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Publicação de livros – Parte II

Como comentei no post anterior, costumo receber mensagens de algumas pessoas me perguntando sobre a publicação de livros infantis. Sempre respondo a todos que me escrevem e, como várias pessoas tem dúvidas sobre como publicar seu primeiro livro, decidi escrever sobre as possibilidades de publicação existentes. 

O objetivo desse post sobre publicação é analisar e discutir sobre as modalidades de publicação de um livro atualmente. Como o assunto é vasto, não tenho a intenção nem a pretensão de esgotar esse assunto, mas de abrir espaço para conversarmos sobre as mudanças no mercado literário, seja do livro físico como também do e-book. 

Apesar das dificuldades que autores (sejam iniciantes, sejam experientes) têm tido em conseguir publicar um livro, um fenômeno interessante é que isso não tem impedido que os mesmos escrevam e publiquem. O sonho de publicar aquele livro que está na gaveta (ou às vezes ainda ‘dentro’ do autor) tem ficado cada vez mais perto de ser realizado. Várias pessoas estão investindo na auto-publicação. 
Entre as modalidades de auto-publicação, há as editoras sob demanda. Em inglês, o termo é POD, Print On Demand. Esse termo significa que a editora faz a tiragem de acordo com a sua solicitação. Geralmente, essas editoras são prestadores de serviços, que fazem a editoração, enviam o seu livro para a gráfica – às vezes a editora possui sua própria gráfica – e lhe entregam o ‘produto’ pronto. Esse tipo de editora é muito utilizado para projetos especiais, cuja tiragem é muito baixa. Exemplos disso são livros de histórias da família, poesias, receitas, edições especiais para empresas, escolas, e até livros escritos por crianças. A publicação se tornou algo relativamente fácil. Digo ‘relativamente’ porque é tudo uma questão de dinheiro, ou seja, de quanto você pode investir na publicação. Há pacotes de publicação de vários tipos. Como é um assunto grande, vou comentar no próximo post.
Tenho ouvido relatos de escritores – colegas meus – que muitas editoras tradicionais sequer aceitam receber originais, outras aceitam mas demoram meses e até anos para dar uma resposta, seja afirmativa ou negativa; outras ainda assinam o contrato mas a editora não publica, e o seu texto fica preso àquela editora. Uma vez que, por lei, as editoras tradicionais só precisam pagar os direitos autorais sobre o que receberem, o seu texto pode ficar arquivado ou até ‘esquecido’ numa gaveta. Para evitar isso, o ideal é assinar um contrato no qual haja uma cláusula que determine uma data máxima para publicação. Contrariamente, alguns livros podem permanecer ‘impublicáveis’ por muito tempo. Caso a editora não publique o seu livro dentro desse período, pelo menos você tem a chance de oferecer o mesmo para outra editora depois de findo o período estipulado no contrato.
Contudo, tenho observado que algumas editoras tradicionais internacionais passaram também a oferecer o serviço de publicação sob demanda. Se isso ainda não é uma prática comum no Brasil, acredito que seja só uma questão de tempo. Mas sei que existem muitas editoras que já passaram a dividir os custos da publicação com os autores. Os acordos variam de editora para editora. E de autor para autor. Porém, ainda depende do interesse da editora tradicional no seu texto.
Por esse motivo, a atuação das editoras sob demanda tem crescido muito. O interesse da editora sob demanda é lhe oferecer um serviço. Eles não costumam ler o texto. E geralmente não tem linha editorial. Algumas oferecem o serviço de revisão. Mesmo assim, é bom checar antes de imprimir se a revisão está do agrado do autor.
Apesar de, pessoalmente, eu não ter utilizado os serviços de uma editora sob demanda, acompanhei vários casos de autores que optaram por esse tipo de publicação. Como há poucas editoras tradicionais que publicam poesia, por exemplo, a editora sob demanda passou a ser praticamente a opção ideal para os poetas. 

