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O desafio do tempo e o trabalho criativo

Uma das coisas que me surpreende é o quanto a gente consegue fazer quando estamos empenhados. Aqui no blog já falei algumas vezes sobre produtividade. Parece uma coisa que não tem nada a ver com ilustração, mas é algo que me interessa bastante. Acredito que tudo na vida precisa de equilíbrio e por isso que valorizo o tempo em que estou ilustrando. Quero também poder curtir minha família, os eventos, tempo com os amigos, viajar, descansar… 

Esse último mês fiz muuuuitas ilustrações. Para um só livro, fiz 26, além ainda de outras 5 para dois projetos futuros, mas que tinham que ser feitas ainda este mês. Para alguns pode parecer pouco, mas quando você trabalha com técnicas tradicionais de pintura, leva um certo tempo para produzir uma ilustração. Nos Estados Unidos, por exemplo, há ilustradores que levam 6 meses para produzir essa mesma quantidade. Isso não quer dizer que todo trabalho que eu faço seja assim. Às vezes tenho bastante tempo para uma quantidade bem menor. 

Como todo mundo, às vezes a gente sabe que tem tempo e fica deixando para a última hora. Não é à toa que existem tantos livros ensinando a ‘vencer a procrastinação’. Rsrs…

Eu estou sempre tentando ser mais produtiva, e estudo bastante o que posso fazer para melhorar (às vezes até penso que ‘estudar’ também é um jeito de procrastinar). Uma coisa que eu gosto muito é de sempre fazer ‘um pouquinho a mais’. Acredito que devemos sempre nos desafiar. Com isso não estou falando de fazer algo muito grande. Costumo dizer a meus filhos: se você tem uma tarefa grande, não fique estressado. Divida em partes e faça cada dia um pouquinho. Se for um livro, um capítulo (ou até uma página) é melhor que nada. Se tem um grande trabalho de escola, que tal dividir em partes e destinar um trecho para cada dia? 

Eu gosto de fazer um planejamento, divido em algumas partes e vou fazendo um pouco a cada dia. Funciona bem para mim. E foi assim que planejei o meu tempo, não deixando de fazer ainda as outras atividades que tinha todos os dias. 

Para fazer uma ilustração, não basta só desenhar. É preciso ler o texto, entender se há algo que o autor quis dizer ou se fez referência a algum outro tema, pensar no que vai desenhar, esboçar, imaginar o que a criança vai interpretar… Depois de terminar o esboço (ou rafe), aí começa o trabalho da pintura, que é a parte mais divertida, na minha opinião. Se bem que às vezes eu gosto muito do desenho em preto e branco também. 😄 Mas o ato de deslizar o pincel sobre o papel traz uma satisfação muito grande para mim. 

O trabalho do ilustrador parece fácil para quem está olhando de fora. Como brincam meus filhos: ‘você fica desenhandinho o dia todo’. Mas a verdade é que o nosso trabalho é um trabalho de criação. Ilustrar é um trabalho criativo, portanto o ilustrador é um ‘criador’ de algo. Você consegue imaginar que privilégio? Temos a tarefa de inventar alguma coisa que, até então, não existia. Através de papel, lápis, tintas e também do computador, podemos dar vida a personagens que vão entreter, divertir, levar a questionamentos, encorajar, inspirar, despertar emoções e até mudar vidas. Uma responsabilidade e tanto. E que honra, não?

Ontem ainda comentei com uma amiga que a vida para mim é como um punhado de areia na minha mão. Os anos vão escorrendo e eu fico pensando que 24 horas no dia é pouco para tudo que desejo fazer. Por isso a produtividade é algo que me fascina. Nós, trabalhadores criativos, somos aqueles que não se contentam em ficar na rotina, fazendo sempre a mesma coisa. Às vezes queremos mudar o mundo, às vezes deixar nossa marca, às vezes só queremos produzir algo e ter a satisfação de saber que ‘foi feito por mim’. 

Por isso, embora o tempo às vezes seja escasso, ainda assim sabemos que o nosso trabalho vai impactar muitas pessoas. E isso não é maravilhoso? 

O desafio do tempo e o trabalho criativo

Aside
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Meu Processo de Trabalho na Ilustração Infantil


Como muitas pessoas ficam curiosas a respeito do meu processo de trabalho, resolvi publicar uma postagem sobre o mesmo novamente. Decidi unir duas postagens antigas e, como nos últimos anos o mercado editorial mudou muito, também fiz algumas adaptações.

