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Hábitos do Artista Produtivo – 4० Hábito

 Tenha sempre uma data para terminar suas obras (deadlines)

Dizem que realizar uma obra de qualidade leva tempo. E leva mesmo. Acredita-se que Leonardo da Vinci era viciado em seu trabalho e dormia muito pouco. Mesmo assim, levou 4 anos para terminar a sua obra prima, “La Gioconda”, mais conhecida como Mona Lisa. Como ninguém é perfeito, assim como ele, às vezes deixamos um projeto (pessoal, JAMAIS um trabalho comissionado) no cantinho do atelier para terminar depois. É o que podemos chamar de ‘procrastinar entre projetos’ (bem melhor que ‘obra inacabada’, he, he).

Por outro lado, mesmo quando deixamos alguns projetos de lado, é importante estar sempre trabalhando em algo. Acredito que, quando não produzimos quantidade, fica difícil chegar a uma obra de qualidade. Eu sempre digo que, por mais que faça tudo com cuidado e dedicação, ninguém aprende a dirigir bem na primeira tentativa. Quanto mais uma pessoa pratica essa habilidade, melhor ela fica. E, depois de um tempo, a gente acaba até fazendo tudo automaticamente. Nem pensa mais na embreagem (no caso de câmbio manual), troca de marchas, olhar o espelho, ligar a seta…

Alguém pode estar se perguntando: “por que insistir tanto em produtividade? Eu sou um artista. Se eu quisesse produzir todo dia e trabalhar incessantemente, teria escolhido outra carreira”. 
De fato, a ideia de que o artista está todos os dias ‘desenhandinho’, ou no ‘ócio criativo’, é bem difusa. Esse cenário pode ter sido comum no tempo da Renascença ou de algum outro movimento artístico, quando os artistas tinham os mecenas, que patrocinavam o pintor ou escultor e ele não precisava se preocupar com mais nada, tudo a fim de que ele estivesse trabalhando em alguma obra. 
Entretanto, hoje em dia isso é raro. Os tempos mudaram. Todos temos que pagar contas e dificilmente alguém vai patrocinar um artista para que ele fique meses trabalhando numa mesma obra. Ainda que isso aconteça, esse mecenas vai exigir algum resultado. Atualmente, existe até uma rede social onde os artistas podem ser patrocinados. Todavia, mesmo lá é preciso mostrar resultado. Caso contrário, o mecenas vai investir o dinheiro dele em outro lugar e/ou artista. 
Com isto não estou dizendo que você tem que fazer um quadro todo dia. O que quero dizer é que deve trabalhar em suas obras todos os dias e fixar uma data para terminar, mesmo que esteja trabalhando em mais de um projeto ao mesmo tempo.
Pense num possível cliente que precisa de algumas ilustrações para daqui a 3 dias. Ele tem algumas opções de ilustradores e não sabe qual vai contratar. O que ele vai fazer em primeiro lugar? Possivelmente, checar o portfolio de cada um para saber qual deles tem o estilo que será mais adequado ao briefing que lhe foi passado.  Então eu pergunto: como o cliente vai comparar o trabalho de um ilustrador se ele não tiver um porfolio? E, ainda que tenha o portfolio, como o ilustrador vai poder aceitar um trabalho sem determinar se consegue ou não dar conta de fazer as ilustrações dentro da data limite? 
Somente praticando, tendo uma data de entrega (ainda que seja um projeto pessoal), aprenderemos a  lidar com imprevistos. Ninguém planeja ficar doente, pegar um congestionamento de 2 horas, sem falar das demandas da vida moderna: reunião de pais ou apresentação do filho na escola, pagar contas, fazer compras, cozinhar… Só assim podemos nos conhecer e avaliar se vamos conseguir produzir determinado número de ilustrações dentro do prazo dado pelo cliente.
Então, mesmo que você não esteja trabalhando em um projeto a ser entregue a um cliente, produza arte que tenha uma data limite para terminar. O resultado será uma maior rapidez na execução, mais habilidade para pensar em soluções criativas rapidamente, maior concentração no seu projeto, aumento da produtividade, o que vai resultar em mais tempo para aceitar mais projetos e, por fim, possivelmente um maior retorno financeiro. 
As editoras levam meses para lançar um livro e tudo tem que estar funcionando dentro de um cronograma. Outras pessoas dependem do ilustrador entregar suas imagens dentro de um prazo. Muitos deles só podem começar seu trabalho quando as ilustrações estiverem prontas. Portanto, pratique sempre para entregar dentro da data limite. E, se possível até antes, o que vai lhe conferir uma reputação que pode levar o editor a lhe contratar novamente ou lhe indicar exatamente pela sua pontualidade.
Por que estou escrevendo algo que parece tão óbvio? Infelizmente, muita gente acaba esperando que o primeiro cliente apareça para começar a produzir. Conheço ilustradores que fizeram um só livro e até hoje estão aguardando outro cliente aparecer para começar o segundo. E isso já faz uns dez anos. 
Leão em fase de pintura
Para exemplificar: uma vez recebi um pedido de execução de um mapa mundi de 4 x 2m, sendo 32 telas (50×50) para realizar em uma semana. Era muito trabalho para somente 7 dias. Como eu soube que poderia aceitar? Porque já havia feito outro trabalho similar, do Leão, que era menor (16 telas), e sabia quanto tempo tinha levado. Na verdade, no início o projeto do Leão tinha um prazo de 5 meses para acabar. Mas enquanto eu trabalhava nele, o pessoal ficou empolgado e me pediu para apresentar num evento que aconteceria dentro de um mês. Nesse período, eu ia viajar por duas semanas – olha o imprevisto aí! – ou seja, teria que terminar tudo em duas semanas. Foi uma experiência maravilhosa e que me ajudou a conhecer os meus próprios limites e também a superação deles. E isso nos dá uma sensação de realização gigantesca. Como disse Thomas Edison:
“Se nós realmente fizéssemos tudo que somos capazes, nós surpreenderíamos a nós mesmos”. 
Então, o que está esperando? Comece agora mesmo a fazer a sua arte e se surpreenda com os resultados! Você é capaz. 😉

