Para poder colher, é preciso plantar

As pessoas costumam me perguntar:

  • Qual papel eu uso
  • Qual o melhor pincel
  • Qual o melhor lápis de cor
  • Qual a tinta mais adequada…

E eu acho que escolher o melhor papel que você pode comprar é importante, sim, pois os materiais impactam no resultado. 

Porém, mais do que bons materiais, ou o Ipad de última geração, o que um ilustrador precisa é de TEMPO, PERSEVERANÇA e PACIÊNCIA.

Tempo para se aprimorar, aprender tudo que tem para aprender, e tempo para praticar.

Use  os materiais que tem no momento, e vá plantando as “sementes” até que virem mudinhas, que você pode dizer que são suas primeiras ilustrações. 

Quem sabe sejam pequenas, não muito elaboradas ainda, mas se você cuidar, uma hora elas vão florescer.

Perseverança para não desanimar quando não conseguir aquele cliente que apareceu, quando as editoras não responderem e quando as tentativas de concursos forem frustradas.

Vá “plantando” uma ilustração aqui, outra ali, um contato com cliente aqui, outro lá. 

Regue e adube o seu trabalho com mais conhecimento, cursos, dicas, aprimoramento.

Cuide das suas ilustrações, não deixe elas ficarem esquecidas: assim como as plantinhas, todos os dias dedique um tempinho ao seu trabalho de ilustração.

PACIÊNCIA

Por fim, é preciso paciência, pois depois que tiver plantado sementes por todo lugar, frequentemente, uma hora suas “plantas”, que são suas ilustrações, vão começar a dar frutos. 

E aí você vai poder colher os resultados.

Quando alguém começa uma horta, prepara o terreno, semeia, cuida, rega e aduba. Só vai ver os resultados meses depois.

E é assim no trabalho do ilustrador: comece com

  • as habilidades que tem
  • com o tempo que tem
  • com os materiais que tem

e no fim de alguns meses terá um portfólio completo.

Para poder colher, é preciso plantar.

E isso também acontece em nossa profissão.

Então, comece já, pois quanto antes começar, antes verá os resultados.:-)

Ilustrado final de semana!

Como foi ilustrar capas para livro didático

Essa semana recebi o livro didático – caderno de alfabetização – da Turma da Malu.

Esse livro já é tradicional na área de educação, mas as autoras queriam uma capa nova. Então, me pediram para fazer algo no meu estilo. E fiz uma live para comentar e mostrar meus esboços. Espero que curta!

Workshop de Pintura – Venha participar

No dia 9 de novembro, vou fazer um workshop online ao vivo, para você que deseja aprender a pintar comigo.

1. Nesse workshop, vou mostrar a pintura de uma ilustração, e você poderá me acompanhar ao vivo.

2. O workshop vai durar 3h, com um pequeno intervalo, das 8h às 11h.

3. Pegue suas tintas, pincéis e lápis de cor e venha ilustrar comigo.

4. Inscrições somente até dia 01/11, pois preciso saber o número de alunos para me programar e definir a plataforma onde o workshop será ministrado.

5. Esse workshop é para alunos e também não alunos.

6. No workshop, também vou explicar como um dos alunos poderá ganhar uma participação no próximo livro da Vivência do Ilustrador.

7. Inscrições: R$ 147, aqui NESSE LINK

8. Dúvidas? Entre em contato. Obrigada! 🌸🌸🌸

Livros ilustrados por meus alunos!

Essa semana mostrei um spoiler do novo livro com ilustrações dos meus alunos.

Os livros que mostro nessa live que fiz no Instagram são resultado do trabalho de meus alunos da Vivência do Ilustrador. Para participar, primeiro se inscreva no meu curso Método Ingrid (clique aqui) e depois entre em contato comigo para o upgrade, datas e condições da Vivência. Obrigada!

Clique AQUI para assistir. Ilustrada semana!

Os 5 Ps do Marketing em Ilustração

Muita gente acredita, e alguns até defendem, que o que basta para ser ilustrador é só desenhar bem.

Embora seja um fato de que ter habilidades artísticas, sejam tradicionais ou digitais, seja necessário para ser ilustrador, é um mito dizer que só isso basta. Tem gente que não concorda comigo, mas com anos de experiência na área, é o que tenho visto.

