
Ilustração em Lápis de Cor



A cada dia que passa a profissão do ilustrador fica mais interessante. Antigamente, um ilustrador não passava de um prestador de serviços. Alguns livros nem davam crédito ao ilustrador. Atualmente, felizmente, o ilustrador já tem sido visto e considerado como autor de imagem.
É importante ressaltar que a ilustração é muito influenciada pela cultura em que foi criada. Alguns autores acreditam que a ilustração começou no tempo das cavernas. Outros estudiosos tem dificuldade em definir o que é arte e o que é ilustração. Eu, particularmente, acredito que a ilustração é mais um tipo de arte. É, na minha opinião, a união do ‘útil ao agradável’. Eu explico: enquanto a arte pode sobreviver por si só, a ilustração geralmente vem acompanhada de uma narrativa. O objetivo da ilustração é comunicar uma ideia, conceito ou mensagem. Geralmente utilizada em publicidade, política e nos meios jornalísticos, a ilustração tem um caráter de utilidade. Embora seja possível ser somente decorativa, geralmente tem como objetivo a comunicação.
Com o advento da imprensa, a ilustração começou a ser utilizada de modo mais abrangente, criando oportunidades cada vez maiores para o ‘artista-ilustrador’. Alguém pode argumentar que a ilustração é substituível, pois temos a fotografia. Porém, nem toda foto consegue transmitir uma mensagem como uma ilustração. Bem que dizem que uma imagem vale mais que mil palavras…
Nos últimos anos, percebemos uma grande expansão dessa arte. Hoje, a maioria dos ilustradores são freelancers, alguns deles trabalhando para si mesmos, e recebendo crédito pelas suas artes como verdadeiros artistas. São artistas independentes, que fazem seu próprio horário, e que buscam significado no que fazem, com o objetivo de obter satisfação no seu trabalho. Essa maior possibilidade de trabalho também gerou maior competitividade, o que fez aumentar consideravelmente a qualidade do trabalho dos ilustradores e também gerou a necessidade de buscar a cada dia aprimoramento maior. Não basta mais saber ilustrar, é preciso se destacar. Além disso, é necessário também conhecer como funciona o mercado e os aspectos comerciais e legais da profissão.
Pensando nisso, criei o curso online “Primeiros Passos do Ilustrador”, no qual falo sobre todos esses aspectos. Ainda sem data para abertura de turma, esse curso visa preencher uma lacuna na formação do ilustrador.
Se desejar receber informações a respeito, entre em contato ou deixe seu nome aqui.
Outra notícia:
Nesse fim de outubro, a Prefeitura de Curitiba me convidou para realizar uma mostra individual das ilustrações do livro “Curitiba de A a Z”. A abertura da mostra está programada para o dia 31 de outubro, às 17h, no Espaço Cultural David Carneiro, na Brigadeiro Franco, anexo ao Hotel Pestana.

Trabalhando com lápis de cor.

Dias atrás eu estava falando em começos… e ontem, dando uma arrumada no meu atelier, achei uma porção de trabalhos antigos.
Como acabei um trabalho há alguns dias, e geralmente meu atelier fica uma bagunça, sempre que termino um projeto dou uma arrumadinha. E dessa vez fiquei bem contente em encontrar alguns trabalhos que eu havia feito há bastante tempo, e pude constatar que aprendi bastante ao longo dos anos.
Se você está começando agora, vai achar que tem que saber tudo de uma vez. Que precisa começar a ilustrar e já saber tudo sobre a área, sobre os materiais, sobre as técnicas, sobre a parte de business… Sempre temos essa tendência de achar que tudo tem que ser imediato. Dizem que isso acontece por causa da internet, da velocidade de hoje em dia. Se é fato, não sei, mas sei que o ser humano é um pouco impaciente por natureza.
Mas como sempre digo, se um bebê demora 9 meses pra nascer, e mais não sei quanto tempo só para começar a falar e andar, por que achamos que vamos dominar algo da noite para o dia?
Acima coloco um exemplo. Na imagem, coloquei alguns trabalhos que fiz bem antes de me formar. Um deles, do casal tomando chá, à esquerda, fiz há muitos anos. Mais de vinte anos atrás… Escrevi uma história, ilustrei com caneta Bic e lápis de cor, e mandei para uma editora. Fico feliz que, mesmo tendo sido recusado, não tenham destruído, mas me devolvido, pois agora tenho uma recordação da minha primeira tentativa na área da literatura. Vejam como foi um trabalho até ingênuo, pois não tinha técnica nem nada. E me surpreendo da minha ousadia na época.
No meio, três trabalhos que fiz na faculdade. Já estão um pouquinho melhores. Três propostas de trabalho para meu curso de desenho. Uma colagem, uma ilustração a lápis de cor e uma técnica mista, onde misturo colagem e lápis aquarelável. Lembro que nem lápis de cor eu tinha, e ganhei uma caixa de lápis já usados.
Por fim, após estar formada, mais uma vez escrevi uma história e ilustrei (à direita). Os traços ainda eram bem inseguros, mas mesmo assim me aventurei.
Talvez a gente pense, logo de início, que nosso traço não é tão bom e desista rapidamente. Talvez achemos que não temos talento e que deveríamos tentar algum trabalho “mais lucrativo”. Talvez as pessoas nos achem sonhadores… Mas o que realmente importa é que a gente não desista. Ao longo do tempo vamos nos desenvolvendo e aprimorando nosso trabalho.

