Histórias Infantis

Hoje vamos falar um pouco sobre os textos das histórias infantis. Frequentemente recebo pedidos de orçamentos e sempre peço o texto para avaliar. Por que acho isso necessário?

Em primeiro lugar, só tenho como saber o quanto eu vou trabalhar numa ilustração se souber o que o texto diz. É muito complicado você dar um valor a uma ilustração sem saber quanto tempo vai empregar nela. O texto equivale a um ‘briefing’.

Às vezes, o texto tem muitas palavras e acaba sendo longo demais para ser considerado infantil. Em outros casos, os temas abordados não são alinhados com a compreensão da criança na faixa etária pretendida. Existem outros casos ainda, como a falta de uma linha narrativa, interpretação dúbia da mensagem, temas polêmicos demais para tratar nessa faixa etária… O ponto onde quero chegar é que até mesmo histórias infantis tem que ter certas características. Eu não sou expert em literatura infantil, pois atuo principalmente com ilustração, mas vou citar algumas características que tenho observado e podem dar alguma ajuda quando você for escrever ou analisar um texto para ilustrar.

As crianças são seu público. Pense: como a criança vai interpretar isso? Cada um entende a mensagem de uma forma. Pense nas várias possibilidades para evitar ser mal compreendido.

Considere a faixa etária. O que cada idade tem capacidade de compreensão ou aprecia mais?

Até 4 anos, a ilustração predomina, com traços mais simples e bem coloridas. O texto deve ter um vocabulário pouco complexo. Os personagens como animais tendem a ser bem aceitos, assim como a fantasia. Nessa fase a criança gosta de aprender sobre animais, letras, números, conceitos como grande e pequeno, etc.

Dos 5 aos 7, as crianças gostam que a história tenha um início, um momento problemático, e enfim um final no qual o problema tenha sido resolvido. Gostam de temas que se relacionam ao seu universo infantil, e que ajudam a tratar de seus próprios dilemas (amizade, auto-estima, medo e coragem, amor, crescimento…).

Por volta de 8, as narrativas começam a ser mais complexas, trabalhando conflitos, unindo fantasia, mitologia, mistério, folclore, humor, histórias sobre grupos de amigos, se identificam com o personagem principal; histórias onde o personagem passa por vários problemas, é pouco popular mas se aceita do jeito que é, o que é importante para o desenvolvimento da criança e auto-aceitação.

Outro fator importante da literatura infantil é observar a quantidade de texto. Como os livros infantis geralmente são curtos e tem ilustrações, um texto entre 250 e 1000 palavras costuma ser mais adequado. Porém, isso não é regra e cada texto tem que suas particularidades.

Quanto a nós, ilustradores, temos que observar os livros infantis e perceber como a criança interage com eles. Ver o que mais chama atenção, o que faz a criança se conectar com a história. Nem sempre o que achamos que elas vão gostar é o que realmente atrai a atenção delas.

Para finalizar: No livro Curitiba de A a Z, que ilustrei no ano passado, a mãe de uma criança me falou que o que mais chamou a atenção da filha no livro foi uma menina comendo pipoca. Ela se identificou tanto que pediu à mãe para ir no local e comer pipoca lá. Pode parecer uma coisa pequena, mas saber que uma ilustração motivou a criança a querer ir visitar um lugar (mesmo que seja só pela pipoca) me deixou muito feliz. Receber esse tipo de feed-back dos pais mostra o quanto o nosso trabalho é importante. 🙂

Feliz Páscoa!

Então um dos anciãos me disse: “Não chore! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos”.
Apocalipse 5:5

Neste final de semana celebramos a Páscoa. Muito mais que ovinhos e coelhinhos, a Páscoa representa a morte e ressurreição de Jesus, o nosso Salvador.

Essa pintura fiz há algum tempo para a Igreja Batista do Bacacheri, e montamos durante um congresso. Se desejar ver mais, assista ao vídeo abaixo.

Feliz Páscoa!!!

Como iniciar sua carreira de ilustrador

Frequentemente recebo mensagens me perguntando: “o que preciso fazer para me tornar ilustrador”?