Alguns vão dizer que estou errada, mas eu explico:

Quem só desenha e fica em casa, sem procurar um propósito para sua arte, na minha opinião, usa a arte como passatempo.

Veja bem: se uma pessoa faz arte sem ter um objetivo, não é ilustração. Ilustração é a arte que tem como objetivo passar uma mensagem, um conceito, informar ou contar uma história. Arte que não faz isso, não é ilustração. Eu não vou falar de todas as áreas da ilustração, mas vou focar na minha área: ilustração de livros infantis.

1º fato sobre ilustração: tem que ter contar algo. Obviamente, tem que se fazer um bom trabalho também.

Vou exemplificar ainda com outra profissão: alguém que faz pão, e até posta no Instagram as fotos, é um padeiro profissional? Eu tinha uma vizinha que fazia pães lindos, super altos, fofinhos, mas ela não era profissional. Para isso, além de ter um pão gostoso e de qualidade, ela teria que ter quantidade para vender, mostrar sempre o seu trabalho, divulgar, saber precificar, saber onde encontrar os clientes…

Muita gente sabe dirigir, mas são todos motoristas profissionais? Eles tem que ser bons no que fazem, em primeiro lugar, mas também tem que ter os meios para conseguir clientes, cobrar, saber o seu valor no mercado, prestar um bom atendimento e se destacar entre os outros.

Aí alguém vai dizer: ah, mas um médico não precisa mais nada a não ser o seu conhecimento? Será? Bom, além dele ter que adquirir muito conhecimento, e também conhecimentos diversos para ser médico, tem que ter um ponto para atender (seja numa clínica, seja no seu consultório), tem que saber precificar suas consultas ou ter planos de saúde conveniados, tem que ter equipamentos, tem que saber atender o cliente, não só diagnosticar, tem que inspirar autoridade, isto é, mostrar que entende do assunto, tem que ter um website…

Acredito que em todas as áreas temos que saber ‘operar o equipamento’, em nosso caso, saber desenhar, saber composição, narrativa visual, etc… como também ‘navegar no oceano da área’, que é saber como conseguir clientes, contratos, direitos e deveres, habilidades comerciais e de negociação, entre outras.

Seria como dirigir: tem que saber dirigir o carro, mas também as regras de trânsito. Uma tem a ver só com a gente, que é o ilustrar, seja tradicional ou digital, e a outra tem a ver com relacionamentos.

Dito isso, a segunda coisa que temos que entender é:

2º fato: tem que desenhar bem, sim, mas também tem que aprender a navegar no mundo editorial. Saber onde encontrar os clientes, como precificar, quais são seus direitos e deveres como ilustrador, quais os direitos e deveres dos seus clientes, como ler um contrato, o que diz a lei de direitos autorais e quais suas brechas, como diversificar para ter renda recorrente…

Eu fiz marketing antes de estudar belas artes na Accademia di belle Arti di Venezia, na Itália.

E para você ter uma empresa, diz o Philip Kotler que você tem que ter 5Ps. Alguns dizem que são mais, mas a primeira teoria dele eram só esses 5.

P – Produto

P – Preço

P – Ponto

P – Promoção e publicidade

P – Pessoas

Vou aplicar em nossa área de ilustração:

Em primeiro lugar, o ilustrador tem que ter um bom PRODUTO, ou seja, um bom trabalho de ilustração, onde ele mostre todo o seu potencial, mostre que consegue produzir ilustrações variadas, com estilo, que tenham qualidade técnica, domínio do desenho e da narrativa visual.

Em segundo lugar, tem que saber o valor do seu trabalho – PREÇO. De nada adianta você conseguir tabelas de editoras que muitas vezes pagam muito abaixo do preço de mercado praticado, se esses valores não pagam seus custos e despesas, e você fica pagando para trabalhar.

Em terceiro lugar, é preciso ter um lugar – PONTO – onde as pessoas possam te encontrar, e em nosso caso, um website, sites de portfólios, redes sociais.

Porém, de nada adianta ter o lugar se ninguém sabe onde te encontrar. Por isso, em quarto lugar, é preciso PROMOVER o seu trabalho para que mais pessoas tenham conhecimento de que você existe.

