Feliz ano novo!

O início de um novo ano é como o início de uma nova fase na vida. Nos dá mais ânimo, motivação e esperanças.


Que o seu ano seja muito abençoado e ilustrado! E que todos os seus sonhos se realizem, com as bênçãos do Senhor!


Feliz 2022!

Home Office – Trabalhando em Casa

Já faz muitos anos que eu trabalho como ilustradora e, como muitos freelancers, tenho o meu studio em casa. Como já comentei aqui, no início só tinha uma mesa e alguns materiais. Com o tempo fui adquirindo mais materiais e móveis. E hoje tenho meu próprio espaço em minha casa.

Quando eu comecei, pesquisei muito em como fazer para conciliar o trabalho com a rotina de mãe e dona de casa. Não era fácil. Na época, home office era algo impensável e havia apenas alguns artigos sobre o assunto. Li blogs e livros sobre essa modalidade mas nenhum parecia se encaixar com a minha realidade. Minha filha era bebê e era bem complicado para gerenciar tudo. E no momento, com a quarentena, tenho ouvido amigas comentando a dificuldade de não conseguir conciliar trabalho, casa e família. É, de fato, uma loucura.

Os artigos que eu lia eram sempre sobre pessoas que tinham empregada, babá e ajuda das avós. Totalmente diferente de minha realidade. Minha mãe, embora se disponibilizasse, não tinha condições de me ajudar. Eu não tinha nem empregada, nem babá, como a maioria das famílias. E minha sogra mora em outro estado. Enfim, era tudo comigo mesmo. Eu que fazia as ilustrações, que cuidava das crianças, comida, roupa e casa. (Na verdade, continua assim, só que as crianças já estão maiores).

Embora o propósito de meu blog não seja tratar de home office, acredito que essa seja a realidade de muitos ilustradores, principalmente ilustradoras. Sei que alguns ilustradores até tem um espaço fora de casa, mas nos últimos anos, vários colegas decidiram, pelas mais variadas razões, que era mais conveniente ter seu studio em casa.

Por isso, vou dar algumas dicas que eu aprendi por experiência própria. Não foi fácil. Quando minha filha era bebê, minha casa era uma bagunça. Vejo fotos dela pequena e fico horrorizada com os cenários. Rsrs… Na verdade, com a pandemia, parece que o trabalho triplicou. Não é verdade?

Meu objetivo aqui não é dizer que ‘sou um gênio’ e faço tudo certinho e organizado. Longe disso. Basta perguntar aos meus filhos. 🙂 Mas acredito que a minha experiência pode ajudar a quem está lidando com uma nova realidade de ter filhos em casa o dia todo, cozinhar, cuidar da casa e ilustrar. Já faz mais de 15 anos que a minha rotina é assim e acredito que eu possa colaborar com algumas dicas.

Estar em casa com filhos o dia todo é bem desafiador. Ou você deixa eles o dia todo vendo tv, jogando vídeo-games, ou envolve eles no seu trabalho. Eles querem atenção e é bem complicado conseguir trabalhar. Por isso, muitas vezes fui dormir de madrugada, a fim de terminar um projeto. Quanto aos filhos, são bênção e temos que curtir bastante, pois crescem rápido. Por outro lado, eles também tem que entender que você tem horários. Equilíbrio é importante nesses momentos, pois eles merecem atenção. Já joguei (e ainda jogo) vídeo games, mas eles tem que entender que não são o centro de tudo.

Mas vamos às dicas. O que digo aqui são apenas sugestões e você não precisa seguir nenhuma. Cada um tem a sua realidade.

1: Diga não. Com os anos, embora vários trabalhos tenham surgido, foi necessário declinar de alguns, porque não daria conta de fazer tudo. Preferi manter os meus objetivos focando em projetos que me desafiassem, ensinassem alguma coisa, e não aceitar tudo o que surgisse, pois ficaria sobrecarregada. Já imaginou aceitar algo e não conseguir entregar no prazo? Portanto, se um trabalho fosse tomar muito do meu tempo, preferia não aceitar ou sugeria outras condições. Perdi trabalhos? Sim, perdi vários. Às vezes penso se não deveria ter aceitado, pois hoje teria um portfólio maior de livros publicados, mais contatos com editores, e certamente o pagamento teria ajudado muito. Porém, achei que valia a pena ter equilíbrio entre o lado pessoal e profissional.

