Feira Literária de Gotemburgo – Stand do Brasil

Uma grande oportunidade para o ilustrador, principalmente o iniciante, são as feiras literárias. Nem todos temos a chance de ir às mais importantes, uma vez que são distantes de onde moramos. Porém, se houver uma oportunidade, pode surgir uma parceria entre o ilustrador e o editor.

Em alguns eventos literários como a Feira de Bolonha, é possível marcar um horário para mostrar o seu portfólio para os editores. Aqui no Brasil costuma ser mais informal. Em feiras literárias, geralmente os editores estão mais presentes no primeiro dia. Porém, dependendo da feira, podem ser encontrados o tempo todo e você pode conseguir fazer bons contatos.

Ao participar de feiras, notei que alguns editores gostam de receber portfólios, enquanto outros consideram que não é o momento e se sentem importunados. De qualquer forma, se for a uma feira, tenha em mãos seu portfólio, pois se alguém pedir para ver, essa oportunidade pode não se apresentar novamente.

Algumas sugestões:

. Evite levar os seus originais. Podem se sujar, ficar perdidos, ou até mesmo alguém solicitar para ficar com o mesmo. Faça impressões coloridas de alta qualidade. Já imaginou você ficar sem o original da ilustração que mais gosta?

. Escreva seu nome e contato em todas as páginas do portfólio: ao lado, no topo ou embaixo das ilustrações. Supondo que o editor faça uma foto para lembrar do seu trabalho depois, na pressa ele pode esquecer do seu nome.

. Embora a maioria das pessoas não guarde cartões ou se lembre quem é cada pessoa que lhe deu um, ter um cartão pessoal com uma ilustração pode valer a pena.

. As ilustrações não precisam ser necessariamente gigantes no portfólio. Uma pasta A4 ou no máximo A3 basta. Maiores dificultam o manuseio.

. Escolha entre 10 a 20 ilustrações. Menos que 10 darão a impressão de pouca produção, enquanto mais de 20 vão tomar o precioso tempo do editor e ele pode acabar pulando páginas, deixando de ver o seu melhor trabalho.

. Inclua somente ilustrações que tenham a ver com o seu objetivo. Se estiver apresentando um portfólio para um editor de livros infantis, não vale a pena incluir pinturas de natureza morta, por exemplo.

. Esteja pronto para aceitar críticas. Caso o editor esteja disponível, pergunte o que ele achou. Mas fique preparado. Nem todos vão dizer o que pensam, seja porque não querem magoar, ou até mesmo porque não o sabem. E alguns o sabem intuitivamente, mas não conseguem explicar. Porém, se encontrar algum que possa lhe dar alguns insights, aproveite.

. Outra sugestão é levar alguns cartões, exemplos de suas ilustrações, para distribuir caso alguém lhe peça. Também é possível deixar uma pequena amostra do seu portfólio, mas como estamos na era digital, às vezes vale mais a pena – e custa menos – enviar via email (se solicitado) ou o link do seu site. Os stands de eventos literários geralmente são pequenos e não tem lugar para estocar portfólios, portanto estes podem ficar perdidos, serem esquecidos ou até mesmo, na hora de empacotar tudo, descartados.

. Caso peçam para você entrar em contato, faça-o alguns dias após o término da feira. Devido ao evento, podem ter centenas de e-mails para responder, relatórios para apresentar, entre outras tarefas. Dê uns dias mas não deixe para muito tarde. Escreva agradecendo pela oportunidade na feira, relembre quem você é, envie alguma imagem que o tenha impactado e seja gentil.

Minha experiência: já fui a muitos eventos e alguns não resultaram em nada. Mas a maioria de meus livros foram resultado de contatos em algum evento.

Também já tive a experiência em que meu portfólio nem foi aberto e foi colocado numa pilha junto a tantos outros. E imaginei se alguém iria vê-lo depois daquele momento… São momentos sofridos, mas não desista. Quem espera sempre alcança. 🙂

Se tiver alguma dica extra ou experiência que queira compartilhar, escreva nos comentários. Abs!

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Artista: do Miserável ao Bem Sucedido

Como já mencionei, sou uma devoradora de livros, principalmente sobre arte e empreendedorismo. Acredito que a arte pode, sim, andar de mãos dadas com os negócios. Embora muitas pessoas acreditem que é fácil fazer arte, que é só ‘fazer uns rabiscos numa tela’, na verdade a arte começa muito antes da escolha do suporte e da técnica. Começa nos ‘inputs’ que vamos recebendo no dia a dia, nas influências dos mais variados tipos, na vontade do artista em deixar sua marca no mundo. E isso tem valor. É a arte que traz aquele ‘algo mais’ à vida rotineira de todo dia. Estamos o tempo todo rodeados de arte. Cinema, música, cores… A arte mexe com nossos sentidos e proporciona qualidade de vida.

