Como ilustrar e publicar seu livro infantil

Uma das perguntas que mais recebo é essa que você leu aí no título. Eu já abordei esse tema antes, mas como as postagens vão ficando para trás, resolvi republicar o artigo sobre o assunto. Vamos lá!

COMO ILUSTRAR E PRODUZIR UM LIVRO INFANTIL

Tenho observado que muitas pessoas desejam ilustrar seu próprio livro. É uma tendência no momento e, mesmo que uma pessoa não deseje seguir a carreira de ilustrador, ela tem esse desejo de expressar sua arte, seja na escrita quanto na ilustração.

Por isso, vou falar aqui sobre algumas coisas que são importantes para você poder ilustrar seu próprio texto.

A primeira coisa, desculpe citar o óbvio, é que você tenha uma história ou até mesmo um poema. Algumas pessoas já me disseram que tem vontade de publicar um livro, mas ainda não tem um texto. Por isso, a primeira coisa a se fazer é focar na escrita.

Tendo o texto já escrito, é necessário analisar o que o mesmo diz e o que se sugere nas entrelinhas. Também é interessante que a ilustração complemente a história. Vou exemplicar:

Há uma história do Rolo (Turma da Mônica) em que ele pede o carro a seu pai para sair com uma ‘mina’. Na historinha, o pai diz ao Rolo que nunca pediu o carro ao pai dele (mas no balão de pensamento ele está pedindo o ‘carango’), nunca chamou o pai de ‘velho’ (mas em pensamento ele chama o pai de ‘coroa’), ele ri que o Rolo chama a namorada de ‘mina’ (em seu pensamento o pai dele – avô do Rolo – também ri quando ele – o pai do Rolo – chama a namorada de ‘broto’)… e assim por diante. Esse ‘conflito de gerações’ é tratado de forma cômica e graciosa. Esse é um exemplo fantástico de como a ilustração é essencial para que se entenda a história.

Uma vez que o texto já esteja pronto e revisado ortográfica e gramaticalmente, devemos definir o formato, dimensões e quantas páginas o livro terá. Isso tudo depende muito do tamanho do texto, da quantidade de palavras e de quantas ilustrações serão feitas. No caso de uma editora, tudo isso pode já vir pré-determinado. Mas no caso de um livro de produção própria, você que terá que tomar essa decisão. Uma vez que determinou número de páginas e formato (quadrado, retangular, 25×25, 21×18, etc), você pode partir para o storyboard. Veja um exemplo de storyboard nas fotos.

Se você não tiver ideia das dimensões e número de páginas, duas coisas podem lhe ajudar a definir: um orçamento com uma gráfica pode determinar o tamanho do livro, porque quanto maior o formato e maior número de páginas, mais caro. Fazer o storyboard pode lhe ajudar também, pois vendo como as páginas vão ficar com as ilustrações e o texto lhe dará uma panorâmica do resultado. Se o texto estiver apertado ou houver muitas áreas em branco, o storyboard lhe dá a oportunidade de reposicionar o que não ficou do seu agrado.

Após o storyboard, é hora de começar os “roughs”, ou esboços em preto e branco, também chamados de rafes. Aí você começa a fazer os desenhos de cada página. Pode ser que tenha que fazer e refazer várias vezes. É assim mesmo.

Finalizados os esboços, é hora de partir para as ilustrações originais. Cada técnica pede um tipo de papel. Quanto mais ‘molhada’ a tinta, maior a gramatura do papel. Você pode também finalizar com lápis de cor, aquarela, acrílico, colagem, nanquim, e até mesmo um misto de técnicas. Ou pode digitalizar e colorir no computador. Eu utilizo tinta acrílica, faço colagens, dou acabamento com lápis de cor…

Para o livro ficar completo, é necessário fazer as capas, a folha de rosto, a ficha catalográfica, o miolo – que é a parte onde ficam o texto e as ilustrações. São opcionais a biografia do autor e ilustrador, como também a dedicatória.

