Mostra e novo livro!

Na semana passada, durante a abertura da minha mostra individual de ilustrações, tive o prazer de lançar um novo livro: Colorindo Curitiba.

Há muito tempo queria fazer um livro de colorir, e devido à grande procura pelo livro Curitiba de A a Z, acabei produzindo também um livro de colorir com ilustrações em preto e branco, baseadas nas ilustrações do livro de poemas.

Abaixo o artigo da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Ilustrações de livro de poesias sobre Curitiba ganham exposição

01/11/2019 15:38 – Ilustrações de livro de poesia sobre Curitiba ganham exposição – Foto: Cido Marques

Turistas e moradores da cidade têm mais um motivo para visitar a loja #CuritibaSuaLinda, no Centro. Situada junto ao Hotel Pestana, no espaço antigamente ocupado pelo Museu David Carneiro, o local exibe desde quinta-feira (31/10) ampliações de cada ilustração que acompanha os 27 verbetes do livro de poesias  Curitiba de A a Z – projeto apoiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura para o público infanto-juvenil. 
 
O evento foi aberto pela presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Ana Cristina de Castro, que representou o prefeito Rafael Greca, autor do prefácio da obra. Ela saudou os autores – o designer carioca Alexandre Barros Neves, autor dos textos, e a ilustradora curitibana Ingrid Osternack – que são casados e moram em Curitiba, onde Ingrid cresceu.
 

“Foi uma emoção e um privilégio muito grande desenvolver esse livro porque tive a oportunidade de retratar lugares que fazem parte da minha infância”, contou Ingrid. Um deles é o atual Parque Passaúna, implantado em 1991.

“Antes do parque ser formado, eu costumava ir até lá para catar pinhões”, completou a ilustradora, que já publicou 17 livros em coautoria. O último – A Nuvem Pipoca – foi lançado em Portugal, em outubro.


Ingrid lembrou que a ideia do livro nasceu há 7 anos, durante uma viagem de Alexandre ao Peru. “Assim que viu um livro com uma proposta semelhante durante a viagem, começou a pensar na ideia e lançou o desafio. É que mesmo não tendo nascido aqui, ele é um curitibano convertido, grande admirador do jeito do curitibano se relacionar com a cidade”, explicou. 
 
As 27 ilustrações ampliadas podem ser vistas no térreo e no mezanino da loja. A presidente da Fundação Cultural estuda a ideia de fazer exposições itinerantes de Curitiba de A a Z.

Serviço

Curitiba de A a Z
Exposição de ilustrações
Local: Espaço Cultural David Carneiro – Loja #CuritibaSuaLinda (Rua Brigadeiro Franco em frente ao número 1.845, quase na esquina com a Comendador Araújo, no Centro)
Horário: das 10h às 18h30, de terça a sexta-feira
Até dezembro/2019
Para todos os públicos
Entrada franca

Link: https://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/ilustracoes-de-livro-de-poesias-sobre-curitiba-ganham-exposicao/53510

O Ilustrador Empreendedor

Photo of a Woman Thinking

Uma coisa que me tira do sério é ouvir que nós, artistas e profissionais do desenho e ilustração, temos tempo livre, não temos horário fixo, que vivemos relaxados e tranquilos, quase como se estivéssemos ‘vendendo nossa arte na praia’. A verdade é que a profissão do ilustrador demanda muito tempo e empenho. Posso dizer que, pelo menos para mim, se tem uma coisa que o ilustrador não tem sobrando é tempo. Além de ter que desenhar e ilustrar, o ilustrador freelancer, ou até mesmo o ilustrador empreendedor, também atua em várias áreas dentro da sua ‘empresa’. Diferentemente dos Estados Unidos, onde geralmente há a figura do agente, aqui no Brasil o ilustrador tem que se virar quase totalmente sozinho. O ilustrador é praticamente uma “empresa de uma pessoa só”. Veja só:

Orçamentos: além de ter que apresentar orçamentos para seus clientes, dependendo da sua área de atuação, tem que orçar com a gráfica e fornecedores.

Planejamento: de curto e longo prazo, tanto para o projeto do momento como para saber o que estará fazendo no ano que vem.

Gerenciamento de tempo: é essencial ter equilíbrio entre o ‘ilustrar’ e as demais tarefas comerciais, financeiras e legais. Não dá para passar o tempo todo fazendo marketing, e esquecer do seu produto, ou seja, ilustrações.

Administração de materiais – para quem trabalha com materiais como pincéis, tintas e papéis especiais, por exemplo, ou fornece produtos com suas ilustrações.

