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Ilustração – Definindo Valores

Muita gente me escreve perguntando sobre os valores que podem cobrar por suas ilustrações. Isso realmente é um assunto delicado. A cada dia tem ficado mais difícil definir um preço. Cada cliente é diferente e nem todos podem pagar o mesmo valor. Como membro da SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil, participo de um fórum e estamos sempre discutindo o quanto cobrar. Portanto, apesar de termos ideias comuns a respeito, os valores variam.

O valor de uma ilustração depende de vários fatores, alguns objetivos e outros subjetivos. Dentre eles, podemos exemplificar:

. Dimensões: Tomando como referência uma página A4, com certeza uma ilustração de uma página inteira custará bem mais que uma vinheta. E é justificável que uma ilustração de página dupla tenha um valor bem maior que uma ilustração de uma só página.

. Estilo: a ilustração é científica, publicitária, caricatura, cartoon ou oriental? Ilustrar partes do corpo humano para um livro científico pode ser bem mais trabalhoso do que uma tirinha de 3 quadrinhos.

. Acabamento: traço, preto e branco ou colorida? Digital ou artística?

. Complexidade: muitos personagens, muitos detalhes?

. Tiragem ou circulação: será para o jornalzinho do bairro ou para uma revista de grande circulação? Seu cliente usará em quantos produtos?

. Responsabilidade: a ilustração pode vir a ofender alguém ou é sobre algum tema polêmico?

. Arte-final: você vai permitir muitas alterações ou o cliente aceitará a primeira ilustração que você fizer sem objeções?

. Experiência (e até a fama) do ilustrador;

. Se há concorrentes ou o ilustrador é um dos poucos que faz o tipo de ilustração que o cliente deseja;

. Urgência do trabalho;

. Será veiculado em território nacional ou internacional?

Além disso, você deve sentir se o cliente está querendo mesmo trabalhar com você ou se contactou  vários ilustradores ao mesmo tempo, a fim de conseguir o menor preço. Outra sugestão seria perguntar qual é o orçamento que ele tem para o projeto, pois às vezes é até maior que o valor que você pensava em orçar. 😄

Alguns ilustradores iniciantes me perguntam se deveriam começar com um valor mais baixo para conseguir mais clientes. O problema é que isso pode render a eles a fama de que cobram ‘baratinho’ e o cliente não valorizar o trabalho deles. Também é bom lembrar o velho ditado: ‘comece como quer continuar’. Além disso, baixar muito o preço para concorrer com outros ilustradores pode vir a desvalorizar cada vez mais a nossa profissão. Mais uma dica: se você acha que está cobrando pouco por seu trabalho e se sente até mesmo explorado, é porque definiu o seu valor muito baixo mesmo.

De qualquer forma, o importante é nunca trabalhar sem fazer um contrato. O contrato é a sua garantia. Se precisar de alguma informação a mais sobre contratos e valores, entre em contato. 😉

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Hábitos do Artista Produtivo – 3० Hábito

Buscar a inspiração, e não esperar que ela apareça

Existe uma crença de que o artista sempre precisa esperar a inspiração aparecer para começar a trabalhar. Certamente é muito melhor poder trabalhar em algo que nos inspira, e que nos agrada. Não seria ótimo ficar no ‘ócio criativo’ até aparecer uma ideia?

Porém, a realidade pode ser totalmente diferente. Há uma frase, atribuída ao pintor Chuck Close, que me ‘inspira’:

Inspiration is for amateurs — the rest of us just show up and get to work.

Já ouvi várias vezes que, para você se sentir inspirado, deve desenhar o que ama. Nós artistas precisamos gostar do que estamos fazendo. A arte é uma expressão, e é importante que o que fazemos esteja dentro do percurso que buscamos. Porém, no campo da ilustração, às vezes o ilustrador será desafiado a fazer o que não lhe inspira. Alguém que desenha somente cavalos, poderá receber um briefing de um trabalho no qual terá que desenhar peixes. Se você desenha princesas, um dia poderá ter que desenhar um dragão. 🙂 A verdade é que, mesmo que o trabalho não nos inspire, como profissionais nem sempre poderemos evitar ilustrar o que não nos inspira. Afinal, temos que pagar contas. Às vezes um livro pede ilustrações que são ‘desafiadoras’ e clientes que exigem alterações. Como profissionais, temos que nos aprimorar e estar preparados. Segundo Thomas Edison, “Genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração”. 
Isso quer dizer que não podemos recusar fazer algum tipo de ilustração? 
Certamente podemos recusar, sim. Eu mesma já recusei vários trabalhos, pelos mais variados motivos. Já recusei fazer trabalhos em que a data de entrega não me permitiria fazer com a qualidade que eu desejava, o que comprometeria a minha reputação (28 ilustrações em dois dias!), trabalhos em que as ilustrações não eram infantis, com temas polêmicos ou que não refletiam meus valores, trabalhos em que teria que copiar o estilo de um colega (por que não contrataram ele diretamente?), e quando o orçamento estava muito abaixo da tabela.

É essencial nós mesmos decidirmos o nosso ponto de equilíbrio, porque não vale a pena fazer algo que fere os nossos valores ou anseios artísticos. Mesmo recebendo por um trabalho, é quase certo que nos sentiremos infelizes e deprimidos se o que estamos desenhando vai contra o que acreditamos.

Aí você se pergunta: mas estou com ‘bloqueio criativo’. Como faço para buscar inspiração?
De fato, embora como profissionais devamos estar preparados para ilustrar o que às vezes não nos inspira, e seja difícil começar uma ilustração, há algumas maneiras para ajudar nesse processo. Entre elas:

a. observar como os ‘grandes mestres’ produziram suas obras: estudar história da arte, seja visitando museus ou nos livros, é uma grande fonte de inspiração. Também saberemos o que levou cada artista a buscar seu próprio percurso, e as técnicas que utilizavam;

b. estudar o trabalho de artistas que você admira: admiro as cores de Tarsila, o minimalismo de Dacosta, os vários pontos de vista do cubismo… e vejo que isso se reflete na minha arte;

c. visitar mostras e museus: nem sempre é possível ir a museus fora do país, mas hoje com a internet, às vezes é possível fazer uma visita virtual nos museus internacionais;

d. ler livros de arte (e até mesmo outros temas afins): sugiro alguns como Art Inc, Starving to Successful, I’d rather be in the studio, The Creative Entrepreuner, etc;

e. aprender novas técnicas: mesmo que a técnica seja uma coisa que você já domina, aprender com outra pessoa pode levar você a mudar seu ponto de vista;

f. fazer cursos: mesmo em áreas diferentes, um curso pode levar você a se inspirar e até misturar técnicas;

g; apenas observar o seu entorno: a criação é uma obra de arte divina. Há milhares de tipos de cada espécie e sempre tem algo que nos agrada. O pôr do sol, as pessoas, a natureza, as cores…. Enfim, isso enriquece a nossa própria cultura visual. 

Além dessas dicas, uma do próprio Pablo Picasso: “A inspiração existe, mas ela tem que te encontrar trabalhando”.
E para concluir, uma frase que já citei aqui em outro post: 😁
“I write only when inspiration strikes. Fortunately it strikes every morning at nine o’clock sharp.” W. Somerset Maugham


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