É TARDE DEMAIS PARA ME TORNAR ILUSTRADOR?

Ilustração para o livro “Curitiba de A a Z” – Relógio das Flores – O tempo passa e a vida se renova. Basta regar um pouco.

Algumas pessoas acreditam que, uma vez que já optaram por uma profissão, já não há mais tempo e que já estão “velhos” demais para mudar de carreira. Isso, na minha opinião, não quer dizer nada, pois o que importa é que você faça um trabalho que tenha público. Eu mesma fiz o Magistério, sou graduada em Administração pela UFPR, pós-graduada em Marketing e, somente após o meu primeiro filho, comecei a estudar Pintura na Accademia di Belle Arti di Venezia. E eu nem era a mais ‘idosa’ da turma. Tinha até gente aposentada estudando.

É verdade que demora um pouco pra gente se preparar para uma nova carreira. E, mesmo que tenhamos várias ferramentas à nossa disposição, e que a gente saiba a “linguagem” do mercado, o fato é que às vezes precisamos amadurecer nossa arte. E só faremos isso praticando. Por isso, mesmo que você esteja trabalhando em outra área, é essencial usar o seu tempo livre para desenvolver seu traço, pesquisar em que área gostaria de trabalhar, saber mais sobre o mercado, visitar feiras, conhecer pessoas da área…

Porém, como sempre digo, quanto antes começar, antes vai chegar no seu sonho.

Tem gente que começa aos 20 anos e consegue se realizar aos 40. Tem gente que começa aos 40 e consegue se realizar profissionalmente aos 42. Então, para mim, a idade não quer dizer nada.

A verdade é que, para conseguir chegar a algum lugar, temos que investir tempo naquilo que desejamos. Se você se planeja, vai ver que em pouco tempo consegue aprender tudo o que precisa para realizar o seu sonho.

Uma dica que dou é pensar no tipo de ilustração que gostaria de fazer e passar a estudar tudo que vê pela frente sobre o assunto. Aos poucos você mesmo vai percebendo que já sabe mais sobre o assunto e se sente mais confiante.

Outra dica é: não fique desesperado. A princípio, você vai achar que não sabe nada sobre o assunto, que todo mundo está um passo à frente, que você não tem chance. Mas a verdade é estamos todos aprendendo, mesmo quem já trabalha na área há muito tempo, e o mercado muda o tempo todo, e se começar agora, daqui a pouco estará atuando na área.

Outro fato é que, ilustradores que trabalham há muitos anos também se sentem perdidos às vezes. O mundo mudou. Existem ilustradores que ainda atuam, mas que começaram a trabalhar quando a internet nem existia ainda. Pode imaginar?

Às vezes um iniciante pode se sentir meio deslocado, pois não conhece o mercado. Mas você já parou para pensar em como se sentem os profissionais que tiveram que se adaptar às mudanças no mundo nos últimos anos? Será que eles também não se sentem deslocados?

Susan Boyle, que estreou no Britain’s got Talent, tinha 47 anos quando foi se apresentar. Já imaginou se ela tivesse se achado velha demais para isso ?

Grandma Moses foi uma artista americana, que pintava arte folk. Ela começou a pintar com 78 anos. Não é de admirar uma pessoa assim ? Ela morreu com 101 anos e tem obras em vários museus nos EUA.

Louise Bourgeois teve maior sucesso quando chegou aos 70 anos. Uma de suas esculturas esteve no Museu Oscar Niemeyer em 2019.

Aqui você pode ler mais sobre pessoas que fizeram sucesso após os 50 anos de idade. Histórias como essas nos inspiram!

Então, se você tem 20, 40 ou até 70, nunca é tarde para começar.

Sugestão de leitura:

Pense no que quer ser e faça seu plano. Divida em etapas. Nessa postagem eu falo mais sobre isso: https://ingridosternack.com/2018/10/20/planejando-sua-carreira-como-ilustrador-ou-artista-para-aspirantes-a-ilustrador-ou-iniciantes/

Mostra e novo livro!

Na semana passada, durante a abertura da minha mostra individual de ilustrações, tive o prazer de lançar um novo livro: Colorindo Curitiba.