Não é uma pergunta fácil de responder, pois cada ilustrador tem seu próprio percurso. Porém, vou citar alguns passos que você pode seguir que considero essenciais.

  1. Desenho versus ilustração

Desenhar e ilustrar estão muito ligados, porém não são exatamente a mesma coisa. Desenhar é produzir uma imagem, seja no papel ou no computador. Ilustrar é transformar um conceito, uma ideia, em um resultado gráfico. Mas para ilustrar, precisamos ter certa habilidade com a produção de imagens. Embora não seja imprescindível você ser um bom desenhista, é importante ter certa habilidade e tem que trabalhar bem com a produção de imagens.

2. Desenhe

Para se tornar ilustrador, o desenho é uma ferramenta importante. Portanto, pratique muito. A prática pode até não levar à perfeição, mas desenvolve pra caramba. Também é possível trabalhar com colagem, técnicas mistas, etc… mas eu diria que o desenho é fundamental para expressar ideias, principalmente se o seu cliente quiser visualizar um conceito antes de você apresentar a arte-final.

3. Digitalize

Se você trabalha com tinta, como eu, é importante que você apresente suas imagens digitalizadas. Há ainda editores que aceitam os originais para eles mesmos digitalizarem mas, por experiència própria, eu mesma prefiro fazer esse trabalho. Uma vez enviei minhas ilustrações para uma editora, pelo correio, pagando o meio mais rápido. A previsão era de 5 dias. Por algum motivo que desconheço, os originais chegaram 59 dias depois. E os correios nem se desculpam. Infelizmente isso prejudicou a data de lançamento do livro. Por sorte eu havia feito a digitalização em casa em alta resolução antes de enviar e pude enviar as minhas. Já imaginou se tivessem extraviado?

Se você não tiver um scanner, pode mandar digitalizar em alguma empresa que faça cópias. Geralmente eles fazem esse trabalho e nem custa muito caro.

4. Estude

Nem todo ilustrador é formado na área de artes ou design. Porém, estudar o mercado, conhecer técnicas, aprender sobre anatomia, história da arte, composição, etc… pode ajudar muito a agilizar o processo de você se tornar ilustrador profissional.

Hoje, com as novas tecnologias, podemos aprender muita coisa sozinhos. Porém, ao fazer um curso, ganhamos tempo, aprendendo com pessoas que já passaram pelos mesmos problemas que nós. E tempo é um recurso que não temos como recuperar.

5. Pesquise

Aprenda mais sobre como os outros ilustradores trabalham. Como solucionam problemas. Como apresentam suas ideas visualmente. Analise estilos e o que fazem que você aprecia. Com o tempo, você vai começar a desenhar incorporando o que mais gostou. E vai criar seu próprio estilo.

6. Portfólio

Depois que tiver feito muuuuuitos trabalhos, escolha os melhores e construa seu portfólio.

7. Divulgue

Divulgue seu trabalho nas redes sociais, faça contatos, envie cópias ilustrações para potenciais clientes. O começo não é fácil. Pode demorar mais de um ano para você conseguir seu primeiro trabalho. Porém, não desista. Tudo que é bom leva tempo.

8. Clientes

Uma vez que você conseguiu seu primeiro trabalho, não esqueça de “colocar tudo preto no branco”, ou seja, tenha um contrato. Analise bem o que está assinando, para que não fique tendo que modificar eternamente uma ilustração, só porque o cliente colocou isso em contrato. Seja profissional e educado. Não fique ofendido com comentários, nem imponha uma ilustração que eles não querem. Isso é prejudicial a você mesmo no longo prazo.

Um cliente contrata um ilustrador para resolver um problema que ele tem. E você faz uma ilustração que é a solução desse problema. Se a sua ilustração não for o que o cliente espera, você não está resolvendo o problema.

Para evitar que você tenha que modificar algum trabalho, apresente rafes para aprovação. Uma vez aprovadas, basta finalizar e entregar.

Como eu falei no início, há muito o que se dizer sobre o universo do ilustrador, mas os passos acima podem lhe dar uma ideia. Eu falo mais sobre isso no meu ebook MANUAL DO ILUSTRADOR INICIANTE, que você pode baixar gratuitamente em Downloads.

