
Em breve, um novo livro: “Um Amor de Chapéu”, de Luciane Willcox. Fiz essa ilustração para o momento em que o personagem Téo (um chapéu preto) é comprado e se separa da sua amiga Flor (um chapéu rosa).

Em breve, um novo livro: “Um Amor de Chapéu”, de Luciane Willcox. Fiz essa ilustração para o momento em que o personagem Téo (um chapéu preto) é comprado e se separa da sua amiga Flor (um chapéu rosa).
Nos últimos dias tenho trabalhado muito, e filmei um pouco desse trabalho. Abaixo um vídeo com alguns trechos da execução de uma ilustração para o livro “Um Amor de Chapéu”, de Luciane Willcox.
Várias pessoas me escrevem perguntando como se tornar ilustrador. Para algumas que já desenham ou estudam artes, é mais fácil compreender que decisões tomar e o que devem fazer para chegar ao seu objetivo profissional.
Quando eu comecei a pensar em ilustrar, a minha única intenção era fazer uma faculdade de artes. Pensei que isso seria suficiente. Porém, depois que comecei a realmente trabalhar com ilustração, vi que há muitos outros aspectos a serem explorados. A faculdade prepara você de forma técnica, mas não ensina a divulgar e vender suas ilustrações. Tampouco auxilia na parte comercial, financeira e fiscal da profissão.
Em alguns países, existem instituições que ensinam especificamente para ilustração de livros infantis. Aqui, geralmente fazemos faculdade de artes e o resto vamos aprendendo por conta própria. E o pior é que nem sempre sabemos que caminho tomar, quais cursos fazer, e o que devemos aprimorar.
Há várias áreas nas quais o ilustrador pode trabalhar. Assim como há várias especialidades em outras áreas, também há ramificações na área de ilustração. A minha área, como vocês já devem saber, é a de ilustração infantil, e é sobre ela que vou falar.
Para me tornar ilustradora, tive que aprender muito mais do que apenas desenhar. Como dispor as imagens numa página, como fazer um layout que favorecesse a história, como narrar visualmente, como enquadrar uma ilustração, quais cores utilizar, quais outras técnicas poderia utilizar…
Para aqueles que me pediram, fiz um esquema dos estágios da profissão do ilustrador. Acredito que definem bem cada momento da carreira do ilustrador de livros infantis. Leia abaixo.

Além de se tornar um profissional, acrescentei um quinto estágio, que engloba outras atividades que podem ser realizadas pelo ilustrador profissional. É o que chamei de especialização ou aperfeiçoamento.
Por que isso?
Porque nem todo ilustrador faz um livro do início ao fim. Quando eu falo isso, estou falando do trabalho que vai além das ilustrações. É quando você recebe o manuscrito do autor e faz todo o trabalho até impressão gráfica.
Há ainda a possibilidade de licenciar suas ilustrações para produtos. Existem algumas modalidades, como você licenciar para empresas diretamente, para sites onde o cliente escolhe a imagem e o produto é fabricado depois, e também quando você mesmo produz o seu produto e revende.
Outra ramificação é quando passa a ministrar workshops de ilustração, tanto para crianças quanto para adultos. Isso costuma ocorrer depois que o profissional já possui certa reputação dentro do meio.
Como sempre digo aqui, é importante planejar. E creio que esquematizar esses estágios possa ser útil para quem deseja se planejar para sua carreira. Para finalizar:
Um objetivo, sem um planejamento, não passa de um sonho. E, infelizmente, sonhos não são reais.
Nesse vídeo, eu apresento como eu desenho olhos para ilustração infantil. Nessa primeira parte, mostro olhos com formas arredondadas. Observe que o formato da cabeça (círculo), nariz e bocas não se alteram.
Ilustração que fiz para o livro “Um Amor de Chapéu”, de Luciane Willcox.

Antes de começar a falar sobre o que eu penso a respeito, vamos ver o que o dicionário fala sobre talento.
