador(a), que vai apresentar a solução ‘visual’ para ele. Portanto, ele não estará lhe pagando somente um desenho ou uma ilustração, mas uma solução personalizada. Por trás dessa imagem, você tem uma bagagem que tem valor. E é por isso que tem que gostar muito do que faz e valorizar a sua profissão.

Tem gente que acha que, só porque somos felizes em nossas profissões, já temos a nossa ‘recompensa’. Ouvi que 75% dos americanos odeiam o seu trabalho. É provável que aqui no Brasil também seja assim. Porém, se alguém escolheu mal, não é sua culpa de ter um trabalho que você gosta. Não é por isso que você tem que ser mal remunerado.

SER PERSISTENTE

Muitas vezes começamos nossa carreira aos ‘trancos e barrancos’. Um trabalho aqui, outro lá… e as contas chegando… a preocupação também… Enfim, todo profissional liberal começa com poucos clientes. Um médico, dentista, músico, arquiteto… A maioria se forma e tem que correr atrás de clientes. Enfim, é necessário persistir e buscar oportunidades.

Mesmo que você tenha que começar com um trabalho diferente – eu estudei administração e trabalhei por 6 anos nessa área antes de me tornar ilustradora – não desista e trabalhe nas horas vagas com ilustração. Faça cursos, desenhe, conheça mais sobre o mercado. Quem acredita, sempre alcança. Sou prova disso. Não tenho nada de especial. Nasci numa família simples, com bem poucos recursos. Se eu consegui, você também vai conseguir.

SER OUSADO

Posso dizer que já nasci querendo trabalhar com arte. Nem sempre fui compreendida. Quem trabalha nessa área, é visto como excêntrico. É quase uma ousadia você querer trabalhar com algo tão diferente do normal. Então, vamos correr atrás do nosso sonho e que sejamos ousados! Ouse viver uma vida com propósito.

TER HABILIDADES ARTÍSTICAS

É um fato que para trabalhar com ilustração uma pessoa precisa ter certas habilidades artísticas. Existe a ideia de que para desenhar é preciso ter talento. Eu concordo que algumas pessoas já nascem com uma aptidão para o desenho, isso é fato. Mas também acho que é possível desenvolver essa habilidade. Na verdade, eu acho que a prática e o estudo que levam ao desenvolvimento. Há um ditado em inglês que diz (e eu sempre repito aqui):

Hard work beats talent when talent does not work hard.

(O trabalho duro supera o talento quando o talento não trabalha duro).

Então, eu acho que muitas pessoas até tem aptidão, mas não buscam melhoria, o que faz com que outros, que nem teriam tanto ‘talento’, passarem a desenhar melhor que eles.

É aqui que eu começo a responder à pergunta do início:

PRECISO TER GRADUAÇÃO PARA SER ILUSTRADOR?

Na verdade, não é preciso uma graduação para atuar na área. Porém…… são necessárias certas habilidades. E muitas delas podem ser obtidas fazendo uma graduação.

Para ser ilustrador, é preciso ter habilidades de desenho e não, não precisa ser hiper-realista nem mesmo realista. Mas uma certa habilidade em transformar texto em imagem é necessária.

A graduação em artes, por exemplo, pode lhe ajudar a se aperfeiçoar em desenho, perspectiva, teoria das cores, anatomia, luz e sombra, história da arte, técnicas variadas, quais materiais usar, como armazenar, quais os mais adequados, como representar as imagens numa ilustração, quais as estratégias de composição… sem falar que em 4 anos você vai desenhar muito. Ou seja, serão muitas horas dedicadas à prática da profissão.

Repetindo a pergunta: é necessário graduação para atuar na área? Não, porém é importante procurar conhecimento sobre os temas que mencionei acima. A grande vantagem da graduação é que alguém já elaborou um curriculum e providenciou os professores para lhe ensinar o que precisa. E é por isso que acaba sendo conveniente, pois você paga uma mensalidade e a instituição se preocupa em lhe ensinar o que é necessário. É um modelo de ensino usado há muito tempo, e funcionava bem até começar a pandemia.