Eu olho o que fiz há tantos anos e penso: nossa, meus desenhos não eram bons, eu não tinha material, eu não tinha técnica… Mas hoje, com quase 20 livros publicados, fico feliz e agradecida por não ter desistido. Por ter continuado a buscar aprimoramento, por ter persistido. Se eu tivesse olhado para aquele primeiro trabalho, e pensado que não tinha jeito para a coisa, hoje talvez estivesse trabalhando em outra área, e meu sonho de ser ilustradora estaria ainda na gaveta… talvez até já tivesse ido para o lixo.
Hoje trabalho com o que gosto e percebo que, qualquer um que tenha o mesmo sonho, pode também ser bem sucedido.
Se você é aspirante a ilustrador, ou está iniciando, e as coisas estão difíceis, continue buscando aprimoramento, pratique bastante, que uma hora você chega lá.
E se você que já está no mercado de trabalho, em outra área, e acha que já passou da hora, saiba que nunca é tarde para recomeçar. Também sou prova disso. 🙂
Bom final de semana!
Essa semana fiquei impressionada ao descobrir como foi o primeiro computador da Apple. Ao ver a imagem, pensei: deve ser brincadeira de alguém. Rsrs… Mas ao pesquisar, descobri que o Apple I foi um computador criado para uso pessoal, e feito à mão. Entretanto, foi o que deu origem à empresa que hoje fabrica os mais cobiçados aparelhos, tanto celulares como computadores.

Ao ver esse computador, pensei em como tantas vezes deixamos de seguir em frente numa ideia ou até num desenho, só porque a primeira tentativa não ficou tão boa. Já imaginou se o Steve Jobs não tivesse dado continuidade a essa ideia?
E isso me levou a pensar… quantas vezes já desistimos de algo porque não gostamos da primeira tentativa?
Uma coisa que minha filha comenta comigo é que acha interessante que eu não gosto de desistir. Mesmo que receba algumas críticas, o que certamente acontece com todo mundo, eu tendo a tentar mais vezes. Nem sempre, é claro, dou continuidade a algo, afinal somos humanos, né? Mas confesso que sou meio teimosa para algumas coisas. Como sou descendente de alemães, uma brincadeira que fazem de vez em quando é: alemão não é teimoso. Teimoso é quem teima com alemão. Creio que querem dizer que o alemão é tão teimoso que não adianta discutir. Mas brincadeiras à parte, eu não sou tão teimosa assim, não. Além disso, sou descendente de poloneses também. Rsrs…
Também acho que, mesmo que algo não dê certo, o aprendizado fica. E eu amo estudar, ler e aprender. Então, ainda que fique frustrada quando algo não dá certo, me consolo com o fato de que aprendi algo e o tempo não foi tão desperdiçado.
O que quero dizer com tudo isso? Que temos que praticar sempre. Realmente acredito que podemos melhorar se praticarmos bastante. Se você me acompanha aqui, já deve ter lido sobre isso. Na nossa área, de desenho e ilustração, quanto mais praticamos, mais aprendemos. Para ficar fera no desenho, uma pessoa tem que desenhar todo dia. Isso é fato.
Uma pessoa que desenha todos os dias vai ficando cada dia melhor. Assim é em todas as áreas. Porém, há mais um detalhe que precisa ser considerado. Como diz um empreendedor popular da internet, se somente prática levasse à perfeição, motorista de táxi seria corredor de fórmula I. Então, a prática ajuda muito a melhorar em alguma coisa, mas não é só isso. E o que mais seria, então?
Nos meus anos de experiência, tenho observado que é necessário também aprender novas técnicas, observar outros trabalhos, conhecer novas pessoas e, consequentemente, estar aberto a novas ideias. Não podemos ficar fechados na nossa bolha. As ideias que temos, somadas às ideias dos outros, podem levar a conceitos inovadores. Uma técnica nova, agregada ao que você já sabe, pode te levar a fazer um outro tipo de trabalho, ao mesmo tempo desafiador e gratificante.
Fazer um curso, estudar mais sobre a sua área, participar de um workshop, tudo isso traz novos insights que nos renovam e nos dão mais pique para focar em coisas novas. Até mesmo observar um artista trabalhando, mesmo que ele não diga nada, pode revelar o que não foi dito e até vir a dar uma refrescada em nosso trabalho.
Assim, quando começar algo novo, e se frustrar com o resultado, tente de novo. Foi só o primeiro passo. Curiosamente, até a Bíblia diz em Zacarias 4:10 para não desprezarmos os pequenos começos.
Para conhecer mais sobre o primeiro computador da Apple, clique aqui.