Esboço de ilustração


Várias pessoas me perguntam como faço as minhas ilustrações. Algumas perguntam se são digitais, outras me perguntam como consegui ‘aquele’ efeito, outras não acreditam que eu ainda use materiais tão tradicionais como acrílico e pincéis. Eu até tenho uma mesa digitalizadora que é fantástica, e uso alguns softwares para alguns trabalhos, mas gosto mesmo é das tintas! Principalmente a tinta acrílica. É um tipo de material muito versátil e de secagem rápida, e gosto muito dos efeitos que me permite executar. Enfim, sou fã.


Mas como é que eu faço uma ilustração? Ou melhor, como é que eu organizo o meu trabalho de ilustração de um livro infantil, desde o comecinho?  Bem, eu gostaria de apresentar um pouco do meu processo de trabalho na ilustração de um livro infantil.


Análise do Texto, Story-Board e ‘Boneca’ do Livro


Tudo começa com o texto. Geralmente a editora (ou o autor) me manda o texto e solicita um orçamento. O orçamento depende do número de páginas e do formato do livro. Também é importante ressaltar que o valor das ilustrações depende do uso da ilustração.


Depois de acertado o orçamento, prazos, formatos, etc, eu leio o texto várias vezes (alguns trechos eu chego a memorizar de tanto ler) e tento imaginar o que o autor quer dizer com aquele trecho ou frase.Não basta ler só uma vez, a gente tem que ‘sentir’ o texto, de forma que depois possamos ‘traduzi-lo’ em imagens. A cada vez que lemos algo, descobrimos alguma novidade no texto. E, enquanto leio, faço também anotações referentes a outros textos, características dos personagens, sentimentos, lugares…  Também imagino o que os leitores vão pensar a respeito daquele trecho, que emoções estão sentido os personagens e quais emoções o texto vai suscitar nos leitores, como é o clima do momento, em que ambiente estariam ou não, se passou certo tempo na história, etc.


Ao mesmo tempo, faço muita pesquisa sobre o assunto do livro, sobre a época, roupas, hábitos, cores, moradias, tipo de vegetação e até leio outros textos que tem afinidade.  Enquanto isso, em minha mente os personagens já começam a aparecer… o que vestiriam, traços físicos, personalidade… Faço alguns esboços, procuro referências visuais, não só para saber como poderiam ser, mas até mais para evitar a repetição do que já existe. Sobre animais, por exemplo, observo a anatomia, como é o corpo, suas cores e variações. Embora a anatomia seja importante, muitos ilustradores não se preocupam muito com isso, principalmente no universo do livro infantil. Mas acho a anatomia relevante para que o animal seja identificado. É importante que o leitor não confunda os animais, como acontece com uma luva de silicone que tenho: como as formas são super simplificadas e é cor de rosa, o que na verdade é uma vaca, acaba sendo confundido com um porquinho…rsrs… somente dois chifrinhos na cabeça denunciam a vaquinha. E olhando de frente dá pra dizer que é um lacinho na cabeça da porquinha. 😂


A partir da leitura eu começo a dividir o texto pelo número de páginas. É importante lembrar que no livro há também a folha de rosto, os créditos, e às vezes até dedicatória. Mais do que um story-board, eu gosto de fazer uma ‘boneca’ do livro, onde faço anotações e alguns esboços. Também costumo imprimir o texto e colar os trechos nas folhas. Isso facilita não só a visualização da posição do texto, mas deixa o texto acessível para eu verificar sempre se a ilustração tem a ver com o texto daquela página. É um processo bem artesanal, talvez alguns considerem até meio ultrapassado, mas funciona bem para mim. Além desse processo físico, também costumo fazer a mesma coisa de modo digital: crio um ‘livro’ no computador, insiro o texto separado em cada página, e insiro os roughs (rafes) nas páginas. Esse arquivo é o que eu costumo enviar para a editora para a aprovação dos roughs. Além de apresentar visualmente a ideia do que pretendo fazer ao editor, esse arquivo também ajuda o diagramador – se não for eu mesma a diagramar – a saber o trecho do texto que se refere a cada ilustração e o que deve colocar em cada página. 


Roughs – Rafes


E o que são os Roughs? Também muito usada a palavra ‘rafes’, roughs são os esboços ou rascunhos das ilustrações, na maioria das vezes feitos a lápis.
Cada pessoa que lê um texto imagina de um jeito. O editor, quando solicita um trabalho de ilustração, não tem ideia do que você está pensando. Como ele terá segurança de que o resultado final do seu trabalho irá de encontro às expectativas dele?


