Técnicas de Ilustração: Tinta Acrílica

Quando analisamos o trabalho de vários artistas, podemos observar que, ainda que tenham escolhido o mesmo tema, cada um interpreta do seu próprio jeito.

Como já comentei aqui, durante a oficina que participei em Sármede, cidade da ilustração na Itália, cada ilustrador produziu uma ilustração completamente diferente, ainda que o tema fosse o mesmo para todos. É maravilhoso observar como cada ilustrador tem o seu próprio jeitinho de segurar o lápis e/ou pincel. Os traços e pinceladas de cada ilustrador são feitos de maneira diferente e cada artista tem a sua própria maneira de combinar técnicas para obter um resultado que lhe é único.

Nas minhas ilustrações, por exemplo, sempre faço uma combinação de várias técnicas. Isso, com o tempo, pode até vir a se tornar marca registrada do artista.

Também é muito interessante observar como cada artista tem sua preferência por uma técnica. Há aqueles que amam a aquarela e outros que preferem o acrílico. Há os que só trabalham com ilustração digital e outros que preferem os lápis de cor. Preferências à parte, o fato é que essa variedade de técnicas só vem a enriquecer o mundo da ilustração.

Desenho em grafite

Há muitas técnicas artísticas que podem ser utilizadas pelo ilustrador voltado à literatura infantil. Entre elas, posso citar os lápis de cor, lápis de cor aquareláveis, acrílico, aquarela, colagem, aerógrafo (esse substituído pelo computador por muitos artistas), grafite, carvão, colagem, gravura em geral (metal, madeira e linóleo), gouache, nanquim, recortes de papel, além ainda de técnicas menos convencionais, como tecido, bordado, massinha de modelar…

Como vocês já devem saber, o acrílico é a minha técnica preferida. É uma tinta muito versátil, que seca rapidamente e permite uma variedade grande de efeitos. Com muito água fica parecida com a aquarela e muito espessa permite maravilhosas texturas. À base d’água, o acrílico é relativamente fácil de corrigir numa ilustração. Porém, uma vez seco, fica bem difícil de limpar. Tenho várias roupas com marcas de tintas. Também estraga muito os pincéis se não forem bem lavados. O acrílico pode ser usado com pincéis de cerdas naturais e sintéticos. Eu utilizo ambos, cada tipo para dar um efeito diferente. A tinta acrílica pode ser utilizada sobre várias superfícies, como papel, papelão, plástico, metal, etc.

Algumas marcas de tinta são mais brilhantes, mas eu prefiro as mais foscas para minhas ilustrações. Como secam muito rápido, existem retardadores de secagem que podem ser usados. Como eu moro numa cidade não muito quente, embora de tempo úmido, não costumo utilizar o retardador. Pelo contrário, às vezes uso o secador de cabelos para agilizar o meu trabalho.

Dependendo do papel que se utiliza, o acrílico pode enfatizar a textura e dar um acabamento peculiar às ilustrações. Eu gosto de usar papéis de gramatura bem alta e com texturas.

Para misturar as tintas, não há segredo. A tinta acrílica se mistura de modo homogêneo rapidamente e, se necessário, basta acrescentar uns pinguinhos de água. Para isso, você pode usar um prato de porcelana, bandejas de isopor ou pratos descartáveis. Os pratinhos, embora não muito ecológicos, são muito práticos devido ao fato de não precisar ficar lavando o tempo todo e são muito utilizados por ilustradores.

Embora seja possível misturar a tinta acrílica com alguns tipos de pasta, gel, entre outros ‘auxiliares’, eu raramente os utilizo em ilustrações.

Houve um tempo em que se dizia que havia um jeito ‘certo’ de utilizar a tinta acrílica. Quando eu estudei Pintura na Accademia di Belle Arti di Venezia, havia professores que desprezavam a tinta acrílica em favor do óleo e outros que diziam que o acrílico tinha que ser dissolvido em muita água antes de ser utilizado. Atualmente acredita-se que o potencial do acrílico não tenha sido totalmente explorado.

Concluindo, aquilo que hoje parece errado, amanhã pode ter sido aceito como mais uma nova maneira de produzir arte.

