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O Livro Infantil – 14 dicas básicas

Depois de alguns anos ilustrando, fico me lembrando de que, quando eu comecei nessa área de atuação, havia muitas coisas que não sabia.  Foi mais ou menos como aprender a dirigir. No começo a gente fica prestando atenção em todos os detalhes, como virar a chave, pressionar a embreagem… olha um monte de vezes no retrovisor, olha para a marcha para engatar, coloca a seta para virar mas acaba ligando a luz alta… Mas, depois de algum tempo, a gente faz tudo no automático e pensa: nossa, nem sei como cheguei em casa.
Assim também acontece com algumas informações do livro que no começo eram, pelo menos para mim, muito misteriosas. Isso acontece porque as faculdades ensinam história da arte, anatomia, metodologias, etc… mas não ensinam a gente a se posicionar no mercado de trabalho, a fazer um livro, a negociar, etc…

Vou mencionar aqui algumas dicas do que levei um tempo pesquisando quando comecei:

1. O livro infantil geralmente tem o número de páginas múltiplo de 8. Isso para aproveitar melhor o papel e também para formar os ‘cadernos’. Livros com 16, 24 ou 32 páginas são os mais comuns. Informação importante para quando você for planejar um livro do início ao fim.

2. A história não começa na página 1. Observe os livros infantis (em casa ou na livraria). Na primeira página geralmente vem a folha de rosto, na página 2 a Ficha Catalográfica, às vezes tem também dedicatória ou sumário. Às vezes, não. Nesse caso, o livro começa na página 3. E não é costume inserir número de página na folha de rosto.

3. Também não há necessidade de preencher todas as páginas com ilustrações, nem tampouco fazer todas do mesmo tamanho.

4. Ao planejar as ilustrações, pense na quantidade de texto que irá em cada página.

5. Se houver algum suspense ou surpresa na história, vale a pena planejar para que a ilustração fique numa página par (ou à esquerda), a fim de que o leitor não veja antes de virar a página.

6. O texto também pode fazer parte da ilustração. Ao diagramar, podemos deformar ou mudar a fonte de modo que também essa demonstre o que acontece no livro.



7. Quando planejar um personagem, fazer o possível para que seja consistente em todas as páginas e reconhecível. No livro infantil (para crianças bem pequenas) as expressões podem ser mais simples. À medida que as crianças ficam maiores, aí sim as ilustrações podem ser mais elaboradas.

8. Você já deve ter notado que roupas de alguns personagens ‘pararam no tempo’. Isso se deve ao fato de que o livro dura muitos anos e alguns ilustradores preferem que o livro seja ‘atemporal’.

9. Quando montar a sua ‘boneca’ do livro, observar as páginas que ficam bem no meio do livro. Como muitos livros infantis são grampeados, vale a pena observar para que essas ilustrações combinem entre si, ou até mesmo que formem uma ‘grande’ ilustração dupla.

10. Ao ilustrar para uma editora, é bom obter aprovação dos roughs por escrito (via email) antes de finalizar as mesmas.

11. Ler e reler o texto para evitar pintar de marrom os cabelos da ‘princesa de cachos dourados’. 😀

12. Observe os formatos dos livros infantis. É mais comum um formato quadrado ou ‘paisagem’ que formato ‘retrato’.

13. Uma ilustração não precisa seguir anatomia nem perspectiva.

14. Ao finalizar as ilustrações, eu costumo guardar as mesmas em plásticos apropriados ou em papel de seda. Isso evita que borrem ao encostarem umas nas outras. Você também não precisa enviar seus originais para a editora. Pode combinar isso na hora de negociar.