Quando recebo uma solicitação de orçamento, geralmente eu já estabeleço nas ‘condições’ que entregarei os rafes alguns dias depois de ter assinado o contrato e que, após a aprovação dos mesmos, as ilustrações não poderão ser mais alteradas sem ônus. O tempo de qualquer profissional, inclusive o ilustrador, é precioso e não podemos ficar alterando ilustrações prontas. Temos que passar para o próximo trabalho (ou prospecção, tratativas, negociação, etc) pois é assim que pagamos nossas contas. Apesar de muitos pensarem que o ilustrador passa seus dias ‘rabiscando, desenhando, pintando’, isso não quer dizer que você deva trabalhar de graça.
Voltando aos rafes: Para entrar num acordo e não ter que mudar uma ilustração inteira na última hora, eu sempre faço os rafes a lápis de cada página. Digitalizo essas imagens, monto um arquivo com as mesmas, insiro os trechos do texto referentes às imagens e envio esse arquivo (em formato pdf) para a aprovação da editora (Isso dá trabalho, mas também já me rendeu outros contratos). Com esse arquivo, o editor não só visualiza como vai ficar o livro, como também tem a certeza de que você pensou em tudo e que não vão faltar páginas para itens importantes como os créditos e a folha de rosto, nem espaço para o texto em cada ilustração. Como mencionei no post anterior, esse arquivo é útil para o diagramador, que não terá dúvidas sobre o que fazer com o texto e a ordem das ilustrações. Somente a partir do momento em que foram aprovados por escrito (no mínimo por e-mail), passo a trabalhar nas ilustrações do livro. Na ilustração digital, é comum os editores solicitarem mudanças depois da mesma pronta, porém, numa ilustração feita com tinta acrílica, é praticamente impossível fazer alterações sem prejudicar a imagem final. Portanto, o rafe é importantíssimo para o trabalho do ilustrador. Certamente há ilustradores que trabalham de outro modo. Mas eu prefiro ter a aprovação do cliente antes de me dedicar horas a uma ilustração e no fim ter que alterar porque não passou pelo crivo do editor. Posso dizer que tenho sido ‘abençoada’ e que, até agora, a grande maioria dos meus rafes foram aprovados. Porém, isso não quer dizer que eu vá mudar o meu ‘modus operandi’. Prefiro continuar a fazê-los de modo a ter segurança de que a ilustração que estou fazendo não terá que ser refeita e que a editora sabe exatamente o que vai receber.


Outro aspecto muito importante do rafe é o que ele representa para o ilustrador. Um esboço nos ajuda a trabalhar sem a pressão da certeza. O que quero dizer com isso? Você pode criar livremente, errar, sem ter que se preocupar em entregar aquele trabalho. Pode refazê-lo e modificá-lo quantas vezes quiser, pode riscar e rabiscar por cima. É o que nos ajuda a desenvolver a ilustração. Enquanto desenho pensando no texto, também faço anotações de outras alternativas (cabelo, penteados, tipos de roupa, cor do fundo, pequenos detalhes no ambiente e nas roupas, características das pessoas, onde ficará o texto…). 


Geralmente bem simples, abaixo alguns exemplos do como são os meus rafes.


Após a aprovação dos rafes, faço um cronograma e um inventário de ilustrações para que eu saiba o ritmo de trabalho que devo empregar. Há editoras que querem 250 ilustrações para daqui a 30 dias e há aquelas que dão 60 dias para 32 ilustrações. Por isso, organizar o meu trabalho me dá segurança e também sei exatamente o quanto devo fazer a cada dia para entregar o meu trabalho dentro do prazo estipulado. 

Em seguida, passo à execução das ilustrações, digitalização e entrega das ilustrações. Dependendo do caso, também faço a diagramação, fechamento de arquivo e envio para a gráfica.


Em breve vou mostrar tudo isso a vocês, pois estou montando um curso completo de como fazer um livro infantil, desde o manuscrito original até o envio do arquivo final para a gráfica. Esse curso será em vídeo e online. O objetivo é alcançar todos que desejam se tornar profissionais de ilustração infantil, mesmo que morem em lugares remotos, não tenham tempo e queiram assistir às aulas conforme a sua agenda permitir. Por isso, como estou em fase de desenvolvimento, esse é o momento certo para você me enviar perguntas sobre a carreira de ilustrador. Ficarei feliz em poder ajudar. 