2: Considere se vale a pena qualquer trabalho que aparecer. Prefira trabalhos que ajudem você a se desenvolver. Sempre vão aparecer trabalhos gratuitos ou que paguem pouco. Use a sua intuição para determinar o que deseja ou não aceitar. O primeiro NÃO é mais difícil, mas depois de um tempo você começa a perceber quais projetos realmente valerão a pena ou não. Às vezes surgem propostas que, apesar de você não ganhar nada no início, podem vir a ser interessantes no futuro, seja por motivos financeiros a longo prazo ou porque podem vir a dar projeção. O duro é determinar o que vale a pena. Nem toda promessa de projeção realmente acontece. Às vezes você aposta num projeto e não dá em nada. Com o tempo você vai percebendo as possibilidades. Mas a princípio, analise antes de aceitar. Valorize-se.

3: Faça uma lista de tarefas dividida por áreas: trabalho, diferentes áreas do trabalho, mídias sociais, casa, filhos, comida, roupa, … Se você é quem cuida da casa, filhos e comida, vale a pena fazer um planejamento. É um tempo que você gasta pra se planejar, mas aumenta a produtividade. Verifique se você tem mesmo que fazer tudo o que está na lista: pode deletar alguma coisa, substituir, delegar, deixar para outro dia, mês, ano…

4: Descubra os melhores horários para trabalhar. Quando meus filhos estão na aula, aproveito para o que precisa de mais concentração. Deixo para ler e-mails, whatsapp, trabalhar em atividades relacionadas a ilustração, mas que não precisam de foco, para quando tenho que dar atenção a eles. Peço opinião a meus filhos e marido sobre o trabalho que estou fazendo. Peço a minha filha que me dê dicas de como compor uma ilustração, que desenhe comigo, dou tarefas. Algumas ela aprecia, outras não, mas algumas vezes eu até faço a ilustração do jeito que ela sugeriu.


Uma vez fiz um esboço e ela quis dar opinião. Veja só o esboço que ela refez pra mim e a ilustração finalizada.

Descubra os seus melhores horários e momentos de criatividade: segunda feira para mim é um dos piores dias, pois sempre tem muita coisa para fazer e recuperar. Eu costumo trabalhar melhor quando a casa está em silêncio, então de manhã e no final da noite, o trabalho rende mais. Porém, tenho observado que no final da noite, apesar de trabalhar melhor, me prejudica o sono. Então optei por ir dormir mais cedo e trabalhar pela manhã. Nessa hora também é bom porque minha filha está na aula, presencial ou online.

Verifique qual o momento em que é mais interrompida e use esse tempo para atender os filhos, e-mails, notificações… enfim, tarefas em que precisa de pouco tempo para realizar. Às vezes, quando minha filha está entendiada, e quer ficar comigo, eu chamo ela para fazer cookies ou um bolo. Já resolvo o problema do lanche e passo um tempo gostoso com ela. E ela também vai aprendendo a fazer algo.

5: Alimentação: eu não faço feijão e arroz todo dia. Dá muito trabalho. Planejo antecipadamente o que penso em fazer durante a semana. Eu cozinho para o almoço e para o jantar todos os dias. Acredito que comer em casa me permite saber o que tem na minha comida e também escolher o que minha família vai ingerir. Tudo mais natural e sem aditivos. Geralmente uma proteína, um carboidrato e uma verdura. Mas dá muito trabalho, então uma vez por semana me dou uma folga e peço uma pizza. Às vezes, já aproveito e faço a receita dobrada, e deixo congelada para dias em que o trabalho está mais intenso. Não vou me estender aqui sobre esse assunto, mas essa é uma das grandes vantagens de ser freelancer: você tem mais qualidade de vida.

6: Tarefas de casa: Eu aproveito pequenos momentos pra limpar alguma coisa. Se estou esperando água ferver para fazer um macarrão, já aproveito para limpar a bancada. Vou cozinhando e já lavando e arrumando as coisas. Quando o almoço termina, a cozinha já está metade organizada. Às vezes eu já coloco a comida em potes de vidro e sirvo neles. A maioria dos meus potes tem tampa e se sobrar já fica mais fácil guardar na geladeira. Divido minhas tarefas pelos dias da semana. Durante a maior parte da pandemia, fiz tudo sozinha. Agora, como minha casa tem calçada, de vez em quando vem uma senhora para me ajudar. Minha mãe só teve uma ajudante quando éramos bem pequenos e ela nos acostumou a fazer tudo em casa. E eu fiz assim com meus filhos. Eles sempre foram responsáveis por várias tarefas. Não gostam de fazer, reclamam bastante. Mas todo mundo tem que fazer coisas que não gosta e eles também tem que aprender, para que saibam como fazer quando tiverem suas próprias casas.