Desconheço uma graduação em ilustração no Brasil, mas a graduação em artes pode ajudar em partes. E, além de tudo isso, ainda recebemos um diploma ou certificado ao concluirmos, o que demonstra que obtivemos os conhecimentos necessários para atuar em determinada área, e que garante à sociedade que fomos testados e aprovados, reconhecidos como indivíduos que tem habilidades na área.

Mas… e se fazer uma graduação não for possível?

Além disso, a graduação em artes é genérica, e ensina mais a parte artística da área de ilustração. E quanto aos outros conhecimentos necessários?

É aí que entro no quinto ponto das características que considero essenciais:

TER CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS DA ÁREA

Como criar personagens, elaborar narrativas visuais, enquadramentos, pontos de vista, ambientação da história, etc?

Eu trabalho com técnicas tradicionais, mas se o objetivo for trabalhar com ilustração digital, há ainda a necessidade aprender a utilizar softwares específicos.

Quando eu comecei a trabalhar na área, eu tinha a graduação em Pintura pela Accademia di Belle Arti di Venezia. Como meu objetivo era trabalhar com ilustração infantil, fiz cursos de aperfeiçoamento na área. Aprendi muito com eles, com a prática e pesquisando sobre todos os aspectos necessários para ilustrar para crianças. São muitos anos na área.

Como hoje vivemos num mundo muito diferente, onde tudo está na ‘ponta dos dedos’, cursos online também podem ser muito úteis para o desenvolvimento do artista/ilustrador.

O ensino a distância veio para ajudar quem não tem condições de fazer um curso presencial. Seja por motivos financeiros, ou porque mora em algum lugar muito remoto, ou porque trabalha o dia todo e não tem tempo, enfim, nunca antes houve tanto acesso à informação e tantas oportunidades. Basta se planejar. Atualmente, então, com a pandemia, o curso online se tornou quase a única opção.

Eu mencionei aqui há algum tempo que estava produzindo um curso sobre ilustração infantil. Estou finalizando e, no início de novembro vou abrir as inscrições. Quem tiver baixado o meu livro sobre a carreira do ilustrador receberá um email avisando. Esse curso foi muito pedido pelas pessoas que me seguem aqui no blog e nas redes sociais. Serão mais de 80 aulas ensinando a ilustrar, em técnicas tradicionais, como lápis de cor, aquarela e acrílico – que é a técnica que mais uso – com aulas sobre tudo que acho importante quando criamos uma ilustração infantil. Ilustração infantil é muito mais do que fazer um desenho colorido. O objetivo maior desse curso é ajudar o aluno a construir um portfólio, pois é isso que faz com que você possa ingressar no mercado de trabalho como ilustrador. Será um curso destinado a iniciantes, mas quem já desenha e deseja aprender mais sobre ilustração infantil, poderá se beneficiar também.

Porém, independentemente se você vai fazer uma graduação na área de artes, se vai fazer um curso de aperfeiçoamento, um curso online, ou estudar e praticar sozinho, um conselho importante que me atrevo a dar é: quanto antes você começar, antes desfrutará dos resultados. Nada pior do que chegar a uma certa altura na vida e pensar: por que não comecei antes? Por que não realizei meu sonho?

Concluindo, embora não seja essencial, um diploma ou certificado na área tem muito valor. Entretanto, você pode ter disciplina e estudar sem a necessidade de uma graduação. O que o cliente vai querer ver é o seu portfólio. Então, produza. E produza muito! Para o cliente, seu diploma não quer dizer nada. Ele não vai pedir pra ver o seu diploma. Ele quer ilustrações. Se o seu portfólio for bom, é isso que importa.

Para ser ilustrador é necessário talento?

Ilustração para livro infantil – Ingrid Osternack

Antes de começar a falar sobre o que eu penso a respeito, vamos ver o que o dicionário fala sobre talento.

Do latim talentum, a noção de talento está relacionado com a aptidão ou a inteligência. Trata-se da capacidade para exercer uma certa ocupação ou para desempenhar uma atividade. O talento tende a estar associado à habilidade inata e à criação, embora também se possa desenvolver com a prática e treino.

Talento é o que dizemos que uma pessoa tem quando faz muito bem uma coisa. Acredita-se que uma pessoa nasça com talento. E, em nosso caso, seria o talento para desenhar.

