Esse time-lapse fiz quando ilustrei uma página para o livro Sibila, de Marilza Conceição, Editora Insight.
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Ilustração para Capa
Livro para o Aspirante a Ilustrador
Como sempre recebo perguntas sobre a minha profissão, me animei a escrever um livro com dicas e sugestões para quem deseja iniciar na carreira de ilustrador de livros infantis. Nesse livro estarei não só dando dicas, mas também contando algumas experiências minhas nessa área ao longo dos anos. Embora não esteja ainda finalizado, quem tiver interesse no livro, me escreva ou cadastre seu email. Se você tiver perguntas ou quiser saber mais sobre a carreira de ilustrador, me escreva que ficarei feliz em responder. 😊
Encontrando seu estilo
Muito fala-se atualmente no estilo do artista. É pelo estilo que as pessoas conseguem reconhecer o autor de uma obra de arte, sem nem mesmo ver sua assinatura. Um exemplo forte disso é o estilo do artista Romero Britto. Quem vê, já sabe que as ilustrações tipo vitral, super coloridas, com linhas pretas, pertencem ao pernambucano. Infelizmente, é um estilo que vem sendo muito copiado.
Embora não exista uma regra, abaixo cito algumas dicas para quem ainda se sente inseguro com relação à busca do seu estilo.
1. O seu estilo próprio se revela muito melhor quando você faz arte para agradar a você mesmo
Sempre que mostro meu portfolio para alguém, as ilustrações que mais recebo comentários positivos são as que fiz pensando em agradar a mim mesma. Claro que temos que cumprir o ‘briefing’ de um cliente, mas é fato que, quando não termos a intenção de atingir a expectativa dos outros, conseguimos ficar mais soltos e assim a nossa criatividade flui melhor. Fazemos o que mais gostamos e o trabalho acaba ficando uma expressão mais fiel de nós mesmos.
2. Ir além
Eu gosto muito de me desafiar. Acredito que sempre posso melhorar. E isso é uma característica do artista em geral. Gosto do lema do Buzz Lightyear: ao infinito… e além! 😂 Mesmo trabalhando essencialmente com acrílico, às vezes gosto de tentar outras técnicas. Isso faz com que saia da minha zona de conforto e pode até trazer resultados inesperados. Também pode ser que algum resultado dessa exploração acabe sendo incorporado em minha arte, e isso vai certamente refletir no meu estilo.
3. Procure inspiração
Visitar museus, fazer cursos, observar o trabalho de outros artistas… tudo pode te inspirar a descobrir o que mais gosta numa obra e isso também vai ter impacto em sua arte. Não se trata de cópia, mas o fato de observar o trabalho de outros artistas cria um mix de ideas em seu cérebro que levarão você a fazer algo que pode até vir a ser muito diferente, mas que é só seu. Muitos artistas na história trabalhavam em conjunto ou se encontravam para discutir arte. E muitas vezes isso criou um movimento artístico. Há também artistas que eram discípulos de outros, mas que deram seu toque pessoal ao que faziam. Tudo o que somos é reflexo de uma cultura. Ninguém cria algo do nada. Mas o artista interpreta essa cultura e expressa o que absorve de uma maneira única e individual.
4. Mude o ponto de vista
Após toda essa busca à inspiração, pense: o que eu faria diferente desses artistas? O que eu gosto de fazer que é diverso do que já tem sido feito? O que posso fazer que não seja ‘moda’ no momento?
Embora fale-se muito sobre estilo atualmente, o meu conselho é não se preocupar demais com isso. Desenhando sempre, e muito, o seu estilo próprio vai amadurecendo e você vai ver que as pessoas passarão a reconhecer o seu trabalho com o tempo. A paleta de cores que utiliza, a anatomia da figura humana, o tipo de papel, a técnica, entre outros aspectos do seu trabalho, tudo isso vai contribuir para criar a sua marca dentro do mundo artístico. 😘
Ilustração
O Sonho de se tornar Artista – 2
Como eu dizia na primeira parte dessa postagem, aqui, ao entrar para a Accademia di Belle Arti di Venezia, a jornada só estava começando.
No primeiro ano, tive História da Arte, onde estudamos principalmente a arte italiana. Foi muito interessante, pois ouvi sobre pintores que não são tão conhecidos no mundo afora. Também é interessante poder estudar sobre lugares que eram próximos e que podíamos visitar, como a casa da Peggy Guggenheim, em Veneza. As visitas aos museus italianos eram experiências em que parecia que eu estava dentro de um filme. Visitar lugares onde artistas estiveram, fizeram encontros e discutiram arte era algo que me deslumbrava…
Como as aulas eram em italiano, eu costumava gravar o professor falando, e depois, em casa, ficava até de madrugada repassando o que ele tinha falado para o caderno. Isso foi muito útil para lembrar do conteúdo como também para melhorar meu vocabulário, o que era indispensável, já que as provas eram orais e tínhamos que responder diretamente ao professor.
Também tivemos aulas de Técnicas Pictóricas, onde aprendemos várias técnicas, como aquarela, colagem, pastel, carvão, lápis de cor, sanguínea, acrílico, óleo, etc…
Na aula de Pintura, cada aluno era incentivado a seguir o seu próprio percurso. Éramos livres para decidir o que faríamos e a técnica. O professor ia de mesa em mesa para conversar com cada um e fazer comentários, sempre buscando o aperfeiçoamento. Tive pintura com o professor Eugenio Comencini. Abaixo uma obra dele.
cada dia mais perto de seu objetivo. E qual o melhor momento para começar? Bem agora. 😉
Mais um lançamento: Sibila!!!
