De uns tempos para cá, muitas mudanças aconteceram no que se refere à publicação de livros. Já faz alguns anos em que é possível publicar um livro sem a intermediação de uma editora. E essa é uma tendência que veio para ficar, e até alguns autores renomados têm dispensado a editora.


Uma das modalidades de auto-publicação são as editoras sob demanda. Como já conversamos, são as editoras que cobram do autor para publicar. Existem várias no mercado, cada uma com ‘pacotes’ diferentes de publicação. De fato, existem até editoras internacionais que fazem concursos para escolher quais os melhores livros auto-publicados. Talvez essa ainda não seja a realidade no Brasil, mas pode ser uma questão de tempo.


Entre os ‘pacotes’ de auto-publicação, há editoras que prometem fazer tudo, desde a contratação do ilustrador, ISBN, ficha catalográfica, editoração, revisão, fechamento do arquivo, impressão, etc, e há aquelas que deixam a contratação do ilustrador por conta do escritor. Há aquelas que só montam o arquivo final e enviam para a gráfica, entregando para o autor o número de livros solicitado. E há outras que também vendem o seu livro no site deles. Há tantas possibilidades de editoras sob demanda atualmente, que dependendo do orçamento, o autor pode determinar o que lhe é mais conveniente. Apesar de existirem muitas editoras sob demanda competentes, sempre é bom procurar informações sobre a reputação e confiabilidade das editoras, para que o ‘barato não saia caro’. Com a facilidade que a internet proporciona, atualmente fica bem mais fácil descobrir que editoras sob demanda são mais confiáveis. Há muitas editoras que fazem um trabalho profissional. Inclusive, creio que a tendência, vendo o que tem acontecido nos Estados Unidos, é que as grandes editoras tradicionais passem também a oferecer esse tipo de serviço no futuro. Vale ressaltar que até o momento estou falando de livros impressos, não de e-books.


Uma outra possibilidade de publicação é o sistema de Crowdfunding. Tem sido muito usado por escritores, nesses tempos de ‘crise editorial’. O autor começa um projeto, divulga nas redes sociais, conversa com amigos, eles dão 30, 40 ou até 200 reais e patrocinam o projeto. Tudo antecipadamente. Para cada um o autor dá uma ‘recompensa’. Por exemplo: quem der 30 reais, receberá um livro depois que for publicado. Quem der 35, receberá um livro autografado. Quem der 50, receberá o livro com capa dura e seu nome será citado nos agradecimentos no próprio livro. E assim por diante.

Quanto maior o valor doado, maior a recompensa. Esse sistema é bom para quem tem muitos seguidores, parentes, amigos, alunos, enfim, conhecidos que gostariam de ajudar com pouco, pois no fim o autor arrecada o que for preciso para a publicação do livro e todos os patrocinadores recebem algo em troca. Para fazer esse sistema, porém o autor teria que gerenciar todo o projeto: contratar o ilustrador, o diagramador, a gráfica, isbn, e o que mais for necessário. O autor lança o seu projeto no site de crowdfunding, e geralmente tem 60 dias para arrecadar fundos. Alguns sites que fazem esse tipo de serviço são o Catarse, Kickstarter, Vaquinha, entre outros.

Existe ainda a possibilidade do autor montar seu livro sozinho e enviar diretamente para a gráfica, depois vender dentro do seu círculo (parentes, escola, associações, igreja, etc), recebendo o valor de venda diretamente de seus clientes. A grande desvantagem é ficar com uma quantidade grande de livros estocados, caso se esgotem suas possibilidades de venda. Há autores que tem feito isso e, para exemplificar, vou citar um caso em que a autora decidiu ela mesma gerenciar todo o processo e em menos de dois meses seu livro foi lançado. Ela tinha uma grande rede de relacionamentos, e isso lhe possibilitou fazer o lançamento e vender seus exemplares.  Além disso, ela tem feito oficinas de contação de histórias em escolas de sua região e continua vendendo seus livros. Atualmente, está na 2a edição do livro.