Do latim talentum, a noção de talento está relacionado com a aptidão ou a inteligência. Trata-se da capacidade para exercer uma certa ocupação ou para desempenhar uma atividade. O talento tende a estar associado à habilidade inata e à criação, embora também se possa desenvolver com a prática e treino.
Talento é o que dizemos que uma pessoa tem quando faz muito bem uma coisa. Acredita-se que uma pessoa nasça com talento. E, em nosso caso, seria o talento para desenhar.
De fato, existem pessoas que tem uma aptidão maior para fazer as coisas. É inegável que tem gente que tem uma voz mais bonita que outras pessoas. Porém, mesmo assim é preciso técnica para que possa desenvolver o seu “talento”.
Mas o que podemos dizer quando se fala em desenho? As pessoas nascem – ou não – sabendo desenhar?
Eu acredito que, se uma pessoa nascesse com talento para desenhar, as crianças na pré-escola já demonstrariam diferença em seus desenhos. Porém, fui professora de educação infantil e posso afirmar que não é assim. As crianças desenham mais ou menos das mesmas maneiras, e seguindo fases que são analisadas pela psicologia. A maioria segue o percurso normalmente. É só depois de certa idade que notamos que tem crianças que desenham melhor que outras. E, na maioria das vezes, o que noto não é um talento inato, mas que foi se desenvolvendo porque aquela criança se interessou mais do que as outras e acabou praticando mais.
Eu mesma não desenhava bem quando comecei a escola. Embora sempre gostasse de rabiscar, até nas paredes, os meus desenhos de antigamente me fariam morrer de vergonha se os mostrasse agora. Mas quando entrei para a pré-escola, havia uma menina que fazia uma bonequinha e todos pediam desenhos para ela. Ao invés de pedir um desenho pra mim, lembro que pedi para que ela me ensinasse a fazer. E ela ensinou. Depois desse dia, ela parou de desenhar e eu continuei. A partir daquele momento – embora eu tivesse 6 anos, me lembro bem, pois foi marcante – comecei a minha jornada rumo ao sonho de trabalhar com desenho e ilustração.
Desde então, meus cadernos eram sempre cheios de desenhos e eu que fazia para as outras crianças.
Porém, eu não tinha recursos – não tinha papel e só uma caixinha de lápis de cor de 12 cores – e demorei muito pra me desenvolver no desenho.
Vinda de uma família de poucas condições, não tinha como fazer nenhum curso nem comprar materiais. Aliás, nem papel. Desenhava nas páginas em branco de livros antigos que tinham sido de minha mãe.
O melhor material que tive naquela época foi quando uma tia me deu o que sobrou de uma caixa de lápis de cor de 24 cores que tinha sido do meu primo.
No Ensino Médio, fiz o magistério e comecei a trabalhar como professora. Foi quando adquiri meus primeiros livros sobre técnicas. Foi nessa época que comecei a pensar mais seriamente em trabalhar com ilustração.
Mas a vida era dura e tinha que trabalhar. Para garantir que eu tivesse sustento, um professor meu sugeriu que eu estudasse administração. Disse que arte não dava dinheiro. Fazendo faculdade de administração, consegui um emprego melhor.
Porém, meu sonho de trabalhar com ilustração ainda persistia. Depois de alguns anos trabalhando nessa área, decidi que era hora de voltar a perseguir o meu sonho. Prestei vestibular para Belas Artes e Educação Artística. Passei nos dois. Optei por Educação Artística.
No segundo ano, meu marido foi convidado para trabalhar por um tempo na Itália. Deixei o curso de Educação Artística e nos mudamos. Lá, depois de um ano tentando descobrir como me matricular (não foi fácil), consegui passar no vestibular da Accademia di Belle Arti di Venezia.
Quando comecei, percebi o quanto ainda precisava aprender. A maioria dos alunos já tinha estudado artes no Ensino Médio, pois lá existe o Liceu Artístico. Mas não desisti. Continuei estudando, fazendo cursos de aperfeiçoamento… e hoje posso dizer que estou a cada dia melhor, embora eu seja ainda um ‘work in progress’, ou seja, um ‘projeto em andamento’.