Se tiver alguma pergunta, entre em contato! Abs!

O segredo para progredir é dar o primeiro passo

Dizem alguns familiares que eu não deveria trabalhar só com ilustração. 🙂 Eles acham curioso e engraçado quando estou incentivando alguém a seguir um sonho. Brincam: “você deveria trabalhar com isso, porque você gosta muito de motivar os outros”.

E é verdade. Desde muito nova, eu sempre gostei de incentivar as pessoas a correrem atrás do seu sonho. E na verdade, eu acho que todo mundo tem um propósito no mundo.

Quando somos crianças, todo mundo pergunta pra gente o que vamos ser quando crescer. E infelizmente, muitos esquecem disso. A correria do dia a dia, o namoro, o casamento, os filhos, a busca por um emprego seguro, a compra da casa, a faculdade que vai levar a uma profissão dá dinheiro… tudo isso acaba atropelando o que gostaríamos de ter feito. Muitas pessoas chegam à velhice sem ter realizado muitos sonhos, e muitas outras ficam pensando: um dia eu faço. Só que a vida vai passando e acabamos deixando de ‘curtir a jornada’, prorrogando os nossos sonhos e objetivos.

Se você for perguntar para as pessoas, a maioria dirá que não trabalha com o que gostaria. Alguns queriam ser astronautas, outras queriam ser bailarinas, e outros, artistas e ilustradores… Infelizmente, nem todos conseguem chegar a um sonho, e não é por culpa deles. O mundo é um lugar concorrido e nem sempre tem vaga para tantas pessoas de uma mesma profissão. Porém, há profissões que, mesmo com o mercado concorrido, independem de vagas. E é o caso do ilustrador freelancer ou, como gosto de definir, ilustrador empreendedor. Qualquer pessoa pode ser ilustrador, independentemente da idade, ou se acha que já passou o tempo, ou se não conhece o que é necessário para tal. Para isso, há que se planejar e, muito importante, entrar em ação. O segredo para progredir é dar o primeiro passo.

Não basta somente o planejamento. Devemos definir metas SMART. Smart, que quer dizer inteligente em inglês, é um acrônimo para as seguintes palavras: Specific, Measurable, Attainable, Realistic e Time-bound.

Specific (Específico) – a meta que você vai definir tem que ser específica.

Geralmente se pergunta: O quê? Quem? Quando? Como? Por quê?

Por exemplo: O que eu quero conseguir? Uma resposta poderia ser: publicar um livro ilustrado.

Quem será o responsável por isso? Eu mesma.

Quando? Definir uma data é a melhor maneira de não deixar para depois.

Como? Aí entra o modus operandi.

Por quê? Aqui os motivos variam de pessoa a pessoa. Mas isso também é relevante para que a execução siga de forma a atingir o objetivo.

Measurable (Mensurável) – É bom que você tenha uma quantidade que possa mostrar seu progresso. Ex: Produzir 30 ilustrações, produzir 1 ou 2 livros, etc.

Achievable (Atingível) – Eu tenho os recursos? Tenho habilidades? Em caso negativo, o que preciso para atingir o meu objetivo? Preciso aprender algo?

Realistic (Realista) – é um objetivo realista? Você está engajado para atingir esse objetivo?

Outra variação para R seria relevante. Isso que tenho como objetivo é relevante para mim? Porque, se não for, por que dedicar tempo a algo que não é importante? Hoje em dia o tempo que dispomos é escasso.

Time-Bound (Temporal) – Quando pretendo chegar a esse objetivo? Qual a data que defino para isso? Se não definimos uma data, dificilmente faremos o esforço para chegar lá. Vamos deixando para depois, e acabamos priorizando outras coisas. Ou seja, procrastinamos.

Os objetivos e todas essas técnicas que existem são muito bonitas. Mas não podemos ficar somente nisso. Temos que partir para a AÇÃO, dar o primeiro passo, depois o segundo, e outros em seguida. Vejo muitas pessoas que desejam fazer algo e, infelizmente, passam-se os anos e não deram nem um passo em direção ao que queriam. AÇÃO é a palavra-chave.