Voltando à parte que fala de negócios no mundo da arte, um livro que me chamou a atenção e que gostei muito foi ‘Starving to Successful’, de J. Jason Horejs, proprietário da galeria Xanadu, nos Estados Unidos. Como ele comercializa essencialmente pintura e escultura, é importante lembrar que os conselhos dele se referem a esses tipos de arte.

Esse livro fala sobre os passos que o artista deve tomar para se tornar um artista bem sucedido.
Mas…  o que ele quer dizer com ‘bem sucedido’?

Para ele, um artista bem sucedido é o que vende. Obviamente ele fala isso do ponto de vista de um comerciante de arte. Um artista pode ser bem sucedido sem vender? Certamente, pois sucesso varia de pessoa para pessoa. Depende do que se busca. Há artistas que fazem arte apenas pelo prazer de criar. É o que chamam de arte pura. Porém, como o artista geralmente busca reconhecimento, uma das formas de reconhecimento é saber que alguém valoriza tanto de seu trabalho que está disposto a pagar por ele.

Segundo Jason, há alguns requisitos essenciais para que um artista venha a ser aceito por uma galeria. Se esse é o modo pelo qual você escolheu para comercializar sua arte, vale a pena ler o livro na íntegra.

Contudo, vou falar sobre alguns pontos que ele menciona no livro. Como o objetivo do Horejs é vender, todos os clientes são chamados de colecionadores, mesmo aqueles que buscam um quadro como ‘ornamento’ da sala de estar.

Pontos Relevantes do Livro
✽ Uma das primeiras coisas que ele menciona é que o artista deve, desde o início de sua carreira, evitar comprar materias de qualidade inferior. Ele acredita que você não está criando somente arte, mas um produto que será vendido, e cuja qualidade deve ser superior. A obra de arte pode vir a valorizar com o tempo, e por isso um suporte (telas, papel) e as tintas, solventes, etc, devem resistir ao passar dos anos. 
✽ Com já falamos anteriormente, ele foca insistentemente que o artista produza, produza, produza… Pelo menos uma obra grande ou duas pequenas por semana. Segundo ele, no final do ano o artista teria não só um bom estoque para apresentar a um galerista, como também isso certamtente vai levar a uma maior qualidade do trabalho.
✽ Busque uma temática pela qual você seja ‘apaixonado’: No caso de um pintor, a sugestão é seguir sua paixão. Mesmo que a moda seja pintar cavalos, e você não gosta de animais, não vai ficar entusiasmado com esse tema. Pense: o que te emociona? Ele sugere que o artista não tente copiar outro artista, mas busque o seu próprio percurso de arte. 
✽ Evite distrações quando estiver trabalhando: desligue o celular, não fique nas mídias sociais, desconecte-se. Ele conta inclusive que uma vez enviou um email para um pintor e que ele respondeu em menos de um minuto. Que ele imaginou o pintor com o pincel numa mão e a outra no teclado. 😄 
✽ Seja consistente em seu trabalho. Não pinte diversos temas, com diversos suportes, diversos tamanhos. Tenha algo que faça os outros reconhecerem uma obra como sua. Busque um estilo.
✽ Comece seu inventário desde a primeira pintura/escultura. Fica mais fácil encontrar uma obra, informar o título, as dimensões, a data em que foi criada, e o que mais for relevante. O autor aconselha utilizar algum software que permita criar um inventário digital. 
✽ Escreva sua biografia e o que lhe motiva a criar sua arte. É o que chamam de ‘Art Statement’. Escreva um texto falando sobre a temática, qual a razão de você pintar sobre esse assunto, como você começou sua carreira, seu estilo, sua técnica, materiais, formação, se trabalha em alguma associação de modo voluntário, etc.
✽ Crie um portfolio: Jason comenta que prefere receber os portfolios ‘físicos’, pois eles o obrigam a pelo menos dar uma olhadinha. Links e CDs geralmente acabam sendo ignorados por ele. Por outro lado, acha fundamental que o artista tenha seu próprio website, pois isso demonstra que ele é profissional. 
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