Publicação de Livros – Parte III

De uns tempos para cá, muitas mudanças aconteceram no que se refere à publicação de livros. Já faz alguns anos em que é possível publicar um livro sem a intermediação de uma editora. E essa é uma tendência que veio para ficar, e até alguns autores renomados têm dispensado a editora.


Uma das modalidades de auto-publicação são as editoras sob demanda. Como já conversamos, são as editoras que cobram do autor para publicar. Existem várias no mercado, cada uma com ‘pacotes’ diferentes de publicação. De fato, existem até editoras internacionais que fazem concursos para escolher quais os melhores livros auto-publicados. Talvez essa ainda não seja a realidade no Brasil, mas pode ser uma questão de tempo.


Entre os ‘pacotes’ de auto-publicação, há editoras que prometem fazer tudo, desde a contratação do ilustrador, ISBN, ficha catalográfica, editoração, revisão, fechamento do arquivo, impressão, etc, e há aquelas que deixam a contratação do ilustrador por conta do escritor. Há aquelas que só montam o arquivo final e enviam para a gráfica, entregando para o autor o número de livros solicitado. E há outras que também vendem o seu livro no site deles. Há tantas possibilidades de editoras sob demanda atualmente, que dependendo do orçamento, o autor pode determinar o que lhe é mais conveniente. Apesar de existirem muitas editoras sob demanda competentes, sempre é bom procurar informações sobre a reputação e confiabilidade das editoras, para que o ‘barato não saia caro’. Com a facilidade que a internet proporciona, atualmente fica bem mais fácil descobrir que editoras sob demanda são mais confiáveis. Há muitas editoras que fazem um trabalho profissional. Inclusive, creio que a tendência, vendo o que tem acontecido nos Estados Unidos, é que as grandes editoras tradicionais passem também a oferecer esse tipo de serviço no futuro. Vale ressaltar que até o momento estou falando de livros impressos, não de e-books.


Uma outra possibilidade de publicação é o sistema de Crowdfunding. Tem sido muito usado por escritores, nesses tempos de ‘crise editorial’. O autor começa um projeto, divulga nas redes sociais, conversa com amigos, eles dão 30, 40 ou até 200 reais e patrocinam o projeto. Tudo antecipadamente. Para cada um o autor dá uma ‘recompensa’. Por exemplo: quem der 30 reais, receberá um livro depois que for publicado. Quem der 35, receberá um livro autografado. Quem der 50, receberá o livro com capa dura e seu nome será citado nos agradecimentos no próprio livro. E assim por diante.

Quanto maior o valor doado, maior a recompensa. Esse sistema é bom para quem tem muitos seguidores, parentes, amigos, alunos, enfim, conhecidos que gostariam de ajudar com pouco, pois no fim o autor arrecada o que for preciso para a publicação do livro e todos os patrocinadores recebem algo em troca. Para fazer esse sistema, porém o autor teria que gerenciar todo o projeto: contratar o ilustrador, o diagramador, a gráfica, isbn, e o que mais for necessário. O autor lança o seu projeto no site de crowdfunding, e geralmente tem 60 dias para arrecadar fundos. Alguns sites que fazem esse tipo de serviço são o Catarse, Kickstarter, Vaquinha, entre outros.

Existe ainda a possibilidade do autor montar seu livro sozinho e enviar diretamente para a gráfica, depois vender dentro do seu círculo (parentes, escola, associações, igreja, etc), recebendo o valor de venda diretamente de seus clientes. A grande desvantagem é ficar com uma quantidade grande de livros estocados, caso se esgotem suas possibilidades de venda. Há autores que tem feito isso e, para exemplificar, vou citar um caso em que a autora decidiu ela mesma gerenciar todo o processo e em menos de dois meses seu livro foi lançado. Ela tinha uma grande rede de relacionamentos, e isso lhe possibilitou fazer o lançamento e vender seus exemplares.  Além disso, ela tem feito oficinas de contação de histórias em escolas de sua região e continua vendendo seus livros. Atualmente, está na 2a edição do livro.

Certamente ela investiu seu tempo e dinheiro, mas a realização de ter seu livro publicado foi maior. E com a venda dos livros, pôde recuperar todo o investimento e ainda ter lucro. Algumas pessoas preferem não aguardar e realizar uma publicação autoral. Outras preferem aguardar e ter seu livro publicado sob o selo de uma editora.