Em quinto lugar, temos que envolver as PESSOAS em nosso trabalho. Em algumas empresas, as pessoas são os funcionários, fornecedores, parceiros e clientes. Em nosso caso, podemos considerar nossos clientes, mas não domente. Também as pessoas que não são nossos clientes diretos, mas são clientes de nossos clientes, os leitores e apreciadores de nosso trabalho.

E é por isso que o meu curso começa com noções básicas de desenho, mas não foca só nisso. Depois do primeiro módulo, que trata de desenho e materiais, no segundo eu passo a falar da narrativa visual, que é essencial para nossa profissão. De que adianta você saber desenhar bem, se não conhece as técnicas de visual storytelling?

No terceiro eu já passo para a gestão do livro ilustradro. É uma das perguntas que mais recebo por email ou mensagem: mas como eu faço um livro, como eu monto, como eu apresento para o cliente, como eu separo o texto, como fazer um livro que tenha ritmo, o que é rafe, o que é thumbnail, como eu falo com o cliente?

No quarto módulo, eu falo sobre os relacionamentos essenciais do ilustrador: embora pareça que o ilustrador trabalhe sozinho, isso não é sempre verdade. Sempre vamos ilustrar PARA ALGUÉM. Pode ser uma empresa ou uma editora? Sim, certamente, mas sempre vai ter uma pessoa que a representa. E vamos também conversar com nossos leitores, com crianças em oficinas, com leitores, fãs, editores e participantes de eventos, como feiras literárias, bienais, etc… Também falo como eu consigo clientes, de onde eles vem e como eles me encontram, orçamentos, etc…

No quinto módulo, eu mostro como eu diversifico, usando minhas ilustrações para outros fins, para que eu tenha renda de outros lugares que não seja somente de editoras. Isso porque é preciso trabalhar de modo a conseguir sempre trabalhos para o futuro, e ter uma renda extra que entra quando você está num mês sem trabalho é muito importante para o ilustrador freelancer.

No sexto módulo, eu falo sobre divulgação, pois é PROMOVENDO seu trabalho que você vai ficar mais conhecido e conseguir mais clientes.

Para finalizar, quero dizer que isso tudo que falei me pareceu difícil um dia. Mas não é preciso fazer tudo de uma vez. Eu estudei, pesquisei, experimentei opções para chegar onde estou. E você pode fazer o mesmo. Ou, se quiser abreviar o tempo e aprender tudo isso mais rápido, se inscrever no meu curso.

Clique AQUI para conhecer o curso e saber mais.

Preciso pesquisar para fazer uma ilustração?

Uma coisa que acho fascinante no mundo da ilustração é o fato de que ela carrega não somente uma imagem, mas também a ‘bagagem’ de quem ilustra. Tudo aquilo que você viveu, leu, aprendeu, experimentou, viu, apreciou, enfim, teve contato, faz parte da sua história e do que você foi, é e será. O que você desenha será grandemente afetado por todas essas experiências, sentimentos, sensações e conhecimento.

 *Na ilustração acima, pesquisei uma casa com varanda, como pedia o texto.

Ninguém sabe tudo, muito menos sobre tudo

Dizem que o especialista é alguém que sabe muito sobre muito pouco. Brincadeiras à parte, no que se refere a conhecimento e ilustração, quanto mais você se informar, maior será a possibilidade de criar algo realmente novo e interessante. Eu até me pergunto: como vamos imaginar algo se não obtivermos informações a respeito? Além disso, será que não corremos o risco de criar algo que já foi criado? E como saberemos se algo já foi criado se não pesquisarmos?

A pesquisa faz parte do trabalho do ilustrador. Para ilustrar, é muito importante que o ilustrador leia muito, informe-se, seja curioso…  A meu ver, não basta ler somente o texto que está sendo ilustrado, mas tudo o que esteja relacionado ao mesmo e o que mais for possível.