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Ilustração para Livro Infantil

Estes últimos dias tenho trabalhado muuuito! E fico muito feliz com isso. É muito interessante poder criar alguma coisa. O trabalho criativo é muito recompensador.

Essa ilustração acima fiz para um livro infantil baseado na história – real! – de uma menina que era filha de uma catadora de papéis. Um dia ela ouviu crianças ensaiando numa sala e foi ver o que era. E era um trabalho voluntário, cujo objetivo era transformar vidas através do ensino da música. Logo ela estava ensaiando com eles. Mas não vou contar o resto, para não perder a graça. 😉

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O Livro Infantil – 14 dicas básicas

Depois de alguns anos ilustrando, fico me lembrando de que, quando eu comecei nessa área de atuação, havia muitas coisas que não sabia.  Foi mais ou menos como aprender a dirigir. No começo a gente fica prestando atenção em todos os detalhes, como virar a chave, pressionar a embreagem… olha um monte de vezes no retrovisor, olha para a marcha para engatar, coloca a seta para virar mas acaba ligando a luz alta… Mas, depois de algum tempo, a gente faz tudo no automático e pensa: nossa, nem sei como cheguei em casa.
Assim também acontece com algumas informações do livro que no começo eram, pelo menos para mim, muito misteriosas. Isso acontece porque as faculdades ensinam história da arte, anatomia, metodologias, etc… mas não ensinam a gente a se posicionar no mercado de trabalho, a fazer um livro, a negociar, etc…

Vou mencionar aqui algumas dicas do que levei um tempo pesquisando quando comecei:

1. O livro infantil geralmente tem o número de páginas múltiplo de 8. Isso para aproveitar melhor o papel e também para formar os ‘cadernos’. Livros com 16, 24 ou 32 páginas são os mais comuns. Informação importante para quando você for planejar um livro do início ao fim.

2. A história não começa na página 1. Observe os livros infantis (em casa ou na livraria). Na primeira página geralmente vem a folha de rosto, na página 2 a Ficha Catalográfica, às vezes tem também dedicatória ou sumário. Às vezes, não. Nesse caso, o livro começa na página 3. E não é costume inserir número de página na folha de rosto.

3. Também não há necessidade de preencher todas as páginas com ilustrações, nem tampouco fazer todas do mesmo tamanho.

4. Ao planejar as ilustrações, pense na quantidade de texto que irá em cada página.

5. Se houver algum suspense ou surpresa na história, vale a pena planejar para que a ilustração fique numa página par (ou à esquerda), a fim de que o leitor não veja antes de virar a página.

6. O texto também pode fazer parte da ilustração. Ao diagramar, podemos deformar ou mudar a fonte de modo que também essa demonstre o que acontece no livro.



7. Quando planejar um personagem, fazer o possível para que seja consistente em todas as páginas e reconhecível. No livro infantil (para crianças bem pequenas) as expressões podem ser mais simples. À medida que as crianças ficam maiores, aí sim as ilustrações podem ser mais elaboradas.

8. Você já deve ter notado que roupas de alguns personagens ‘pararam no tempo’. Isso se deve ao fato de que o livro dura muitos anos e alguns ilustradores preferem que o livro seja ‘atemporal’.

9. Quando montar a sua ‘boneca’ do livro, observar as páginas que ficam bem no meio do livro. Como muitos livros infantis são grampeados, vale a pena observar para que essas ilustrações combinem entre si, ou até mesmo que formem uma ‘grande’ ilustração dupla.

10. Ao ilustrar para uma editora, é bom obter aprovação dos roughs por escrito (via email) antes de finalizar as mesmas.

11. Ler e reler o texto para evitar pintar de marrom os cabelos da ‘princesa de cachos dourados’. 😀

12. Observe os formatos dos livros infantis. É mais comum um formato quadrado ou ‘paisagem’ que formato ‘retrato’.

13. Uma ilustração não precisa seguir anatomia nem perspectiva.

14. Ao finalizar as ilustrações, eu costumo guardar as mesmas em plásticos apropriados ou em papel de seda. Isso evita que borrem ao encostarem umas nas outras. Você também não precisa enviar seus originais para a editora. Pode combinar isso na hora de negociar.


Se tiver alguma dúvida, entre em contato! 
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Xi, errei! E agora?