Após todas as ilustrações estarem prontas, é preciso digitalizar. Como eu tenho scanner em casa, eu mesma faço isso. Se você não tiver um scanner ou não souber como fazer, é possível também terceirizar esse trabalho. Peça à empresa de digitalização que lhe entregue as imagens em jpg de 300dpi, no mínimo.

Embora existam produções autorais sem o ISBN, eu aconselho a solicitá-lo na Câmara Brasileira do Livro. O ISBN ou International Standard Book Number é um sistema que identifica numericamente (código de barras) os livros segundo título, autor, editora e país. Isso facilita sua comercialização nacional e internacionalmente. E há lojas que não vendem o seu livro se não tiver ISBN.

Sobre a Ficha Catalográfica, uma bibliotecária está habilitada a fazê-lo, ou você pode pedir junto ao ISBN, o que possibilitará que seu livro seja catalogado nas Bibliotecas.

Para preparar o livro para a gráfica, é preciso um software específico. Muitos ilustradores montam no Indesign e até no Illustrator. Eu gosto do Photoshop e do Corel. Depende do que você está mais acostumado a usar. Se você não tem esses softwares, será importante contratar alguém habilitado a fazer esse trabalho. Aí você monta o arquivo, insere o texto e ‘fecha’ o arquivo para envio para a gráfica. Geralmente a gráfica faz um ‘livro’ (prova) e pede a sua aprovação antes de produzir todos os exemplares.

Depois disso, é só aguardar ficar pronto e curtir a sua obra!

Qual tipo de tinta acrílica é o mais adequado para a minha técnica?

Não sei se todos sabem, mas eu ilustro usando tinta acrílica, lápis de cor e alguns outros materiais. Alguns alunos me escreveram dizendo que o lápis não aderia à tinta que eles tinham, ou a tinta que compraram era muito plástica… Isso realmente acontece com alguns tipos de tinta. Por esse motivo, queriam saber qual tipo e marca de tinta acrílica eu recomendo. Eu uso muito a Maimeri Polycolor e a Liquitex Heavy Body, porém, o custo é um pouco mais alto.

Pensando em ajudar a escolher a tinta com o melhor custo x benefício, resolvi fazer um experimento com todas as marcas que eu tinha em casa.

Esse experimento não tem como objetivo avaliar a qualidade da tinta, mas a possibilidade de utilizar a mesma para a minha técnica.

Assista ao vídeo para saber mais. 🙂

Se desejar adquirir alguma dessas tintas, clique nos links abaixo do vídeo que você será direcionado para alguns tipos que encontrei, disponíveis aqui no Brasil.

Simply (Daler Rowney) – 12 cores – https://amzn.to/3etQTE3

Simply (Daler Rowney) – 24 cores – https://amzn.to/3u1DFoo

Tinta Acrílica Le Franc & Bourgeois – https://amzn.to/3tPv4oZ

Tinta Liquitex Basics – https://amzn.to/3vgCEJE

Tinta Liquitex Heavy Body – https://amzn.to/2PhXb0U

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Tinta Acrílica Maimeri – https://amzn.to/2Qn3hxM

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Tinta Acrílica Winsor & Newton – https://amzn.to/3sOFd3N

Tinta Acrílica Winsor & Newton (Galeria – essa não testei) – https://amzn.to/3azZaVM

Tinta Acrílica Amsterdam – https://amzn.to/3gxN2Zj

INSCRIÇÕES ABERTAS

Novo curso: Ilu$tre – Aprenda a Rentabilizar suas Ilustrações na Internet

Hoje tenho novidades! Há algum tempo que me escrevem pedindo para ensinar, e entre um desses pedidos está o curso sobre como rentabilizar ilustraçõs na internet. Por isso, estou escrevendo para dizer que as inscrições já estão abertas! E algumas horas antes do prometido! 🙂

Você já pode se inscrever para o meu novo curso: – Ilu$tre – Como Rentabilizar Suas Ilustrações na Internet. As inscrições estarão abertas até o dia 22 de abril.

São 6 Módulos, com mais de 20 aulas, onde eu falo sobre:

. uma das formas de monetização de nossa arte,

. quais os sites de produtos que você pode vender,

. como se cadastrar em sites internacionais,

. qual a documentação exigida,

. como produzir e preparar suas ilustrações para vender,

. como configurar os templates,

. quais plataformas eu recomendo,

. como carregar corretamente,

. quais as exigências das plataformas, etc.