Leão finalizado
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Hábitos do Artista Produtivo – 3० Hábito

Buscar a inspiração, e não esperar que ela apareça

Existe uma crença de que o artista sempre precisa esperar a inspiração aparecer para começar a trabalhar. Certamente é muito melhor poder trabalhar em algo que nos inspira, e que nos agrada. Não seria ótimo ficar no ‘ócio criativo’ até aparecer uma ideia?

Porém, a realidade pode ser totalmente diferente. Há uma frase, atribuída ao pintor Chuck Close, que me ‘inspira’:

Inspiration is for amateurs — the rest of us just show up and get to work.

Já ouvi várias vezes que, para você se sentir inspirado, deve desenhar o que ama. Nós artistas precisamos gostar do que estamos fazendo. A arte é uma expressão, e é importante que o que fazemos esteja dentro do percurso que buscamos. Porém, no campo da ilustração, às vezes o ilustrador será desafiado a fazer o que não lhe inspira. Alguém que desenha somente cavalos, poderá receber um briefing de um trabalho no qual terá que desenhar peixes. Se você desenha princesas, um dia poderá ter que desenhar um dragão. 🙂 A verdade é que, mesmo que o trabalho não nos inspire, como profissionais nem sempre poderemos evitar ilustrar o que não nos inspira. Afinal, temos que pagar contas. Às vezes um livro pede ilustrações que são ‘desafiadoras’ e clientes que exigem alterações. Como profissionais, temos que nos aprimorar e estar preparados. Segundo Thomas Edison, “Genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração”. 
Isso quer dizer que não podemos recusar fazer algum tipo de ilustração? 
Certamente podemos recusar, sim. Eu mesma já recusei vários trabalhos, pelos mais variados motivos. Já recusei fazer trabalhos em que a data de entrega não me permitiria fazer com a qualidade que eu desejava, o que comprometeria a minha reputação (28 ilustrações em dois dias!), trabalhos em que as ilustrações não eram infantis, com temas polêmicos ou que não refletiam meus valores, trabalhos em que teria que copiar o estilo de um colega (por que não contrataram ele diretamente?), e quando o orçamento estava muito abaixo da tabela.

É essencial nós mesmos decidirmos o nosso ponto de equilíbrio, porque não vale a pena fazer algo que fere os nossos valores ou anseios artísticos. Mesmo recebendo por um trabalho, é quase certo que nos sentiremos infelizes e deprimidos se o que estamos desenhando vai contra o que acreditamos.

Aí você se pergunta: mas estou com ‘bloqueio criativo’. Como faço para buscar inspiração?
De fato, embora como profissionais devamos estar preparados para ilustrar o que às vezes não nos inspira, e seja difícil começar uma ilustração, há algumas maneiras para ajudar nesse processo. Entre elas:

a. observar como os ‘grandes mestres’ produziram suas obras: estudar história da arte, seja visitando museus ou nos livros, é uma grande fonte de inspiração. Também saberemos o que levou cada artista a buscar seu próprio percurso, e as técnicas que utilizavam;

b. estudar o trabalho de artistas que você admira: admiro as cores de Tarsila, o minimalismo de Dacosta, os vários pontos de vista do cubismo… e vejo que isso se reflete na minha arte;