Eu costumo escrever aqui no meu blog o que estou fazendo, com o que estou trabalhando, como eu me organizo, como tentar ser mais produtivo, entre outros assuntos. Porém, às vezes as coisas não acontecem como desejamos. Num mundo ideal, tudo funciona direitinho e com a experiência vamos adquirindo hábitos que previnem que a gente cometa erros. Hoje, enquanto trabalhava, percebi que fiz várias bobagens numa mesma ilustração. Será que era porque eu estava ouvindo música e os neurônios estavam distraídos?  Rindo de mim mesma, pensei: por que não contar no meu blog essa experiência?

Quando eu comecei a trabalhar como ilustradora, lembro que fiz três vezes a mesma ilustração porque estava sempre borrando no mesmo lugar. Era um pedaço que eu havia determinado que deveria ficar em branco. Hoje, aprendi que isso acontece muito e já tenho algumas técnicas para consertar o que não saiu conforme o esperado. A arte é mesmo messy, ou seja, bagunçada. Por mais que eu tente me manter organizada, e isso é algo que tento sempre fazer, pois já percebi que meu trabalho flui bem melhor, ainda assim, quando estou trabalhando num livro e com prazos muito apertados, faço uma bagunça. Confesso que acabo arrumando mesmo só depois que termino tudo. É tinta fora do lugar, pincéis que mais uso fora do potinho deles, pincel prendendo o cabelo, tesourinha perdida, cola, bandejinhas e pratinhos com tinta, lápis de cor na caixa errada, recortes de tecido e linhas espalhadas, sem falar no meu celular, que fica perdido no meio de tudo isso.

Olha como fica, só não conte pra ninguém. Rsrs. 


Meu paninho de limpar pincel já viu dias melhores.

O fato é que, por mais que a gente cuide, ainda assim pequenos acidentes acontecem. Mas como para errar basta estar vivo, graças dou por isso. Só hoje, na ilustração que eu estava fazendo, cometi vários deles:

. Coloquei a ilustração para o lado e esqueci que tinha uma bandeja com cola. Nem preciso dizer que ficou cola no verso da ilustração. 😀 Ainda bem que limpei rapidinho e coloquei um papel por baixo para não grudar em nada caso o que restou de cola ainda estivesse úmido.

. Quando estava acentuando o brilho e a sombra da personagem (luz vindo da esquerda), percebi que nos outros objetos eu tinha feito a luz vindo da direita… 😲 As luzes e sombras não são algo que seja regra numa ilustração, e muitos ilustradores não se preocupam com isso, mas mesmo assim arrumei. 

. Ao levar o pincel para o meu baldinho com água, deixei pingar algumas gotas no desenho… 😶 Limpei os pingos delicadamente com um pincel úmido e absorvi a tinta com um paninho. Uma das vantagens – e desvantagens – do acrílico é que, uma vez seco, não sai mais com água, por isso não estragou o que já estava pronto.

. Para finalizar, ao pintar o rosto da personagem, apoiei a mão em cima da tinta fresca e borrei um pedacinho. 😄 Quanto ao que borrei, consegui limpar porque a tinta ainda estava úmida. Às vezes eu até uso um pedaço de papel para cobrir parte da ilustração para apoiar a mão enquanto estou pintando. Mesmo depois de acabada, como uso lápis para dar acabamento, apoiar a mão pode deixar tudo borrado.

No caso da ilustração que fiz três vezes há alguns anos, hoje percebo que poderia ter feito algo diferente na parte branca. Ter pintado de branco por cima (apesar de não dar o mesmo efeito que eu queria) poderia ter resolvido. Embora seja um recurso que não utilizo muito, atualmente tenho bem mais experiência com programas de computador que podem consertar pequenos detalhes depois da ilustração digitalizada.

Há alguns anos fiz um curso em Sármede, e o professor sugeria sujar o papel para iniciar o desenho. Derramar algumas gotas de tinta era suficiente. Se fosse de tinta vermelha, melhor ainda. Acho que vermelho era a cor preferida dele. Segundo ele, isso tira o medo que o papel em branco dá e desbloqueia a criatividade. 

De fato, isso dá mais liberdade e menos medo de errar, afinal o papel já está manchado mesmo. E, com acrílico, dá pra cobrir as partes que fizemos e não gostamos depois que as manchas estiverem secas. Ou usar os borrões iniciais para formar figuras na ilustração. Como geralmente começo fazendo o fundo da ilustração, não costumo utilizar essa técnica, mas pode ser muito útil se ‘der um branco’ na hora de criar uma ilustração.

E você, já fez alguma coisa que não queria na sua ilustração?  Ou teve um pequeno acidente como eu? Conseguiu resolver? Conte pra mim nos comentários! 😘

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