7: Não se distraia com mídias sociais. Eu evito muito as mídias sociais, porque me tomam tempo precioso. Evito grupos ao máximo, pois me distraem muito. Também não vejo TV normalmente. Leio as notícias na internet, assisto esporadicamente a filmes e leio bastante. O que mais assisto ultimamente são filmes com minha família. 🙂

8: Dê horas de folga para você: para descansar ou até mesmo repor o trabalho que não conseguiu fazer sozinha. Quando meu filho era pequeno, eu colocava ele na cama às 9h. Depois eu tinha meu tempo de descanso, ler, fazer as unhas…

9. Há muitos anos, morei um tempo na Inglaterra (meu marido estava lá a trabalho) e observei que os pais colocam as crianças para dormir às 18/18:30h. Perguntei como conseguiam e a dica era jantar cedo. De fato, testei fazer o jantar às 18:30h e às 21h já estávamos todos deitados. Meus filhos já são maiores, mas cada um foi para seu quarto e isso ajudou todos a dormirem melhor. Ninguém foi de fato dormir, mas foi um momento de descanso mental para todos. É estranho jantar tão cedo, por isso acabei mudando para as 19h, ainda mais que agora meus filhos estão maiores.

10. Esqueça o perfeccionismo. Nesse momento em que escrevo, minha mesa está cheia de esboços e meio suja de tinta. Há papéis empilhados no canto e todo dia eu prometo que vou arrumar. Eu queria muito que minha mesa fosse como as mesas dos artistas que vejo na internet, tudo branquinho e sem resquícios de borracha. Mas a vida é assim, e uma casa com um pouco de bagunça, é uma casa com vida. (Mas eu vou arrumar ela, eu prometo!)… Também já perdi a conta de roupas que estão com algum pingo de tinta… E se a louça ficou um pouco mais de tempo na pia, paciência. Se você estivesse no trabalho, provavelmente só pensaria nela quando voltasse, né? Então, perdoe-se e faça o seu melhor.

Se você tiver alguma dica, compartilhe comigo porque sou fã de qualquer coisa que me ajude a ter mais tempo e produtividade.


Ilustrado final de semana!

REPERCUSSÕES DA PUBLICAÇÃO :-)

Olá, queridos!

Hoje estou muito feliz com a novidade que a Denise me enviou.

Denise Zandoná, aluna da Vivência do Ilustrador, modalidade Fada Madrinha, acabou de publicar sua receita ilustrada no livro Receitas Ilustres de Natal.

A ideia de fazer uma publicação com os alunos surgiu porque eu queria que realmente vivenciassem o que acontece com o ilustrador, que pudessem ter um objetivo ao aprender técnicas e a teoria por trás da ilustração infantil, e também que pudessem ter algo publicado, como um pontapé inicial para suas carreiras como ilustradores.

Veja o que ela me enviou ontem:

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Querida Ingrid!

Estou muito feliz por aqui. No domingo 12/12/2021 as 17h vou fazer o lançamento do livro “Receitas Ilustres de Natal” aqui na minha cidade (Bagé/RS), no Primeiro Festival Literário Cultural/23ª Feira do Livro.

O Livro de lançamento é o Livro que fizemos durante o Curso Ateliê Ilustre, minha primeira ilustração infantil publicada! Muito obrigada pela tua dedicação e carinho! A oportunidade de que eu publicasse a ilustração no Curso do Ateliê Ilustre abriu e abrirá muitos caminhos novos… Já fez e fará muita diferença na minha vida de ilustradora…. Pena que eu não comprei mil livros…..

Abraços muito ilustrados e muito coloridos da tua aluna Ateliê Ilustre/ Ingrid Osternack Barros Neves

Denise

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Olha só as notícias!

Ilustrado final de semana!

Barreiras à criatividade & Bloqueios criativos

Como seres criativos que somos, creio que criar ou produzir é algo que faz muito bem à nossa saúde, principalmente mental.

Eu conheço muito pouco de arteterapia, mas sei que trabalhar com arte faz o maior bem à minha cabeça. E, pelo que dizem meus alunos, ajuda a eles também.

Além de ocupar o tempo com algo diferente e esquecer dos problemas, a arte também nos ajuda a desacelerar e a focar em algo novo. Passamos a olhar as coisas de outro modo.

E seja para nos expressarmos, dar vazão a nossos sentimentos ou apenas como hobby, criar algo nos dá um senso de grande satisfação.

Há pessoas que dizem não ser criativas. Na verdade, creio que todo mundo é criativo, só que nem todos se dedicam à arte. Há pessoas criativas em todas as áreas. Não foi criativo quem inventou o carro? Olha só que invenção fantástica! E a máquina de lavar, então? Devia receber um Oscar.
Existe uma crença de que nem todos somos criativos. Há pessoas que acreditam que as ideias são como os acidentes: só acontecem com os outros.

