Essa ilustração fiz há algum tempo para a New Life Church em Estocolmo, para inserir no Annual Report da Igreja. Fiquei muito feliz em poder colaborar e também com o resultado. Mesmo não sendo infantil, é até hoje uma das minhas ilustrações preferidas. 😁
10 Dicas sobre Criatividade
Confesso que o título desse livro não me agradou.”Roube como um artista”, de Austin Kleon, foi muito celebrado como um excelente livro e, por isso, decidi adquirir o e-book (Steal like an Artist).
O livro já começa com uma frase de Pablo Picasso: Arte é furto. Porém, embora o título dê uma sensação negativa, e até de plágio, o livro até tem algumas ‘sacadas’ inspiradoras. É um livro curto e com vários subtítulos, tem dez capítulos e vou falar brevemente sobre cada um:
1. Roube como um artista: essa ‘dica’ trata da ideia de que nada é realmente original. Austin cita a Bíblia para exemplificar que ‘Não há nada de novo debaixo do sol’ (Eclesiastes 1:9). Segundo o autor, cada nova ideia é uma mistura de várias ideias antigas e ele sugere que saibamos absorver o que é bom e descartar o que achamos ruim.
2. Não espere descobrir quem você é para iniciar: Se você esperar descobrir quem você é, poderá ficar esperando sentado pelo resto da vida. Na opinião de Austin, é preciso fazer e criar, diariamente, porque somente assim alguém poderá se tornar o que deseja.
3. Escreva o livro que deseja ler, crie a arte que deseja ver, componha a música que deseja ouvir… ou seja, faça!
4. Use suas mãos: Fique longe dos dispositivos digitais. Coloque a mão na massa. A sensação de que fez algo fica mais evidente porque é física e não digital.
5. Hobbies e passatempos são importantes: Às vezes o que é um projeto secundário acaba se tornando o projeto principal. Mantenha as suas paixões, mesmo que não sejam o seu trabalho atual. Pode ser que um dia se tornem.
6. Produza qualidade e compartilhe: Tenha um blog, um site, perfis nas mídias sociais e publique lá o seu trabalho.
7. Construa seu próprio mundo: Não se preocupe se você não mora num lugar badalado. Mesmo se a sua cidade é pequena, é possível se conectar ao mundo virtualmente. Por outro lado, o lugar onde você mora também pode ter cantinhos encantadores…
8. Seja gentil – o mundo é pequeno: Faça amigos, ignore os inimigos. O mundo todo está na internet, então seja gentil com todos. Procure sempre contato com pessoas com quem possa aprender.
9. Seja entendiante: eu interpretei essa dica como: seja organizado. Cuide de si mesmo. Não contraia dívidas e não abandone seu trabalho de todo dia enquanto não puder se sustentar com sua arte.
10. Criatividade é subtração: Hoje em dia vivemos bombardeados por informação. Portanto, escolha a informação que é relevante para você e descarte o resto.
Mais uma vez, o que deduzimos é que devemos produzir arte sempre. A nossa própria arte e os estímulos externos é que vão nos ajudar a crescer em nosso trabalho e ficar a cada dia mais próximos do objetivo que desejamos. E você, o que acha? 😉
Artista: do Miserável ao Bem Sucedido
Como já mencionei, sou uma devoradora de livros, principalmente sobre arte e empreendedorismo. Acredito que a arte pode, sim, andar de mãos dadas com os negócios. Embora muitas pessoas acreditem que é fácil fazer arte, que é só ‘fazer uns rabiscos numa tela’, na verdade a arte começa muito antes da escolha do suporte e da técnica. Começa nos ‘inputs’ que vamos recebendo no dia a dia, nas influências dos mais variados tipos, na vontade do artista em deixar sua marca no mundo. E isso tem valor. É a arte que traz aquele ‘algo mais’ à vida rotineira de todo dia. Estamos o tempo todo rodeados de arte. Cinema, música, cores… A arte mexe com nossos sentidos e proporciona qualidade de vida.
Voltando à parte que fala de negócios no mundo da arte, um livro que me chamou a atenção e que gostei muito foi ‘Starving to Successful’, de J. Jason Horejs, proprietário da galeria Xanadu, nos Estados Unidos. Como ele comercializa essencialmente pintura e escultura, é importante lembrar que os conselhos dele se referem a esses tipos de arte.
Esse livro fala sobre os passos que o artista deve tomar para se tornar um artista bem sucedido.
Mas… o que ele quer dizer com ‘bem sucedido’?
Para ele, um artista bem sucedido é o que vende. Obviamente ele fala isso do ponto de vista de um comerciante de arte. Um artista pode ser bem sucedido sem vender? Certamente, pois sucesso varia de pessoa para pessoa. Depende do que se busca. Há artistas que fazem arte apenas pelo prazer de criar. É o que chamam de arte pura. Porém, como o artista geralmente busca reconhecimento, uma das formas de reconhecimento é saber que alguém valoriza tanto de seu trabalho que está disposto a pagar por ele.