Cronograma de trabalho – Não fazer um cronograma dos seus projetos pode ser um ‘tiro no pé’. O tempo que se gasta num cronograma se ganha na organização do próprio tempo, possibilitando saber de antemão quando vai terminar um projeto e se – e quando – é possível aceitar outro. Já me pediram para fazer 365 ilustrações em 30 dias. Se eu não souber em quanto tempo eu faço cada ilustração, posso acabar aceitando algo que, para mim, seria impossível entregar num prazo tão apertado.

Emissão de notas ou recibos – no caso do ilustrador ter uma pequena empresa, pode ter que lidar com notas fiscais eletrônicas, boletos, faturas, etc.

Contabilidade e finanças – mesmo que o ilustrador tenha um contador, ainda assim tem que ter noção de impostos, realizar pagamentos, etc…

Contratos – essencial ler e analisar cada cláusula, para ver se cobriu todas as possibilidades antes de assinar e se não há nenhuma abusiva. Além disso, o ‘combinado não sai caro’. Uma vez assinado o contrato, dificilmente se consegue modificar alguma condição. Vou dar um exemplo: a editora pode não querer colocar seu nome na capa do livro, e uma cláusula no contrato pode evitar que você fique ‘esquecido’. Já imaginou você ter um trabalho que vai atingir milhares de pessoas e alguém gostar do seu trabalho mas não saber quem fez as ilustrações do livro?

Negociação de valores – cada caso é um caso e cada cliente um cliente. Nem sempre você vai poder cobrar a mesma coisa de cada cliente. Depende de vários fatores e uma negociação pode levar dias e dias de troca de e-mails entre você e o editor.

Encontro com clientes/expedição – embora não seja comum, alguns clientes querem conhecer o ilustrador antes de contratar. Em outros casos, você pode se encontrar com algum possível cliente para discutir novos projetos que estão somente no papel. Sem falar que, às vezes tem que entregar ou despachar os produtos que comercializa.

Oficinas – recebo muitos pedidos de oficinas. Às vezes eu aceito, às vezes, não. Uma oficina demanda muito tempo e geralmente quem solicita não pode (ou não quer) remunerar o seu tempo e trabalho. Isso depende do estágio em que você se encontra, se tem ou não algum trabalho no momento, se você vê oportunidades ou não, entre outros fatores. Mas muitas vezes é um tempo que você emprega e que, no fim, não recebe nem um lanchinho nem o dinheiro para o seu transporte.

Hora extra – é isso mesmo. Quantas vezes não ficamos até as 2h da manhã para terminar um trabalho? A vida é feita de eventos, alguns bons e outros nem tanto. E algum deles pode atrasar o seu trabalho e você ter que usar um fim de semana para terminar.

Divulgação e marketing – com tantas mídias sociais, temos que aproveitar para expor e divulgar nosso trabalho. Confesso que não dou tanta atenção a isso como deveria, mas o tempo que uso para isso depende da quantidade de trabalho que tenho naquela semana. Se tiver um livro para entregar, provavelmente vou postar pouco. Mas que é importante, isso é.

Visitar feiras, participar de associações – essa parte é bem interessante. Embora seja uma delícia visitar feiras, encontrar com colegas, assistir palestras, ainda assim isso toma tempo. Tem enormes vantagens pois, além de ser um evento social, que é ótimo, oportunidades de trabalho podem surgir.

Minha mãe diria: fiquei cansada só de ler. Mas é verdade. Hoje mesmo falei com três fornecedores meus, e dois deles vieram trazer material que mandei imprimir. Nos dois casos o produto não ficou como a prova que haviam feito. Isso significa retrabalho, tanto para eles como para mim. Tempo que poderia estar ilustrando ou, como diz meu filho, ‘desenhandinho’. E mesmo para isso temos que pesquisar, estudar, fazer rascunhos…

Enfim, embora a profissão de ilustrador pareça glamourosa para quem olha de fora, a realidade é que somos praticamente uma empresa, e temos que atuar como tal.

A profissão do Ilustrador

A cada dia que passa a profissão do ilustrador fica mais interessante. Antigamente, um ilustrador não passava de um prestador de serviços. Alguns livros nem davam crédito ao ilustrador. Atualmente, felizmente, o ilustrador já tem sido visto e considerado como autor de imagem.

É importante ressaltar que a ilustração é muito influenciada pela cultura em que foi criada. Alguns autores acreditam que a ilustração começou no tempo das cavernas. Outros estudiosos tem dificuldade em definir o que é arte e o que é ilustração. Eu, particularmente, acredito que a ilustração é mais um tipo de arte. É, na minha opinião, a união do ‘útil ao agradável’. Eu explico: enquanto a arte pode sobreviver por si só, a ilustração geralmente vem acompanhada de uma narrativa. O objetivo da ilustração é comunicar uma ideia, conceito ou mensagem. Geralmente utilizada em publicidade, política e nos meios jornalísticos, a ilustração tem um caráter de utilidade. Embora seja possível ser somente decorativa, geralmente tem como objetivo a comunicação.