Essa crença de que nem todo mundo é criativo é limitante, nos impede de começar, invalida as ideias que temos, que podem ser ótimas, mas que não colocamos em prática porque acreditamos que não são boas.

Quando falo em criatividade, estou falando não somente da concepção de ideias, mas do fato de criar algo de fato. Criativos criam.

Ideias são importantes, mas acredito que somente nos sentimos realizados quando essas ideias resultam em algo ‘concreto’. “Concreto” no sentido de ‘realizado’.

Portanto, não vejo criativos somente como aqueles que têm ideias, mas também aqueles que as executam.

Uma outra barreira à criatividade é o perfeccionismo. Às vezes, ao começar um projeto artístico ou de ilustração, ou até durante o processo, algo não fica do jeito que esperávamos. E aí desistimos ou ficamos com um sentimento de frustração só porque algum exato detalhe não ficou como esperávamos.

Algo que pode ser feito para melhorar isso é deixar o trabalho de lado e retornar depois. Com novo ânimo, podemos retomar o processo e dar continuidade. A arte não precisa ficar perfeita.

A aquarela, por exemplo, às vezes tem “vida própria” e nos surpreende. Imprevistos como esse podem ser ruins. Mas também vir a trazer muita satisfação ao ver o resultado final.

Outra coisa que prejudica nossa criatividade é aguardar a inspiração chegar para começar. Adiar o início de um trabalho pode nos paralisar.

Às vezes, começando algo, logo em seguida a inspiração já vem. Tendo alguma ideia no papel, outras podem surgir. Durante o processo, o que vai acontecendo vai gerando novas ideia.
Um estratégia para evitar o medo do papel em branco é pingar umas gotas de tinta no papel. Isso tira o medo do papel em branco e parede que o trabalho já está iniciado. O receio de começar acaba imediatamente.

Outra barreira que impede a criatividade é justificar nossa procrastinação devido a motivos externos.

“Não tenho material, não tenho tempo, não faço porque preciso cuidar dos filhos, minha familia acha bobagem me dedicar a isso, não me incentiva ou não aprova, etc“.

Responsabilizar os outros é algo que pode até nos dar uma “consolação”. Mas o fato é que, quem quer, dá um jeito. Quem não quer, dá uma desculpa.

O que quero dizer é que tudo é uma questão de prioridade.

Muita gente diz que não tem tempo, mas na verdade tem tempo para ficar nas redes sociais ou navegando pela internet.

Ou diz que tem os filhos que não permitem. Mas por que não incluir os filhos na arte?

Ou a culpa é falta de dinheiro. Mas, às vezes, não queremos deixar de comer aquela pizza toda semana, ou o happy hour de sexta feria, ou o cafezinho de todo dia.

Porque damos prioridade ao que está em nosso coração. E onde colocamos o dinheiro, lá está a nossa prioridade. Vejo muita gente deixando o tempo passar e não realizando sonhos porque não visualiza o resultado a longo prazo.

Outra barreira é a falta de foco. Vemos tantas técnicas, materiais, tipos de arte, que às vezes nos sentimos aquém do que está por aí.

Existem muitos tipos de arte e milhões de pessoas que fazem algum desses tipos. Mas a verdade é que não precisamos fazer tudo que existe nem saber sobre tudo.

Eu foco em ilustração infantil e me dedico a isso.

Mas há muitos tipos de ilustração.

E dentro da ilustração infantil, existem vários estilos e várias técnicas.

E eu me dedico a ilustração com técnicas tradicionais, não digitais.

E existem muitas técnicas tradicionais, e embora eu conheça outras, eu me dedico à ilustração com tinta acrílica.

Quanta informação num nicho que parece tão pequeno.

O excesso de informação é bom, porque pode nos levar a ser ainda mais criativos, uma vez que uma coisa liga à outra e assim novas ideias – e produtos – vão surgindo. Ao mesmo tempo, esse excesso de informação sem foco pode nos distrair de nossos objetivos, deixando-nos sem saber que caminho seguir e, por fim, acabamos sem fazer nada, paralisados diante de tantas opções.

Igual quando você entra no ônibus, está vazio e você não sabe em que lugar sentar. 🙂

E, ao ter um objetivo, é recomendável começar devagar, estudar, praticar, seguir um percurso, começar do fácil e ir aumentado a complexidade aos poucos.

Quando estamos no bloqueio criativo, pequenos passos executados nos deixam mais motivados e com sentimento de realização.

Há uma frase, atribuída a Van Gogh, que diz:

Grandes coisas são feitas de pequenas coisas combinadas.

