De uns tempos para cá, muitas mudanças aconteceram no que se refere à publicação de livros. Já faz alguns anos em que é possível publicar um livro sem a intermediação de uma editora. E essa é uma tendência que veio para ficar, e até alguns autores renomados têm dispensado a editora.


Uma das modalidades de auto-publicação são as editoras sob demanda. Como já conversamos, são as editoras que cobram do autor para publicar. Existem várias no mercado, cada uma com ‘pacotes’ diferentes de publicação. De fato, existem até editoras internacionais que fazem concursos para escolher quais os melhores livros auto-publicados. Talvez essa ainda não seja a realidade no Brasil, mas pode ser uma questão de tempo.


Entre os ‘pacotes’ de auto-publicação, há editoras que prometem fazer tudo, desde a contratação do ilustrador, ISBN, ficha catalográfica, editoração, revisão, fechamento do arquivo, impressão, etc, e há aquelas que deixam a contratação do ilustrador por conta do escritor. Há aquelas que só montam o arquivo final e enviam para a gráfica, entregando para o autor o número de livros solicitado. E há outras que também vendem o seu livro no site deles. Há tantas possibilidades de editoras sob demanda atualmente, que dependendo do orçamento, o autor pode determinar o que lhe é mais conveniente. Apesar de existirem muitas editoras sob demanda competentes, sempre é bom procurar informações sobre a reputação e confiabilidade das editoras, para que o ‘barato não saia caro’. Com a facilidade que a internet proporciona, atualmente fica bem mais fácil descobrir que editoras sob demanda são mais confiáveis. Há muitas editoras que fazem um trabalho profissional. Inclusive, creio que a tendência, vendo o que tem acontecido nos Estados Unidos, é que as grandes editoras tradicionais passem também a oferecer esse tipo de serviço no futuro. Vale ressaltar que até o momento estou falando de livros impressos, não de e-books.


Uma outra possibilidade de publicação é o sistema de Crowdfunding. Tem sido muito usado por escritores, nesses tempos de ‘crise editorial’. O autor começa um projeto, divulga nas redes sociais, conversa com amigos, eles dão 30, 40 ou até 200 reais e patrocinam o projeto. Tudo antecipadamente. Para cada um o autor dá uma ‘recompensa’. Por exemplo: quem der 30 reais, receberá um livro depois que for publicado. Quem der 35, receberá um livro autografado. Quem der 50, receberá o livro com capa dura e seu nome será citado nos agradecimentos no próprio livro. E assim por diante.

Quanto maior o valor doado, maior a recompensa. Esse sistema é bom para quem tem muitos seguidores, parentes, amigos, alunos, enfim, conhecidos que gostariam de ajudar com pouco, pois no fim o autor arrecada o que for preciso para a publicação do livro e todos os patrocinadores recebem algo em troca. Para fazer esse sistema, porém o autor teria que gerenciar todo o projeto: contratar o ilustrador, o diagramador, a gráfica, isbn, e o que mais for necessário. O autor lança o seu projeto no site de crowdfunding, e geralmente tem 60 dias para arrecadar fundos. Alguns sites que fazem esse tipo de serviço são o Catarse, Kickstarter, Vaquinha, entre outros.

Existe ainda a possibilidade do autor montar seu livro sozinho e enviar diretamente para a gráfica, depois vender dentro do seu círculo (parentes, escola, associações, igreja, etc), recebendo o valor de venda diretamente de seus clientes. A grande desvantagem é ficar com uma quantidade grande de livros estocados, caso se esgotem suas possibilidades de venda. Há autores que tem feito isso e, para exemplificar, vou citar um caso em que a autora decidiu ela mesma gerenciar todo o processo e em menos de dois meses seu livro foi lançado. Ela tinha uma grande rede de relacionamentos, e isso lhe possibilitou fazer o lançamento e vender seus exemplares.  Além disso, ela tem feito oficinas de contação de histórias em escolas de sua região e continua vendendo seus livros. Atualmente, está na 2a edição do livro.

Certamente ela investiu seu tempo e dinheiro, mas a realização de ter seu livro publicado foi maior. E com a venda dos livros, pôde recuperar todo o investimento e ainda ter lucro. Algumas pessoas preferem não aguardar e realizar uma publicação autoral. Outras preferem aguardar e ter seu livro publicado sob o selo de uma editora.

Às vezes pode ficar difícil vender, caso não se conheça muita gente. Porém, nesse caso, o autor pode fazer a quantidade que quiser. 500 na primeira impressão, e depois, pode mandar imprimir mais 300, etc… Uma colega escritora financiou seu próprio livro e ele acabou sendo selecionado como finalista para o prêmio Jabuti, que é o mais importante para literatura infantil. Era o primeiro livro dela e já foi um sucesso. Ela mesma entrou em contato com livrarias para venderem seu livro. A auto publicação é um desafio grande, e é preciso muito esforço ‘editorial’ para fazer seu livro acontecer. Valem os ditados: ‘quem não é visto não é lembrado’, e ‘a propaganda é a alma do negócio’.

Há também os concursos, como o Prêmio Barco a Vapor, o João de Barro, patrocínios/mecenatos de Fundações Culturais municipais, etc.  Estes também são concorridos, e até nomes consagrados também costumam participar, afinal a grande maioria dos autores tem outro emprego para sobreviver. Ser escritor no Brasil é um desafio. Há poucos escritores infantis que vivem dos rendimentos de seus livros. Para facilitar, há editoras que trabalham também nesse segmento de concursos. Vale a pena pesquisar e recorrer a essa possibilidade.

E é claro, há a possibilidade da auto-publicação através do e-book, ou seja, o livro digital. Há alguns anos tenho adquirido e-books, até mesmo infantis. Dependendo do tipo de livro, facilitam muito a nossa vida, pois não ocupam espaço em nossas prateleiras, estão à disposição imediata, desde que haja uma conexão internet, e são fáceis de carregar com você. É possível levar uma quantidade enorme de livros em um tablet, para onde quer que você vá. Já imaginou você viajar e levar com você uma biblioteca de mais de mil livros? E você pode até mesmo deletar aqueles que, na sua opinião, não merecem ocupar a memória do seu dispositivo.

É possível publicar um e-book através de sites como a Saraiva e a Amazon, por exemplo. Os valores de direitos autorais são maiores que os de livros físicos, pois dispensam várias etapas, como a impressão, diagramação, entre outras, além de deixarem a cargo do autor a formatação, publicidade, ISBN, ilustrações, etc. Isso pode ser uma vantagem, como também uma desvantagem. Nesse caso, grande parte do trabalho da editora será feito pelo autor. Algumas desvantagens desse tipo de publicação são: esses livros não podem ser doados, nem emprestados, e às vezes, devido à falta de conhecimento técnico do autor, podem vir a ter uma diagramação pobre; ausência de ilustrações ou ilustrações feitas de qualquer maneira, somente para preencher o livro; erros ortográficos e gramaticais; etc . É uma empreitada que pode tomar muito tempo, e a qualidade da publicação pode prejudicar um livro com ótimo conteúdo, por exemplo. A publicidade fica a cargo do autor também.

Por outro lado, custam muito menos, e vieram para ficar. A meu ver, ainda não substituem alguns tipos de livros, como livros de arte, por exemplo.  Se o e-book vai substituir totalmente o livro físico, não podemos ainda prever. Mas ter um livro de papel nas mãos tem um gostinho especial, principalmente nas mãos infantis. Sem falar no cheirinho de livro novo. 😉


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Publicação de Livros – Parte III

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