c. visitar mostras e museus: nem sempre é possível ir a museus fora do país, mas hoje com a internet, às vezes é possível fazer uma visita virtual nos museus internacionais;

d. ler livros de arte (e até mesmo outros temas afins): sugiro alguns como Art Inc, Starving to Successful, I’d rather be in the studio, The Creative Entrepreuner, etc;

e. aprender novas técnicas: mesmo que a técnica seja uma coisa que você já domina, aprender com outra pessoa pode levar você a mudar seu ponto de vista;

f. fazer cursos: mesmo em áreas diferentes, um curso pode levar você a se inspirar e até misturar técnicas;

g; apenas observar o seu entorno: a criação é uma obra de arte divina. Há milhares de tipos de cada espécie e sempre tem algo que nos agrada. O pôr do sol, as pessoas, a natureza, as cores…. Enfim, isso enriquece a nossa própria cultura visual. 

Além dessas dicas, uma do próprio Pablo Picasso: “A inspiração existe, mas ela tem que te encontrar trabalhando”.
E para concluir, uma frase que já citei aqui em outro post: 😁
“I write only when inspiration strikes. Fortunately it strikes every morning at nine o’clock sharp.” W. Somerset Maugham


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Hábitos do Artista Produtivo – 2० Hábito

Como disse no post anterior, ‘a prática leva à perfeição’. Entretanto, muitas vezes a palavra ‘perfeição’ toma um significado muito intenso, chegando ao limite do inatingível. Com a intenção de fazer sempre melhor, nos tornamos perfeccionistas. E não tem coisa mais procrastinante do que tentar atingir a ‘perfeição’. Mesmo porque, o conceito de ‘perfeição’ varia de pessoa para pessoa.

Aí você pensa: ‘isso não está bom, melhor apagar e refazer’. E fica às vezes num mesmo esboço durante muuuito tempo. 


2० Hábito – Busque aperfeiçoamento, não a perfeição

De modo algum estou dizendo que não devemos buscar sempre melhorar. Pelo contrário: o resultado da sua arte é fruto do ‘aperfeiçoamento’. Porém, só conseguimos um bom resultado quanto focamos também na quantidade de trabalhos que produzimos. Como tudo na vida, dificilmente vamos atingir um bom resultado trabalhando pouco. Devemos sempre desejar aprimorar nosso trabalho. Entretanto, quando atingir a ‘perfeição’ se torna um obstáculo, devemos repensar o que estamos fazendo. 

O que quero dizer é que, se você faz um desenho hoje e não ficou como você queria, não desista. Continue praticando, praticando, praticando… “Vire a página” (ou arranque!) e comece outro. Você pode até voltar naquele primeiro desenho dali a alguns dias. Isso vai lhe dar uma outra perspectiva. Essa é uma prática que adoto e eu volto com disposição renovada para ‘enfrentar’ o desafio de terminar aquela obra. 😃 
Mas, e no caso de um trabalho comissionado, em que você tem uma data limite para entregar?
Quando estou trabalhando em um livro, geralmente tenho em torno de 20 ilustrações para fazer dentro de um certo período de tempo. Já tive que fazer livros com 32 ilustrações em 30 dias, mas também já tive livros em que havia em torno de 24 ilustrações e eu tinha 90 dias para terminar. 
Tenho o hábito de planejar tudo antes, fazer os esboços, a boneca do livro, e por fim efetivamente começo a pintar. Como eu faço ilustrações com tinta acrílica, e frequentemente tenho que esperar secar uma camada para passar para outra, aproveito esse tempo para fazer um fundo de uma nova ilustração, pintar algum detalhe em outra, ou até mesmo trabalho em duas ao mesmo tempo. 

Isso aumenta em muito a nossa produtividade, o que é relevantíssimo para o ilustrador profissional, principalmente quando você tem que entregar ilustrações em uma data limite muito próxima. Sem falar que pode acontecer de aparecer dois trabalhos no mesmo mês. Como somos profissionais liberais, e cada mês é uma surpresa, não podemos nos dar ao luxo de recusar trabalho. A não ser, é claro, que vá contra os seus princípios (mas sobre isso falarei numa outra oportunidade).
Para que possamos produzir um número significativo de ilustrações, é essencial que tenhamos um lugar adequado, organizado e com os recursos, como papel, lápis, tintas, pincéis, etc. A ideia de que a criatividade se dá no caos, pelo menos para mim, não funciona. Muitas vezes, um lugar organizado nos deixa com a mente focada no que estamos fazendo e a nossa produtividade aumenta. Por isso, mantenha seu ambiente com um mínimo de organização. Sei por experiência que é difícil. Mas imagine você começar a trabalhar numa ilustração e não conseguir achar aquele pastel seco que você está precisando naquele exato momento?
Portanto, acredito que ter um ambiente propício, ainda que não seja perfeito, e produzir bastante, tentando sempre aperfeiçoar seu trabalho, é imprescindível para alcançar seu objetivo.
Concluindo, quando você está num percurso artístico, todos os dias você vai buscar fazer melhor. E dificilmente vai ficar estagnado. O artista sempre busca algo. Se conseguiu atingir o seu objetivo hoje, amanhã já estará tentando fazer algo diferente e, em muitos casos, algo que considera melhor do que o que fez ontem. Mas isso só se consegue desenhando, ilustrando, pintando, enfim: produzindo… e muito! 😉