Às vezes pode ficar difícil vender, caso não se conheça muita gente. Porém, nesse caso, o autor pode fazer a quantidade que quiser. 500 na primeira impressão, e depois, pode mandar imprimir mais 300, etc… Uma colega escritora financiou seu próprio livro e ele acabou sendo selecionado como finalista para o prêmio Jabuti, que é o mais importante para literatura infantil. Era o primeiro livro dela e já foi um sucesso. Ela mesma entrou em contato com livrarias para venderem seu livro. A auto publicação é um desafio grande, e é preciso muito esforço ‘editorial’ para fazer seu livro acontecer. Valem os ditados: ‘quem não é visto não é lembrado’, e ‘a propaganda é a alma do negócio’.

Há também os concursos, como o Prêmio Barco a Vapor, o João de Barro, patrocínios/mecenatos de Fundações Culturais municipais, etc.  Estes também são concorridos, e até nomes consagrados também costumam participar, afinal a grande maioria dos autores tem outro emprego para sobreviver. Ser escritor no Brasil é um desafio. Há poucos escritores infantis que vivem dos rendimentos de seus livros. Para facilitar, há editoras que trabalham também nesse segmento de concursos. Vale a pena pesquisar e recorrer a essa possibilidade.

E é claro, há a possibilidade da auto-publicação através do e-book, ou seja, o livro digital. Há alguns anos tenho adquirido e-books, até mesmo infantis. Dependendo do tipo de livro, facilitam muito a nossa vida, pois não ocupam espaço em nossas prateleiras, estão à disposição imediata, desde que haja uma conexão internet, e são fáceis de carregar com você. É possível levar uma quantidade enorme de livros em um tablet, para onde quer que você vá. Já imaginou você viajar e levar com você uma biblioteca de mais de mil livros? E você pode até mesmo deletar aqueles que, na sua opinião, não merecem ocupar a memória do seu dispositivo.

É possível publicar um e-book através de sites como a Saraiva e a Amazon, por exemplo. Os valores de direitos autorais são maiores que os de livros físicos, pois dispensam várias etapas, como a impressão, diagramação, entre outras, além de deixarem a cargo do autor a formatação, publicidade, ISBN, ilustrações, etc. Isso pode ser uma vantagem, como também uma desvantagem. Nesse caso, grande parte do trabalho da editora será feito pelo autor. Algumas desvantagens desse tipo de publicação são: esses livros não podem ser doados, nem emprestados, e às vezes, devido à falta de conhecimento técnico do autor, podem vir a ter uma diagramação pobre; ausência de ilustrações ou ilustrações feitas de qualquer maneira, somente para preencher o livro; erros ortográficos e gramaticais; etc . É uma empreitada que pode tomar muito tempo, e a qualidade da publicação pode prejudicar um livro com ótimo conteúdo, por exemplo. A publicidade fica a cargo do autor também.

Por outro lado, custam muito menos, e vieram para ficar. A meu ver, ainda não substituem alguns tipos de livros, como livros de arte, por exemplo.  Se o e-book vai substituir totalmente o livro físico, não podemos ainda prever. Mas ter um livro de papel nas mãos tem um gostinho especial, principalmente nas mãos infantis. Sem falar no cheirinho de livro novo. 😉


Curitiba de A a Z

Parte da apresentação da Companhia Girolê, interpretando o poema “Inverno”, que consta no livro “Curitiba de A a Z”, escrito por Alexandre Barros Neves e ilustrado por Ingrid Osternack Barros Neves. O lançamento ocorreu no dia 23 de março de 2019, na Biblioteca Pública do Paraná.

Oficina de Ilustração

No sábado passado, dia 23 de março, aconteceu o lançamento do último livro que ilustrei: Curitiba de A a Z, de Alexandre Barros Neves, pela Editora Insight. Foi uma manhã maravilhosa, com muitas crianças, contação de histórias e muita gente nos prestigiando na Biblioteca Pública do Paraná.

Como estes últimos dias foram muito intensos, não tive como fazer minha habitual postagem de sexta. Sorry! Mas ainda essa semana vou contar mais sobre isso. Demos entrevista na Rádio Cultura, Educativa e CBN. Foi uma experiência emocionante. Na próxima sexta, dia 29, daremos uma entrevista à TV Transamérica, às 15:30h. Confesso que fico muito nervosa nessas ocasiões. 🙂

Nosso livro teve repercussão muito grande em Curitiba, e ficamos imensamente felizes. Já está à venda na loja oficial da cidade, “Curitiba Sua Linda” e também fiz alguns cartões postais para quem desejar, por exemplo, fazer quadrinhos com as ilustrações. Vários professores e escolas tem nos procurado porque desejam utilizar os textos em sala de aula.