No caso de livros infantis, a maioria das editoras sob demanda não oferece o trabalho de ilustração. Algumas vezes recomendam que o próprio escritor providencie o ilustrador e o pagamento é feito separadamente. Apesar do autor ter que investir também nas ilustrações, a grande vantagem é que não terá surpresas, pois pode escolher quem vai ilustrar o seu livro. Através do portfolio do ilustrador, o escritor saberá antecipadamente o estilo das ilustrações que irão acompanhar o seu texto.
Existem editoras sob demanda muito competentes e de qualidade. Porém, infelizmente já ouvi relatos de escritores se queixando de editoras que não entregaram o livro conforme eles esperavam. Como em todas as áreas, existem empresas que prometem e não cumprem, ou entregam um produto de má qualidade. Essa é uma grande desvantagem dessa opção de publicação (além do fato do autor bancar o investimento). Ainda existem muitas editoras sob demanda que fazem um trabalho de qualidade duvidosa. Portanto, se a sua opção de publicação for a editora sob demanda, pesquise bastante com os autores que já publicaram por lá se a editora cumpriu e realizou tudo conforme o combinado. Pesquise, pesquise, pesquise. O seu sonho de publicar pode virar um pesadelo ao inve
stir num livro cujo resultado não lhe agradou.
Faça um orçamento com mais de uma editora e verifique outros livros já publicados para confirmar que o resultado final será o que você espera. Peça tudo por escrito: valores, prazos, quais serviços estão incluídos no preço – revisão, editoração, dimensões, número de páginas, tipo de papel, capa (lombada, verniz, etc), gráfica, distribuição local, regional, nacional ou online, ou até mesmo se haverá distribuição ou não – e garantia de que vão lhe entregar um produto perfeito. Ou seja, caso o livro tenha problemas (má impressão, páginas mal cortadas, texto não bem posicionado, falta de páginas, etc), eles garantem que vão substituir todos os exemplares com defeito. 
Outra desvantagem é que o seu livro pode vir a ser publicado em meio a livros cujos textos não tenham a mesma qualidade do seu. Não há seleção, não há critério. 

A mesma editora também publicará poesias, receitas, livros infantis, livros com textos controversos, às vezes inadequados, ou até com temas com os quais você não concorda… Isso pode não ser um grande problema, mas pode incomodar ao autor ver o seu livro infantil no mesmo site que um livro cujo tema seja inadequado para crianças.  

Na minha opinião, as editoras tradicionais ainda são a melhor opção para a publicação de um livro. Porém, caso isso não seja possível, ou o escritor tenha pressa em realizar o seu sonho, as editoras sob demanda vieram para atender essa necessidade. 

No próximo post vamos discutir um pouco sobre os ‘pacotes’ de impressão desse tipo de editora. Caso queira comentar, contar sua experiência ou acrescentar algo, por favor, deixe um comentário. J
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2 thoughts on “Publicação de livros – Parte II

  1. Anonymous says:

    Interessante você colocar as vantagens e desvantagens, todo escritor e ilustrador iniciante acaba se deparando com estes tipos de editoras, no meu caso, foi a tradicional.Mas é de extrema importância saber as diferenças, mais uma vez obrigado por compartilhar seus conhecimentos Ingrid =)Leandro LAPS

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  2. Olá, Leandro! Obrigada pelo comentário. Uma observação que me ocorreu agora é que, além da diferença entre essas editoras, também há que se lembrar que existem boas e 'más' editoras em ambos os segmentos. Infelizmente também existem as editoras chamadas tradicionais que pagam muito abaixo da tabela ao ilustrador, e também há editoras que contratam os serviços e acabam não pagando ao ilustrador. E às vezes nem ao autor! Tenho colegas que, para receber, tiveram que apelar para a justiça, infelizmente. Nós, autores da palavra e imagem, devemos estar sempre unidos, para que a nossa categoria fique cada vez mais forte e, quem sabe um dia, a nossa profissão seja regulamentada. Abs!

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