Se tiver alguma dúvida, entre em contato! 
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Como eu faço um orçamento

Uma das dúvidas que mais recebo é sobre como fazer um orçamento de ilustrações para um livro infantil. No início a gente fica mesmo meio perdido e não sabe nem por onde começar. 
Quando um editor (ou um autor de texto = escritor) entra em contato comigo, sempre peço que me envie o texto. Eu não tenho o hábito de fazer orçamento sem conhecer o texto que vou ilustrar. Cada caso pode ser diferente. A editora pode me enviar o texto em pdf, já todo separado e com uma pré-diagramação (o que algumas editoras chamam de decupagem ou spread), pode me enviar o texto  separado com o número da página em que o trecho vai ficar, como também pode me enviar somente o texto inteiro, sem nenhuma separação. 
Caso o texto já esteja pré-diagramado (às vezes até com a posição que vai ocupar na página), fica muito mais fácil fazer o orçamento. Basta fazer uma lista das ilustrações mencionadas e o valor respectivo. Veja no exemplo abaixo como o editor me enviou o texto do livro Cheiros.
No exemplo acima já está determinado que para essa página devo fazer uma ilustração de página inteira. 
Nesse exemplo não só já estão definidas as dimensões das ilustrações, como também o autor faz observações sobre como deseja a ilustração.
Embora seja raro, na segunda possibilidade, geralmente o texto vem em Word e separado com o número da página. Mas não menciona as dimensões da ilustração. Nesse caso, eu já sei quantas ilustrações o editor ou autor está querendo, basta definir o tamanho conforme a quantidade de texto. Ou, mesmo que o texto seja curto, eu posso sugerir as dimensões e conversar com o cliente de acordo com o orçamento que ele dispõe para esse trabalho. Afinal, os valores variam conforme as dimensões.
No texto acima, o autor enviou o texto separado, com o número de páginas definido e algumas observações de como desejava as ilustrações. Até hoje, foram poucos os autores que deram sugestões, como também poucos solicitaram modificações nos rafes.
A terceira possibilidade é receber o texto inteiro, sem separações. Geralmente quando um escritor (e não o editor) envia, na maioria das vezes vem assim. Aí resta conversar com o escritor para saber quantas páginas deseja e o formato (quadrado, retangular, dimensões). É esse tipo de orçamento que dá mais trabalho, porém, é o que lhe dá mais liberdade de execução. 
Nesse caso, eu divido o texto segundo o número de páginas que combinei com o autor ou editor, dou sugestão de formato e faço uma boneca do livro, geralmente no Corel Draw, para visualizar o resultado. Isso agrada muito ao cliente, pois não só lhe dá uma ideia de como ficará, como também demonstra que você tem conhecimento e proatividade. Aí eu defino quantas ilustrações vou fazer de cada: página dupla, página inteira, meia página, vinhetas + a capa. Faço uma lista, defino valores unitários e valor total do trabalho. 
Já aconteceu comigo de o autor enviar um texto, eu fazer as ilustrações, receber os pagamentos e, no fim, ele me enviar um texto muito maior. 😟 O que fazer? Bem, como eu havia feito contrato entre as partes (ilustradora e autor), não alterou em nada o meu trabalho. O pagamento foi realizado pelo número de ilustrações que eu havia definido no orçamento/contrato, e o livro foi diagramado com as ilustrações que eu havia combinado por escrito. No fim, a quantidade acabou sendo suficiente e o livro já está na segunda edição.
Também já aconteceu de, durante a execução de um projeto, solicitarem a ampliação do número de ilustrações e as dimensões pelo mesmo preço. Nesse caso. sugeri a alteração de valores e infelimente não chegamos a um acordo. Como eu já até havia recebido parte do pagamento, preferi devolver o adiantamento e não dar continuidade. Escrevo isso para que outros ilustradores saibam que, infelizmente, no meio de muita gente boa, sempre há aqueles que querem obter alguma vantagem. Eu poderia ter aceitado as condições deles para não perder o trabalho? Até poderia, mas estaria passando a mensagem de que não tenho certeza do valor do meu trabalho.
Finalizando, vale a pena ser detalhista quando apresentar um orçamento. E não esqueça de escrever tudo no contrato. Assim fica claro para ambas as partes os direitos e deveres de cada um. Se tiver alguma dúvida, entre em contato. 😗
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Encontrando seu estilo

Muito fala-se atualmente no estilo do artista. É pelo estilo que as pessoas conseguem reconhecer o autor de uma obra de arte, sem nem mesmo ver sua assinatura. Um exemplo forte disso é o estilo do artista Romero Britto. Quem vê, já sabe que as ilustrações tipo vitral, super coloridas, com linhas pretas, pertencem ao pernambucano. Infelizmente, é um estilo que vem sendo muito copiado.