De fato, existem pessoas que tem uma aptidão maior para fazer as coisas. É inegável que tem gente que tem uma voz mais bonita que outras pessoas. Porém, mesmo assim é preciso técnica para que possa desenvolver o seu “talento”.

Mas o que podemos dizer quando se fala em desenho? As pessoas nascem – ou não – sabendo desenhar?

Eu acredito que, se uma pessoa nascesse com talento para desenhar, as crianças na pré-escola já demonstrariam diferença em seus desenhos. Porém, fui professora de educação infantil e posso afirmar que não é assim. As crianças desenham mais ou menos das mesmas maneiras, e seguindo fases que são analisadas pela psicologia. A maioria segue o percurso normalmente. É só depois de certa idade que notamos que tem crianças que desenham melhor que outras. E, na maioria das vezes, o que noto não é um talento inato, mas que foi se desenvolvendo porque aquela criança se interessou mais do que as outras e acabou praticando mais.

Eu mesma não desenhava bem quando comecei a escola. Embora sempre gostasse de rabiscar, até nas paredes, os meus desenhos de antigamente me fariam morrer de vergonha se os mostrasse agora. Mas quando entrei para a pré-escola, havia uma menina que fazia uma bonequinha e todos pediam desenhos para ela. Ao invés de pedir um desenho pra mim, lembro que pedi para que ela me ensinasse a fazer. E ela ensinou. Depois desse dia, ela parou de desenhar e eu continuei. A partir daquele momento – embora eu tivesse 6 anos, me lembro bem, pois foi marcante – comecei a minha jornada rumo ao sonho de trabalhar com desenho e ilustração.

Desde então, meus cadernos eram sempre cheios de desenhos e eu que fazia para as outras crianças.

Porém, eu não tinha recursos – não tinha papel e só uma caixinha de lápis de cor de 12 cores – e demorei muito pra me desenvolver no desenho.

Vinda de uma família de poucas condições, não tinha como fazer nenhum curso nem comprar materiais. Aliás, nem papel. Desenhava nas páginas em branco de livros antigos que tinham sido de minha mãe.

O melhor material que tive naquela época foi quando uma tia me deu o que sobrou de uma caixa de lápis de cor de 24 cores que tinha sido do meu primo.

No Ensino Médio, fiz o magistério e comecei a trabalhar como professora. Foi quando adquiri meus primeiros livros sobre técnicas. Foi nessa época que comecei a pensar mais seriamente em trabalhar com ilustração.

Mas a vida era dura e tinha que trabalhar. Para garantir que eu tivesse sustento, um professor meu sugeriu que eu estudasse administração. Disse que arte não dava dinheiro. Fazendo faculdade de administração, consegui um emprego melhor.

Porém, meu sonho de trabalhar com ilustração ainda persistia. Depois de alguns anos trabalhando nessa área, decidi que era hora de voltar a perseguir o meu sonho. Prestei vestibular para Belas Artes e Educação Artística. Passei nos dois. Optei por Educação Artística.

No segundo ano, meu marido foi convidado para trabalhar por um tempo na Itália. Deixei o curso de Educação Artística e nos mudamos. Lá, depois de um ano tentando descobrir como me matricular (não foi fácil), consegui passar no vestibular da Accademia di Belle Arti di Venezia.

Quando comecei, percebi o quanto ainda precisava aprender. A maioria dos alunos já tinha estudado artes no Ensino Médio, pois lá existe o Liceu Artístico. Mas não desisti. Continuei estudando, fazendo cursos de aperfeiçoamento… e hoje posso dizer que estou a cada dia melhor, embora eu seja ainda um ‘work in progress’, ou seja, um ‘projeto em andamento’.

O melhor da área de artes é que estamos sempre aprendendo. J

Mas por que contei tudo isso?

Para mostrar que, sim, existem pessoas que nascem com aptidão para o desenho, que conseguem transferir o que veem para o papel facilmente, que aprendem só olhando… Não podemos negar que tem gente que parece que nasceu com o lápis na mão.

Por outro lado, veja Picasso, por exemplo. Todos o achavam um gênio. Era filho de um pintor que, segundo a história, não era nada fantástico. Mas será que Picasso teria sido o gênio que foi se não tivesse passado a infância dele rodeado de materiais artísticos, ensinamentos e experiências com o pai? Ou será que sem essa infância ele não teria pego a bola e se tornado um jogador de futebol?