Segundo Jason, há alguns requisitos essenciais para que um artista venha a ser aceito por uma galeria. Se esse é o modo pelo qual você escolheu para comercializar sua arte, vale a pena ler o livro na íntegra.
Contudo, vou falar sobre alguns pontos que ele menciona no livro. Como o objetivo do Horejs é vender, todos os clientes são chamados de colecionadores, mesmo aqueles que buscam um quadro como ‘ornamento’ da sala de estar.
Ilustração – Definindo Valores
Muita gente me escreve perguntando sobre os valores que podem cobrar por suas ilustrações. Isso realmente é um assunto delicado. A cada dia tem ficado mais difícil definir um preço. Cada cliente é diferente e nem todos podem pagar o mesmo valor. Como membro da SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil, participo de um fórum e estamos sempre discutindo o quanto cobrar. Portanto, apesar de termos ideias comuns a respeito, os valores variam.
O valor de uma ilustração depende de vários fatores, alguns objetivos e outros subjetivos. Dentre eles, podemos exemplificar:
. Dimensões: Tomando como referência uma página A4, com certeza uma ilustração de uma página inteira custará bem mais que uma vinheta. E é justificável que uma ilustração de página dupla tenha um valor bem maior que uma ilustração de uma só página.
. Estilo: a ilustração é científica, publicitária, caricatura, cartoon ou oriental? Ilustrar partes do corpo humano para um livro científico pode ser bem mais trabalhoso do que uma tirinha de 3 quadrinhos.
. Acabamento: traço, preto e branco ou colorida? Digital ou artística?
. Complexidade: muitos personagens, muitos detalhes?
. Tiragem ou circulação: será para o jornalzinho do bairro ou para uma revista de grande circulação? Seu cliente usará em quantos produtos?
. Responsabilidade: a ilustração pode vir a ofender alguém ou é sobre algum tema polêmico?
. Arte-final: você vai permitir muitas alterações ou o cliente aceitará a primeira ilustração que você fizer sem objeções?
. Experiência (e até a fama) do ilustrador;
. Se há concorrentes ou o ilustrador é um dos poucos que faz o tipo de ilustração que o cliente deseja;
. Urgência do trabalho;
. Será veiculado em território nacional ou internacional?
Além disso, você deve sentir se o cliente está querendo mesmo trabalhar com você ou se contactou vários ilustradores ao mesmo tempo, a fim de conseguir o menor preço. Outra sugestão seria perguntar qual é o orçamento que ele tem para o projeto, pois às vezes é até maior que o valor que você pensava em orçar. 😄
Alguns ilustradores iniciantes me perguntam se deveriam começar com um valor mais baixo para conseguir mais clientes. O problema é que isso pode render a eles a fama de que cobram ‘baratinho’ e o cliente não valorizar o trabalho deles. Também é bom lembrar o velho ditado: ‘comece como quer continuar’. Além disso, baixar muito o preço para concorrer com outros ilustradores pode vir a desvalorizar cada vez mais a nossa profissão. Mais uma dica: se você acha que está cobrando pouco por seu trabalho e se sente até mesmo explorado, é porque definiu o seu valor muito baixo mesmo.
De qualquer forma, o importante é nunca trabalhar sem fazer um contrato. O contrato é a sua garantia. Se precisar de alguma informação a mais sobre contratos e valores, entre em contato. 😉
Em breve mais um livro – Sibila, de Marilza Conceição
Hábitos do Artista Produtivo – 4० Hábito
Tenha sempre uma data para terminar suas obras (deadlines)
Dizem que realizar uma obra de qualidade leva tempo. E leva mesmo. Acredita-se que Leonardo da Vinci era viciado em seu trabalho e dormia muito pouco. Mesmo assim, levou 4 anos para terminar a sua obra prima, “La Gioconda”, mais conhecida como Mona Lisa. Como ninguém é perfeito, assim como ele, às vezes deixamos um projeto (pessoal, JAMAIS um trabalho comissionado) no cantinho do atelier para terminar depois. É o que podemos chamar de ‘procrastinar entre projetos’ (bem melhor que ‘obra inacabada’, he, he).
Hábitos do Artista Produtivo – 3० Hábito
Existe uma crença de que o artista sempre precisa esperar a inspiração aparecer para começar a trabalhar. Certamente é muito melhor poder trabalhar em algo que nos inspira, e que nos agrada. Não seria ótimo ficar no ‘ócio criativo’ até aparecer uma ideia?