O melhor da área de artes é que estamos sempre aprendendo. J
Mas por que contei tudo isso?
Para mostrar que, sim, existem pessoas que nascem com aptidão para o desenho, que conseguem transferir o que veem para o papel facilmente, que aprendem só olhando… Não podemos negar que tem gente que parece que nasceu com o lápis na mão.
Por outro lado, veja Picasso, por exemplo. Todos o achavam um gênio. Era filho de um pintor que, segundo a história, não era nada fantástico. Mas será que Picasso teria sido o gênio que foi se não tivesse passado a infância dele rodeado de materiais artísticos, ensinamentos e experiências com o pai? Ou será que sem essa infância ele não teria pego a bola e se tornado um jogador de futebol?
O que quero dizer é que, o que ele fez foi trabalhar, produzir muito e não desistir. Tinha a firme convicção de que ia conseguir. Começou cedo e com um ambiente favorável ao seu desenvolvimento artístico. Teve a infância inteira para poder experimentar sem julgamento, sem medo de ser criticado. E com um professor 24 horas por dia ao lado dele.
Talento, na minha opinião, é algo que você pode desenvolver. Você pode aprender a desenhar. E quanto mais praticar, melhor vai ficar a cada dia. O que acontece com quem diz não ter talento é que, na verdade, as suas prioridades são outras. Tem gente que não tenta desenhar porque prefere fazer outra atividade.
Acredito que comecei tarde a trabalhar no meu sonho. Embora o que aprendi em outras áreas tenha sido muito útil, e valorizo bastante, pois ajuda na negociação, planejamento, finanças… gostaria de ter aprendido tudo que sei sobre ilustração muito antes. Teria realizado o meu sonho muito antes. Foram muitos anos de estudo autônomo, além da graduação na Itália e dos cursos de aperfeiçoamento…
Mas o que quero dizer com tudo isso é que você também pode realizar o seu sonho. Pode estudar e aos poucos chegar mais perto de realizar o sonho de trabalhar com ilustração.
Estamos numa época em que há muitas oportunidades. Não importa se dizem que você não tem talento, ou que duvidem do seu sonho. Eu recebi muitas críticas de parentes. Alguns diziam que isso não daria sustento, que eu deveria arrumar um trabalho ‘de verdade’, que meus desenhos eram passatempo, e gente que nem entendia de desenho dava palpites nos meus.
Saiba que, se você quer trabalhar com ilustração, basta se programar, estudar e praticar bastante. Com técnicas e instruções, você pode melhorar a cada dia no seu desenvolvimento.
É como a parábola dos talentos: quando você enterra o seu talento, você acaba perdendo ele.
No caso da parábola, há várias explicações para a mesma. Mas podemos tirar essa lição: se você não desenvolve a aptidão que tem, ela fica estagnada.
Para finalizar, uma frase que li certa vez numa camiseta:
Hard work beats talent, when talent does not work hard.
O trabalho duro supera o talento quando o talento não trabalha duro.
Portanto, não se preocupe com talento. Trabalhe duro e constantemente na sua arte. No final de um ano, compare os resultados com o que fazia um ano antes. Tenho certeza de que ficará feliz com seu desenvolvimento. Talento é, pra mim, o resultado da união da sua vontade de aprender com a vontade de fazer.

Dizem que, para um ilustrador ser bem sucedido, é preciso ter estilo. Estilo pessoal é algo que todo ilustrador busca.
Mas… o que é estilo? Como saber se tenho estilo? Qual é o meu estilo?
Estilo nada mais é que a maneira, o “jeitinho” que você desenha. Compreende uma série de fatores, incluindo até a maneira como você faz o traço, o que, na verdade, deriva da maneira como você segura o lápis.
Estilo também se baseia nas escolhas que você faz ao ilustrar. Quando você recebe uma solicitação de ilustração, que eu chamo de comissionamento, você se depara com um briefing, que pode tanto ser a história infantil quanto um relação de requisitos do cliente.