O que quero dizer é que, o que ele fez foi trabalhar, produzir muito e não desistir. Tinha a firme convicção de que ia conseguir. Começou cedo e com um ambiente favorável ao seu desenvolvimento artístico. Teve a infância inteira para poder experimentar sem julgamento, sem medo de ser criticado. E com um professor 24 horas por dia ao lado dele.

Talento, na minha opinião, é algo que você pode desenvolver. Você pode aprender a desenhar. E quanto mais praticar, melhor vai ficar a cada dia. O que acontece com quem diz não ter talento é que, na verdade, as suas prioridades são outras. Tem gente que não tenta desenhar porque prefere fazer outra atividade.

Acredito que comecei tarde a trabalhar no meu sonho. Embora o que aprendi em outras áreas tenha sido muito útil, e valorizo bastante, pois ajuda na negociação, planejamento, finanças… gostaria de ter aprendido tudo que sei sobre ilustração muito antes. Teria realizado o meu sonho muito antes. Foram muitos anos de estudo autônomo, além da graduação na Itália e dos cursos de aperfeiçoamento…

Mas o que quero dizer com tudo isso é que você também pode realizar o seu sonho. Pode estudar e aos poucos chegar mais perto de realizar o sonho de trabalhar com ilustração.

Estamos numa época em que há muitas oportunidades. Não importa se dizem que você não tem talento, ou que duvidem do seu sonho. Eu recebi muitas críticas de parentes. Alguns diziam que isso não daria sustento, que eu deveria arrumar um trabalho ‘de verdade’, que meus desenhos eram passatempo, e gente que nem entendia de desenho dava palpites nos meus.

Saiba que, se você quer trabalhar com ilustração, basta se programar, estudar e praticar bastante. Com técnicas e instruções, você pode melhorar a cada dia no seu desenvolvimento.

É como a parábola dos talentos: quando você enterra o seu talento, você acaba perdendo ele.

No caso da parábola, há várias explicações para a mesma. Mas podemos tirar essa lição: se você não desenvolve a aptidão que tem, ela fica estagnada.

Para finalizar, uma frase que li certa vez numa camiseta:

Hard work beats talent, when talent does not work hard.

O trabalho duro supera o talento quando o talento não trabalha duro.

Portanto, não se preocupe com talento. Trabalhe duro e constantemente na sua arte. No final de um ano, compare os resultados com o que fazia um ano antes. Tenho certeza de que ficará feliz com seu desenvolvimento. Talento é, pra mim, o resultado da união da sua vontade de aprender com a vontade de fazer.

Inspiração e Referências na Ilustração Infantil

Quando uma nova história chega para mim, já começo a imaginar como vai ser o personagem, o cenário, as roupas… enfim, o ‘clima’ da história.

Depois que eu leio algumas vezes o texto e faço a ‘quebra’ de páginas do mesmo. é hora de começar a fazer o stotyboard e a ‘boneca’ do livro.

Nessa etapa, o que está na minha imaginação já vai tomando forma. Mesmo assim, não deixo de buscar inspiração em fotos de figurinos e cenários reais para evitar desenhar sempre do mesmo jeito.

Um exemplo disso foi uma ilustração que fiz para um livro de poesias “O Voo da Poesia”, em preto e branco. O poema de Rosana Silva fala da menina que está sentada na varanda, quando o vento leva as suas figurinhas.

Por isso, pensei numa casa antiga, de madeira, como as que temos em Curitiba, relíquias de outros tempos, com uma varanda e um jardim. Procurei na internet algumas referências e, entre elas, escolhi esta:

Agora observe a ilustração que fiz:

A ilustração não precisa ser fiel à foto, mas esta serve como referência para a execução da mesma. É possível notar que não a fiz exatamente igual, nem era essa a minha intenção. Mas uma foto ajuda muito a produzir algo diferente do que temos visto, uma vez que somos sempre influenciados por imagens de todos os lados.