Esse curso ensina você a rentabilizar suas ilustrações sem gastar nada para isso: nada de investimento em produtos, nada de estoques, nada de construir sites, e sem você se preocupar com a venda. Você vai se preocupar somente com a produção artística.

O curso está totalmente finalizado, e dividido em duas etapas.

. Os 3 primeiros módulos estão disponíveis na primeira semana e os demais em seguida. A primeira parte fala sobre a parte artística e ensina o tipo de ilustração que é mais adequado. Em seguida você terá alguns dias para produzir ilustrações (exercício). Assim já terá ilustrações para aplicar os conhecimentos dos módulos seguintes.

. Os 3 módulos seguintes tratam da parte técnica, templates, ajustes, plataformas, como ampliar suas opções, documentação, etc…

Por fim, adicionei uma aula bônus com dicas de marketing e divulgação. 🙂

Como sempre, para os meus primeiros alunos, o preço é promocional, então não perca essa oportunidade de incluir uma fonte de renda adicional em sua vida.

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES!!!

1. Esse curso NÃO ENSINA você a ganhar dinheiro fácil, não dá garantia de venda, nem de renda mínima. Aqui eu ensino o passo a passo para você disponibilizar produtos com suas ilustrações para clientes nacionais e internacionais. Assim como qualquer outro produto, as vendas dependem do tipo de ilustração que você faz, da quantidade, se há demanda, entre outros aspectos.

2. Para esse curso, é necessário algum conhecimento em softwares de edição de imagens.

VALOR

Em 12 parcelas de apenas

R$ 16,56 no cartão de crédito

ou R$ 170,00 à vista

Como sempre, você tem 7 dias de garantia. Lembre-se: A garantia começa a contar a partir da data da compra, e não da data de seu acesso ao curso.

Inscreva-se no botão abaixo!

Como rentabilizar suas ilustrações?

Já há algum tempo tenho disponibilizado minhas ilustrações para venda em produtos de lojas online e tem sido uma grata surpresa receber notícias de que alguém comprou um produto com uma ilustração minha. Não só pelos recursos extras que entram na minha conta, mas também por saber que, entre milhares, quem sabe milhões de produtos, alguém escolheu o meu. 🙂

Você sabia que pode licenciar suas ilustrações para a venda em produtos? Sabia que pode vender para o mundo todo? Que não precisa de um e-commerce próprio para isso?

Diariamente recebo mensagens com perguntas, dúvidas e pedidos. E um desses pedidos foi que eu criasse um curso ensinando a rentabilizar ilustrações na internet.

Então, estou escrevendo para contar que finalmente concluí a produção do meu novo cursoIlu$tre – Como Rentabilizar Suas Ilustrações na Internet.

Caso você tenha interesse, as inscrições estarão abertas do dia 17 a 22 de abril.

São 6 Módulos, com mais de 20 aulas, onde eu falo sobre uma das formas de monetização de nossa arte, quais os sites de produtos que você pode vender, como se cadastrar em sites internacionais, qual a documentação exigida, como produzir e preparar suas ilustrações para vender, como configurar os templates, quais plataformas eu recomendo, como carregar corretamente, quais as exigências das plataformas, etc. Esse curso ensina você a rentabilizar suas ilustrações sem gastar nada para isso: nada de investimento em produtos, nada de estoques, nada de construir sites, e sem você se preocupar com a venda. Você vai se preocupar somente com a produção artística.

O curso está totalmente finalizado, e dividido em duas etapas. Os 3 primeiros módulos estão disponíveis na primeira semana e os demais em seguida. A primeira parte ensina o tipo de ilustração que é mais adequado, em seguida você terá alguns dias para produzir ilustrações (exercício). Assim já terá ilustrações para aplicar os conhecimentos dos módulos seguintes.

Como sempre, para os meus primeiros alunos, o preço é promocional, então não perca essa oportunidade de incluir mais essa fonte de renda em sua vida.