Por isso, mesmo que comece pequeno, comece.

Ao começar algo, o ser humano tem tendência a querer finalizar. Por isso, fica muito mais fácil dando o primeiro passo – ou derramando as primeiras gotas de tinta. 🙂

E por fim, mas não menos importante, há o medo que temos de que alguém não goste das nossas ideias ou criações.

Há uma frase que sempre me lembro quando tenho medo:


O medo não impede a morte. Impede a vida.

Portanto, não tenha medo de ser criativo. Coloque suas ideias no papel, literalmente. Produza suas criações.

Se tiver que ter medo, tenha medo de chegar ao fim de sua vida e não ter realizado os seus sonhos.
Agora que terminou, pegue um pedaço de papel, desenhe e crie!

Um ilustrado e criativo final de semana!

Novo livro!

Daqui a alguns dias, o lançamento oficial do livro Os três esquilinhos, de Regiane Kusman, que tive a oportunidade de ilustrar.

As vendas estarão disponíveis após o dia 10 de dezembro AQUI.

A data de lançamento é definida pela editora e poderá ser alterada sem aviso prévio. 🙂

O que envolve a produção de um livro ilustrado?

Como sempre, o que escrevo aqui são postagens baseadas “em fatos reais”.

Acho que é muito mais interessante – e importante – falarmos sobre o que de fato acontece.

E nessa semana recebi um pedido de orçamento que acabou levantando outras questões.

Nesse pedido, um cliente queria saber o valor que eu cobrava para fazer minhas ilustrações. Baseando-me no texto, apresentei um orçamento.

Após enviar, o cliente me disse que precisava também de todos os custos envolvidos na produção de um livro, tanto impresso como digital. Então, enviei ao cliente uma estimativa dos custos do livro impresso e digital. O cliente me respondeu que estava surpreso, pois não tinha ideia do trabalho e dos custos envolvidos.

Percebi então que não é claro para as pessoas o tanto de trabalho que envolve a produção de um livro infantil.

Note: embora seja necessário uma empresa inteira – uma editora – para a produção de um livro, nem sempre isso parece óbvio para quem está de fora. E quantas pessoas trabalham numa editora? Já parou para pensar nisso?

São muitas as pessoas que trabalham para que um livro seja não somente bem produzido, mas que alcance os leitores, e se torne um projeto bem sucedido.

É claro que existem pessoas que produzem livros de modo mais artesanal, mas aqui estou falando do livro que é feito em impressora offset, com papéis adequados, impressão e acabamento profissional.

E, por isso, vou explicar abaixo somente o básico para a produção de um livro. Não vou falar, por exemplo, da parte comercial, jurídica, financeira, marketing, distribuição, venda, etc.

Então, para começar, a primeira coisa que temos que ter é um texto, ou uma coleção deles.

Depois disso, é necessário fazer a revisão. E, muitas vezes, mais de uma. O texto tem que ser revisado não somente ortográfica e gramaticalmente, mas também é preciso observar outros detalhes no texto: que haja padronização no estilo, nos caracteres utilizados, itálico em palavras estrangeiras, negritos e sublinhados, aspas, reticências… São muitos detalhes e é necessário fazer várias revisões. E tudo isso envolve pessoas, que recebem por seu trabalho, é claro. E mesmo com tantas revisões, às vezes tem alguma coisa que escapa.

Após o texto passar por uma primeira revisão, aí vem a definição do formato e dimensões do livro, bem como o número de páginas.

Os valores de produção variam conforme o tipo do papel, da capa e páginas, bem como do formato e de quantas páginas terá o livro. Isso tudo varia em função do custo do papel naquela semana, em função da quantidade de livros que iremos produzir, e até do formato, pois o aproveitamento – ou não – do papel também reflete no custo.

Uma vez isso decidido, há que se pensar nas ilustrações.

O editor costuma escolher o ilustrador pelo seu estilo, pois entende que texto e ilustrações devem trabalhar conjuntamente. Dependendo do tema do livro, um estilo adequado pode enriquecer ainda mais a história.

E é aí que começa o trabalho do ilustrador, que precisa de conhecimentos específicos de como o livro é produzido, para que possa realizar ilustrações que não só enriqueçam a história, mas que também cooperem para o bom andamento da mesma, do passo, do clima, do layout de cada página, de modo que o livro se transforme numa experiência interessante para o leitor.

Por isso, não basta somente saber desenhar, mas é preciso empregar também conhecimentos de composição, técnicas narrativas, entre outros aspectos.

Quem geralmente paga o ilustrador é a editora, que o considera um parceiro, pois sabe da importância das ilustrações no livro.