Com o advento da imprensa, a ilustração começou a ser utilizada de modo mais abrangente, criando oportunidades cada vez maiores para o ‘artista-ilustrador’. Alguém pode argumentar que a ilustração é substituível, pois temos a fotografia. Porém, nem toda foto consegue transmitir uma mensagem como uma ilustração. Bem que dizem que uma imagem vale mais que mil palavras…

Nos últimos anos, percebemos uma grande expansão dessa arte. Hoje, a maioria dos ilustradores são freelancers, alguns deles trabalhando para si mesmos, e recebendo crédito pelas suas artes como verdadeiros artistas. São artistas independentes, que fazem seu próprio horário, e que buscam significado no que fazem, com o objetivo de obter satisfação no seu trabalho. Essa maior possibilidade de trabalho também gerou maior competitividade, o que fez aumentar consideravelmente a qualidade do trabalho dos ilustradores e também gerou a necessidade de buscar a cada dia aprimoramento maior. Não basta mais saber ilustrar, é preciso se destacar. Além disso, é necessário também conhecer como funciona o mercado e os aspectos comerciais e legais da profissão.

Pensando nisso, criei o curso online “Primeiros Passos do Ilustrador”, no qual falo sobre todos esses aspectos. Ainda sem data para abertura de turma, esse curso visa preencher uma lacuna na formação do ilustrador.

Se desejar receber informações a respeito, entre em contato ou deixe seu nome aqui.

Outra notícia:

Nesse fim de outubro, a Prefeitura de Curitiba me convidou para realizar uma mostra individual das ilustrações do livro “Curitiba de A a Z”. A abertura da mostra está programada para o dia 31 de outubro, às 17h, no Espaço Cultural David Carneiro, na Brigadeiro Franco, anexo ao Hotel Pestana.

Como tudo começou…

Trabalhos Iniciais

Dias atrás eu estava falando em começos… e ontem, dando uma arrumada no meu atelier, achei uma porção de trabalhos antigos.

Como acabei um trabalho há alguns dias, e geralmente meu atelier fica uma bagunça, sempre que termino um projeto dou uma arrumadinha. E dessa vez fiquei bem contente em encontrar alguns trabalhos que eu havia feito há bastante tempo, e pude constatar que aprendi bastante ao longo dos anos.

Se você está começando agora, vai achar que tem que saber tudo de uma vez. Que precisa começar a ilustrar e já saber tudo sobre a área, sobre os materiais, sobre as técnicas, sobre a parte de business… Sempre temos essa tendência de achar que tudo tem que ser imediato. Dizem que isso acontece por causa da internet, da velocidade de hoje em dia. Se é fato, não sei, mas sei que o ser humano é um pouco impaciente por natureza.

Mas como sempre digo, se um bebê demora 9 meses pra nascer, e mais não sei quanto tempo só para começar a falar e andar, por que achamos que vamos dominar algo da noite para o dia?

Acima coloco um exemplo. Na imagem, coloquei alguns trabalhos que fiz bem antes de me formar. Um deles, do casal tomando chá, à esquerda, fiz há muitos anos. Mais de vinte anos atrás… Escrevi uma história, ilustrei com caneta Bic e lápis de cor, e mandei para uma editora. Fico feliz que, mesmo tendo sido recusado, não tenham destruído, mas me devolvido, pois agora tenho uma recordação da minha primeira tentativa na área da literatura. Vejam como foi um trabalho até ingênuo, pois não tinha técnica nem nada. E me surpreendo da minha ousadia na época.

No meio, três trabalhos que fiz na faculdade. Já estão um pouquinho melhores. Três propostas de trabalho para meu curso de desenho. Uma colagem, uma ilustração a lápis de cor e uma técnica mista, onde misturo colagem e lápis aquarelável. Lembro que nem lápis de cor eu tinha, e ganhei uma caixa de lápis já usados.

Por fim, após estar formada, mais uma vez escrevi uma história e ilustrei (à direita). Os traços ainda eram bem inseguros, mas mesmo assim me aventurei.

Talvez a gente pense, logo de início, que nosso traço não é tão bom e desista rapidamente. Talvez achemos que não temos talento e que deveríamos tentar algum trabalho “mais lucrativo”. Talvez as pessoas nos achem sonhadores… Mas o que realmente importa é que a gente não desista. Ao longo do tempo vamos nos desenvolvendo e aprimorando nosso trabalho.

