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A Serpente de Pano no Armário da Escola
2 de Abril – Dia Internacional do Livro Infantil
Ilustrações em Preto e Branco
Lançamento do Livro ‘O Voo da Poesia’
Oficina de Ilustração para Crianças em Estocolmo – Suécia
Fui convidada para fazer uma série de oficinas de ilustração para crianças do Jardim de Infância (Kindergarten) na Stockholm International School – SIS, em Estocolmo, Suécia. Irei à escola toda segunda feira, por algumas semanas. Nessa classe as crianças tem entre 5 e 6 anos.
A primeira ‘aula’ foi no dia 17 de março. Comecei a oficina mostrando algumas ilustrações minhas e um roughs que fiz para um trabalho que estou desenvolvendo no momento. A professora, Miss White, sugeriu que trabalhássemos com uma fábula bem conhecida pelas crianças: O Coelho e a Tartaruga (The hare and the tortoise ). A intenção é fazermos um pequeno livro com poucas páginas. Cada página contemplará uma técnica diferente. Também temos a intenção de fazer as contracapas (capas 2 e 3) marmorizadas. Estou ansiosa para ver o resultado!
Nesse primeiro dia, conversamos sobre a fábula e expliquei o que iríamos fazer. Para a primeira página do livro, decidimos apresentar os personagens. Para essa página, os personagens seriam feitos de massinha de modelar, o cenário feito com colagem e a professora finalizaria tirando uma foto.
As fotos do primeiro dia:
Na segunda feira seguinte, no dia 24, fizemos a revisão do nosso storyboard e passamos à execução do cenário (background). Cada criança realizou uma parte do cenário. Ficaram tão entusiasmadas com o trabalho, que o cenário acabou ficando repleto de flores, arbustos, árvores, animais (até um hipopótamo passou a fazer parte da história! Amei!), borboletas, flores, etc… Abaixo o resultado do cenário e uma imagem finalizada por uma das alunas.
Jardim de Infância – 5/6 anos
Detalhe de Ilustração para o Livro ‘A Busca de Aninha’
Cachorrinho
O que o texto não diz
Em muitos textos infantis, às vezes a história se desenrola de um modo que não sabemos onde os personagens estão ou o que estão fazendo enquanto falam. Uma característica que gosto em algumas ilustrações é quando a ilustração diz algo a mais sobre a história, especialmente quando o texto não diz. Sempre que possível, tento ilustrar de um modo que não seja mera repetição do que diz o texto.
Por exemplo, no início do livro ‘A Busca de Aninha’, que ilustrei, os pais conversam com a filha e o texto não revela o que estão fazendo nem onde estão. Como Aninha tinha acabado de chegar da escola, já foi falando com o pai e a mãe sobre o seu dia. Como ela chegou? Alguém a trouxe? Ela foi sozinha? Estava de uniforme ou não? Sabemos que muitas crianças ainda vão à escola sozinhas, mas como nas grandes cidades geralmente são levadas pelos pais, ilustrei essa parte incluindo a mãe, como se ela tivesse ido buscar a menina. Nesse momento inicia-se a conversa entre os três (pai, mãe e filha) sobre o que aconteceu na escola e me perguntei: onde estavam? Na sala, no sofá? O diálogo era longo, o que tomaria algumas páginas. Considerei que as ilustrações seriam um pouco entendiantes se eles ficassem o tempo todo na sala conversando. Coloquei-me na situação deles: quando meus filhos chegam da escola, o que fazemos, em que lugar da casa estamos? Assim, ao invés de ilustrá-los somente conversando, resolvi incluir na história o que geralmente acontece em algumas famílias quando uma criança chega em casa depois da escola: uma refeição com os pais ou em família. Os personagens, durante o tempo em que estão conversando sobre o ‘problema’ que a menina precisa resolver, arrumam a mesa, comem e retiram os pratos. Entretanto, desse momento da história, o que mais me chamou a atenção no texto foi o seguinte diálogo:
“— Ai, papai, estou tão nervosa… Não sei bem por onde começar! O senhor vai me ajudar, não vai?
— Pede pra mamãe, filhinha.
— Opa! Não me ponha nessa história. Eu não tenho vocação para detetive — disse a mãe já saindo de fininho.
— Xiii… Estou vendo que vai sobrar para mim — disse o pai já conformado com a nova missão.
— Oba! — exclamou Aninha. — O papai vai me ajudar. Que bom!”
Quando eu li esse texto pela primeira vez, fiquei um pouco impressionada com a atitude da mãe, ‘saindo de fininho’. Eu me perguntei: por que a mãe teria deixado de ajudar a filha? Fiquei me imaginando na situação. O que uma mãe tem tanto a fazer que resolve delegar ao pai essa tarefa com a filha? Para que o leitor não tivesse a sensação de que a mãe não queria ajudar a filha ou que tratou o seu problema com descaso, resolvi ilustrar a mãe levando os pratos para a pia, que já estava cheia de louça. Ou seja, podemos dizer que a ilustração ajudou a elucidar o motivo pelo qual a mãe não poderia ajudar a menina (na interpretação do ilustrador, pelo menos…). Não porque ela não queria, mas porque tinha outras tarefas a fazer. Veja ilustração abaixo:
Finalizando, é importante ressaltar que essa ‘liberdade’ que tomei foi apresentada e aprovada pelo editor. Como já disse antes em outro post, todas as minhas ilustrações são apresentadas em forma de ‘rafes’ previamente e sempre aprovadas pela editora. Assim a editora tem a segurança de que não terá nenhuma surpresa e eu tenho a segurança de que não terei que refazer nenhuma ilustração.

















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