É o meu 17o. livro infantil. Sou imensamente grata a Deus por essa oportunidade. 🙂

Curitiba de A a Z

Essa imagem foi de quando eu estava começando a ilustrar o livro Curitiba de A a Z, de Alexandre Barros Neves, publicado pela Editora Insight. O lançamento será no dia 23 de março, na Biblioteca Pública do Paraná, das 10h às 12h.

Foi um trabalho muito gratificante, pois foi muito gostoso aprender mais sobre a história da cidade e ilustrar pontos turísticos. Além disso, o autor fala sobre aspectos culturais dos próprios curitibanos e ‘brinca’ com alguns deles, como é o caso da estátua do Homem Nu e do Frio Curitibano.

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Técnicas de Ilustração – Acrílico

Técnicas de Ilustração: Tinta Acrílica

Quando analisamos o trabalho de vários artistas, podemos observar que, ainda que tenham escolhido o mesmo tema, cada um interpreta do seu próprio jeito.

Como já comentei aqui, durante a oficina que participei em Sármede, cidade da ilustração na Itália, cada ilustrador produziu uma ilustração completamente diferente, ainda que o tema fosse o mesmo para todos. É maravilhoso observar como cada ilustrador tem o seu próprio jeitinho de segurar o lápis e/ou pincel. Os traços e pinceladas de cada ilustrador são feitos de maneira diferente e cada artista tem a sua própria maneira de combinar técnicas para obter um resultado que lhe é único.

Nas minhas ilustrações, por exemplo, sempre faço uma combinação de várias técnicas. Isso, com o tempo, pode até vir a se tornar marca registrada do artista.

Também é muito interessante observar como cada artista tem sua preferência por uma técnica. Há aqueles que amam a aquarela e outros que preferem o acrílico. Há os que só trabalham com ilustração digital e outros que preferem os lápis de cor. Preferências à parte, o fato é que essa variedade de técnicas só vem a enriquecer o mundo da ilustração.

Desenho em grafite

Há muitas técnicas artísticas que podem ser utilizadas pelo ilustrador voltado à literatura infantil. Entre elas, posso citar os lápis de cor, lápis de cor aquareláveis, acrílico, aquarela, colagem, aerógrafo (esse substituído pelo computador por muitos artistas), grafite, carvão, colagem, gravura em geral (metal, madeira e linóleo), gouache, nanquim, recortes de papel, além ainda de técnicas menos convencionais, como tecido, bordado, massinha de modelar…

Como vocês já devem saber, o acrílico é a minha técnica preferida. É uma tinta muito versátil, que seca rapidamente e permite uma variedade grande de efeitos. Com muito água fica parecida com a aquarela e muito espessa permite maravilhosas texturas. À base d’água, o acrílico é relativamente fácil de corrigir numa ilustração. Porém, uma vez seco, fica bem difícil de limpar. Tenho várias roupas com marcas de tintas. Também estraga muito os pincéis se não forem bem lavados. O acrílico pode ser usado com pincéis de cerdas naturais e sintéticos. Eu utilizo ambos, cada tipo para dar um efeito diferente. A tinta acrílica pode ser utilizada sobre várias superfícies, como papel, papelão, plástico, metal, etc.

Algumas marcas de tinta são mais brilhantes, mas eu prefiro as mais foscas para minhas ilustrações. Como secam muito rápido, existem retardadores de secagem que podem ser usados. Como eu moro numa cidade não muito quente, embora de tempo úmido, não costumo utilizar o retardador. Pelo contrário, às vezes uso o secador de cabelos para agilizar o meu trabalho.

Dependendo do papel que se utiliza, o acrílico pode enfatizar a textura e dar um acabamento peculiar às ilustrações. Eu gosto de usar papéis de gramatura bem alta e com texturas.

Para misturar as tintas, não há segredo. A tinta acrílica se mistura de modo homogêneo rapidamente e, se necessário, basta acrescentar uns pinguinhos de água. Para isso, você pode usar um prato de porcelana, bandejas de isopor ou pratos descartáveis. Os pratinhos, embora não muito ecológicos, são muito práticos devido ao fato de não precisar ficar lavando o tempo todo e são muito utilizados por ilustradores.

Embora seja possível misturar a tinta acrílica com alguns tipos de pasta, gel, entre outros ‘auxiliares’, eu raramente os utilizo em ilustrações.

Houve um tempo em que se dizia que havia um jeito ‘certo’ de utilizar a tinta acrílica. Quando eu estudei Pintura na Accademia di Belle Arti di Venezia, havia professores que desprezavam a tinta acrílica em favor do óleo e outros que diziam que o acrílico tinha que ser dissolvido em muita água antes de ser utilizado. Atualmente acredita-se que o potencial do acrílico não tenha sido totalmente explorado.