Ao buscar novas referências e inspiração, a minha intenção é fazer algo original e que traga emoção ao leitor, ao relembrar a própria infância, muitas vezes recheada de memórias como esta. 🙂

Produção do Mês :-)

Olá! Hoje estou compartilhando uma foto da produção do último mês. Fiz várias ilustrações para um livro infantil. Mas nesta foto ainda faltam algumas, pois uma estava secando e eu não tinha ainda começado a ilustrar as capas. Mas já dá pra ter uma ideia do que andei fazendo.

Foi muito gostoso fazer esse livro. É a primeira vez que ilustro dragões. Foi também um desafio, pois a intenção da autora era fazer dragões que, apesar da aparência, preocupavam-se com o bem estar do próximo e tinham bom coração. Espero ter conseguido passar essa ideia com as minhas ilustrações.

Uma das ilustrações que mais gostei de fazer foi a da dragão-fêmea, a que tem cor roxa, que se chama Severa. O texto diz que ela é vaidosa e tentei passar essa ideia com a ilustração dela passando máscara para cílios (rímel) em frente ao espelho e secando os ‘cabelos’. Dá para ver na imagem acima. 🙂

Na próxima postagem vou mostrar como ficou a capa. Até lá! :-*

Concursos de Ilustrações: Vale a pena participar?

A Lenda das Cataratas

Concursos de Ilustrações: Vale a pena participar?

Quando estamos começando na carreira de ilustrador, procuramos toda oportunidade possível para mostrar nosso trabalho. Por isso, uma das oportunidades que existem para isso são concursos literários e de ilustração.

Participar de concursos é interessante por vários motivos:

. ficar conhecido;

. se formos selecionados, sentimos que o nosso trabalho foi admirado e tem valor;

. fazer contatos;

. trabalhar com um briefing e datas de entrega;

. conhecer outros trabalhos;

. entender as tendências;

. e até se renovar ao observar outros trabalhos, gerando insights e novas ideias.

Outra vantagem é que aprendemos a ter resiliência. Todo trabalho autônomo requer muita disciplina e resistência. O que quero dizer é que nem sempre nosso trabalho será aceito e teremos que estar preparados para aceitar isso. Às vezes um trabalho de menor qualidade pode vir a ser selecionado, somente porque era a tendência daquele ano ou porque era conveniente que tal ilustrador fosse escolhido. Triste para tantos outros que estavam competindo, mas infelizmente isso acontece em todas as áreas.

Há alguns anos um livro infantil foi premiado aqui no Brasil e causou indignação a alguns escritores e ilustradores. Uma celebridade fez uma seleção de textos de outros escritores e publicou um livro onde as ilustrações eram feitas por ela, embora não fosse ilustradora. O argumento era de, enquanto tantos outros escritores fazem o possível para produzir textos inovadores e de qualidade, o texto não era dela e que só ganhou o primeiro prêmio por ser uma pessoa famosa.

Como os jurados mudam todo ano, também há as preferências pessoais. E muitos concursos já mencionam que a decisão deles é soberana e que todos os participantes, ao entrar no concurso, devem aceitá-la. Não há como recorrer.

Como estudei na Itália, vou começar pelo concurso mais importante de lá: a Feira de Bolonha. Eu diria que é a feira literária mais importante do país. Todo ano eles promovem um concurso onde você envia cinco ilustrações e elas podem ser selecionadas para a mostra e uma das ilustrações apresentadas será a capa do catálogo. No ano passado o prêmio foi de 15 mil dólares, como um adiantamento para ilustrar um livro infantil para a Edições SM (para ilustradores com idade inferior a 35 anos). Outro prêmio foi uma bolsa de estudos da escola de ilustração ARS IN FABULA (para ilustradores com idade inferior a 30 anos). Ilustradores do mundo todo podem participar do concurso. Mais informações veja aqui.

Outro concurso interessante é o Nami Island, da Coréia do Sul. O primeiro prêmio é de 10 mil dólares, a ilustração no catálogo e mostra. Deve-se enviar 5 a 10 ilustrações, que contem uma história. Um ilustrador brasileiro ganhou esse prêmio há alguns anos. Não há taxa de inscrição. Para mais informações, clique aqui.

Em Portugal, há um dos concursos mais importantes da Europa. Acontece a cada dois anos e o prêmio é de 5.000 euros. Clique aqui e leia tudinho em português.