Certamente ela investiu seu tempo e dinheiro, mas a realização de ter seu livro publicado foi maior. E com a venda dos livros, pôde recuperar todo o investimento e ainda ter lucro. Algumas pessoas preferem não aguardar e realizar uma publicação autoral. Outras preferem aguardar e ter seu livro publicado sob o selo de uma editora.

Às vezes pode ficar difícil vender, caso não se conheça muita gente. Porém, nesse caso, o autor pode fazer a quantidade que quiser. 500 na primeira impressão, e depois, pode mandar imprimir mais 300, etc… Uma colega escritora financiou seu próprio livro e ele acabou sendo selecionado como finalista para o prêmio Jabuti, que é o mais importante para literatura infantil. Era o primeiro livro dela e já foi um sucesso. Ela mesma entrou em contato com livrarias para venderem seu livro. A auto publicação é um desafio grande, e é preciso muito esforço ‘editorial’ para fazer seu livro acontecer. Valem os ditados: ‘quem não é visto não é lembrado’, e ‘a propaganda é a alma do negócio’.

Há também os concursos, como o Prêmio Barco a Vapor, o João de Barro, patrocínios/mecenatos de Fundações Culturais municipais, etc.  Estes também são concorridos, e até nomes consagrados também costumam participar, afinal a grande maioria dos autores tem outro emprego para sobreviver. Ser escritor no Brasil é um desafio. Há poucos escritores infantis que vivem dos rendimentos de seus livros. Para facilitar, há editoras que trabalham também nesse segmento de concursos. Vale a pena pesquisar e recorrer a essa possibilidade.

E é claro, há a possibilidade da auto-publicação através do e-book, ou seja, o livro digital. Há alguns anos tenho adquirido e-books, até mesmo infantis. Dependendo do tipo de livro, facilitam muito a nossa vida, pois não ocupam espaço em nossas prateleiras, estão à disposição imediata, desde que haja uma conexão internet, e são fáceis de carregar com você. É possível levar uma quantidade enorme de livros em um tablet, para onde quer que você vá. Já imaginou você viajar e levar com você uma biblioteca de mais de mil livros? E você pode até mesmo deletar aqueles que, na sua opinião, não merecem ocupar a memória do seu dispositivo.

É possível publicar um e-book através de sites como a Saraiva e a Amazon, por exemplo. Os valores de direitos autorais são maiores que os de livros físicos, pois dispensam várias etapas, como a impressão, diagramação, entre outras, além de deixarem a cargo do autor a formatação, publicidade, ISBN, ilustrações, etc. Isso pode ser uma vantagem, como também uma desvantagem. Nesse caso, grande parte do trabalho da editora será feito pelo autor. Algumas desvantagens desse tipo de publicação são: esses livros não podem ser doados, nem emprestados, e às vezes, devido à falta de conhecimento técnico do autor, podem vir a ter uma diagramação pobre; ausência de ilustrações ou ilustrações feitas de qualquer maneira, somente para preencher o livro; erros ortográficos e gramaticais; etc . É uma empreitada que pode tomar muito tempo, e a qualidade da publicação pode prejudicar um livro com ótimo conteúdo, por exemplo. A publicidade fica a cargo do autor também.

Por outro lado, custam muito menos, e vieram para ficar. A meu ver, ainda não substituem alguns tipos de livros, como livros de arte, por exemplo.  Se o e-book vai substituir totalmente o livro físico, não podemos ainda prever. Mas ter um livro de papel nas mãos tem um gostinho especial, principalmente nas mãos infantis. Sem falar no cheirinho de livro novo. 😉


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Publicação de Livros – Parte III

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Como comentei no post anterior, costumo receber mensagens de algumas pessoas me perguntando sobre a publicação de livros infantis. Sempre respondo a todos que me escrevem e, como várias pessoas tem dúvidas sobre como publicar seu primeiro livro, decidi escrever sobre as possibilidades de publicação existentes. 

O objetivo desse post sobre publicação é analisar e discutir sobre as modalidades de publicação de um livro atualmente. Como o assunto é vasto, não tenho a intenção nem a pretensão de esgotar esse assunto, mas de abrir espaço para conversarmos sobre as mudanças no mercado literário, seja do livro físico como também do e-book.