Porém, a realidade pode ser totalmente diferente. Há uma frase, atribuída ao pintor Chuck Close, que me ‘inspira’:
É essencial nós mesmos decidirmos o nosso ponto de equilíbrio, porque não vale a pena fazer algo que fere os nossos valores ou anseios artísticos. Mesmo recebendo por um trabalho, é quase certo que nos sentiremos infelizes e deprimidos se o que estamos desenhando vai contra o que acreditamos.
a. observar como os ‘grandes mestres’ produziram suas obras: estudar história da arte, seja visitando museus ou nos livros, é uma grande fonte de inspiração. Também saberemos o que levou cada artista a buscar seu próprio percurso, e as técnicas que utilizavam;
b. estudar o trabalho de artistas que você admira: admiro as cores de Tarsila, o minimalismo de Dacosta, os vários pontos de vista do cubismo… e vejo que isso se reflete na minha arte;
c. visitar mostras e museus: nem sempre é possível ir a museus fora do país, mas hoje com a internet, às vezes é possível fazer uma visita virtual nos museus internacionais;
d. ler livros de arte (e até mesmo outros temas afins): sugiro alguns como Art Inc, Starving to Successful, I’d rather be in the studio, The Creative Entrepreuner, etc;
e. aprender novas técnicas: mesmo que a técnica seja uma coisa que você já domina, aprender com outra pessoa pode levar você a mudar seu ponto de vista;
f. fazer cursos: mesmo em áreas diferentes, um curso pode levar você a se inspirar e até misturar técnicas;
g; apenas observar o seu entorno: a criação é uma obra de arte divina. Há milhares de tipos de cada espécie e sempre tem algo que nos agrada. O pôr do sol, as pessoas, a natureza, as cores…. Enfim, isso enriquece a nossa própria cultura visual.
Hábitos do Artista Produtivo – 2० Hábito
2० Hábito – Busque aperfeiçoamento, não a perfeição
Em seguida: 3o Hábito do Artista Produtivo
Hábitos do Artista Produtivo – 1० Hábito
Tenho por hábito 😀 ler tudo quanto é livro e artigo sobre arte, desenvolvimento artístico pessoal, ilustração, empreendedorismo… Sou uma ávida leitora e sempre que encontro algo que eu ache que vai enriquecer o meu trabalho, já me interesso. Confesso que ler é um grande prazer que tenho e, portanto, estou sempre em busca de novos livros ou textos que falem sobre a área de artes e ilustração.
Sendo assim, já li e ouvi muito sobre os hábitos que uma pessoa “deveria” ter para ser um artista eficaz. Nem tudo que se fala funciona para todo mundo e, como já faz alguuuuns anos que trabalho como ilustradora, algumas vezes eu concordo, outras eu discordo…
Frequentemente recebo mensagens de pessoas que estão iniciando nessa área, e por isso resolvi comentar alguns desses hábitos aqui no meu blog. Meu objetivo é poder ajudar quem está começando, e certamente também aprender com essa troca de ideias, caso desejem comentar abaixo. 😉
A intenção não é fazer uma lista do que se deve fazer, mas sugerir algumas práticas que podem auxiliar o aspirante a ilustrador. Fique à vontade para sugerir temas para conversarmos.
1० Hábito: Desenhar diariamente
Sim, é verdade que a vida anda corrida, que temos muito o que fazer, que as mídias sociais tem tomado muito do nosso tempo. Vivemos sendo bombardeados por informações novas o tempo todo. Temos muitos compromissos e as demandas da vida moderna nos sobrecarregam.
Entretanto, é nesse mundo agitado que vivemos e, felizmente para alguns, infelizmente para outros, temos que nos habituar a isso. Todos temos famílias, familiares idosos ou enfermos, trabalho extra, sem falar no trabalho doméstico, que somente uns poucos privilegiados não precisam fazer. Certamente isso dificulta, mas uma alternativa é considerar o desenho como um compromisso. Mesmo que você tenha um trabalho durante o dia, é possível separar algum momento para você desenhar ou pintar. Nem que seja por alguns minutos, é interessante fazer ao menos um esboço. Isso, é claro, se o seu objetivo for trabalhar com ilustração ou arte.
Você pode estar se perguntando: mas de que adianta fazer só um esboço?
O objetivo aqui não é somente praticar, mas adquirir o hábito. Se você marcar num calendário um X a cada dia em que desenhar ou pintar, verá que você mesmo tende a não deixar um dia sem o X. Dá uma sensação de realização! Imagine você olhar para o calendário do ano anterior e constatar que em todos os dias você fez algum trabalho em direção ao seu sonho? Além disso, estará construindo o seu portfolio!
Tudo que desejamos sempre requer um esforço. Um conhecido meu dizia – brincando – há alguns anos: “eu só quero vender minha arte na praia”. E eu sempre respondia a ele, no mesmo tom de brincadeira: “para vender sua arte, tem que fazer a arte. Já começou a produzir sua arte?”
Há uma frase que gosto muito e que resume tudo isso que estou escrevendo:
Uma outra vantagem em desenhar diariamente é que “a prática leva à perfeição”. Quanto mais você faz alguma coisa, a cada vez você aprende ou aprimora alguma coisa em seu desenho. E assim, a cada dia você observa o seu progresso.
Você pode começar marcando um horário específico para desenhar, ou então levar um bloco e lápis junto a você para que, naquele momento em que você aguarda alguma coisa (médico, ônibus, etc), você possa rabiscar. Quem sabe esse não é o primeiro passo para um novo hábito? 😉
Em seguida: 2o Hábito do Artista Produtivo











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