
Caneca com uma das ilustrações que fiz da cidade de Curitiba


14. Ao finalizar as ilustrações, eu costumo guardar as mesmas em plásticos apropriados ou em papel de seda. Isso evita que borrem ao encostarem umas nas outras. Você também não precisa enviar seus originais para a editora. Pode combinar isso na hora de negociar.
Eu costumo escrever aqui no meu blog o que estou fazendo, com o que estou trabalhando, como eu me organizo, como tentar ser mais produtivo, entre outros assuntos. Porém, às vezes as coisas não acontecem como desejamos. Num mundo ideal, tudo funciona direitinho e com a experiência vamos adquirindo hábitos que previnem que a gente cometa erros. Hoje, enquanto trabalhava, percebi que fiz várias bobagens numa mesma ilustração. Será que era porque eu estava ouvindo música e os neurônios estavam distraídos? Rindo de mim mesma, pensei: por que não contar no meu blog essa experiência?
Quando eu comecei a trabalhar como ilustradora, lembro que fiz três vezes a mesma ilustração porque estava sempre borrando no mesmo lugar. Era um pedaço que eu havia determinado que deveria ficar em branco. Hoje, aprendi que isso acontece muito e já tenho algumas técnicas para consertar o que não saiu conforme o esperado. A arte é mesmo messy, ou seja, bagunçada. Por mais que eu tente me manter organizada, e isso é algo que tento sempre fazer, pois já percebi que meu trabalho flui bem melhor, ainda assim, quando estou trabalhando num livro e com prazos muito apertados, faço uma bagunça. Confesso que acabo arrumando mesmo só depois que termino tudo. É tinta fora do lugar, pincéis que mais uso fora do potinho deles, pincel prendendo o cabelo, tesourinha perdida, cola, bandejinhas e pratinhos com tinta, lápis de cor na caixa errada, recortes de tecido e linhas espalhadas, sem falar no meu celular, que fica perdido no meio de tudo isso.
Olha como fica, só não conte pra ninguém. Rsrs.

O fato é que, por mais que a gente cuide, ainda assim pequenos acidentes acontecem. Mas como para errar basta estar vivo, graças dou por isso. Só hoje, na ilustração que eu estava fazendo, cometi vários deles:
. Coloquei a ilustração para o lado e esqueci que tinha uma bandeja com cola. Nem preciso dizer que ficou cola no verso da ilustração. 😀 Ainda bem que limpei rapidinho e coloquei um papel por baixo para não grudar em nada caso o que restou de cola ainda estivesse úmido.
. Quando estava acentuando o brilho e a sombra da personagem (luz vindo da esquerda), percebi que nos outros objetos eu tinha feito a luz vindo da direita… 😲 As luzes e sombras não são algo que seja regra numa ilustração, e muitos ilustradores não se preocupam com isso, mas mesmo assim arrumei.
. Ao levar o pincel para o meu baldinho com água, deixei pingar algumas gotas no desenho… 😶 Limpei os pingos delicadamente com um pincel úmido e absorvi a tinta com um paninho. Uma das vantagens – e desvantagens – do acrílico é que, uma vez seco, não sai mais com água, por isso não estragou o que já estava pronto.
. Para finalizar, ao pintar o rosto da personagem, apoiei a mão em cima da tinta fresca e borrei um pedacinho. 😄 Quanto ao que borrei, consegui limpar porque a tinta ainda estava úmida. Às vezes eu até uso um pedaço de papel para cobrir parte da ilustração para apoiar a mão enquanto estou pintando. Mesmo depois de acabada, como uso lápis para dar acabamento, apoiar a mão pode deixar tudo borrado.
No caso da ilustração que fiz três vezes há alguns anos, hoje percebo que poderia ter feito algo diferente na parte branca. Ter pintado de branco por cima (apesar de não dar o mesmo efeito que eu queria) poderia ter resolvido. Embora seja um recurso que não utilizo muito, atualmente tenho bem mais experiência com programas de computador que podem consertar pequenos detalhes depois da ilustração digitalizada.
Há alguns anos fiz um curso em Sármede, e o professor sugeria sujar o papel para iniciar o desenho. Derramar algumas gotas de tinta era suficiente. Se fosse de tinta vermelha, melhor ainda. Acho que vermelho era a cor preferida dele. Segundo ele, isso tira o medo que o papel em branco dá e desbloqueia a criatividade.
De fato, isso dá mais liberdade e menos medo de errar, afinal o papel já está manchado mesmo. E, com acrílico, dá pra cobrir as partes que fizemos e não gostamos depois que as manchas estiverem secas. Ou usar os borrões iniciais para formar figuras na ilustração. Como geralmente começo fazendo o fundo da ilustração, não costumo utilizar essa técnica, mas pode ser muito útil se ‘der um branco’ na hora de criar uma ilustração.
E você, já fez alguma coisa que não queria na sua ilustração? Ou teve um pequeno acidente como eu? Conseguiu resolver? Conte pra mim nos comentários! 😘
No início foi difícil. Muitas coisas diferentes, a cidade bem pequena. Os horários eram diferentes, as matrículas para a escola aconteciam meses antes e nem sempre tinha vaga, tudo muito burocrático. Até o supermercado fechava na hora do almoço e só abria às 15:30h. Para fechar às 18h.
Mas, mesmo sem falar a língua direito, arrisquei viajar com meu filho de 2 anos para obter informações sobre o curso de Pintura, em Veneza. A viagem de trem levava uma hora e meia e mais 30 minutos de caminhada. Fiz a inscrição para o vestibular, mas também foi muito difícil. Sendo estrangeira, tinha um processo muito burocrático. A documentação tinha que sair do Brasil e passar pelo consulado, toda tradução tinha que ser juramentada, e até foto autenticada tive que fazer. Mas… deu certo e passei no teste.