Apesar das dificuldades que autores (sejam iniciantes, sejam experientes) têm tido em conseguir publicar um livro, um fenômeno interessante é que isso não tem impedido que os mesmos escrevam e publiquem. O sonho de publicar aquele livro que está na gaveta (ou às vezes ainda ‘dentro’ do autor) tem ficado cada vez mais perto de ser realizado. Várias pessoas estão investindo na auto-publicação.  Nos últimos anos, muitos autores tem recorrido a essa estratégia, também se preocupando com a distribuição e divulgação. O autor se tornou um agente de si mesmo, mudando definitivamente, na minha opinião, o mercado editorial.

Entre as modalidades de auto-publicação, há as editoras sob demanda. Em inglês, o termo é POD, Print On Demand. Esse termo significa que a editora faz a tiragem de acordo com a sua solicitação. Geralmente, essas editoras são prestadores de serviços, que fazem a editoração, enviam o seu livro para a gráfica – às vezes a editora possui sua própria gráfica – e lhe entregam o ‘produto’ pronto. Esse tipo de editora é muito utilizado para projetos especiais, cuja tiragem é muito baixa. Exemplos disso são livros de histórias da família, poesias, receitas, edições especiais para empresas, escolas, e até livros escritos por crianças. A publicação se tornou algo relativamente fácil. Digo ‘relativamente’ porque é tudo uma questão de dinheiro, ou seja, de quanto você pode investir na publicação. Há pacotes de publicação de vários tipos. Como é um assunto extenso, vou comentar no próximo post.

Tenho ouvido relatos de escritores – colegas meus – que muitas editoras tradicionais sequer aceitam receber originais, outras até aceitam mas demoram meses e até anos para dar uma resposta, seja afirmativa ou negativa; outras ainda assinam o contrato mas a editora não publica, e o seu texto fica preso àquela editora. Uma vez que, por lei, as editoras tradicionais só precisam pagar os direitos autorais sobre o que receberem, o seu texto pode ficar arquivado ou até ‘esquecido’ numa gaveta. Para evitar isso, o ideal é assinar um contrato no qual haja uma cláusula que determine uma data máxima para publicação. Contrariamente, alguns livros podem permanecer ‘impublicáveis’ por muito tempo. Caso a editora não publique o seu livro dentro desse período, pelo menos você tem a chance de oferecer o mesmo para outra editora depois de findo o período estipulado no contrato. Em alguns casos, autores conhecidos tem solicitado até mesmo o distrato, a fim de publicar por outra editora ou então auto-publicar.

Há alguns anos algumas algumas editoras tradicionais internacionais passaram também a oferecer o serviço de publicação sob demanda. Se isso ainda não é uma prática comum no Brasil, é só uma questão de tempo. Mas sei que existem muitas editoras que já passaram a dividir os custos da publicação com os autores. Os acordos variam de editora para editora. E de autor para autor. Porém, ainda depende do interesse da editora tradicional no seu texto.

Por esse motivo, a atuação das editoras sob demanda tem crescido muito. O interesse da editora sob demanda é lhe oferecer um serviço. Eles não costumam ler o texto. E geralmente não tem linha editorial. Algumas oferecem o serviço de revisão. Mesmo assim, é bom checar antes de imprimir se a revisão está do agrado do autor. É necessário estar presente e acompanhar todo o processo. Um pequeno erro pode tirar a alegria da publicação.

Pessoalmente, eu já fiz alguns trabalhos de ilustração para autores que utilizaram os serviços de uma editora sob demanda, e também acompanhei vários casos de autores que optaram por esse tipo de publicação. Como há poucas editoras tradicionais que publicam poesia, por exemplo, a editora sob demanda passou a ser praticamente a opção ideal para os poetas.

No caso de livros infantis, a maioria das editoras sob demanda não oferece o trabalho de ilustração. Por isso, nas vezes em que trabalhei como editores sob demanda, quem me contratou foi o autor do texto.

Essas editoras recomendam que o próprio escritor providencie o ilustrador e o pagamento é feito separadamente. Apesar do autor ter que investir também nas ilustrações, a grande vantagem é que não terá surpresas, pois pode escolher quem vai ilustrar o seu livro e, consequentemente, o estilo e a qualidade. Através do portfolio do ilustrador, o escritor saberá antecipadamente o estilo das ilustrações que irão acompanhar o seu texto.