Há muito tempo queria fazer um livro de colorir, e devido à grande procura pelo livro Curitiba de A a Z, acabei produzindo também um livro de colorir com ilustrações em preto e branco, baseadas nas ilustrações do livro de poemas.

Abaixo o artigo da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Ilustrações de livro de poesias sobre Curitiba ganham exposição

01/11/2019 15:38 – Ilustrações de livro de poesia sobre Curitiba ganham exposição – Foto: Cido Marques

Turistas e moradores da cidade têm mais um motivo para visitar a loja #CuritibaSuaLinda, no Centro. Situada junto ao Hotel Pestana, no espaço antigamente ocupado pelo Museu David Carneiro, o local exibe desde quinta-feira (31/10) ampliações de cada ilustração que acompanha os 27 verbetes do livro de poesias  Curitiba de A a Z – projeto apoiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura para o público infanto-juvenil. 
 
O evento foi aberto pela presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Ana Cristina de Castro, que representou o prefeito Rafael Greca, autor do prefácio da obra. Ela saudou os autores – o designer carioca Alexandre Barros Neves, autor dos textos, e a ilustradora curitibana Ingrid Osternack – que são casados e moram em Curitiba, onde Ingrid cresceu.
 

“Foi uma emoção e um privilégio muito grande desenvolver esse livro porque tive a oportunidade de retratar lugares que fazem parte da minha infância”, contou Ingrid. Um deles é o atual Parque Passaúna, implantado em 1991.

“Antes do parque ser formado, eu costumava ir até lá para catar pinhões”, completou a ilustradora, que já publicou 17 livros em coautoria. O último – A Nuvem Pipoca – foi lançado em Portugal, em outubro.


Ingrid lembrou que a ideia do livro nasceu há 7 anos, durante uma viagem de Alexandre ao Peru. “Assim que viu um livro com uma proposta semelhante durante a viagem, começou a pensar na ideia e lançou o desafio. É que mesmo não tendo nascido aqui, ele é um curitibano convertido, grande admirador do jeito do curitibano se relacionar com a cidade”, explicou. 
 
As 27 ilustrações ampliadas podem ser vistas no térreo e no mezanino da loja. A presidente da Fundação Cultural estuda a ideia de fazer exposições itinerantes de Curitiba de A a Z.

Serviço

Curitiba de A a Z
Exposição de ilustrações
Local: Espaço Cultural David Carneiro – Loja #CuritibaSuaLinda (Rua Brigadeiro Franco em frente ao número 1.845, quase na esquina com a Comendador Araújo, no Centro)
Horário: das 10h às 18h30, de terça a sexta-feira
Até dezembro/2019
Para todos os públicos
Entrada franca

Link: https://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/ilustracoes-de-livro-de-poesias-sobre-curitiba-ganham-exposicao/53510

O Ilustrador Empreendedor

Photo of a Woman Thinking

Uma coisa que me tira do sério é ouvir que nós, artistas e profissionais do desenho e ilustração, temos tempo livre, não temos horário fixo, que vivemos relaxados e tranquilos, quase como se estivéssemos ‘vendendo nossa arte na praia’. A verdade é que a profissão do ilustrador demanda muito tempo e empenho. Posso dizer que, pelo menos para mim, se tem uma coisa que o ilustrador não tem sobrando é tempo. Além de ter que desenhar e ilustrar, o ilustrador freelancer, ou até mesmo o ilustrador empreendedor, também atua em várias áreas dentro da sua ‘empresa’. Diferentemente dos Estados Unidos, onde geralmente há a figura do agente, aqui no Brasil o ilustrador tem que se virar quase totalmente sozinho. O ilustrador é praticamente uma “empresa de uma pessoa só”. Veja só:

Orçamentos: além de ter que apresentar orçamentos para seus clientes, dependendo da sua área de atuação, tem que orçar com a gráfica e fornecedores.

Planejamento: de curto e longo prazo, tanto para o projeto do momento como para saber o que estará fazendo no ano que vem.

Gerenciamento de tempo: é essencial ter equilíbrio entre o ‘ilustrar’ e as demais tarefas comerciais, financeiras e legais. Não dá para passar o tempo todo fazendo marketing, e esquecer do seu produto, ou seja, ilustrações.