ALGUMAS INFORMAÇÕES IMPORTANTES

Esse curso não ensina você a ganhar dinheiro fácil, não dá garantia de venda, nem de renda mínima. Aqui eu ensino o passo a passo para você disponibilizar produtos com suas ilustrações para clientes nacionais e internacionais. As vendas, porém, dependem do tipo de ilustração que você faz, da quantidade, se há demanda, entre outros aspectos.

Para esse curso, é necessário algum conhecimento em softwares de edição de imagens.

Eu uso o Corel Photopaint, mas o Adobe Photoshop é excelente também. Existem softwares de edição de imagem gratuitos na internet, mas eu não os conheço bem, então não posso indicar nenhum em especial.

Então, se você tiver interesse nesse curso, marque as datas de inscrição no seu calendário.

Inscrições para o Curso Ilu$tre – 17 a 22 de abril

Se desejar receber em seu email um lembrete da abertura das inscrições, inscreva-se no botão abaixo.

Re-desenhando

Eu tenho recebido algumas mensagens por email falando da frustração que é não conseguir desenhar o que se imaginou de primeira. Isso acontece com todo mundo, mesmo com quem desenha há muito tempo. Muitas e muitas vezes, quando uma pessoa desenha, fica frustrada e acaba até desistindo de desenhar definitivamente.

Às vezes desenhamos e até desisitimos depois da primeira tentativa. Eu costumo dizer: que tal refazer e mudar o que não gostou? (Embora isso possa dar uma certa preguiça na gente, né?)

Mas é fato que a expectativa e a realidade nem sempre se assemelham. Às vezes eu imagino algo na minha cabeça mas a mão não obedece e desenha algo completamente diferente… Frustrante, eu confesso.

E às vezes faço um desenho num papel muito simples – até no verso de algum papel já usado – e fica legal. Aí eu fico chateada de não ter feito num papel melhor.

Mas sabe uma coisa? Eu acho que alguns desenhos ficam melhores em papéis velhos e guardanapos porque não estamos cobrando de nós mesmos, não temos expectativa e fazemos muitos rabiscos até chegar ao que queremos. É algo, diria eu, psicológico. Como o suporte (papel) é simples, não temos nenhuma expectativa de que deve ficar bom.

Agora, experimente usar um papel bom e uma tinta cara… dá medo até de desenhar com lápis 3H, que é o mais clarinho de todos.

Me conte: você não tem nenhum desenho que fez em algum guardanapo ou em algum pedaço de papel e que guardou porque ficou muito legal? Eu tenho, rsrs. (Conta aí nos comentários).

Hoje, por exemplo, eu tinha feito um esboço que tinha me agradado, mas como desenhei com lápis azul – que eu gosto muito – ficaram umas linhas e formas que eu não curti. Aí pensei: vou refazer e manter só o que gostei.

Uma boa alternativa, nesses casos, é usar uma mesa de luz (ou uma luminária dessas planas) para você colocar o desenho por baixo e re-desenhar alterando que não gostou.

Eu fiz um esquilo (para o livro que estou ilustrando no momento) e até gostei do resultado, mas no original eu tinha feito muitas linhas que não queria mais. Por isso, resolvi re-desenhar.

Se você não tiver uma mesa de luz ou uma luminária, uma outra alternativa é fazer igual às crianças: colocar o papel na janela e usar a luz do dia para re-traçar.

Uma ótima Páscoa a todos! Que o amor de Jesus ressurreto seja abundante na vida de vocês.

As vantagens e desvantagens da comparação

Quando estamos começando, seja numa atividade, numa ideia, em uma nova profissão, ou aprendendo algo, ficamos às vezes frustrados porque não fazemos tão bem quanto alguém que admiramos.

Eu costumo dizer que tudo é um processo. Nunca paramos de aprender. Eu amo aprender e estou sempre estudando, aprendendo coisas novas. Enfim, tudo na vida está em constante mudança, e temos que nos adaptar.

Mas há algo que temos que cuidar, ao tentar aprender qualquer coisa nova, que é evitar a comparação.