Existem editoras sob demanda muito competentes e de qualidade. Porém, infelizmente já ouvi relatos de escritores se queixando de editoras que não entregaram o livro conforme eles esperavam. Como em todas as áreas, existem empresas que prometem e não cumprem, ou entregam um produto de má qualidade. Essa é uma grande desvantagem dessa opção de publicação (além do fato do autor bancar o investimento).

Embora existam editoras muito boas, ainda existem outras editoras sob demanda que fazem um trabalho de qualidade duvidosa. Portanto, se a sua opção de publicação for a editora sob demanda, pesquise bastante com os autores que já publicaram por lá se a editora cumpriu e realizou tudo conforme o combinado. Pesquise, pesquise, pesquise. O seu sonho de publicar pode virar um pesadelo ao investir num livro cujo resultado não lhe agradou. Já imaginou ficar com 500 exemplares impressos com algum erro ortográfico?

Faça um orçamento com mais de uma editora e verifique outros livros já publicados para confirmar que o resultado final será o que você espera. Peça tudo por escrito: valores, prazos, quais serviços estão incluídos no preço – revisão, editoração, dimensões, número de páginas, tipo de papel, capa (lombada, verniz, etc), gráfica, distribuição local, regional, nacional ou online, ou até mesmo se haverá distribuição ou não – e garantia de que vão lhe entregar um produto perfeito. Ou seja, caso o livro tenha problemas (má impressão, páginas mal cortadas, texto não bem posicionado, falta de páginas, etc), eles garantem que vão substituir todos os exemplares com defeito.

Outra desvantagem é que o seu livro pode vir a ser publicado em meio a livros cujos textos não tenham a mesma qualidade do seu. Não há seleção, não há critério. A mesma editora também publicará poesias, receitas, livros infantis, livros com textos controversos, às vezes inadequados, ou até com temas com os quais você não concorda… Isso pode não ser um grande problema, mas pode incomodar ao autor ver o seu livro infantil no mesmo site que um livro cujo tema seja inadequado para crianças. 

Na minha opinião, embora as editoras tradicionais ainda sejam a melhor opção para a publicação de um livro, há editoras sob demanda que cumprem bem o seu papel. Por isso, caso não seja possível publicar da forma tradicional, ou o escritor tenha pressa em realizar o seu sonho, as editoras sob demanda estão aí para atender essa necessidade.

No próximo post vamos discutir um pouco sobre os ‘pacotes’ de impressão desse tipo de editora. Caso queira comentar, contar sua experiência ou acrescentar algo, por favor, deixe um comentário.

Publicação

Publicação de Livros – Parte II

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Com o sonho de publicar seu livro infantil, algumas pessoas têm entrado em contato comigo para ilustrar suas histórias. Confesso que me sinto lisonjeada quando isso acontece. Fico feliz mesmo! É muito recompensador colaborar para a realização de um sonho. 

Porém, percebi que muitas ainda desconhecem as possibilidades que existem para a publicação do seu manuscrito. Por isso resolvi falar um pouquinho sobre o que sei a respeito da publicação de livros atualmente.

De alguns anos para cá, houve uma enoooorme mudança no mercado dos livros. Eu confesso que estou ainda tentando compreender todas essas mudanças, porém cada vez mais me convenço que é praticamente impossível acompanhar tudo que acontece. Todo dia tem alguma novidade, seja na tecnologia, na moda, na culinária, e é claro que essas mudanças refletem no mercado ‘literário’. Há alguns anos a venda de livros para o governo era o principal objetivo principal de algumas editoras, pois o governo comprava livros para milhares de escolas públicas no Brasil todo. Porém, as editoras focaram demais nesse segmento, ao invés de tentar formar leitores. E quando o antigo governo diminuiu o investimento nesse setor, muitas editoras começaram a ter dificuldades financeiras e outras até fecharam. Um cenário muito triste. Porém, algo que aprendemos é que não devemos focar num só cliente, por melhor que ele possa parecer. É o antigo ditado: não colocar todos os ovos numa cesta só.