Embora não exista uma regra, abaixo cito algumas dicas para quem ainda se sente inseguro com relação à busca do seu estilo.

1. O seu estilo próprio se revela muito melhor quando você faz arte para agradar a você mesmo

Sempre que mostro meu portfolio para alguém, as ilustrações que mais recebo comentários positivos são as que fiz pensando em agradar a mim mesma. Claro que temos que cumprir o ‘briefing’ de um cliente, mas é fato que, quando não termos a intenção de atingir a expectativa dos outros, conseguimos ficar mais soltos e assim a nossa criatividade flui melhor. Fazemos o que mais gostamos e o trabalho acaba ficando uma expressão mais fiel de nós mesmos.

2. Ir além

Eu gosto muito de me desafiar. Acredito que sempre posso melhorar. E isso é uma característica do artista em geral. Gosto do lema do Buzz Lightyear: ao infinito… e além! 😂 Mesmo trabalhando essencialmente com acrílico, às vezes gosto de tentar outras técnicas. Isso faz com que saia da minha zona de conforto e pode até trazer resultados inesperados. Também pode ser que algum resultado dessa exploração acabe sendo incorporado em minha arte, e isso vai certamente refletir no meu estilo.

3. Procure inspiração

Visitar museus, fazer cursos, observar o trabalho de outros artistas… tudo pode te inspirar a descobrir o que mais gosta numa obra e isso também vai ter impacto em sua arte. Não se trata de cópia, mas o fato de observar o trabalho de outros artistas cria um mix de ideas em seu cérebro que levarão você a fazer algo que pode até vir a ser muito diferente, mas que é só seu. Muitos artistas na história trabalhavam em conjunto ou se encontravam para discutir arte. E muitas vezes isso criou um movimento artístico. Há também artistas que eram discípulos de outros, mas que deram seu toque pessoal ao que faziam. Tudo o que somos é reflexo de uma cultura. Ninguém cria algo do nada. Mas o artista interpreta essa cultura e expressa o que absorve de uma maneira única e individual.

4. Mude o ponto de vista

Após toda essa busca à inspiração, pense: o que eu faria diferente desses artistas? O que eu gosto de fazer que é diverso do que já tem sido feito? O que posso fazer que não seja ‘moda’ no momento?

Embora fale-se muito sobre estilo atualmente, o meu conselho é não se preocupar demais com isso. Desenhando sempre, e muito, o seu estilo próprio vai amadurecendo e você vai ver que as pessoas passarão a reconhecer o seu trabalho com o tempo. A paleta de cores que utiliza, a anatomia da figura humana, o tipo de papel, a técnica, entre outros aspectos do seu trabalho, tudo isso vai contribuir para criar a sua marca dentro do mundo artístico. 😘

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Planejando sua carreira como ilustrador ou artista – Para aspirantes a ilustrador ou iniciantes

Quando alguém deseja realizar um objetivo ou sonho, geralmente começa a pensar no que precisa fazer para alcançar esse objetivo. Por exemplo, alguém que vai fazer uma festa faz um planejamento e define as tarefas para isso. Começa geralmente com a data, a lista de convidados, define o lugar, a comida, as bebidas, doces, toalhas, mesas, cadeiras, música, fotografia, etc. Dependendo do tema ou motivo, a lista pode ter mais itens ainda.