Se as ilustrações forem feitas de modo artesanal (por falta de uma palavra melhor), há que se digitalizar e fazer os ajustes de imagem. Não é qualquer tipo de arquivo que vai para o livro. Há formatos e padrões que são mais adequados.

Quando há somente um escritor e um ilustrador, o livro já demanda tempo e organização. Já imaginou gerenciar um projeto com 45 ilustradores?

Após a finalização das ilustrações, vem a diagramação. E quem faz isso?

O designer, que trabalha para que o livro tenha uma aparência agradável e faz com que o texto e a imagem trabalhem em harmonia estética.

Além disso, também cria um arquivo que atenda as especificações técnicas necessárias para que o resultado gráfico tenha excelência. Ou seja, ele monta o arquivo de modo que a gráfica o receba no formato adequado para a impressão. Cada detalhe é importante. Pequenos ajustes podem fazer toda a diferença na produção.

Também é necessário que o livro tenha ISBN & Ficha Catalográfica.

O ISBN é necessário para que o livro tenha sua “identidade” e que possa ser vendido, tanto nacional com internacionalmente. E a ficha catalográfica permite que o mesmo seja catalogado em bibliotecas.

Para cada formato de livro, ou tiragem, é necessária uma identidade nova, ou seja: uma para livro impresso e uma diferente para livro digital.

E por fim, o processo gráfico. O custo unitário de um livro varia em função de tantos detalhes, que cada projeto tem um preço único. É possível fazer livros mais baratos e mais caros, mas para uma tiragem, mesmo que seja pequena, o custo pode ser alto. Caso o cliente queira fazer um livro digital, é necessário fazer a preparação do arquivo e também a conversão do livro para o formato aceito na plataforma onde será vendido. O processo para fazer um livro impresso e um livro digital é diferente.

E na plataforma, há requisitos de tamanho, formato de arquivo, bem como de preço mínimo, pois a plataforma cobra para hospedar seu livro.

Tudo isso que falei aqui é o mínimo. Há muitos outros detalhes que não estou cobrindo.

É importante que você, seja ilustrador, aspirante ou alguém que deseja publicar sua história, saiba que não é um processo que se faz do dia para a noite, e que envolve custos.

O trabalho de gerenciamento do livro, que é feito pelo editor, ou gestor, como alguns se autodenominam, também requer muito empenho e muitas horas para que todas as etapas de publicação trabalhem de maneira que tudo venha a se encaixar no final.

É preciso conhecimento e organização, e muito tempo também, para fazer com que tudo saia dentro do que foi previsto.

Enfim, espero que essa postagem tenha esclarecido pelo menos um pouco do que é o processo de publicação de um livro.

Na próxima vez que for a uma livraria, visite a seção infantil e veja as diferenças de capas, de formatos, de papéis, de cores, de estilos de ilustração… Note em cada detalhe o carinho que o editor, o escritor e o ilustrador colocaram naquela obra.

E lembre daqueles que, ainda que invisíveis, trabalham para que a cultura, as artes visuais e a literatura cheguem às mãos dos pequenos leitores.

Um ilustrado final de semana!

Mudança de carreira?

Algumas pessoas me escreveram essa semana, falando sobre o sonho de se tornarem ilustradores, mas que não parece ser possível porque estão com o tempo tomado pela profissão na qual atuam.

Muitas delas sentiram-se motivadas com a postagem que escrevi: O pior arrependimento.

Respondendo a elas, achei que parte de uma das respostas poderia ajudar outras pessoas também.

Algumas dessas pessoas me disseram que gostariam de mudar de profissão logo, e passar a ilustrar livros infantis. Outras já desejam fazer uma transição mais suave, pois sabem que não teriam como abandonar o seu ganha-pão imediatamente.

Quanto à isso, eu entendo perfeitamente. Eu sou formada em Administração, com pós em Marketing, e aperfeiçoamento em Metodologia do Ensino Superior. Eu trabalhava em uma grande empresa, na área comercial, mas saí quando tive o meu primeiro filho. A decisão não foi tão difícil, pois é natural que as pessoas aceitem bem quando uma mãe opta por ficar em casa depois do nascimento do filho.

Mesmo assim, levei ainda 7 anos depois dessa decisão para me formar em Belas Artes. Passei em 2 faculdades de artes aqui no Brasil e no segundo ano de Desenho, na UFPR, meu marido recebeu um convite para uma transferência – da mesma empresa dele – para a Itália.

Optei por deixar a faculdade e lá fiquei um ano até conseguir entender como tudo funcionava, fazer vestibular e começar a Accademia di Belle Arti di Venezia. Não era fácil, porque eu tinha um filho pequeno e não tinha creche. Somente aos 3 anos ele podia entrar na escolinha. E os horários não batiam com a minha faculdade.