Administração de materiais – para quem trabalha com materiais como pincéis, tintas e papéis especiais, por exemplo, ou fornece produtos com suas ilustrações.

Cronograma de trabalho – Não fazer um cronograma dos seus projetos pode ser um ‘tiro no pé’. O tempo que se gasta num cronograma se ganha na organização do próprio tempo, possibilitando saber de antemão quando vai terminar um projeto e se – e quando – é possível aceitar outro. Já me pediram para fazer 365 ilustrações em 30 dias. Se eu não souber em quanto tempo eu faço cada ilustração, posso acabar aceitando algo que, para mim, seria impossível entregar num prazo tão apertado.

Emissão de notas ou recibos – no caso do ilustrador ter uma pequena empresa, pode ter que lidar com notas fiscais eletrônicas, boletos, faturas, etc.

Contabilidade e finanças – mesmo que o ilustrador tenha um contador, ainda assim tem que ter noção de impostos, realizar pagamentos, etc…

Contratos – essencial ler e analisar cada cláusula, para ver se cobriu todas as possibilidades antes de assinar e se não há nenhuma abusiva. Além disso, o ‘combinado não sai caro’. Uma vez assinado o contrato, dificilmente se consegue modificar alguma condição. Vou dar um exemplo: a editora pode não querer colocar seu nome na capa do livro, e uma cláusula no contrato pode evitar que você fique ‘esquecido’. Já imaginou você ter um trabalho que vai atingir milhares de pessoas e alguém gostar do seu trabalho mas não saber quem fez as ilustrações do livro?

Negociação de valores – cada caso é um caso e cada cliente um cliente. Nem sempre você vai poder cobrar a mesma coisa de cada cliente. Depende de vários fatores e uma negociação pode levar dias e dias de troca de e-mails entre você e o editor.

Encontro com clientes/expedição – embora não seja comum, alguns clientes querem conhecer o ilustrador antes de contratar. Em outros casos, você pode se encontrar com algum possível cliente para discutir novos projetos que estão somente no papel. Sem falar que, às vezes tem que entregar ou despachar os produtos que comercializa.

Oficinas – recebo muitos pedidos de oficinas. Às vezes eu aceito, às vezes, não. Uma oficina demanda muito tempo e geralmente quem solicita não pode (ou não quer) remunerar o seu tempo e trabalho. Isso depende do estágio em que você se encontra, se tem ou não algum trabalho no momento, se você vê oportunidades ou não, entre outros fatores. Mas muitas vezes é um tempo que você emprega e que, no fim, não recebe nem um lanchinho nem o dinheiro para o seu transporte.

Hora extra – é isso mesmo. Quantas vezes não ficamos até as 2h da manhã para terminar um trabalho? A vida é feita de eventos, alguns bons e outros nem tanto. E algum deles pode atrasar o seu trabalho e você ter que usar um fim de semana para terminar.

Divulgação e marketing – com tantas mídias sociais, temos que aproveitar para expor e divulgar nosso trabalho. Confesso que não dou tanta atenção a isso como deveria, mas o tempo que uso para isso depende da quantidade de trabalho que tenho naquela semana. Se tiver um livro para entregar, provavelmente vou postar pouco. Mas que é importante, isso é.

Visitar feiras, participar de associações – essa parte é bem interessante. Embora seja uma delícia visitar feiras, encontrar com colegas, assistir palestras, ainda assim isso toma tempo. Tem enormes vantagens pois, além de ser um evento social, que é ótimo, oportunidades de trabalho podem surgir.

Minha mãe diria: fiquei cansada só de ler. Mas é verdade. Hoje mesmo falei com três fornecedores meus, e dois deles vieram trazer material que mandei imprimir. Nos dois casos o produto não ficou como a prova que haviam feito. Isso significa retrabalho, tanto para eles como para mim. Tempo que poderia estar ilustrando ou, como diz meu filho, ‘desenhandinho’. E mesmo para isso temos que pesquisar, estudar, fazer rascunhos…

Enfim, embora a profissão de ilustrador pareça glamourosa para quem olha de fora, a realidade é que somos praticamente uma empresa, e temos que atuar como tal.