Concluindo, aquilo que hoje parece errado, amanhã pode ter sido aceito como mais uma nova maneira de produzir arte.

“Tipos” de Ilustração: Vinheta

Há algum tempo recebi uma mensagem me perguntando o que era “vinheta”.

Embora eu esteja falando aqui de vinheta como um ‘tipo’ de ilustração, na verdade a vinheta é considerada mais como um ‘tamanho’ de ilustração. Porém, acho que é o único ‘tamanho’ de ilustração que tem um ‘nome’. 🙂

Quando recebo um pedido de orçamento de uma editora, às vezes já vem escrito mais ou menos assim:

2 ilustrações duplas

7 ilustração página inteira

2 ilustrações de meia página

3 vinhetas

Por isso, no começo a gente fica mesmo em dúvida sobre o significado de ‘vinheta’.

Em cada área de atuação, vinheta tem um significado diferente. Na área de ilustração, a vinheta já foi conhecida somente como uma moldura-enfeite, geralmente de pequenas dimensões, com arabescos ou linhas decorativas, até mesmo linhas ‘floreadas’. O nome vinheta teria vindo de ‘pequena vinha’ (plantação de videiras). Por isso, seria uma ilustração com folhas relembrando a videira (planta da uva) . Atualmente, utilizam-se quaisquer elementos decorativos.

Veja um exemplo:

Porém, ultimamente também tem sido utilizada como definição de uma ilustração bem pequena, menor que ¼ da página. Às vezes o editor me fala: nessa página faz uma vinheta.

Veja um exemplo de uma vinheta que fiz para o livro Cheiros:

Portanto, depende muito do significado que o cliente dá para o nome ‘vinheta’ e vale a pena esclarecer com ele o que exatamente tem em mente.

Concursos de Ilustrações: Vale a pena participar?

A Lenda das Cataratas

Concursos de Ilustrações: Vale a pena participar?

Quando estamos começando na carreira de ilustrador, procuramos toda oportunidade possível para mostrar nosso trabalho. Por isso, uma das oportunidades que existem para isso são concursos literários e de ilustração.

Participar de concursos é interessante por vários motivos:

. ficar conhecido;

. se formos selecionados, sentimos que o nosso trabalho foi admirado e tem valor;

. fazer contatos;

. trabalhar com um briefing e datas de entrega;

. conhecer outros trabalhos;

. entender as tendências;

. e até se renovar ao observar outros trabalhos, gerando insights e novas ideias.

Outra vantagem é que aprendemos a ter resiliência. Todo trabalho autônomo requer muita disciplina e resistência. O que quero dizer é que nem sempre nosso trabalho será aceito e teremos que estar preparados para aceitar isso. Às vezes um trabalho de menor qualidade pode vir a ser selecionado, somente porque era a tendência daquele ano ou porque era conveniente que tal ilustrador fosse escolhido. Triste para tantos outros que estavam competindo, mas infelizmente isso acontece em todas as áreas.

Há alguns anos um livro infantil foi premiado aqui no Brasil e causou indignação a alguns escritores e ilustradores. Uma celebridade fez uma seleção de textos de outros escritores e publicou um livro onde as ilustrações eram feitas por ela, embora não fosse ilustradora. O argumento era de, enquanto tantos outros escritores fazem o possível para produzir textos inovadores e de qualidade, o texto não era dela e que só ganhou o primeiro prêmio por ser uma pessoa famosa.

Como os jurados mudam todo ano, também há as preferências pessoais. E muitos concursos já mencionam que a decisão deles é soberana e que todos os participantes, ao entrar no concurso, devem aceitá-la. Não há como recorrer.

Como estudei na Itália, vou começar pelo concurso mais importante de lá: a Feira de Bolonha. Eu diria que é a feira literária mais importante do país. Todo ano eles promovem um concurso onde você envia cinco ilustrações e elas podem ser selecionadas para a mostra e uma das ilustrações apresentadas será a capa do catálogo. No ano passado o prêmio foi de 15 mil dólares, como um adiantamento para ilustrar um livro infantil para a Edições SM (para ilustradores com idade inferior a 35 anos). Outro prêmio foi uma bolsa de estudos da escola de ilustração ARS IN FABULA (para ilustradores com idade inferior a 30 anos). Ilustradores do mundo todo podem participar do concurso. Mais informações veja aqui.