Meu marido viajava o tempo todo nessa época e eu ficava sozinha com meu filho. Tinha semanas que eu só falava com meu filho, e com mais ninguém. Ficava até as 2h da manhã estudando, fazendo trabalhos, e escrevendo muito, pois as provas eram orais, em frente à turma, e embora o italiano seja uma língua mais fácil para nós, eles têm um vocabulário muito grande, então eu tinha que estudar palavras muito específicas da área, saber datas de eventos… Se errasse, era corrigida na frente da turma, e era muito constrangedor.

Eu comecei a ilustrar, definitivamente, 14 anos depois que deixei meu trabalho na área comercial. Foram 3 anos com meu filho, 4 anos de faculdade, 1 ano de aperfeiçoamento, alguns anos de estudo e prática, muito aprendizado, tanto técnico como comercial e algumas tentativas.

Eu já desenhava, mas mesmo assim era difícil conseguir ter uma chance. Foram muitas variáveis até que eu começasse a ter uma rotina de trabalho. Sei que há pessoas que demoraram menos, e tem gente que ainda está no início dessa caminhada. Mas como eu sempre digo: não desista.

Eu sou fã do devagar e sempre. Do planejar e se estruturar antes de tomar decisões mais radicais.

Como costumo dizer nas minhas postagens, podemos nos preparar enquanto temos outras atividades. Enquanto eu estava cuidando do meu filho, fiz minha graduação e cursos de aperfeiçoamento. Minha mãe esteve doente durante um tempo, e enquanto cuidava dela, aproveitava os momentos em que ela não precisava de mim, para trabalhar em minha profissão. Se eu tinha 15 minutos, fazia alguma coisa referente ao meu trabalho, ao meu desenvolvimento. A vida tem estado muito corrida para todo mundo e não é fácil dar conta de tudo.

Embora nem sempre seja fácil começar uma carreira na área de ilustração, não é impossível e nem tem uma idade certa para isso. Há muitas pessoas que começam bem mais tarde. Nunca é tarde para realizar um sonho.

Mas em qualquer carreira como autônomo, temos que trabalhar arduamente para receber pelo que fazemos. E não é diferente com a carreira do ilustrador. Temos não só que produzir nossa arte, mas também atuar na área comercial, vender nosso trabalho, prospectar clientes, às vezes produzir produtos e emitir notas fiscais, como é o meu caso (essa semana levei produtos com minhas ilustrações para uma loja).

Há meses em que eu trabalho à noite, e também nos finais de semana. E há momentos em que eu posso descansar. Depende da quantidade de trabalho que tenho.

Como autônoma, há meses em que eu ganho muito bem e há meses em que ganho pouco. Se decido tirar férias, tenho que me planejar com bastante antecedência, pois depende do que já ganhei antes. Como freelancers, quando não estamos produzindo, não recebemos.

No entanto, se você trabalha em outra área, saiba que seu trabalho e a profissão de ilustrador podem coexistir.

Não existe uma só opção ou outra. Muitos ilustradores, até mesmo premiados, tem outro trabalho. Há um colega que trabalha o dia todo, escreve e ilustra nas horas vagas, já tem vários livros publicados e até já recebeu prêmios internacionais.

Se você não curte o seu trabalho, vale a pena também buscar algo que lhe dê mais propósito. No entanto, é importante ressaltar que, para ser ilustrador, você não tem necessidade de deixar o seu trabalho para começar a buscar outra profissão. Na verdade, vejo esse seu trabalho com uma rede de segurança enquanto você pode começar a se preparar e testar se a profissão do ilustrador é algo para você.

Uma sugestão que dou, para quem atua em outra área, é que comece uma experiência da profissão do ilustrador. Algo que seja possível, que possa fazer nas horas vagas, e que lhe traga o gostinho do que é ilustrar para livros infantis.

Há vários anos que recebo mensagens de pessoas me dizendo que desejam ser ilustradores. E foi por isso que iniciei o meu curso online. É um curso focado, pois sei que as pessoas tem a vida muito ocupada e não querem enrolação.

No mundo de hoje, temos a ideia de que precisamos fazer tudo de imediato. No entanto, eu creio que Deus poderia ter criado o mundo num estalar de dedos. Mas acho que Ele criou em 6 dias para nos dar exemplo. Se um bebê leva meses para se formar, nós também podemos fazer as coisas devagar. Quantos anos uma árvore precisa para crescer?

Como também estudei Metodologia do Ensino Superior, eu queria que meus alunos realmente se sentissem aprendendo e aplicando. Então, para que tivessem um propósito e um objetivo ao estudar, criei também uma Vivência.