Do mesmo modo, para planejar uma carreira, é também preciso fazer uma lista (ou um mapa), definir objetivos e datas. É importante determinar quais objetivos deseja alcançar, dentro de um certo período, de modo que, ainda que faça pouco, vá constante e consistentemente dando pequenos passos em direção àquele objetivo.

1) A primeira coisa que se pode fazer é um mapa ou uma lista de objetivos. Imagine daqui a 5 anos o que gostaria de estar fazendo. Dar uma data limite para si mesmo ajuda muito a ser consistente. Obviamente que os seus objetivos dependem de onde você se encontra hoje. Por exemplo:

Daqui a 5 anos eu:

. estarei formado em artes; ou
. terei feito cursos extracurriculares na área de ilustração; ou
. estarei com pelo menos 1 – ou mais – livros ilustrados publicados;
. terei participado de alguma mostra ou evento de arte;
. terei desenhado ou produzido pinturas diária ou semanalmente, gerando assim uma quantidade substancial de obras;
. serei um artista reconhecido em minha área;
. trabalharei na área de artes e serei bem pago pelo meu trabalho;
. terei uma loja que venda minhas artes ou aplicadas em produtos;
. terei uma obra em um museu importante;
. e por aí vai…

Como eu disse, tudo isso depende do momento em que se encontra. Pode ocorrer também de, no meio do caminho, você desejar mudar seus objetivos, ou até mesmo ampliá-los.

2) Depois disso, é bom você determinar também qual seu objetivo pessoal em relação ao mundo, ou seja: qual o objetivo de minha arte? Pense em algo que tenha impacto – ainda que pequeno – na vida das pessoas. Que marca quer deixar no mundo? Exemplos: meu desejo é ser reconhecido como um artista em minha cidade natal; ou: quero que minha arte inspire as pessoas; quero fazer parte da infância das crianças; quero que toda casa tenha uma obra minha; quero alegrar a vida das pessoas com minha arte; quero usar recursos que sejam sustentáveis; quero trabalhar somente com mangá; desejo usar meus dons para arte-terapia ou para melhorar a vida de pessoas carentes; gostaria de trabalhar somente com clientes e empresas que tenham valores similares aos meus, etc…

Isso vai ajudar e definir o tipo de clientes que terá e também quais trabalhos aceitará ou não.

3) Quais seriam os passos a tomar para chegar nesses objetivos?

Divida seu grande objetivo em pequenas metas. Muitos percursos são divididos em pequenos trechos. Até mesmo as viagens são divididas em etapas, quando longas. Assim também pode ser sua jornada em direção ao seu sonho. Pense no que precisa fazer para chegar lá e divida em pequenas partes, mas que possam ser feitas em questão de semanas ou meses. Como nós seres humanos geralmente temos a tendência a ser procrastinadores, quanto menor a tarefa, maior a chance de você executar.

Por exemplo:

. Se você deseja trabalhar com licenciamento, faça uma lista de quais lojas virtuais teriam a possibilidade de vender sua arte.
. Ou, se você mesmo irá preparar os produtos, onde poderia encontrar fornecedores? Faça contato, visite-os.
. Se deseja ilustrar para revistas ou livros, quais publicações ou editoras tem relação com o trabalho que faz?
. Que galerias aceitariam as suas obras? Que tal visitar algumas?
. Em quais concursos poderia participar?
. Que materiais poderia adquirir para realizar seu trabalho?
. Há um espaço em sua casa onde possa trabalhar?
. Se fosse abrir uma empresa (ou studio), teria um nome diferente ou o seu?
. Como iria legalizar sua profissão? Microempreendedor, empresa simples, autônomo?
. O que você escreveria em sua biografia? Leia biografias de outros artistas para saber o que escrevem.

Responder a essas questões vai ajudar a visualizar a si mesmo como artista e motivar você a executar cada dia um pouquinho do seu planejamento. E quando menos esperar, estará fazendo o que ama como profissão. 😉

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