Outro concurso interessante é o Nami Island, da Coréia do Sul. O primeiro prêmio é de 10 mil dólares, a ilustração no catálogo e mostra. Deve-se enviar 5 a 10 ilustrações, que contem uma história. Um ilustrador brasileiro ganhou esse prêmio há alguns anos. Não há taxa de inscrição. Para mais informações, clique aqui.

Em Portugal, há um dos concursos mais importantes da Europa. Acontece a cada dois anos e o prêmio é de 5.000 euros. Clique aqui e leia tudinho em português.

Nos Estados Unidos, um dos concursos mais conhecidos é o da Society of Illustrators. Há uma taxa de inscrição e o prêmio são medalhas e a publicação no catálogo. Leia mais aqui.

No Brasil, ilustradores geralmente enviam suas obras para o Salão do Humor de Piracicaba. São aceitos cartuns, charges, tirinhas e caricaturas. Mais informações aqui.

Muitos concursos de ilustração infantil estão ligados a uma obra literária. Nesse caso, posso citar ainda os concursos da SM, da Kalandraka e Biblioteca Insular de Gran Canaria.

São milhares de ilustradores que participam todo ano. Mas mesmo que o ilustrador não seja selecionado, a participação é uma experiência enriquecedora. Além de ser um gostoso desafio, se for selecionado – ou até mesmo ser o primeiro colocado –  significará um grande salto na carreira.

Por outro lado, existem associações e editoras que podem se aproveitar da situação. Por isso, é importante saber discernir quais valem a pena e quais não.

Um exemplo de um concurso que não vale a pena é quando uma associação cobra uma taxa de valor alto para participar e o prêmio não faz jus a essa taxa. Muitos concursos não cobram nada, portanto é necessário ficar de olho para saber se é um concurso ‘sério’ ou alguma instituição querendo se aproveitar.

Outro exemplo que já vi acontecer é quando uma editora tenta fazer um ‘concurso’ para que os ilustradores disputem quem vai ilustrar um livro ou fazer uma capa, mas não oferecem pagamento em troca. Temos que ficar atentos para não trabalhar de graça. Já fui convidada para um concurso assim. Felizmente associações de escritores e ilustradores enviaram cartas de repúdio e a editora retirou o concurso rapidinho. A desculpa para promover o concurso era de que eles gostavam tanto do trabalho de todos os ilustradores que não sabiam qual convidar. Imaginem quantas ilustrações iriam receber de graça. A intenção era que os ilustradores se sentissem pagos pela honra de terem suas ilustrações publicadas. É o mesmo que comer num restaurante e dizer ao dono que ele deveria ficar feliz que escolhemos o restaurante dele para almoçar.

A editora poderia até argumentar que o ilustrador está tendo ‘exposição’. Porém, uma atitude assim vem a desvalorizar a nossa profissão e pode prejudicar a todos, principalmente quem está começando.

A ilustração é fundamental num livro infantil. E isso mostra o quanto o trabalho do ilustrador é importante. Já imaginou livros infantis sem ilustração?

Dica: uma editora que promova um concurso de livro ilustrado deve premiar o ilustrador com um valor correspondente ao trabalho de ilustrar uma obra. Um exemplo é o citado acima, da SM, que antecipa 15.000 dólares para o premiado, e o mesmo irá ilustrar um livro infantil.

Cuidado também com as associações desconhecidas ou sem relevância que dizem que você foi premiado e irá receber uma condecoração. Basta pagar o diploma, ou taxa “x”, no valor de algumas centenas de reais. Associações sérias são as que promovem eventos e nas quais você não paga nada ou uma taxa simbólica para participar.

Um último conselho: ao enviar ilustrações, verifique antes se são necessários os originais ou uma cópia. Antigamente eram aceitos somente os originais das ilustrações. Mas com o advento das ilustrações digitais, os concursos decidiram receber imagens via email, site ou até mesmo impressões. Caso sejam selecionadas, aí sim alguns solicitam os originais.

Em minha experiência, já enviei originais e recebi vários de volta, alguns cuja expedição foi paga pela instituição e outros que eu mesma tive que pagar. Em uma mostra, enviei três ilustrações. Duas foram selecionadas e a terceira nunca foi encontrada. O pessoal da mostra sequer havia visto a outra ilustração, o que me faz crer que devem ter retirado as duas primeiras e jogado o envelope fora com a outra. E como já estive lá pessoalmente, vi na sala deles que havia centenas de ilustrações que nunca tinham sido devolvidas e que seria muito difícil encontrar alguma coisa. Felizmente eu tinha fotografado a ilustração antes de enviar.

Caso tenha alguma dúvida ou quiser alguma opinião sobre o regulamento de algum concurso, entre em contato. 😉