Às vezes nos deparamos com solicitações que nos são bem claras: menino com calça azul e blusa vermelha. Porém, no caso de ilustração de livros infantis, não é raro que tenhamos a liberdade de escolher como ilustrar. Isso acontece porque, se alguém nos escolheu, é porque gosta da maneira como ilustramos e confia que vamos produzir e entregar algo com características similares, isto é, com o mesmo estilo.
Portanto, quando ilustramos, nosso estilo se baseia nas escolhas que fazemos: tipos de linhas, espessuras, contorno ou sem contorno, paleta de cores que utilizamos, formas recorrentes para elementos da ilustração, traços que se repetem, sem falar na escolha da técnica, das nossas experiências de vida e até mesmo de nossa personalidade.
É interessante observar que os instrumentos que utilizamos, lápis, pincéis, tintas e papéis, são muitas vezes os mesmos de outros profissionais. Embora isso seja um fato, ninguém faz uma ilustração igual. Peça a 30 ilustradores para fazer o mesmo tema e terá 30 ilustrações diferentes, com traços, cores e formas também diferentes.
Estilo, enfim, revela a forma como você vê o mundo. E isso, ilustre colega, é único, porque você é único (a)!
Quando entro numa loja de materiais artísticos, me sinto de certa forma desorientada. São tantas as possibilidades e tantos materiais, que fico deslumbrada.

Existem milhares de coisas nessas lojas, mas a verdade é que a arte não precisa de materiais caros nem complicados para ilustrar. A oferta e variedade maiores e uma questão de marketing, mas não quer dizer que você precisa de tudo isso pra fazer suas ilustrações.
Na verdade, com papel e um lápis, uma pessoa tem condições de fazer uma ilustração linda. Do mesmo modo, com softwares caros, alguém que não tem habilidade com desenho e com o software, por mais que tenha programas maravilhosos, pode não consegui fazer nada.
Então, fazer uma ilustração não é questão de ter materiais dos mais caros e sofisticados. É claro que, se você tiver um pincel adequado, e um papel pra desenho, o resultado pode ter mais qualidade. No entanto, mesmo esses materiais mais específicos não precisam ser dos mais caros. Há pincéis baratos que são muito bons.
Quantas vezes não compramos um material que custa um pouco mais e ficamos esperando aquele momento especial, para fazer aquela obra de arte especial, e não usamos por medo de estragar? Se você comprar um papel muito especial, pode até ficar com medo de usar e isso pode até inibir a sua criatividade. Pode até pensar que está “desperdiçando” material ao ficar com medo de errar. Eu confesso: tenho uns papéis especiais, de algodão, para aquarela. Tem muitos anos que comprei e economizo ao máximo. Vou usando aos poucos para “poupar”.
Acredito que produzir arte dependa de alguns fatores: certa habilidade, recursos materiais e tempo.
Se alguém tem lindos materiais, papel de algodão, pincéis de pelo de marta, mas não sabe o que fazer com eles, conseguirá ter um bom resultado?
Se tiver bons materiais e habilidade, mas se não empregar o tempo necessário no projeto, conseguirá um bom resultado? Ou, ainda que fique bom, se tivesse empregado mais tempo, será que não teria feito algo melhor?
Portanto, sugiro que compre materiais de bom custo benefício. Não aqueles tão baratinhos, que nem aparecem no papel quando você pinta – tipo escolar – mas também não precisa de uma caixa de lápis no valor de um salário-mínimo. E existem algumas assim. São, de fato, materiais de muita qualidade, mas há materiais muito bons que dão ótimos resultados.
Algumas sugestões pra começar:
Ilustrações com Lápis de Cor
Papel 120 a 180g/m2 (eu prefiro 180g/m2)
Lápis H-HB-2H
Borracha
Apontador
Lápis de cor aquarelável ou bem macio
Para ilustrar com aquarela
AquarelaPapel 300g/m2
Lápis
Borracha
Apontador
Pincéis de cerdas macias (chato, redondo, fininho)
Para ilustrar com tinta acrílica
Tinta acrílica de várias cores
Papel 300g/m2
Lápis
Borracha
Pincéis variados
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