Foram quatros anos muito corridos. Não foi fácil conciliar casa, filho e estudo, mas consegui terminar a faculdade de Pintura. Para dar conta dos trabalhos, muitas vezes (muitas mesmo) fui dormir às 3h da manhã. Fazer provas orais em outra língua também não foi fácil, mas eu sabia que era uma oportunidade única. Apresentar a tese em italiano para a banca e os alunos foi assustador… tão assustador que, da turma, só 8 se formaram. Outros decidiram deixar para tentar três meses depois, no que chamavam de ‘segunda época’.
Mas o que quero falar hoje é sobre uma das grandes vantagens em ser ilustradora freelancer, que é a possibilidade de trabalhar em qualquer lugar. Mesmo que você esteja a uns 11.000 km de distância. Atualmente, tudo que você precisa é de uma conexão à internet.
Hoje vou falar um pouco sobre as tintas que eu uso normalmente. Minhas ilustrações são feitas com tinta acrílica. Claro que existem muitas no mercado, mas vou falar sobre as que mais uso. Abaixo coloquei uma foto das que costumo utilizar em minhas ilustrações e vou falar um pouco sobre cada uma delas, começando da esquerda para a direita.
A tinta que, na minha opinião, tem melhor custo/benefício é a Polycolor da Maimeri. Tem bastante pigmento e permite texturas que me agradam na ilustração. É feita na Itália e, como estudei lá na Accademia di Belle Arti di Venezia, era uma das mais fáceis de encontrar. De qualquer forma, ainda hoje é a que mais utilizo, mesmo tendo já experimentado várias outras. É muito versátil e pode ser aplicada sobre várias superfícies.
Também gosto muito da marca Cryla, da Daler-Rowney, fabricada na Inglaterra. Também tem uma concentração grande de pigmento. Comprei várias na Suécia, quando lá morei. São de qualidade superior, mais precisamente ‘profissional’, e também utilizo para texturas. É uma boa tinta para trabalhar com espátula.
A tinta acrílica Brera, também da Maimeri e feita na Itália, é maravilhosa. Não tenho tantas cores dela, porque o preço é um pouco acima da Polycolor, mas duram tanto que vale muito a pena investir nelas. A qualidade dela é superior à Polycolor, na minha opinião. A textura é aveludada e dá um grande prazer deslizar o pincel sobre o papel com essa tinta.
O acrílico System 3, também da Daler-Rowney possui pigmentação menor que a Cryla, da mesma marca, mas também utilizo para minhas ilustrações. Não aceita o lápis aquarelável sobre ela tão bem quanto as outras, mas também é de muito boa qualidade, feita na Inglaterra. Eu diria que é uma tinta para estudantes, como recomendavam alguns professores na Itália. Secam rapidamente e permitem fazer camadas bem transparentes, uma sobre as outras.
Esse tinta da Pebeo, das quais tenho várias cores, é feita na França, e sua qualidade é superior. Permite que eu faça texturas e também aceita bem que eu desenhe sobre ela, diferentemente da Pebeo Studio High Viscosity, aquela de tubo plástico facilmente encontrada no Brasil, que também é indicada mais para estudantes (pelo menos lá na Itália) e o preço é bem mais competitivo. Eu usei algumas Studio, mas para técnica que eu uso, a Pebeo Extra Fine (da foto) é a mais indicada. Porém, quando você faz pinturas muito grandes, as tintas Pebeo Studio são muito boas para pintar o fundo de uma tela.
Comprei alguns tubinhos da Tinta Acrílica LeFranc & Bourgeois na Suécia mais por curiosidade. Com preço acessível, me surpreendeu muito. Achei a qualidade muito boa e funciona bem para minha ilustrações. Tem muitas cores, desliza bem sobre o papel e tem boa cobertura. Permite precisão na pintura e seca rápido. É feita na China.
O acrílico Winsor e Newton nem precisa de apresentação. É de ótima qualidade e esse tubinho dura um tempão. Essa eu também comprei na Suécia e é feita na França.
Por último, o acrílico profissional Liquitex Heavy Body, que comprei em Houston, nos Estados Unidos. Tinta maravilhosa também, com excelente cobertura, bastante pigmento e feita na França. A Liquitex também tem outras tintas acrílicas, como a Basics, mas eu prefiro a Heavy Body para minhas ilustrações.
Por que estou falando onde foram feitas? Porque além desssas, já usei muitas tintas feitas na China e no Brasil, mas essas que citei foram as que mais me agradaram. Às vezes compramos pensando só no preço, mas quando a tinta acrílica tem boa cobertura, isso evita que tenha que fazer mais camadas de tinta. Duram mais tempo, aumentam a produtividade e até mesmo a qualidade do seu trabalho. Em alguns casos, se a tinta tem muito pouco pigmento, pode demorar para cobrir até mesmo a linha do lápis do seu desenho. Claro que isso pode ficar visível, dependendo do seu estilo. No meu caso, eu prefiro que não apareça. Também depende se você usa mais texturas ou não na sua arte. Eu gosto de tintas opacas, ‘encorpadas’ e foscas. Com exceção da Pebeo Studio, as que uso são em geral de acabamento fosco ou semibrilho.
Se tiver alguma pergunta sobre as tintas que mencionei, e eu puder ajudar, entre em contato comigo no formulário de contato.
Desde já desejo um feliz e abençoado 2019!
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