Ilustração do livro “A Nuvem Pipoca”, a ser lançado em outubro

Eu olho o que fiz há tantos anos e penso: nossa, meus desenhos não eram bons, eu não tinha material, eu não tinha técnica… Mas hoje, com quase 20 livros publicados, fico feliz e agradecida por não ter desistido. Por ter continuado a buscar aprimoramento, por ter persistido. Se eu tivesse olhado para aquele primeiro trabalho, e pensado que não tinha jeito para a coisa, hoje talvez estivesse trabalhando em outra área, e meu sonho de ser ilustradora estaria ainda na gaveta… talvez até já tivesse ido para o lixo.

Hoje trabalho com o que gosto e percebo que, qualquer um que tenha o mesmo sonho, pode também ser bem sucedido.

Se você é aspirante a ilustrador, ou está iniciando, e as coisas estão difíceis, continue buscando aprimoramento, pratique bastante, que uma hora você chega lá.

E se você que já está no mercado de trabalho, em outra área, e acha que já passou da hora, saiba que nunca é tarde para recomeçar. Também sou prova disso. 🙂

Bom final de semana!

Humildes Começos

Essa semana fiquei impressionada ao descobrir como foi o primeiro computador da Apple. Ao ver a imagem, pensei: deve ser brincadeira de alguém. Rsrs… Mas ao pesquisar, descobri que o Apple I foi um computador criado para uso pessoal, e feito à mão. Entretanto, foi o que deu origem à empresa que hoje fabrica os mais cobiçados aparelhos, tanto celulares como computadores.

Apple I.jpg
Apple I

Ao ver esse computador, pensei em como tantas vezes deixamos de seguir em frente numa ideia ou até num desenho, só porque a primeira tentativa não ficou tão boa. Já imaginou se o Steve Jobs não tivesse dado continuidade a essa ideia?

E isso me levou a pensar… quantas vezes já desistimos de algo porque não gostamos da primeira tentativa?

Uma coisa que minha filha comenta comigo é que acha interessante que eu não gosto de desistir. Mesmo que receba algumas críticas, o que certamente acontece com todo mundo, eu tendo a tentar mais vezes. Nem sempre, é claro, dou continuidade a algo, afinal somos humanos, né? Mas confesso que sou meio teimosa para algumas coisas. Como sou descendente de alemães, uma brincadeira que fazem de vez em quando é: alemão não é teimoso. Teimoso é quem teima com alemão. Creio que querem dizer que o alemão é tão teimoso que não adianta discutir. Mas brincadeiras à parte, eu não sou tão teimosa assim, não. Além disso, sou descendente de poloneses também. Rsrs…

Também acho que, mesmo que algo não dê certo, o aprendizado fica. E eu amo estudar, ler e aprender. Então, ainda que fique frustrada quando algo não dá certo, me consolo com o fato de que aprendi algo e o tempo não foi tão desperdiçado.

O que quero dizer com tudo isso? Que temos que praticar sempre. Realmente acredito que podemos melhorar se praticarmos bastante. Se você me acompanha aqui, já deve ter lido sobre isso. Na nossa área, de desenho e ilustração, quanto mais praticamos, mais aprendemos. Para ficar fera no desenho, uma pessoa tem que desenhar todo dia. Isso é fato.

Uma pessoa que desenha todos os dias vai ficando cada dia melhor. Assim é em todas as áreas. Porém, há mais um detalhe que precisa ser considerado. Como diz um empreendedor popular da internet, se somente prática levasse à perfeição, motorista de táxi seria corredor de fórmula I. Então, a prática ajuda muito a melhorar em alguma coisa, mas não é só isso. E o que mais seria, então?

Nos meus anos de experiência, tenho observado que é necessário também aprender novas técnicas, observar outros trabalhos, conhecer novas pessoas e, consequentemente, estar aberto a novas ideias. Não podemos ficar fechados na nossa bolha. As ideias que temos, somadas às ideias dos outros, podem levar a conceitos inovadores. Uma técnica nova, agregada ao que você já sabe, pode te levar a fazer um outro tipo de trabalho, ao mesmo tempo desafiador e gratificante.

Fazer um curso, estudar mais sobre a sua área, participar de um workshop, tudo isso traz novos insights que nos renovam e nos dão mais pique para focar em coisas novas. Até mesmo observar um artista trabalhando, mesmo que ele não diga nada, pode revelar o que não foi dito e até vir a dar uma refrescada em nosso trabalho.

Assim, quando começar algo novo, e se frustrar com o resultado, tente de novo. Foi só o primeiro passo. Curiosamente, até a Bíblia diz em Zacarias 4:10 para não desprezarmos os pequenos começos.

Para conhecer mais sobre o primeiro computador da Apple, clique aqui.