Quando olhamos um trabalho de alguma outra pessoa, pensamos: Nossa! Como ele – ou ela – desenha bem! Queria saber desenhar assim. Queria ter esse talento…

Entretanto, ao pensar assim, não estamos considerando o tempo que aquela pessoa passou treinando, estudando… e às vezes desistimos de nossos sonhos porque achamos que ‘não temos jeito para a coisa’, antes mesmo de tentar.

Entretanto, não podemos comparar o “Capítulo 1” de nossa história com o “Capítulo 20” da história de outra pessoa. Cada um tem seu percurso, cada um tem seu tempo.

Comparar o nosso trabalho com o de outras pessoas pode ser ao mesmo tempo motivador como desmotivador.

Se ao comparar o seu trabalho com o de outra pessoa, isso te motiva a aprender mais, buscar mais aperfeiçoamento, aí a comparação está sendo sadia para você.

Porém, se você, ao comparar seu trabalho com o de outras pessoas, se sente desmotivado, com vontade de desistir, a comparação se tornou uma armadilha para você.

Todo mundo passa por isso, em algum momento. O que se deve cuidar é para que isso não acabe paralisando os nossos esforços na jornada rumo ao nosso objetivo.

Quando olhamos alguém que já conquistou o que gostaríamos de conquistar, temos que lembrar duas coisas:

1. Essa pessoa um dia começou exatamente como nós. Ela passou por tudo que estamos passando, ou ainda vamos passar. Ela deu o primeiro passo, ainda que talvez estivesse com medo;

2. Pode parecer no início que, para chegar lá, tem muito chão, há muita coisa para fazer, que é impossível. Chega ao ponto em que até nos sentimos sobrecarregados, só pensando na quantidade de coisas que teríamos que fazer. Mas devemos lembrar que uma caminhada longa começa com o primeiro passo. Isso significa que não temos que dar todos os passos de uma só vez. Mas o importante é começar, dar esse primeiro passo, e depois o segundo… e o terceiro. E se continuarmos, uma hora a gente vai chegar ao milésimo. Mas já imaginou você ter que dar 1000 passos no mesmo momento?

Outra armadilha em que às vezes caímos é em desenhar alguma coisa, constatar que não ficou bom e desistir. Tudo bem se isso aconteceu. É um processo. Não precisamos ficar frustados.

Se você desenhou algo que não gostou, dê um tempo. Esqueça por algumas horas que você desenhou aquilo. Depois volte, aprecie o que fez, o que lhe agradou, pegue uma folha nova de papel e refaça.

Você vai ver como esse exercício é poderoso. O segundo desenho vai ficar muito melhor. Mas, se não ficar, tudo bem. Tente de novo.

E é aí que entra uma grande vantagem da comparação: compare o que você fazia há algum tempo com o que está fazendo agora. Compare o que fez ontem com o que está fazendo hoje.

Pode ser até chato refazer desenhos, mas se pensarmos bem, muitas das invenções que hoje funcionam bem (desde eletrodomésticos até celulares), um dia tiveram seu início de “mais ou menos”, e alguém foi aperfeiçoando, mudando aqui, ou ali, até que chegasse ao que é hoje.

Veja nessa minha postagem o primeiro computador da Apple.

Ação prática: Por fim, a sugestão que dou para o primeiro passo é desenhar alguma coisa que você gostaria, e se não resultar no que você queria, dar um tempo. Depois, observe o que não curtiu no seu desenho e repita, alterando as partes que não gostou. Observe, analise. Veja o que você considera bom. o que gostaria de manter e o que gostaria de mudar. E assim, além de estar construindo o seu desenho, estará definindo também seu estilo. 🙂

Talento, você nasce com ele ou o adquire?

Quem não desenha, diz que os desenhistas nascem com talento. E quem desenha, garante que é possível aprender a desenhar. Quem está certo? Vamos fazer algumas ‘conjecturas’ a respeito…

Como já mencionei, quem não desenha, geralmente diz que os desenhistas nascem com talento. Eu já ouvi sobre gente que desenha bem desde cedo, que dizem não ter estudado nada (pelo menos não formalmente). Mas há milhares de casos de pessoas que aprenderam a desenhar e o fazem com maestria. Então, esses que desenhavam mal e agora desenham bem, nasceram com talento? Será que estava escondido?