Além disso, a mudança de leis, o advento de novas tecnologias, venda de livros online, download de livros e até o empréstimo online de livros, entre outras razões, nos fazem crer que o mercado do livro tem passado por um momento incerto, ‘um momento de transição’, poderíamos assim dizer. E já faz algum tempo que isso acontece. Por outro lado, algumas tecnologias possibilitaram a compra de livros por um preço muito mais acessível. Ler um livro estrangeiro até então era quase impossível, a não ser que pagássemos valores altíssimos, tanto pelo livro quanto pelo transporte, e esperássemos semanas para recebê-lo. Já faz uns vinte anos que encomendo livros do exterior e vejo que a tecnologia facilitou bastante a aquisição dos mesmos. Hoje com um clique é possível começar a ler um livro digital em questão de minutos. Obras que já estavam esgotadas estão à disposição de quem tem uma conexão de internet. Como tudo, isso traz vantagens e desvantagens. E uma desvantagem é que essa mesma tecnologia ainda não atingiu a qualidade do livro chamado ‘físico’. E esclareço que estou falando de e-books, não de apps. Sou consumidora de ebooks há anos e percebo que ainda não dispomos de livros com a qualidade que o livro físico tem. Se for um livro só de texto, o ebook funciona perfeitamente. Mas basta colocar imagens que o produto geralmente decepciona. Por isso, continuo adquirindo livros físicos que, além de serem lindos, são mais gostosos de pegar, cheirar e sentir na ponta dos dedos.

Atualmente, qualquer um pode publicar. A auto-publicação do livro físico virou um mercado que se estabeleceu de modo definitivo. Não são poucas as pessoas que tem até optado por não querer mais publicar através de uma editora tradicional. Vou citar alguns exemplos mais tarde, mas primeiro gostaria de falar um pouco sobre os diferentes tipos de editora que eu conheço. Não tenho a intenção de esgotar esse tema, até porque não é o meu objetivo nem sou profunda conhecedora desse mercado, mas devido ao fato de eu receber várias mensagens me perguntando sobre isso, resolvi escrever sobre o que eu sei. De qualquer forma, espero que seja útil para o leitor que começou a se interessar pela publicação de livros, em especial os infantis. Caso eu tenha esquecido de algo ou você deseje manifestar a sua opinião, ou até contar uma experiência, deixe um comentário.

Retomando o assunto, existem atualmente algumas modalidades de publicação, entre elas a publicação através da editora comercial e a da editora sob demanda. Além delas, existem ainda outros meios de se publicar atualmente, mas vou focar nesses dois modelo e, sobretudo, do mercado em que trabalho: livros infantis.

A editora do tipo comercial é aquela que recebe o seu texto para análise, o qual eles chamam de ‘originais’. Às vezes o editor mesmo o lê, e às vezes a editora envia para um grupo de pessoas que dão um veredicto, que consiste em votar a favor ou não da publicação. Caso a editora decida publicar, entram em contato com você (meses depois, pois esse processo costuma demorar), fazem um contrato de cessão de direitos patrimoniais (geralmente o contrato reza que você possui os direitos morais de autor e eles os direitos patrimoniais: ou seja, você é reconhecido como autor e eles são os ‘donos’ do seu texto, pagando-lhe royalties, cuja cessão pode ser total, parcial, por tempo determinado, por tempo indeterminado…). A editora costuma pagar ao autor 10% sobre o preço de capa do livro. Geralmente essa é a regra. Mas como a lei de direitos autorais possui algumas brechas, já vi tratativas com autores um pouco diferentes, como por exemplo: 10% sobre o preço de capa, com pagamento à medida que os livros forem vendidos OU 7% sobre o preço de capa, mas pagamento adiantado de toda a tiragem. Dependendo da expectativa de venda, o autor decide se é melhor ter 7% de tudo agora ou aguarda para ver se (e quantos exemplares) o livro vende, mas recebe 10% sobre o preço que o livro é vendido. Mas cada editora apresenta uma opção diferente, então essa não é a regra para todas. Também já soube de editoras que estão dividindo as despesas com o autor. E o autor, na expectativa de ter logo seu livro publicado, acaba aceitando e esperando receber o retorno desse investimento depois que o livro for publicado e vendido. As editoras possuem várias modalidades de contrato, tanto para o autor quanto para o ilustrador. Há modalidades de cessão total, parcial, por tempo limitado, por tempo ilimitado, cessão de direitos de uso de imagem (para ilustrações), etc…  Tudo depende do que você já conhece a respeito, do interesse deles no seu livro, da tiragem, da sua fama, etc.