Converso com pessoas dos mais variados nichos. Querem abrir um negócio, mas tem receio de iniciar, sempre deixando para o futuro. Não tenho tempo, é a desculpa. Mas o tempo está passando, a vida está passando. Se queremos ter determinada profissão, temos que adquirir as habilidades, fazer um curso, um workshop, treinar, produzir…

Para finalizar, deixo a pergunta? O que você vai fazer hoje, de fato, para dar mais um passo em direção ao seu objetivo? 😉

Minha técnica para Ilustrar

Frequentemente algumas pessoas, apaixonadas por ilustração, me escrevem perguntando sobre vários assuntos relacionados à área. Eu sempre tento ajudar, pois sei como foi difícil conseguir informações quando comecei. São muitas as dúvidas quando estamos iniciando.

Uma coisa que me pedem também é para realizar workshops, e tenho vontade de ministrar alguns, mas como tenho tido muito trabalho, ainda não consegui. Porém, encontrei um rascunho antigo e essa semana fiz uma ilustração mostrando tintin-por-tintin o meu processo. Eu peço desculpas, pois esqueci de me filmar fazendo o desenho a lápis, e o vídeo começa já quando estou pintando o fundo. Mas filmei todo o resto completamente, fiz alguns comentários e está praticamente completo, até o finzinho.

Abaixo um time-lapse da ilustração e, se desejar, clique no botão abaixo para se cadastrar e receber o link completo.

Por que peço que se cadastrem? O vídeo mostra muito do que faço e acredito que seja importante que eu saiba quem são as pessoas que estão visualizando meu trabalho. Mas não se preocupe que não vou ficar enviando emails para você todos os dias. 😉

Clique abaixo para se cadastrar e receber o vídeo completo, com meus comentários. Nesta mesma página, você também pode se cadastrar para baixar outros dois e-books. Confira lá!

Trabalhando com Gravura

Estou no momento fazendo algumas ilustrações para um livro escrito em estilo cordel. O autor queria ilustrações coloridas. Porém, a xilogravura, característica do cordel, é geralmente em preto e branco.

Eu sou fascinada por xilogravura. Acho que o cordel e a xilo combinam de modo especial e também queria a oportunidade de fazer algo diferente. Entramos, então, num acordo e fiz algumas imagens coloridas para o livro, sem perder a característica da gravura.

Para começar, utilizei o linóleo para fazer as imagens. Particularmente, eu gosto muito de trabalhar com a linoleogravura.

Veja o processo.

Fiz o rascunho:

Depois desenhei no linóleo. O linóleo é muito utilizado para gravura. Então, comecei a retirar as partes que queria que ficassem em branco, com as goivas apropriadas.

A reprodução com a tinta para gravura ficou assim:

Mas como o autor queria uma imagem colorida, finalizei a ilustração no computador.

Foi muito bom fazer algo diferente. E o texto do livro é lindo. Quanto ao processo de gravura, utilizei o linóleo como base.

Para fazer os sulcos, usei goivas (também chamadas de formão), como nas imagens abaixo:

A tinta usada foi essa:

Para espalhar a tinta, utilizei um rolinho apropriado.

Veja também como é a placa de linóleo.

Eu usei papel de seda para fazer a impressão da gravura. É preciso espalhar bem a tinta para que toda a área que ficou em relevo fique bem escura. A vantagem da gravura é que dá para fazer várias cópias.

xilogravura é a técnica mais antiga para produzir gravuras, e seus princípios são muito simples. Basta retirar as partes que você não quer que tenham cor na gravura, de uma superfície plana (madeira, linóleo), com o auxílio de ferramentas de corte e entalhe (goivas). Após aplicar tinta na superfície, você coloca um papel sobre a mesma. Ao aplicar pressão sobre essa folha, a imagem é transferida para o papel. Você pode usar uma prensa. Eu, como não tinha prensa em casa (como a maioria das pessoas), usei uma colher (isso, colher de sopa mesmo).

Se tiver alguma dúvida e quiser saber mais, entre em contato. Abs!