Essa semana estou trabalhando em um novo projeto, com lápis de cor. 🙂
Pequeno making of da ilustração da Ópera de Arame, em Curitiba, para o livro “Curitiba de A a Z”, de Alexandre Barros Neves, Editora Insight.
O livro “Curitiba de A a Z” é um livro voltado a crianças, que fala de modo leve e divertido sobre a cidade de Curitiba, suas características e pontos turísticos.
Fiz essa ilustração para a Editora Lodare, representando um menino que não estava muito a fim de recolher seus brinquedos. Rsrs… quem nunca passou por isso?

Muitas vezes as pessoas olham com certo “desinteresse” a profissão do ilustrador e do desenhista. Na verdade, ser artista parece ser algo que não é levado muito a sério e muita gente só considera a validação exterior, quando o artista é famoso e está ‘ganhando muito dinheiro’. Há pessoas que valorizam, sim, mas geralmente são pessoas que estão em áreas afins, ou então gostariam de trabalhar com arte e ilustração.
Por que estou falando isso? Porque quando você é microempresário, ou autônomo, e principalmente quando seu studio é na sua própria casa, as pessoas tem a tendência a acreditar que você não faz nada. E artista é visto como alguém que não trabalha. Parece que o conceito de trabalhar é ‘sair de casa”. Porque, do contrário, imaginam que você fica em casa de pijama. Não tem ideia da quantidade de horas que você passa pesquisando, ilustrando, ajustando as imagens no computador para que fiquem na tela exatamente o que você ilustrou, comprando materiais, fazendo negociações, lidando com os aspectos legais da profissão, networking, marketing, tudo isso entremeado com a vida pessoal, que todo mundo tem e que é o que dá colorido à vida.
Eu já escrevi isso aqui, mas vou contar novamente para quem não ouviu ainda – é como diz brincando o meu filho:
– Você fica o dia todo desenhandinho. 🙂
Não só o dia todo, mas também algumas madrugadas para entregar dentro do prazo. Rsrs…
Há anos venho ‘matutando’ sobre esse assunto e percebi que a nossa profissão tem um impacto enorme. Aparentemente, até parece que não. Mas comecei a pensar em quantos livros já tinha ilustrado, e na quantidade de exemplares que foram impressos até hoje, e cheguei à conclusão que mais de 30.000 crianças já receberam livros com minhas ilustrações. Para alguns pode parecer pouco, mas para mim é muito relevante. Isso quer dizer que eu fiz parte, pelo menos por alguns minutos, da vida de cada uma dessas crianças. Existem, claro, livros que nunca foram abertos, mas o livro pode ser lido e relido e, se estiver numa biblioteca de escola, muito mais crianças terão visto, lido relido o mesmo. E quantas escolas podem ter usado o livro que ilustramos para trabalhar conteúdos, ou interpretar um texto?
Nessa semana há oficinas acontecendo com um livro que ilustrei: Sibila. A própria autora está trabalhando a história com várias crianças. Com um só exemplar, ela tem contado a história da cobrinha Sibila para centenas de crianças.

Inclusive ela mandou fazer alguns bichinhos de pano exatamente no formato, cores e texturas que ilustrei. Não é pra ficar feliz?
Voltando ao nosso assunto, o livro também não costuma ser jogado fora, mas dado a outra pessoa. Quantas crianças receberam um livro usado até hoje? Eu, quando pequena, recebi muuuitos.
Alguns desses livros que ilustrei já foram traduzidos e hoje estão em outros países. Por quantas mãozinhas já passaram? Criaram sonhos? Suscitaram emoções? Divertiram?
É claro que isso também depende do próprio ambiente e contexto onde a criança se encontra, e também da história. Mas o ilustrador tem uma grande responsabilidade em suas mãos, pois há crianças que ainda não leem e que só vão absorver a mensagem das imagens. E há crianças que ficarão mais impactadas pelas imagens que pelo texto. Por isso, é importante pensar no leitor, no que a imagem vai comunicar, se poderá ser interpretada erroneamente, qual o público alvo…
Pare e pense agora: será que, nesse mesmo momento em que você está lendo esse texto, não tem alguém com um livro seu nas mãos, admirando o trabalho que você fez? Ou, se você ainda não publicou o seu livro, imagine no futuro a alegria das crianças ao receber e abrir um livro ilustrado inteiramente por você? Não é emocionante? Não faz a vida de ilustrador valer muito a pena? 🙂
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