Depois das negociações e de assinado o contrato por ambas as partes, a editora costuma procurar um ilustrador – se for um livro ilustrado -, envia o texto para o mesmo, e este apresenta o seu orçamento, conforme dimensões, número de páginas e técnica. Daí advém o contrato, a apresentação e aprovação dos rafes, o desenvolvimento do livro em conjunto com as ilustrações… Há diferenças de procedimentos de editora para editora, e de ilustrador para ilustrador.

Esse tipo de editora, chamada comercial, a meu ver, é ainda a melhor opção para publicar, pois eles se preocupam com o contrato, com a contratação do ilustrador, diagramador, revisor, com o ISBN, a ficha catalográfica, com o lançamento, a publicidade e com a distribuição que, na minha opinião, é a parte mais difícil de todo o processo de publicação do livro.  Geralmente o autor não tem a facilidade de enviar o seu livro para outras cidades, quanto mais para milhares de livrarias em todo o território nacional. Distribuição e venda: essas são a grande vantagem das editoras comerciais. 

Entre as desvantagens, a demora de todo esse processo pode desanimar o mais otimista dos autores. Há livros que demoram anos para serem publicados. Do envio dos originais, mesmo que a editora tenha pressa em publicar, o livro pode vir a ser publicado um ano depois. Há no momento editoras recebendo e aprovando originais que poderão vir a ser publicados daqui a um, dois ou até mais anos. Também pode acontecer de a editora assinar o contrato com o autor e não publicar nunca. Infelizmente já vi acontecer com autores conhecidos.

Uma outra grande desvantagem é que essas editoras geralmente não estão mais recebendo originais para análise, pois trabalham com autores já premiados, consagrados, ou até escritores que já conhecem de longa data. Algumas editoras tem contratos com um certo número de autores já conhecidos do grande público que, por esse mesmo contrato, devem lançar um número mínimo de livros todo ano. Essa pressão, às vezes, leva o autor a publicar qualquer coisa e vemos autores consagrados escrevendo textos que não possuem a mesma qualidade de antigamente. Outras editoras preferem apostar em grandes nomes, pois continuam vendendo, e esses autores tem que escrever, não importa se estão inspirados ou não. Isso até vale um comentário: um escritor não pode aguardar chegar a inspiração. Tem que produzir. E às vezes as editoras publicam livros de personalidades que nem escrevem, mas que tem garantia de venda. Nesse caso, ghostwriters podem ser contratados, para auxiliar quem não tem o dom da escrita mas tem popularidade.

Alguns autores procuram pequenas editoras, mas mesmo estas já têm bastante originais para avaliar. Autores que apresentam algo ‘pejorativo’ no texto, palavras consideradas inadequadas, ou até algo que poderia ser modificado, acabam por ser descartados, uma vez que a pessoa que lê os originais tem que cumprir a sua meta e certamente não conseguirá ler tudo que chega. Para você ter uma ideia, há editoras que não publicam livros com certas palavras, e também para não ter que lidar com polêmicas. Os seu originais podem ser descartados mesmo sendo uma obra prima. Às vezes acontece da editora nem ler originais que, por exemplo, sejam em rimas (embora crianças amem esse tipo de livro). Depende do que eles tem interesse me publicar no momento. Ou melhor: depende do que eles acham que os leitores (clientes) vão querer no momento.