Em seguida: 3o Hábito do Artista Produtivo



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Hábitos do Artista Produtivo – 1० Hábito

Tenho por hábito 😀 ler tudo quanto é livro e artigo sobre arte, desenvolvimento artístico pessoal, ilustração, empreendedorismo… Sou uma ávida leitora e sempre que encontro algo que eu ache que vai enriquecer o meu trabalho, já me interesso. Confesso que ler é um grande prazer que tenho e, portanto, estou sempre em busca de novos livros ou textos que falem sobre a área de artes e ilustração.

Sendo assim, já li e ouvi muito sobre os hábitos que uma pessoa “deveria” ter para ser um artista eficaz. Nem tudo que se fala funciona para todo mundo e, como já faz alguuuuns anos que trabalho como ilustradora, algumas vezes eu concordo, outras eu discordo… 

Frequentemente recebo mensagens de pessoas que estão iniciando nessa área, e por isso resolvi comentar alguns desses hábitos aqui no meu blog. Meu objetivo é poder ajudar quem está começando, e certamente também aprender com essa troca de ideias, caso desejem comentar abaixo. 😉

A intenção não é fazer uma lista do que se deve fazer, mas sugerir algumas práticas que podem auxiliar o aspirante a ilustrador. Fique à vontade para sugerir temas para conversarmos. 

1० Hábito: Desenhar diariamente


Sim, é verdade que a vida anda corrida, que temos muito o que fazer, que as mídias sociais tem tomado muito do nosso tempo. Vivemos sendo bombardeados por informações novas o tempo todo. Temos muitos compromissos e as demandas da vida moderna nos sobrecarregam.

Entretanto, é nesse mundo agitado que vivemos e, felizmente para alguns, infelizmente para outros, temos que nos habituar a isso. Todos temos famílias, familiares idosos ou enfermos, trabalho extra, sem falar no trabalho doméstico, que somente uns poucos privilegiados não precisam fazer. Certamente isso dificulta, mas uma alternativa é considerar o desenho como um compromisso. Mesmo que você tenha um trabalho durante o dia, é possível separar algum momento para você desenhar ou pintar. Nem que seja por alguns minutos, é interessante fazer ao menos um esboço. Isso, é claro, se o seu objetivo for trabalhar com ilustração ou arte.

Você pode estar se perguntando: mas de que adianta fazer só um esboço?

O objetivo aqui não é somente praticar, mas adquirir o hábito. Se você marcar num calendário um X a cada dia em que desenhar ou pintar, verá que você mesmo tende a não deixar um dia sem o X. Dá uma sensação de realização! Imagine você olhar para o calendário do ano anterior e constatar que em todos os dias você fez algum trabalho em direção ao seu sonho? Além disso, estará construindo o seu portfolio!




Tudo que desejamos sempre requer um esforço. Um conhecido meu dizia – brincando – há alguns anos: “eu só quero vender minha arte na praia”. E eu sempre respondia a ele, no mesmo tom de brincadeira: “para vender sua arte, tem que fazer a arte.  Já começou a produzir sua arte?” 

Há uma frase que gosto muito e que resume tudo isso que estou escrevendo:


E isso é verdade. Não é à toa que as escolas dividem as disciplinas em pequenos períodos de tempo. E também não é à toa que a dificuldade vai aumentando conforme vamos aprimorando o que já sabemos. No fim, algum resultado você obtém. 


Uma outra vantagem em desenhar diariamente é que “a prática leva à perfeição”. Quanto mais você faz alguma coisa, a cada vez você aprende ou aprimora alguma coisa em seu desenho. E assim, a cada dia você observa o seu progresso.

Você pode começar marcando um horário específico para desenhar, ou então levar um bloco e lápis junto a você para que, naquele momento em que você aguarda alguma coisa (médico, ônibus, etc), você possa rabiscar. Quem sabe esse não é o primeiro passo para um novo hábito? 😉


Em seguida: 2o Hábito do Artista Produtivo







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