Vou dar alguns exemplos do que estou falando nas ilustrações que tenho realizado: uma vez me solicitaram uma ilustração para um texto que fazia referência ao livro ‘O sofá estampado’, de Lygia Bojunga. O texto falava do Tatu Vítor, mas não do sofá ou das cartas… Como eu poderia ilustrar um texto sobre o Tatu Vítor se não soubesse do que se tratava o livro ao qual se referia?  Será que não teria feito algo vazio, ou apenas teria repetido na imagem o que o texto narrava? O fato de eu ter conhecimento da obra que originou esse segundo texto possibilitou uma ilustração na qual inseri conteúdos que não tinham só a ver com o texto em questão, mas faziam referência à história original.

No livro O Jardim Diferente, do escritor Israel Belo, também por mim ilustrado, ele fala em ‘acácias, eucaliptos, ipês, oitis e urtigas’. Geralmente a ação do livro está relacionada aos personagens, mas neste trecho do livro ele estava falando do que havia no Jardim do Éden, então o foco estava mesmo nas árvores. Para desenhá-las, fiz uma pesquisa dos vários tipos citados e das cores. Eu nunca tinha visto um oiti até então (na verdade, nunca tinha ouvido nem falar em oitis). Cheguei até a trazer uma folhinha o oiti para casa. Foi interessante pesquisar sobre o assunto e desenhar tais árvores na mesma ilustração. Claro que desenhei no meu estilo, mas mesmo assim tive o cuidado de não somente desenhar árvores diferentes, mas que fossem ‘reconhecíveis’.

Em outro livro de Israel Belo, O Homem que Gostava de Enganar, procurei informações sobre a época em que as pessoas viviam, como eram as estampas das roupas das pessoas daquela região, o que comiam, etc. 

Hoje, com a internet, fica muito mais fácil pesquisar. Desenhar sobre assuntos aos quais não temos acesso é ainda mais complicado, portanto é necessário ainda mais pesquisa e leitura.

Por que estou falando sobre isso? Como eu já comentei em um post anterior, é estranho ver um coco numa bananeira. Isso aconteceu porque provavelmente a pessoa que realizou essa ilustração nunca viu uma bananeira ou um coqueiro e provavelmente não sabe diferenciá-los (confesso que eu mesma acho os dois parecidos). Como era um livro traduzido para o português, utilizando as imagens originais, provavelmente o ilustrador não era brasileiro (e nem tinha o nome de quem ilustrou no livro!).

Para ilustrar a Formigarra/Cigamiga, consultei o livro Synthomas de Poesia na Infância, também da autora Gloria Kirinus. Neste livro há um capítulo que explica com mais detalhes do que se trata a Formigarra/Cigamiga e isso permitiu que eu pudesse ter mais liberdade e segurança para criar as ilustrações do livro.

Com tudo isso, estaria eu dizendo que não podemos ousar nas ilustrações? De modo algum. Eu gosto muuuuito quando vejo uma ilustração em que o ilustrador ‘saiu do quadrado’ e percebo que as crianças também curtem muito. Particularmente, costumam ser as minhas preferidas!

 

Um exemplo do fato de não seguir o real no meu trabalho é a personagem Formigarra. Os leitores vão perceber que a Formigarra é uma formiga que tem 4 patas, só que dentro do livro há formigas de 6 patas. Por que fiz isso? Porque queria ‘humanizar’ a formiga. Mas as outras formigas que eram ‘figurantes’ no livro, essas eu fiz com 6 patas.

Muitas vezes temos um bom traço, desenhamos bem, a nossa técnica é perfeita. Porém, se a ideia que temos para a ilustração não transmite a mensagem, nossa ilustração acaba deixando a desejar. Por isso, sempre recomendo pensar no que estamos ‘dizendo’ com a nossa ilustração. E a pesquisa vai ajudar você a enriquecer o seu trabalho, pois uma mensagem, ainda que visual, precisa de informações. E uma pesquisa nada mais é que uma coleta de informações.

É claro que é muito mais fácil a gente desenhar o que já tem em nossas mentes, mas observar fotos, as posições, a perspectiva, os cenários, personagens, vai deixar nossa ilustração muito mais interessante. E sabe o que isso quer dizer? Diferencial!

Diferenciar você dos outros ilustradores do mercado vai trazer destaque ao seu trabalho, e se nos destacamos, temos mais clientes. E se temos mais clientes, podemos viver da nossa arte. E não tem coisa melhor profissionalmente do que ganhar seu sustento fazendo o que se gosta, não é verdade?

Um ilustrado final de semana!