O Sonho de se Tornar Artista
Antes de eu me tornar ilustradora, trabalhei como professora primária e também no departamento comercial de uma grande empresa. Vindo de uma família simples, não tinha condições de somente estudar, e comecei a trabalhar enquanto ainda fazia o ensino médio. Sou formada não somente em Pintura, mas também fiz magistério no Ensino Médio, sou graduada em Administração na UFPR, fiz uma pós-graduação em Marketing, também um curso de aperfeiçoamento em Metodologia do Ensino Superior, além de cursos de aperfeiçoamento em ilustração infantil.
Todos esses cursos foram muito enriquecedores, mas desde muito pequena sabia que o meu sonho era ser artista e ilustradora. Ser artista, principalmente no Brasil, é uma profissão que requer muito jogo de cintura. Certamente existem países onde o artista tem mais oportunidades, mas em nosso país temos que ser flexíveis.
Na Itália, onde me formei em Belas Artes, não é diferente. Lá os ilustradores sempre tem uma outra fonte de renda. Quem trabalha somente com ilustração geralmente depende de outra pessoa (marido, família) para complementar a renda. Outros dão cursos, oficinas, ensinam em universidades, ou fazem algum trabalho relacionado a artes. Há aqueles que participam de feiras, vendem seus livros, visitam escolas, enfim, sempre atuando na área, mas dificilmente ilustram em tempo integral. Pelo que tenho observado com meus colegas, é a mesma coisa aqui.
O trabalho em si é algo muito importante para o ser humano. Tanto que, se você perguntar a alguém o que aquela pessoa é, ou faz, ela vai responder dizendo a profissão dela. Na grande maioria das vezes, a nossa profissão nos define.
Em algumas profissões, somente se obtiver um diploma e muita experiência, você pode dizer que é aquele ‘título’. Porém, com o artista nem sempre é assim. Ser artista tem uma conotação especial. Mesmo antes de se formar, quando – e se – isso acontece, você pode dizer que é um artista.
Ser artista é ser apaixonado por fazer arte. Um artista está sempre fazendo arte: nos cadernos de escola, no verso de papéis do seu trabalho, nos finais de semana, nas paredes, no guardanapo do restaurante… 🙂
Então, mesmo que uma pessoa trabalhe o dia todo em outra profissão, ela ainda vai achar um tempo para fazer sua arte. Pode ser à noite, nos finais de semana, mas a sua mente está sempre ligada em algo relativo a arte.
Às vezes, a correria do dia a dia nos faz deixar nossos sonhos para depois. Mas isso não precisa ser assim. Nunca é tarde para correr atrás do seu sonho.
Há alguns anos eu mesma estava trabalhando em outra profissão, e com filho pequeno. Eu entrava na empresa às 7:40 e saía 17:50. Era muito longe do centro da cidade e levava quase uma hora de ônibus. Porém, apesar de ser desanimador, decidi que iria estudar arte e passei no vestibular em duas faculdades, uma federal e outra estadual. Optei por uma das faculdades e comecei a estudar. Não foi fácil conciliar tudo isso. Minha mãe pegava três ônibus para ficar com meu filho bebê em minha casa.
Assim que terminei o primeiro ano de Desenho, meu marido foi convidado para passar dois anos na Itália. Deixei a faculdade de Desenho e comecei a me informar em como poderia estudar lá. Mesmo sabendo que ficaria somente dois anos, sabia que um ano de estudo lá seria uma grande oportunidade.
Na Itália também não foi fácil. Não conhecia ninguém, a creche era somente para crianças a partir de 3 anos e tinha fila de espera por vagas. Meu filho tinha dois anos e o valor de escola particular era absurdo. No primeiro ano fiquei somente pesquisando sobre faculdades. A cidade em que morava era muito pequena e só tinha uma linha de ônibus, que funcionava poucas vezes por dia.
Na época a internet era novidade por lá e não consegui nenhuma informação online. Com o auxílio de colegas de meu marido, descobri que a 90km dali havia a Accademia di Belle Arti de Veneza. Viajamos, meu filho de 2 anos e eu, de trem para obter informações em Veneza. A cidade era maravilhosa, mas tudo muito complicado. Pegamos o vaporetto, que é um barco-ônibus, e consegui chegar na Accademia. Lá me deram informações contraditórias. Como eu era estrangeira, teria que me inscrever para o vestibular (esami di ammissione) através do consulado brasileiro. Os documentos tinham que ser traduzidos (juramentados) e consularizados. Pensei: como é que eu, estando aqui, vou enviar tudo para o Brasil a tempo?
O consulado italiano é sempre muito cheio e, com a ajuda de uma grande amiga, consegui entregar toda a documentação no consulado um dia depois de as inscrições estarem terminadas. Eu lá na Itália e ela aqui para me ajudar. Por graça divina, o consulado aceitou minha documentação um dia atrasada (porque o malote ainda não tinha sido enviado) e consegui me inscrever para fazer o vestibular. Um detalhe importante se você pretende fazer uma faculdade na Itália: eles só aceitaram minha documentação porque eu já era formada em um curso superior. Caso contrário, eu teria que fazer uma complementação de estudos antes de ingressar na faculdade.
Os exames de admissão consistiam em provas orais de História da Arte Italiana, um desenho livre e desenho de observação. Neste último tínhamos que desenhar a modelo (nua) que tinha vindo posar.
Como eu era estrangeira, fui dispensada do exame de História da Arte Italiana, mas fui entrevistada por uma banca que me fez outras perguntas.
Dias depois, quando vi que tinha sido aprovada, foi uma dos momentos mais felizes de minha vida. Porém, a jornada estava só começando…
Para não ficar muito longo, vou contar minha experiência na próxima postagem. 🙂











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