Há um filme com a Sandra Bullock – Um sonho possível – em que ela adota um rapaz e, como ele tem o porte para ser um jogador de futebol, a família insiste que ele deve aprender a jogar. Ele não jogava nada, não tinha nenhum talento, e já era até considerado ‘velho’ para aprender. No entanto, ele não só aprende a jogar, como também se destaca. O filme é baseado na vida real e – atualmente – esse jogador é ainda muito famoso. E aí, como explicar o talento nesse caso?

Dizem que Picasso tinha muito talento. Estudei sobre Picasso durante a faculdade de Artes. Ele era filho de um pintor considerado mediano. Então, será que Picasso superou o pai, ou teve vantagens porque cresceu num ambiente onde tinha recursos, liberdade para criar, ‘estudou’ informalmente, teve orientação do pai e também mais tempo para se desenvolver enquanto ainda era criança?

Numa das aulas que ministrei no meu Worskhop, falei sobre o que eu acredito que seja talento.

Talento é, pra mim, quando uma pessoa une o seu interesse, a prática, e vai adquirindo conhecimentos sobre o assunto, ou seja, vai se aperfeiçoando.

Quem nasce com talento, portanto, na minha opinião, nasce com um interesse em determinado assunto, com vontade de fazer e aprender algo, e isso faz com que a pessoa foque mais naquilo. Se alguém nasce com interesse em desenho, não vai passar parte de sua infância desenhando? A prática vai trazer mais facilidade e, consequentemente, a vontade de saber mais sobre o assunto vai levar ao aperfeiçoamento.

Se você acha que não desenha bem, que não nasceu com talento, será que o que lhe falta não é só se dedicar mais ao mesmo, como também aprender mais técnicas, praticar mais, e até refazer alguns desenhos que não gostou? Retrabalhar algo que desenhou é uma prática constante dos ilustradores profissionais.

E, se você já tem uma certa aptidão para o desenho, o que lhe falta? Você já tem o interesse, só precisa praticar e se aperfeiçoar, aprendendo tudo o mais que puder. Os mestres da Renascença focavam todos os dias em aprender novas técnicas. Quem somos nós para descartar o estudo e aperfeiçoamento, seja em que área for?

Por fim, creio que discutir se uma pessoa tem talento ou não para desenhar é tirar o foco do que realmente é importante. Se alguém tem interesse, se dedica (prática) e foca no aperfeiçoamento (conhecimento & desenvolvimento de habilidades e técnicas), com certeza essa pessoa vai se desenvolver, não importa a área em que deseja atuar.

Concluindo – Todo desenhista e ilustrador com quem já conversei concorda: é possível aprender a desenhar e ilustrar. E eu vejo isso todos os dias!

Como manter a consistência do seu personagem

Quando ilustramos um livro, um dos desafios que se apresentam é o fato de que teremos que desenhar o mesmo personagem várias vezes. Nem sempre é fácil, principalmente no começo. Depois de um tempo e algumas (várias!) tentativas, acabamos conseguindo manter uma certa consistência no nosso personagem.

Há algumas dicas que podem ser seguidas para que o personagem fique similar em todo o livro. Note que eu falei ‘similar’, porque mesmo na vida real, a fisionomia de uma pessoa muda dependendo da expressão dela. Por isso, há algumas características que tem que se manter constantes.

1. Simplifique

A primeira dica para ilustrar um personagem de livros infantis é manter o personagem não complicado. Como mencionei na aula ‘Desenvolvendo um personagem’, no Worskhop Quero me tornar Ilustrador, temos que lembrar que o personagem deve ser ‘repetível’, ou seja, suficientemente simples para ser repetido em todas as páginas sem grande esforço.

Se, por exemplo, eu fizer uma princesa com uma coroa cheia de pérolas… pode ser muito cansativo. Se eu fizer 24 pérolas na coroa, vezes 32 páginas, vou ter que desenhar 768 pérolas no livro! Já imaginou?