Agora, além do curso, eu ofereço uma experiência de como é a profissão do ilustrador. E no fim dessa experiência, esses alunos publicam uma ilustração em um livro coletivo. Dura em média 4 a 5 meses. No fim, você tem uma ilustração publicada em livro.

Nós produzimos um livro de receitas. As receitas foram escolhidas para termos um tema em comum e para não nos preocuparmos com direitos autorais. E também porque são geralmente curtas, e aí temos espaço para a ilustração.

Nesse processo, os alunos vivenciam exatamente o que eu passo quando começo um livro. Fazemos contrato, temos cronograma a seguir. Cada aluno tem uma página para ilustrar. No fim, cada um recebe 20 exemplares.

E para os que não sabem ainda desenhar bem, tem o curso, que ensina como eu desenho, depois passa para aulas sobre narrativa, composição, etc… Os alunos tem algumas semanas para estudarem antes de começarmos a ilustrar para o livro. No curso, ensino também sobre materiais, técnicas, mostro o meu passo a passo, dou dicas para montar seu portfólio, mostro outros ilustradores, falo sobre como fazer o layout de uma página no livro…

Tudo isso foi criado para dar um pontapé inicial na carreira do ilustrador. Entretanto, tenho recebido mensagens de alunos que dizem que tem vencido a depressão, que tem mais propósito, e que esse processo mudou a vida deles. Eu confesso que não esperava por isso. Mas é muito gratificante. 🙂

Então, caso você esteja considerando mudar de profissão, mas não tem certeza, talvez a vivência possa uma maneira de experimentar, em pouco tempo, se desenho e ilustração é o que você realmente deseja fazer, sem precisar abrir mão do que tem agora. Poderia conciliar as duas carreiras, por tempo indeterminado, para sempre ou até que se sinta seguro para fazer a transição definitiva.

Com os alunos do curso, publicamos um livro em julho e vamos lançar mais um em novembro.

Eu não vendo os livros. Eles são produzidos e enviados para os alunos. Todo o lucro do livro digital – ebook – vai para uma instituição de caridade.

Os livros impressos vão para os alunos e os valores ficam para eles. Meu propósito é ensinar, ajudar a entender como é a profissão e ter uma ilustração já publicada para colocar no portfólio.

E agora, no mês que vem, vamos lançar um livro para o Natal, com 45 alunos/ilustradores. Esse está na gráfica, mas em breve estará disponível. Vou avisar quando estiver com preço gratuito na Amazon, para que possam adquirir a custo zero e prestigiar o trabalho dos alunos/ilustradores.

Como falei lá no início, eu entendo bem como é fazer uma transição de carreira. E imagino que toda essa sua dúvida traga muita ansiedade. E por isso que acredito que a vivência seja uma boa experiência. Uma experiência real do que é ilustrar para um livro. Os alunos recebem orientações, aprendem sobre termos de contrato, cessão de direitos autorais, etc…

O curso tem 110 aulas, com vários exercícios e vou abrir as inscrições no mês que vem. Já fizemos dois livros e vamos começar em novembro um livro de receitas com chocolate, para lançar antes da Páscoa.

O custo dessa vivência é muito menor que uma faculdade. Nem sei quanto está uma mensalidade. Na verdade, eu tenho alunas já formadas em Artes Visuais e que me escreveram para contar que estão aprendendo muito.

E também estão aprendendo não só o que devem fazer, mas o que não devem também. É um ambiente seguro para errar e superar os obstáculos, com alguém ajudando a resolver os perrengues que aparecerem.

Então, ao invés de fazer uma faculdade de 4 anos, você poderia começar com algo que vai levar uns 5 meses, custará bem menos e que te dará um certificado, uma experiência real e uma ilustração publicada em livros que irão não somente para o Brasil, mas também para outros lugares do mundo.

Terá a ilustração publicada no ebook, que é vendido no mundo todo, até na India, no Japão, Itália, USA, UK, etc…

Meu próximo passo é ter o livro digital em inglês. Está nos meus planos. Quem sabe até em italiano! Por que não? Ao infinito e além, como diria o Buzz!

Toda ação começa com um sonho. E um objetivo nada mais é do que um sonho com data para acontecer.

Então, se você tem o objetivo de publicar uma ilustração sua, saiba que já tem data para acontecer. Será em março de 2022.

Para isso, é só se inscrever no mês que vem, quando eu abrir as inscrições do curso Ateliê Ilustre, curso online de ilustração infantil.

Em breve, vou enviar mais informações.

Uma ilustrada semana para você!