Agora imagine você chegar na sua mesa e ter que ler… vamos supor… uns 30 livros por dia. Se pararmos para pensar que, na melhor das hipóteses, um editor recebe pelo menos uns 10 originais para ler todos os dias, no fim do mês ele terá uns 200 para ler. É humanamente possível para alguém ler tanto durante um mês? E ainda avaliar? Isso além das outras atribuições que ele certamente tem. E se o texto estiver ‘truncado’, mal escrito, com erros ortográficos e gramaticais? Por isso sugiro que, se você for enviar o seu texto para ser avaliado por uma editora, apresente-o nas melhores condições, com fonte adequada, faça muitas revisões, escreva-o de um modo que o editor passe das primeiras páginas (o chamado ‘page turner book’), de modo que ele fique curioso para saber o final. Não envie o seu original pensando: depois eu faço uma revisão.

O livro premiado Felpo Filva, de Eva Furnari, teve mais de 80 versões antes de ser publicado. Algumas editores estabelecem em seu site como o texto deve ser enviado. Algumas só recebem por carta, outras só online. Verifique também se o tipo de livro que você escreveu se encaixa no perfil da editora. Provavelmente uma editora que publica livros de direito não irá se interessar por livros infantis.

Uma editora é uma empresa. Uma empresa sempre tem uma missão, uma visão. Mas temos que ter em mente que o objetivo de uma editora não é só levar cultura, literatura e informação às pessoas. Como empresa, uma editora também tem como objetivo gerar lucro, e é natural que seja assim, afinal todos que lá trabalham tem direito a receber o seu salário. Mesmo os autores que buscam realização pessoal, buscam contribuir com a cultura da humanidade, buscam ensinar algo para as crianças, compartilhar seus pensamentos, etc, também precisam receber pelo seu trabalho criativo. Todo mundo precisa de seus rendimentos para viver: o padeiro, o bancário, o cantor, o ilustrador, a gráfica… Portanto, para ser incluído dentro do catálogo, não basta o texto ser bom ou ter qualidade, também tem que ser ‘comercial’. 

Concluindo, a publicação de um livro depende também de variáveis que estão fora do alcance do autor iniciante. Ainda que você não seja um autor conhecido, mas se você acredita no seu livro, não desista. Já ouvir relatos de autores muito famosos que tiveram seus livros rejeitados por dezenas de editoras até que uma resolveu apostar neles. Continue tentando: uma hora você vai conseguir publicá-lo! 

No próximo post vou falar um pouco sobre o que sei a respeito das editoras sob demanda. 

Publicação

Publicação de Livros – Parte I

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No sábado passado, dia 23 de março, aconteceu o lançamento do último livro que ilustrei: Curitiba de A a Z, de Alexandre Barros Neves, pela Editora Insight. Foi uma manhã maravilhosa, com muitas crianças, contação de histórias e muita gente nos prestigiando na Biblioteca Pública do Paraná.

Como estes últimos dias foram muito intensos, não tive como fazer minha habitual postagem de sexta. Sorry! Mas ainda essa semana vou contar mais sobre isso. Demos entrevista na Rádio Cultura, Educativa e CBN. Foi uma experiência emocionante. Na próxima sexta, dia 29, daremos uma entrevista à TV Transamérica, às 15:30h. Confesso que fico muito nervosa nessas ocasiões. 🙂

Nosso livro teve repercussão muito grande em Curitiba, e ficamos imensamente felizes. Já está à venda na loja oficial da cidade, “Curitiba Sua Linda” e também fiz alguns cartões postais para quem desejar, por exemplo, fazer quadrinhos com as ilustrações. Vários professores e escolas tem nos procurado porque desejam utilizar os textos em sala de aula.


É o meu 17o. livro infantil. Sou imensamente grata a Deus por essa oportunidade. 🙂

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Oficina de Ilustração

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Essa imagem foi de quando eu estava começando a ilustrar o livro Curitiba de A a Z, de Alexandre Barros Neves, publicado pela Editora Insight. O lançamento será no dia 23 de março, na Biblioteca Pública do Paraná, das 10h às 12h.

Foi um trabalho muito gratificante, pois foi muito gostoso aprender mais sobre a história da cidade e ilustrar pontos turísticos. Além disso, o autor fala sobre aspectos culturais dos próprios curitibanos e ‘brinca’ com alguns deles, como é o caso da estátua do Homem Nu e do Frio Curitibano.

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Curitiba de A a Z

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