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Hábitos do Artista Produtivo – 3० Hábito

Buscar a inspiração, e não esperar que ela apareça

Existe uma crença de que o artista sempre precisa esperar a inspiração aparecer para começar a trabalhar. Certamente é muito melhor poder trabalhar em algo que nos inspira, e que nos agrada. Não seria ótimo ficar no ‘ócio criativo’ até aparecer uma ideia?

Porém, a realidade pode ser totalmente diferente. Há uma frase, atribuída ao pintor Chuck Close, que me ‘inspira’:

Inspiration is for amateurs — the rest of us just show up and get to work.

Já ouvi várias vezes que, para você se sentir inspirado, deve desenhar o que ama. Nós artistas precisamos gostar do que estamos fazendo. A arte é uma expressão, e é importante que o que fazemos esteja dentro do percurso que buscamos. Porém, no campo da ilustração, às vezes o ilustrador será desafiado a fazer o que não lhe inspira. Alguém que desenha somente cavalos, poderá receber um briefing de um trabalho no qual terá que desenhar peixes. Se você desenha princesas, um dia poderá ter que desenhar um dragão. 🙂 A verdade é que, mesmo que o trabalho não nos inspire, como profissionais nem sempre poderemos evitar ilustrar o que não nos inspira. Afinal, temos que pagar contas. Às vezes um livro pede ilustrações que são ‘desafiadoras’ e clientes que exigem alterações. Como profissionais, temos que nos aprimorar e estar preparados. Segundo Thomas Edison, “Genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração”. 
Isso quer dizer que não podemos recusar fazer algum tipo de ilustração? 
Certamente podemos recusar, sim. Eu mesma já recusei vários trabalhos, pelos mais variados motivos. Já recusei fazer trabalhos em que a data de entrega não me permitiria fazer com a qualidade que eu desejava, o que comprometeria a minha reputação (28 ilustrações em dois dias!), trabalhos em que as ilustrações não eram infantis, com temas polêmicos ou que não refletiam meus valores, trabalhos em que teria que copiar o estilo de um colega (por que não contrataram ele diretamente?), e quando o orçamento estava muito abaixo da tabela.

É essencial nós mesmos decidirmos o nosso ponto de equilíbrio, porque não vale a pena fazer algo que fere os nossos valores ou anseios artísticos. Mesmo recebendo por um trabalho, é quase certo que nos sentiremos infelizes e deprimidos se o que estamos desenhando vai contra o que acreditamos.

Aí você se pergunta: mas estou com ‘bloqueio criativo’. Como faço para buscar inspiração?
De fato, embora como profissionais devamos estar preparados para ilustrar o que às vezes não nos inspira, e seja difícil começar uma ilustração, há algumas maneiras para ajudar nesse processo. Entre elas:

a. observar como os ‘grandes mestres’ produziram suas obras: estudar história da arte, seja visitando museus ou nos livros, é uma grande fonte de inspiração. Também saberemos o que levou cada artista a buscar seu próprio percurso, e as técnicas que utilizavam;

b. estudar o trabalho de artistas que você admira: admiro as cores de Tarsila, o minimalismo de Dacosta, os vários pontos de vista do cubismo… e vejo que isso se reflete na minha arte;

c. visitar mostras e museus: nem sempre é possível ir a museus fora do país, mas hoje com a internet, às vezes é possível fazer uma visita virtual nos museus internacionais;

d. ler livros de arte (e até mesmo outros temas afins): sugiro alguns como Art Inc, Starving to Successful, I’d rather be in the studio, The Creative Entrepreuner, etc;

e. aprender novas técnicas: mesmo que a técnica seja uma coisa que você já domina, aprender com outra pessoa pode levar você a mudar seu ponto de vista;

f. fazer cursos: mesmo em áreas diferentes, um curso pode levar você a se inspirar e até misturar técnicas;

g; apenas observar o seu entorno: a criação é uma obra de arte divina. Há milhares de tipos de cada espécie e sempre tem algo que nos agrada. O pôr do sol, as pessoas, a natureza, as cores…. Enfim, isso enriquece a nossa própria cultura visual. 

Além dessas dicas, uma do próprio Pablo Picasso: “A inspiração existe, mas ela tem que te encontrar trabalhando”.
E para concluir, uma frase que já citei aqui em outro post: 😁
“I write only when inspiration strikes. Fortunately it strikes every morning at nine o’clock sharp.” W. Somerset Maugham


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