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Como Ilustrar e Produzir um Livro Infantil

Tenho observado que muitas pessoas desejam ilustrar seu próprio livro. É uma tendência no momento e, mesmo que uma pessoa não deseje seguir a carreira de ilustrador, ela tem esse desejo de expressar sua arte, seja na escrita quanto na ilustração. Algumas pessoas já até me pediram para ensinar a ilustrar, até como fazer o livro todo, mas ainda não tive tempo para organizar um curso, porém está nos meus planos.

Por isso, vou falar aqui sobre algumas coisas que são importantes para você poder ilustrar seu próprio texto.

A primeira coisa, desculpe citar o óbvio, é que você tenha uma história ou até mesmo um poema. Algumas pessoas já me disseram que tem vontade de publicar um livro, mas ainda não tem um texto. Por isso, a primeira coisa a se fazer é focar na escrita.

Tendo o texto já escrito, é necessário analisar o que o mesmo diz e o que se sugere nas entrelinhas. Também é interessante que a ilustração complemente a história. Vou exemplicar:

Há uma história do Rolo (Turma da Mônica) em que ele pede o carro a seu pai para sair com uma ‘mina’. Na historinha, o pai diz ao Rolo que nunca pediu o carro ao pai dele (mas no balão de pensamento ele está pedindo o ‘carango’), nunca chamou o pai de ‘velho’ (mas em pensamento ele chama o pai de ‘coroa’), ele ri que o Rolo chama a namorada de ‘mina’ (em seu pensamento o pai dele – avô do Rolo – também ri quando ele – o pai do Rolo – chama a namorada de ‘broto’)… e assim por diante. Esse ‘conflito de gerações’ é tratado de forma cômica e graciosa. Esse é um exemplo fantástico de como a ilustração é essencial para que se entenda a história.

Uma vez que o texto já esteja pronto e revisado ortográfica e gramaticalmente, devemos definir o formato, dimensões e quantas páginas o livro terá. Isso tudo depende muito do tamanho do texto, da quantidade de palavras e de quantas ilustrações serão feitas. No caso de uma editora, tudo isso pode já vir pré-determinado. No caso de um livro de produção própria, você que terá que tomar essa decisão. Uma vez que determinou número de páginas e formato (quadrado, retangular, 25×25, 21×18, etc), você pode partir para o storyboard. Abaixo um exemplo de storyboard (livro Sibila).

Se você não tiver ideia das dimensões e número de páginas, duas coisas podem lhe ajudar a definir: um orçamento com uma gráfica pode determinar o tamanho do livro, porque quanto maior o formato e maior número de páginas, mais caro. Fazer o storyboard pode lhe ajudar também, pois vendo como as páginas vão ficar com as ilustrações e o texto lhe dará uma panorâmica do resultado. Se o texto estiver apertado ou houver muitas áreas em branco, o storyboard lhe dá a oportunidade de reposicionar o que não ficou do seu agrado.
Após o storyboard, é hora de começar os roughs, ou esboços em preto e branco, também chamados de rafes. Aí você começa a fazer os desenhos de cada página. Pode ser que tenha que fazer e refazer várias vezes. É assim mesmo.
Finalizados os esboços, é hora de partir para as ilustrações originais. Cada técnica pede um tipo de papel. Quanto mais ‘molhada’ a tinta, maior a gramatura do papel. Você pode também finalizar com lápis de cor, aquarela, acrílico, colagem, nanquim, e até mesmo um misto de técnicas. Ou pode digitalizar e colorir no computador. Eu utilizo tinta acrílica, faço colagens, dou acabamento com lápis de cor…
Ilustração finalizada
Para o livro ficar completo, é necessário fazer as capas, a folha de rosto, a ficha catalográfica, o miolo – que é a parte onde ficam o texto e as ilustrações. São opcionais a biografia do autor e ilustrador, como também a dedicatória.
Após todas as ilustrações estarem prontas, é preciso digitalizar. Como eu tenho scanner em casa, eu mesma faço isso. Se você não tiver um scanner ou não souber como fazer, é possível também terceirizar esse trabalho. Peça à empresa de digitalização que lhe entregue as imagens em jpg de 300dpi, no mínimo.
Embora haja pessoas que produzam livros sem o ISBN, eu aconselho a solicitá-lo na Biblioteca Nacional. O ISBN ou International Standard Book Number é um sistema que identifica numericamente (código de barras) os livros segundo título, autor, editora e país. Isso facilita sua comercialização nacional e internacionalmente.
Sobre a Ficha Catalográfica, uma bibliotecária está habilitada a fazê-lo, o que possibilitará que seu livro seja catalogado nas Bibliotecas.
Para preparar o livro para a gráfica, é preciso um software específico. Eu gosto do Photoshop, do Corel e do Photopaint. Muitos ilustradores montam no Indesign e até no Illustrator. Depende do que você está mais acostumado a usar. Se você não tem esses softwares, geralmente pode baixar para teste gratuito por um mês. Lá você monta o arquivo, insere o texto e ‘fecha’ o arquivo para envio para a gráfica. Geralmente a gráfica faz um ‘livro’ e pede a sua aprovação antes de produzir todos os exemplares.
Depois disso, é só aguardar ficar pronto e curtir a sua obra!
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Partes Básicas de um Livro Infantil

O livro infantil pode ser feito de várias maneiras. Existem livros infantis de inúmeros formatos e não há uma regra para eles. Há livros retangulares, quadrados, de papel, de plástico, em formato de barco, carro, casa, com ‘pop-ups’, etc.

Porém, há algumas partes que são elementares e que compõem a maioria dos livros infantis. Embora não contemple todas as partes possíveis, o objetivo da ilustração abaixo é auxiliar a entender os ‘jargões’ mais utilizados e contemplar as partes básicas a fim de planejar um livro infantil.

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