Dicas sobre Pagamento de Ilustrações

Ouvindo alguns colegas falando sobre as dificuldades em cobrar e receber pagamento por ilustrações, fiquei feliz em saber que isso nunca aconteceu comigo. Embora já tenha recebido pagamento em atraso de alguns dias, foi por pura falta de deixar bem claro no início o que era para ser feito.

Infelizmente, em toda área existem clientes que tentam levar alguma vantagem. Felizmente para mim, não tive ainda nenhum problema com falta de pagamento. Talvez o fato de eu sempre trabalhar com contrato, e assim já afastar de início quem não tem boas intenções. Creio que o fato de eu ter me graduado em Administração antes de ter feito Belas Artes deve ter ajudado. Rsrs…

Entretanto, a grande maioria de clientes tem, sim, boas intenções. Eu acredito que, se alguém pede um trabalho a você, não tem a intenção de lhe enganar. Mesmo porque, desde sempre, a reputação é algo a ser valorizado. Ainda mais hoje em dia com a internet, onde fica mais fácil procurar informações.

De qualquer forma, aprendi algumas estratégias para facilitar o entendimento sobre pagamentos entre você e seu cliente:

1 – Eu sempre enfatizo: NUNCA trabalhe sem contrato. O contrato é a sua segurança. Não comece um projeto de ilustrações sem ter um contrato entre as partes, isto é, entre você e seu cliente. Se alguém já enrola para assinar o contrato, desconfie. Boas editoras e bons clientes não tem medo de colocar tudo no papel. Pelo contrário, eles também preferem ter tudo por escrito e saber de antemão o que vão receber em troca do dinheiro deles. Eu considero o contrato como um ‘filtro’. Com ele você já evita uma porção de dor de cabeça só de mencionar o mesmo nas negociações.

2 – Peça um adiantamento: eu costumo dividir o valor total em três partes: na assinatura do contrato, meio e entrega das ilustrações. Assim, quando eu entregar, já terei recebido pelo menos 60% do valor total. E dificilmente alguém com a intenção de não lhe pagar irá fazer os depósitos regularmente. Isso minimiza o risco. Lembre-se: Como freelancer, autônomo, ou empreendedor individual, é você quem define como vai trabalhar.

Você pode estar imaginando: “ah, mas se eu pedir algo já de início, eles não vão me contratar”. Ou “Estou ainda no começo, não tenho coragem”… “Não quero arriscar pedir e perder esse trabalho”.

Todas essas preocupações são válidas, mas se desejamos ser tratados como profissionais, temos que agir como profissionais. E, na maioria dos casos, em outras áreas, ou você dá um sinal, ou paga tudo antes de receber. Você sai da padaria sem pagar o pão? Se faltar dinheiro pra passagem, você entra no ônibus?

Receber uma porcentagem no início mostra a boa-fé do seu cliente e que ele confia em você. Por isso o contrato é garantia também para ele. Garantia de que ele vai receber pelo que já começou a pagar.

Caso a editora ou o cliente não queira fazer um depósito, faça uma pesquisa com colegas. Porém – enfatizo – isso nunca me aconteceu. A maioria com quem trabalhei, pessoas jurídicas ou físicas, sempre fizeram um depósito inicial.

3 – Explique as condições de pagamento: Além da porcentagem inicial, escreva no contrato valores e datas de pagamento. Coloque seus dados bancários e condições. Eu sempre faço um cronograma do meu trabalho e já indico as datas em que vou fazer entrega de rafes ou ilustrações e já defino esse o dia do pagamento.

4 – Pergunte sobre a forma de pagamento e impostos: Há editoras que depositam os valores e já retém o IRPF na fonte. Há outras que deixam isso para você. E há outras que trabalham com Notas Fiscais. Isso tudo precisa ser definido antes de começar o trabalho. Já imaginou eles pagarem somente com emissão de NF e você não ter como fazer isso?

5 – Caso o cliente diga que não tem um modelo de contrato, envie você uma minuta para que ele analise. Tenha documentos e formulários profissionais. Além da sua apresentação ficar mais uniforme, causará boa impressão e vai evitar que vocês se esqueçam de detalhes importantes.

Lembre-se: ao não aceitar qualquer tipo de cliente, sobra tempo para você focar nos clientes de qualidade. Não é porque gostamos do que fazemos, que satisfação paga as nossas contas.

É claro que não existe um só modo de fazer as coisas, e pode ser que você tenha outra opinião e outro jeito que funcione muito bem. Cada um tem a sua experiência. Se tiver alguma dica ou quiser compartilhar alguma experiência, me escreva. 🙂