Nos Estados Unidos, um dos concursos mais conhecidos é o da Society of Illustrators. Há uma taxa de inscrição e o prêmio são medalhas e a publicação no catálogo. Leia mais aqui.

No Brasil, ilustradores geralmente enviam suas obras para o Salão do Humor de Piracicaba. São aceitos cartuns, charges, tirinhas e caricaturas. Mais informações aqui.

Muitos concursos de ilustração infantil estão ligados a uma obra literária. Nesse caso, posso citar ainda os concursos da SM, da Kalandraka e Biblioteca Insular de Gran Canaria.

São milhares de ilustradores que participam todo ano. Mas mesmo que o ilustrador não seja selecionado, a participação é uma experiência enriquecedora. Além de ser um gostoso desafio, se for selecionado – ou até mesmo ser o primeiro colocado –  significará um grande salto na carreira.

Por outro lado, existem associações e editoras que podem se aproveitar da situação. Por isso, é importante saber discernir quais valem a pena e quais não.

Um exemplo de um concurso que não vale a pena é quando uma associação cobra uma taxa de valor alto para participar e o prêmio não faz jus a essa taxa. Muitos concursos não cobram nada, portanto é necessário ficar de olho para saber se é um concurso ‘sério’ ou alguma instituição querendo se aproveitar.

Outro exemplo que já vi acontecer é quando uma editora tenta fazer um ‘concurso’ para que os ilustradores disputem quem vai ilustrar um livro ou fazer uma capa, mas não oferecem pagamento em troca. Temos que ficar atentos para não trabalhar de graça. Já fui convidada para um concurso assim. Felizmente associações de escritores e ilustradores enviaram cartas de repúdio e a editora retirou o concurso rapidinho. A desculpa para promover o concurso era de que eles gostavam tanto do trabalho de todos os ilustradores que não sabiam qual convidar. Imaginem quantas ilustrações iriam receber de graça. A intenção era que os ilustradores se sentissem pagos pela honra de terem suas ilustrações publicadas. É o mesmo que comer num restaurante e dizer ao dono que ele deveria ficar feliz que escolhemos o restaurante dele para almoçar.

A editora poderia até argumentar que o ilustrador está tendo ‘exposição’. Porém, uma atitude assim vem a desvalorizar a nossa profissão e pode prejudicar a todos, principalmente quem está começando.

A ilustração é fundamental num livro infantil. E isso mostra o quanto o trabalho do ilustrador é importante. Já imaginou livros infantis sem ilustração?

Dica: uma editora que promova um concurso de livro ilustrado deve premiar o ilustrador com um valor correspondente ao trabalho de ilustrar uma obra. Um exemplo é o citado acima, da SM, que antecipa 15.000 dólares para o premiado, e o mesmo irá ilustrar um livro infantil.

Cuidado também com as associações desconhecidas ou sem relevância que dizem que você foi premiado e irá receber uma condecoração. Basta pagar o diploma, ou taxa “x”, no valor de algumas centenas de reais. Associações sérias são as que promovem eventos e nas quais você não paga nada ou uma taxa simbólica para participar.

Um último conselho: ao enviar ilustrações, verifique antes se são necessários os originais ou uma cópia. Antigamente eram aceitos somente os originais das ilustrações. Mas com o advento das ilustrações digitais, os concursos decidiram receber imagens via email, site ou até mesmo impressões. Caso sejam selecionadas, aí sim alguns solicitam os originais.

Em minha experiência, já enviei originais e recebi vários de volta, alguns cuja expedição foi paga pela instituição e outros que eu mesma tive que pagar. Em uma mostra, enviei três ilustrações. Duas foram selecionadas e a terceira nunca foi encontrada. O pessoal da mostra sequer havia visto a outra ilustração, o que me faz crer que devem ter retirado as duas primeiras e jogado o envelope fora com a outra. E como já estive lá pessoalmente, vi na sala deles que havia centenas de ilustrações que nunca tinham sido devolvidas e que seria muito difícil encontrar alguma coisa. Felizmente eu tinha fotografado a ilustração antes de enviar.

Caso tenha alguma dúvida ou quiser alguma opinião sobre o regulamento de algum concurso, entre em contato. 😉