2. Faça uma ‘turnaround page’ – Folha de Posições do Personagem

A ‘turnaround sheet’ é uma página de referência das posições mais usadas para personagens. Não é obrigatória num livro infantil, uma vez que o tipo de ilustração em livros infantis não segue regras. Cada ilustrador pode criar seus personagens como desejar, até mesmo com pedaços de papel, materiais reais (ex: pregador de roupa para um jacaré), etc… mas é extremamente usada para concepção de personagens em animações.

3. Mantenha proporções

Embora os traços sejam simples, observe as proporções que a cabeça, olhos, nariz e boca tem. A variação de tamanho desses elementos pode modificar totalmente o personagem. Outra medida a se observar é a distância entre esses elementos. Se os olhos estão muito juntos numa página, e muito separados na outra, isso também vai confundir o leitor.

4. Vestimentas

Como o livro infantil tem em geral 24 a 32 páginas, manter o personagem com a mesma roupa ajuda o leitor a identificar o mesmo. Ou seja, como o personagem aparece poucas vezes, não dá tempo do leitor se acostumar com a fisionomia dele a ponto de reconhecer o mesmo, caso ele mude de roupa. Isso não é uma regra inflexível, e pode acontecer de no livro a personagem trocar de roupa, mas isso geralmente é mencionado.

5. Formas

Ao usar uma face em formato triangular, por exemplo, você define o tipo de rosto que o personagem vai ter. Um outro personagem pode ter a face redonda, outro mais quadrada, e outro ainda uma face mais oval. Além desses formatos, você pode inventar outros. Lembre-se, porém, de manter as proporções para que não fique muito diferente.

Use e abuse de formatos diferentes de olhos, nariz e bocas. Veja meus vídeos sobre formatos de olhos no meu canal do Youtube. (Aqui e aqui)

Varie também os formatos de corpo, altura e até tipos de dedos. Isso vai ajudar a compor o personagem como um todo, e vai também ajudar a identificar o mesmo em todas as páginas.

6. Acessórios

Somos todos diferentes. Cada um gosta de uma coisa. Um personagem terá boné, outro terá cabelo espetado, outra terá tranças… As características que cada um tem os tornam especiais. Tente usar um acessório diferente para cada personagem, pois isso vai ajudar a compor a personalidade dele e fazer com que fique mais consistente em todas as páginas.

7. Cores

Cores, padrões e texturas fazem muita diferença. Como, por exemplo, eu identifico uma onça e um tigre? Pelos padrões de listras ou pintas.

Quando você desenha um personagem, os padrões das roupas, o estilo, as cores e as texturas definem em muito cada personagem.

Cor dos olhos, dos cabelos, da pele… são características que auxiliam na hora de conceber seu personagem e diferenciar um do outro. Assim, mesmo que o personagem esteja em outra posição, ou meio distorcido em algum ponto, será reconhecido pelo leitor.

Sobre distorções, repare no movimento dos personagens de desenhos animados e pare o filme na hora em que estiverem se movimentando. Você vai notar como são distorcidos para enfatizar algum movimento ou expressão, mas são construídos de forma que os reconhecemos.

Concluindo: ao usar essas estratégias, você vai perceber que, mesmo que o personagem não fique igual em todas as páginas, ele terá consistência suficiente para ser reconhecido pelo leitor. Uma vez que isso aconteça, a leitura se mantem fluida, mesmo com pequenas imperfeições.

Até mesmo a anatomia, mesmo nos filmes de animação dignos de Oscar, não é perfeita.

Lembre-se que tudo é um processo, e no início você pode achar que não estão tão bons quanto gostaria. Mas persista e continue praticando, pois a cada vez você vai ver que fica um pouco melhor. E você também vai se surpreender em como as pessoas apreciam personagens que não são perfeitos.

Acredito que isso seja porque somos todos imperfeitos, e nos sentimos muito mais à vontade com o que é mais real. Eu já joguei muitos desenhos fora porque achei horríveis… e tenho uns que desenhei sem pretensão, em guardanapos, que guardo com carinho.

A dica que dou: sejamos gentis com os nossos erros e falhas, afinal ninguém é perfeito (e nem nossos personagens tem que ser). 🙂